Archive for January, 2007

Isso é que é uma capa bonita

Wednesday, January 17th, 2007

Pros ceguetas (não, meu amor, não é uma indireta pra você… hehehe) que não conseguirem enxergar o título/autor, a imagem acima é a capa de “Erec e Enide” (Alfaguara/Objetiva), de Manuel Vazquez Montalban.

Já ouvi falar do autor, mas nunca li nada de sua autoria. O caso é que, como o D. Galera, eu também julgo livros pela capa, e achei a de “Erec e Enide” muito bonita. Forte candidata a mais bonita capa do ano - mesmo ele estando ainda no começo - em minha opinião, é claro.

Uma de minhas próximas aquisições, com certeza.

Das coisas que me aborrecem

Wednesday, January 17th, 2007

Uma das coisas que mais me aborrecem em uma pessoa é o ar de superioridade que algumas têm ou o fato de algumas delas subestimarem pessoas que sequer conhecem.

Dias atrás estava eu atendendo a um cliente e uma pessoa que estava com ele perguntou qual a nossa carga de trabalho e tal. Respondi à pergunta na boa, não poderia ser diferente. Mas aí o rapaz começou a brincar com o amigo, perguntando se ele não deveria estar trabalhando àquela hora, um sábado à noite ou um domingo, não lembro, já que eu estava.

Ele disse, “eu estudei, ele não”. O “ele” sou eu, no caso. Por mais que, ali no momento, tenha parecido brincadeira, a frase demonstra um preconceito ridículo com quem trabalha em shopping. Além do fato de ele não saber que eu sou aluno de uma universidade pública. Posição, aliás, que é um diferencial hoje, mas que muitas vezes não representa muita coisa. Mas isso fica pra um outro post.

Eu, sinceramente, não me importo nem um pouco com o que os outros pensam ou deixam de pensar de mim. Mas é triste saber que alguns têm essa mente pequena, e pensam que só “coitadinhos” trabalham em shopping.

Trabalhei por mais de dois anos no shopping, e mês passado voltei a trabalhar lá, em outra empresa. A carga horária é pesada, os que trabalham no horário de fechamento - eu entre eles - saem tarde, aproveitam pouco os fins de semana e tudo o mais, mas há compensações - por menores que elas possam parecer para quem está de fora.

Eu trabalho no shopping por diversos motivos. Um deles é o shopping ficar perto de minha casa. Outro é o fato de eu estudar pela manhã, o que me impede de trabalhar no comércio ou em qualquer outro lugar em horário comercial. Sem contar que não quero lecionar. Nunca quis, nem quero. A não ser que seja em universidade. Aí a coisa muda de figura.

Mas o maior motivo, mesmo, é porque eu gosto. Gosto de atender clientes, resolver os problemas que aparecem, aprovar o cartão de uma pessoa que há tempos tenta ter um. A satisfação de ver um sincero “obrigado” de um cliente, por mais que atendê-lo bem seja minha obrigação, é reconfortante demais.

Uma noite no museu

Monday, January 15th, 2007

Ben Stiller é um dos melhores atores do momento. Loucura minha?

Fazer comédia não é coisa fácil. Tanto não é que, quando comediantes fazem papéis dramáticos, quase sempre eles surpreendem. Vide Jim Carrey em “Brilho eterno de uma mente sem lembraças“, atuação que lhe renderia o Oscar, não fosse o preconceito que Hollywood tem com os comediantes.

A Ben Stiller não foi dado um papel dramático, muito pelo contrário. Assistimos* a “Uma noite no museu“, estrelado por ele, e o que mais fizemos* foi dar boas risadas. O caso é que Ben atua sozinho diversas vezes durante o filme, e não é fácil falar sozinho num set de filmagens. Ao menos, penso eu que não.

A trama de “Uma noite no museu” é simples: pai divorciado de um garoto de mais ou menos 10 anos, Larry (Ben Stiller) não consegue manter um emprego por mais de alguns poucos meses. O troca-troca de emprego o faz também mudar-se de moradia com frequência, e essas mudanças estão começando a prejudicar seu filho, que aos poucos vai deixando de admirar o pai. Ao ter seu currículo recusado por uma agência de empregos, Larry implora à atendente que lhe consiga um emprego. Ela então o indica para a vaga de vigia noturno de um museu de história.

Na sua primeira noite como vigia, Larry se vê no meio de uma ossada de dinossauro viva, uma estátua falante, homens da idade da pedra tentando fazer fogo com pedras, leões, mamutes, zebras, miniaturas de soldados romanos, enfim, tudo dentro do museu ganha vida à noite.

A partir daí o filme é uma sucessão de cenas engraçadíssimas e também água-com-açúcar, pois Larry precisa aprender a enfrentar as dificuldades do emprego para reconquistar a admiração e o respeito do filho.

Não vou falar muito do filme porque, sinceramente, não sei como falar de filmes, ainda. Mas se você procura um filme para dar boas risadas e também se emocionar um pouquinho, vá correndo assistir “Uma noite no museu”.

Por incrível que pareça, a dublagem ficou muitíssimo boa. Quero alugar o dvd, quando sair, pra comparar os diálogos em inglês com a versão em português, porque essa versão ficou mesmo muito boa. E olha que eu não gosto de assistir filme dublado…

Outra coisa muito legal do filme é o Owen Wilson. Ele está, como sempre, hilário. E é legal ver que ele e o Stiller estão se demonstrando grandes parceiros e amigos. Ambos vêm fazendo muitos filmes juntos. E bons filmes.

Ah, e não posso deixar de falar da participação de Robin Williams também, muito bom, como sempre.

* Verbos na terceira pessoa do plural, aqui no blog, como ”assistimos” e “demos” no post acima, querem dizer Cássia e eu, salvo exceções devidamente apontadas.

Já ficou chato…

Sunday, January 14th, 2007

Não vou dizer que não assisto o Big Brother. Mas dessa nova edição, ainda não vi 1 só “capítulo” inteiro. Vi só um trechinho de uma festa idiota que aconteceu em uma madrugada dessas. Eles cantavam e dançavam músicas do Mamonas Assassinas.

Fui pegar um café agora há pouco e passei na frente da tv, que quase sempre fica ligada a madrugada inteira, não me perguntem por que. Aí vi uma garota em cima de um rapaz, dizendo que o beijou porque se sentiu envolvida por ele. Não acompanhei a cena inteira porque meu café é mais importante que isso. Mas já identifiquei o tipo: é a bebum da vez. Teve uma no BBB passado, não lembro quem foi.

Depois vi dois caras conversando meio escondido. Ou é tramóia ou mais um vai sair do armário, tal qual Jean Willys, num outro BBB.

Em seguida vi o que deve ser o Don Juan do BBB, por ele não estar no meio do agito noturno, e sim deitado na cama, conversando com uma das garotas da casa. Ele disse o seguinte: “O que eu quero é me divertir e mostrar quem eu sou“. E depois disse o seguinte: “Quem vai ganhar é quem o Brasil escolher“. Esse indivíduo segue o script que acha que vai conquistar os telespectadores e lhe dar o prêmio maior do programa.

Isso tudo me fez ter uma idéia, que poderia servir a algum desocupado ou estudioso do programa - que acaba dando no mesmo que desocupado: selecionar as frases mais ditas durante o programa e identificar os perfis escolhidos (?) pela produção do programa para participar do reality show. Alguns eu já identifiquei acima: a bebum (talvez seja chamada de “a vagaba”, em breve), o boiola e o “mocinho”.

Não tenho nada contra o programa. Até assisti as primeiras edições. E até hoje lembro do BamBam com aquela boneca que esqueci o nome. Poxa, acho até que chorei no dia que ele ganhou. Ele ganhou uma das edições, certo?

Mas deveriam colocar pessoas mais interessantes no BBB. Sei lá… Pessoas que fizessem trabalhos de voluntariado em suas cidades, pessoas que chefiam grandes empresas, pessoas humildes e esforçadas, professores, enfim, pessoas que pudessem realmente passar algo de bom para que estiver assistindo ao programa. Isso não tornaria o programa chato. Essas pessoas seriam pessoas jovens e bonitas, também. A diferença é que elas teriam algo na cabeça, e não apenas vento.

A desgraça de ser um escritor jovem

Saturday, January 13th, 2007

O título do post é o título de uma das crônicas do volume 5 da Obra Jornalística de Gabriel García Márquez, lançado pela editora Record no fim de 2006, livro que estou degustando aos poucos, e que vale cada centavo que custa.

Gostei demais dos trechos abaixo; e então resolvi compartilhar com vocês.

“… o entusiasmo quase pueril com que entram em concursos os escritores que hoje têm a mesma idade e as mesmas ilusões que eu tinha então me faz pensar que eles não compartilham meus receios, e sim o contrário, e que muitos não escrevem por uma necessidade iniludível, como deve ser, mas apenas para ganhar um concurso, e isso é algo que deve alarmá-los, como me alarma, se na realidade estão dispostos a entrar com o pé direito no inferno dos grandes escritores.”

“O caso é este: não há desgraça maior neste mundo que a do escritor jovem. Sobretudo nestes tempos funestos em que está na moda ser famoso. Antes, quando nós escritores jovens escrevíamos porque não havia outra solução…”

O texto, publicado em 1981, não poderia ser mais atual.

Vim, vi e venci

Thursday, January 11th, 2007

Mas somente a primeira batalha. Há muita estrada ainda pela frente.

Notícia muito boa, em breve. Antes, duas outras bem legais.

Dois textos meus republicados no Cronópios, confiram lá.

E sai, no jornal literário Rascunho deste mês, a resenha que escrevi do romance “Eu, Deus“, do Sidney Garambone. Ela entra no site do jornal em breve.

2007 não poderia começar melhor.

Vou de van

Wednesday, January 10th, 2007

Quase em frente à faculdade tem um posto da polícia rodoviária federal. Estava indo de van pra lá hoje pela manhã e estava animado, pois eu ia chegar mais ou menos cedo. Pouco depois de a aula (que não teve) ter começado.

Mas eis que um policial rodoviário resolve parar a van para multar o pobre e desdentado motorista. Primeiro, por causa do visto que permite a van circular pela cidade, que estava vencido. Segundo, porque no fundo da van - uma Kombi, aliás - estavam sentados quatro passageiros - como acontece em toda van por aqui - e só havia três cintos de segurança.

Não quero aqui questionar as leis. Tampouco quero com esse post malescrito dizer que o policial está errado. Mas quando todo dia vemos todas as vans saindo do terminal de transbordo com 4 pessoas no fundo e ninguém nunca fala nada, é chato ver um pobre coitado ser multado por um erro que é geral. Talvez até seja uma instrução da empresa dona dos veículos ou mesmo uma instrução da secretaria municipal de transportes, sabe-se lá.

O caso é que o coitado do motorista com certeza será o único prejudicado nessa história toda. E isso não está certo.

P.S.: Não reli/revisei o post.  

Fernando Sabino, por Jorge Amado

Monday, January 8th, 2007

“Fernando Sabino, escritor profissional em país de amadores, trinta anos de sucesso, desde o lançamento do romance de estréia O encontro marcado, publicado em 1956. Êxito tão grande, o autor se assustou, ficou com medo que um segundo romance não saísse à altura do primeiro, emigrou para a crônica, gênero do qual fez-se mestre, crônica sempre marcada pelo ficcionista em férias. O susto durou vinte e cinco anos quando por fim o estreante de O encontro marcado publicou O grande mentecapto, o segundo romance repetiu o sucesso do primeiro. Seguiu-se um terceiro, O menino no espelho, obra-prima, livro de Fernando Sabino de minha preferência. Três romances, dúzia e meia de volumes de crônicas, contos, viagens, entrevistas deram a Sabino posição excepcional em nossas letras, público enorme e fiel, sempre crescente. Tanta fama, uma fábula de direitos autorais, traduções, adaptações, viagens aos States, à Europa e para culminar o indivíduo se anuncia baterista de jazz, ah, insuportável! A ordem correu entre a gentalha: vamos acabar com ele.

Não foram razões literárias, discordâncias estéticas que ditaram a opinião dos críticos, quem a comandou foi a inveja cumprindo ordem emanada dos calhordas: vamos acabar com ele. Aliás, alguns articulistas escreveram horrores do livro, do autor e da biografada, declarando ao mesmo tempo que por precaução não haviam lido Zélia, uma paixão. Boa crítica é isso, se querem saber, o resto é bobagem, atraso de uns pobres-diabos por aí.”

Jorge Amado, em um “livro memórias que jamais escreverei”, ”Navegação de cabotagem“, sobre Fernando Sabino e a “tempestade que desabou sobre a cabeça de Fernando Sabino, motivada pela publicação de seu recente Zélia, uma paixão, biografia romanceada, a vida e os amores da ex-Ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo, ainda tão jovem e já tão fala, o nome na boca do mundo.”

Das coisas que eu não entendo

Saturday, January 6th, 2007

Fernando Pessoa é português. E escrevia em língua portuguesa. Ok.

Alguém poderia, por favor, me explicar porque a editora A Girafa, editora que admiro bastante, aliás, publicou o livro “Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal“, de Fernando Pessoa, em edição bilíngüe (inglês/português)?

Deve haver alguma boa razão para isso. Mas não faço idéia de qual.

P.S. de 08/01/2007:

Victor Vhil e J.E. Veiga esclarecem o caso nos comentários do post. Confiram!

O destaque vai para a minha falta de atenção na leitura da sinopse do livro que consta no site lincado.

Big Sur e as laranjas de Hieronymus Bosch

Saturday, January 6th, 2007

Este é o título de mais um livro que ganhei do projeto Leia Livro. E já perdi as contas de quantos livros ganhei por lá.

Se você não conhece o projeto da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo, já passou da hora de conhecer. Pra participar é simples: basta enviar resenhas de livros para o site. Os textos são publicadas lá - ou não, depende da qualidade dos textos, óbvio. Se a resenha der origem a um boletim sobre o livro resenhado na Rádio Cultura, “Os boletins vão ao ar de segunda a domingo às 10h30 e 15h15 pela Rádio Cultura AM (1200 kHz) e às 10h e 16h pela Cultura FM (103,3 MHz), de São Paulo“, você tem direito a um livro a sua escolha (há uma lista de excelentes títulos no site) e o recebe em casa. Legal, não?

Sempre que posso, indico o site a alguém, pois é mesmo uma bela iniciativa.