Archive for January, 2007

Meu pai

Wednesday, January 31st, 2007

* A falta de tempo para escrever algo me força a publicar o texto abaixo. Não sei como defini-lo, apesar de estar marcado na categoria “Conto”. Talvez a definição correta seja “desabafo”. De uma dor que não era minha, mas que com certeza senti.   

  É ESSE? É ESSE O PREÇO QUE SE PAGA? É ESSE O PREÇO QUE VOU PAGAR PELO MEU SUCESSO? É ESSE O PREÇO QUE PAGO POR TER TUDO O QUE TENHO?

 Não compensa. NÃO COMPENSA! Não compensa. Se me fosse dada a escolha, não seria assim, NÃO SERIA!

 ESSA DOR NO MEU PEITO! As lágrimas em meus olhos. O soluço atravessado na garganta. O olhar distante para o céu estrelado, em busca de alguma resposta.

 POR QUÊ? POR QUÊ? Vem, DESCE E ME DIZ! POR QUE VOCÊ NÃO DESCE E ME DIZ?

 Se for pelo sucesso, FODA-SE. Não quero. NÃO QUERO! OUVIU BEM?

 Se for pelo amor, FODA-SE!, também. NÃO QUERO. NÃO PRECISO. ENTENDEU?

 Se for por minha saúde, FODA-SE MAIS AINDA. FO-DA-SE!

 Nada disso o trará de volta. De nada adianta eu estar vivo, bem, sendo cumprimentado por todos e ter alguém do meu lado. Ele se foi, e não posso fazer nada. E nada vai curar essa dor. Nada vai enxugar estas lágrimas. Nada vai me fazer esquecer tudo o que ele representou pra mim.

 Meu pai.
 Meu pai.

Um pouco mais de cultura, só isso

Monday, January 29th, 2007

Eu não peço muito. Não precisa ninguém deixar de ouvir seu arrocha ou pagodão, de ler Paulo Coelho e Dan Brown, ou de assistir Big Brother ou Faustão.

Basta alternar essas coisas com alguma coisa que preste. Um pouquinho de música decente não faz mal a ninguém. Pode-se escolher entre mpb, pop/rock, jazz, folk e blues.

Autores e livros decentes também não fariam mal. Não é difícil ler Dostoiévski nem Lima Barreto. Muito menos Augusto dos Anjos ou Álvares de Azevedo.

Assistir um pouquinho a TV Cultura ou de vez em quando o canal Futura é bom também.

Não peço que ninguém deixe de se divertir e assistir/ler/ouvir bobagens divertidas de vez em quando (como eu mesmo faço).

A questão é que quando se elege o “pagodão” como estilo predileto de música, Dan Brown como autor preferido e se fica danado da vida quando perde um capítulo do Big Brother, algo não está certo.

No time to apologize

Friday, January 26th, 2007

A desk to organize,
A product to advertise,
A market to monopolize,
Movie stars do idolize,
Leaders to scandalize,
Enemies to neutralize,
No time to apologize,
Fury to tranquilize,
Weapons to synchronize,
Cities to vaporize.

(The Strokes - Ize of the world)

Versos que definem a humanidade.

Nhô Guimarães

Friday, January 26th, 2007

Opa, tudo bem?

Não tive tempo de avisar mais cedo, esses dias estão super corridos: saiu hoje, no Digestivo, a resenha que escrevi do romance “Nhô Guimarães“, do bom baiano Aleilton Fonseca, professor-doutor de literatura aqui da UEFS e escritor de mão cheia. Aí vai um trechinho da resenha:

Concebido como forma de homenagear os 50 anos de publicação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, Nhô Guimarães é um romance completo e independente, pois transcende a homenagem e ganha vida própria. Nhô Guimarães conta a história de uma personagem que é uma contadora de histórias. Uma mulher simples, do interior, que conta suas histórias para quem levantar as orelhas e fizer silêncio para ouvir.

Clique aqui pra conferir o texto na íntegra!

Eu amo muito tudo isso

Wednesday, January 24th, 2007

Ter/comprar/ganhar livros, quando se é um literato, é ótimo, excelente, não tem coisa melhor.

O problema é que, quando se tem livros demais, fica complicado escolher qual obra ler, ou qual obra ler sozinha. Porque todo literato, imagino eu, quer ler todos os livros que tem. Conheço gente que lê três, quatro livros ao mesmo tempo. E eu sou um desses.

Comecei a ler “Trópico de Câncer” (já falei dele aqui, certo?), tenho dois livros que estou lendo desde 2006 - podem acreditar - e comecei a ler o livro abaixo. Ah, e já comecei a ler outro hoje. Falo dele melhor quando eu o entender.

Estou cercado por livros em meu quarto, literalmente. Há livros em cima da minha bancada e embaixo dela, no meu guarda-roupa e no tapete ao pé da cama.

A dúvida de “qual livro ler hoje?” e a angústia de saber que eu jamais lerei todos os livros que tenho não é, nem de longe, algo ruim. Muito pelo contrário.

Eu amo muito tudo isso.

A possibilidade de uma ilha

Tuesday, January 23rd, 2007

“No dia do suicídio do meu filho, fiz ovos com tomate para mim. Um cachorro vivo vale mais  que um leão morto, estima corretamente o Eclesiastes. Nunca gostara daquela criança: era tão estúpida quanto a mãe e tão malvada quanto o pai. Sua morte estava longe de ser uma catástrofe; de seres humanos desse gênero podemos prescindir.”

Trecho do romance “A possibilidade de uma ilha“, de Michel Houellebecq, que comecei a ler no último fim de semana. Li menos de 40 páginas do livro, mas já prevejo uma bela resenha sobre ele.

O que se pode fazer em dois dias

Tuesday, January 23rd, 2007

Em dois dias você pode:

- Trabalhar oito horas e vinte minutos por dia;
- Dormir menos de 7 horas por dia;
- Começar ler mais um livro;
- Ver nascer uma nova amizade em apenas três emails;
- Se achar e se perder nesses emails;
- Chorar no ombro da bem-amada em uma noite de domingo.

Você também pode perder seu tempo fazendo besteiras ou não fazendo nada. Mas isso quem escolhe é você.

Eles voltaram

Thursday, January 18th, 2007

Ia colocar como “P.S.” do post abaixo, mas os caras que vou citar merecem um post só pra eles.

O Sérgio Rodrigues voltou de férias e está a toda em seu Todoprosa.

Já o Polzonoff dá indícios de que vai voltar a atualizar seu espaço com alguma frequência, depois de algum tempo com o site um tanto quando de lado.

Visitem ambos, assim que puderem.

Eu no Rascunho

Thursday, January 18th, 2007

Já está no site do Rascunho a resenha que escrevi do romance “Eu, Deus”, do Sidney Garambone, e que também saiu na edição impressa.

Só um pequeno engano: na edição impressa consta “Rafael Rodrigues - São Paulo - SP“. A isso prefiro chamar de premonição, e não de erro.

Segunda-feira volto com um post que escrevi ontem meio enfezado. É bom deixar ele quietinho e reler com mais calma, pra não postar bobagem.

Abraços!

Plano de leitura

Thursday, January 18th, 2007

* Texto publicado originalmente na extinta coluna Literando, que eu mantinha no site Argumento, em 29 de junho de 2006.

Sempre que compro ou recebo um livro, seja ele um romance, uma coletânea de contos ou crônicas ou poesias, a primeira “coisa” que faço é verificar como o livro é dividido.

Se for um romance, vejo quantos capítulos ele tem, e qual a média de páginas de cada um. O mesmo com as coletâneas de contos, crônicas ou poemas. Depois disso traço um plano de leitura, digamos assim. Lerei “X” capítulos (ou contos ou crônicas ou poesias) por dia e em “Y” dias finalizarei a leitura.

Mas como as coisas quase nunca saem como planejado, muitas vezes eu me enrolo todo. Ou não. Por exemplo.

Dia 15 de abril desse ano, que foi um sábado, recebi o livro (via sedex, por isso chegou no sábado) “Amigos e vinhos, mulheres à parte” (Rocco, 379 págs.), romance do escritor americano Rex Pickett. Como esse texto não se trata de uma resenha, direi apenas que o livro é muito bom, e deu origem ao filme “Sideways - Entre umas e outras“, ganhador do Oscar de melhor roteiro adaptado. Se você não assistiu ao filme nem leu o livro, não sabe o que está perdendo. Mas enfim. (more…)