Archive for February, 2007

Ranchocarne

Tuesday, February 27th, 2007

Não sei se vocês souberam, mas um grupo de 12 escritores brasileiros esteve em Israel e participou da Feira Internacional do Livro de Jerusalém. No grupo, Affonso Romano Sant’Anna, Walcyr Carrasco, Luis Fernando Verissimo, Marina Colassanti, Rubem Fonseca, Daniel Galera, entre outros.

De lá Daniel escreveu um post que vale muito a pena ler; e agora, de volta ao Brasil, ele colocou na rede algumas fotos que tirou na terra sagrada.

Quando puderem passem lá no Ranchocarne, o blog do Galera. O post que citei é “O passaporte” e o link para as fotos está na entrada “Síndrome de Massada“.

Soneto (errado) de infidelidade

Tuesday, February 27th, 2007

* Poema bobo que fiz séculos atrás, em um ato de irreverência - também bobo -, inspirado no grande Vinicius, claro

Das duas sei a cor.
Sei do gosto, do sabor.
Das duas eu provei.
E das duas eu gostei.

Uma é linda,
A outra, mais que bela!
Mato e morro pela segunda.
Morro e mato pela primeira. 

Agora eu vejo estrelas
E penso na linda.
Agora, vejo na lua, a bela.

Não posso ter as duas,
E então escolho a linda.
(E então escolho a bela).

The Oscar goes to…

Monday, February 26th, 2007

Deve haver uma infinidade de posts de blog com este título.

Eu vi só a última parte da cerimônia do Oscar. E vi pela Globo. Tirando a animação desmedida da apresentadora - alguma coisa Leitão, Beltrão, não sei - e o terrível esquema de tradução simultânea - o volume da voz em inglês era o mesmo que o volume da voz da tradutora -, ou seja, tirando a Globo, foi legal ver o finzinho da cerimônia. Ou colocavam a voz dela em maior volume ou então colocassem legenda simultânea. Do jeito que foi ontem, não dá. E a Globo parece que não aprende.

Enfim. Vibrei quando foi anunciado o Oscar de melhor ator, para o Forest Whitaker. Não assisti ao filme que resultou em sua indicação, “O último rei da Escócia“, mas fiquei satisfeitíssimo com o resultado. Ele mereceu. Os outros indicados também, sobretudo Will Smith e DiCaprio, que vêm fazendo boas interpretações não é de hoje. Quem não viu “Ali“, com Will Smith, não sabe o que está perdendo. E DiCaprio desde “Prenda-me se for capaz” não pára de atuar bem. O ano deles vai chegar, em breve.

Vibrei também, como se um gol do São Paulo em uma final de libertadores, com o Oscar de melhor diretor para Martin Scorsese, por “Os infiltrados“, primeira estatueta dele, por incrível que pareça.

O filme de Scorsese levou também o Oscar de melhor filme. Mas acho que aí já foi mea culpa demais por parte da academia. Custava dar o Oscar pra “Pequena Miss Sunshine“, que todo mundo tá adorando?

Infelizmente estou aqui falando do Oscar de bedelhudo mesmo, porque não assisti a nenhum filme que concorreu ao prêmio. Faço isso em breve.

Mais sobre a premiação vocês podem conferir no Cine Ronda, do Robledo Milani, que colocou lá a lista completa dos premiados.

O povo perdeu a noção do ridículo

Sunday, February 25th, 2007

Quando você trabalha com atendimento ao público e num lugar por onde passa muita gente, você vê muita coisa engraçada, ridícula e quase inacreditável.

Não resisto de contar aos que passam por aqui o que vi hoje.

Primeiro um rapaz que, ao fazer uma pergunta a uma colega minha, só faltou mesmo colocar a mão dentro da cueca, pra coçar o saco. Foi uma coçada daquelas, vocês podem imaginar. Aliás, não, não imaginem.

E depois, uma tia que passou limpando o salão. Ela meteu mesmo o dedão no nariz. E parecia que não estava nem aí pra nada.

As pessoas cada vez mais estão perdendo a noção do ridículo. 

Eu sou antípoda de um décadent

Saturday, February 24th, 2007

“No fato de um homem bem-educado fazer bem aos nossos sentidos: no fato de ele ser talhado em uma madeira que é dura, suave e cheirosa ao mesmo tempo. A ele só faz gosto o que lhe é salutar; seu prazer, seu desejo acabam lá onde as fronteiras do salutar passam a estar em perigo. Ele advinha meios curativos contra lesões, ele aproveita acasos desagradáveis em seu próprio favor; o que não acaba com ele, fortalece-o. Ele acumula por instinto tudo aquilo que vê, ouve e experimenta à sua soma: ele é um princípio selecionador, ele reprova muito. Ele está sempre em sua própria companhia, mesmo que esteja em contato com livros, pessoas ou paisagens: ele honra pelo ato de selecionar, pelo ato de permitir, pelo ato de confiar. A todo tipo de estímulo ele reage lentamente, com aquela lentidão que uma longa cautela e um orgulho desejado inculcaram nele - ele testa o estímulo que se aproxima; ele está longe de ir ao encontro dele. Ele não acredita nem no “infortúnio” nem na “culpa”: ele dá conta de si mesmo e dos outros; ele sabe esquecer… Ele é forte o suficiente a ponto de fazer com que tudo tenha de vir para o seu bem… Vá lá, eu sou antípoda de um décadent: pois acabei de descrever a mim mesmo.”

Friedrich Nietzsche em ”Ecce Homo“.

Ninguém sente muito*

Thursday, February 22nd, 2007

No fim da noite passada, assistindo por acaso o Jornal da Globo, soube que um policial matou, por engano (pausa).

No fim da noite passada, assistindo por acaso o Jornal da Globo, soube que um policial matou, por engano, uma mulher inocente (nova pausa).

No fim da noite passada, assistindo por acaso o Jornal da Globo, soube que UM POLICIAL MATOU, POR ENGANO, UMA MULHER INOCENTE.

Vocês devem ter visto. Isso foi no Rio de Janeiro, se não me engano. Ela estava na sacada de sua “casa” - porque, a rigor, não é uma casa; quem mora na favela não chama o lar de “casa”, chama de “barraco” ou coisa semelhante - quando o indivíduo deu um tiro para o alto; tiro esse que não tinha razão nenhuma de ser. Garotos brincavam, e os policiais acharam que estava acontendo um arrastão. Por isso a intervenção policial, por isso o tiro, para acabar com a bagunça.

O caso é que esse tipo de coisa não surpreende mais a ninguém. Como a morte do menino João, que morreu depois de ser arrastado por 7 kilômetros, preso que estava a um carro roubado por jovens garotos de 16 anos - foi isso, certo? Se não foi, alguém me corrija.

Se bem que não importa a idade dos garotos que arrastaram João. Ou se foi apenas um garoto. O que importa é a idade de João, 6 anos de idade. E morreu assim, de graça. Vítima da crueldade de uns outros guris.

O que importa é a idade da mulher morta por engano, que tinha 24 anos e toda uma vida pela frente, assim como o menino João.

E o que fode tudo, mesmo, é que estamos nos acostumando a esse tipo de coisa. Até a nossa indignação, em outros tempos sincera, verdadeira e cheia de sentimento, hoje soa artificial, de tão banal que se tornou ficar indignado.

Ficar indignado? Pra quê? Adianta?

A gente quase não sente. Ninguém mais sente.

Só as famílias dos mortos. Estes sim, sentem. E muito.

Eu sinto apenas que o policial, mesmo tendo sido preso, tenha saído da prisão depois de pagar fiança. Sinto apenas que os guris que mataram João não sejam presos por toda a vida, pois são menores de idade. E sinto o fato de a hipocrisia de muita gente impedir que seja feita uma verdadeira e dura reforma nas leis que regem esse nosso país de m…

* “Ninguém sente muito”, epígrafe do livro “O homem que não gostava de beijos”, de Edward Pimenta. A frase é atribuída a Jary Mércio.

40

Thursday, February 22nd, 2007

Gosto de inventar coisas.
Principalmente coisas inúteis.
Por isso mesmo umas pessoas chamam-me poeta, outras vagabundo.
Infelizmente são mais as pessoas que me chamam de vagabundo.
Mas tudo bem.
O mundo sempre foi assim.
Sempre houve maior número de idiotas do que de outras pessoas.
A isso chama-se multidão.

Trecho de ”40“, poema de Gonçalo M. Tavares em “O homem ou é tonto ou é mulher“.

Divertimento

Wednesday, February 21st, 2007

Acho que vou fazer assim: dizer o título do livro e o porquê de comprá-lo. Enquanto não leio o dito cujo, claro.

E por que fazer isso? Porque gosto de falar de livros. Só por isso. Se vocês não gostarem dos posts ou me acharem exibido demais, digam. Isso não vai fazer com que eu deixe de postar.

Cássia e eu fizemos um pedido juntos. Ela comprou dois do Cony, eu pedi três que há tempos queria. Vamos a eles:

O Evangelho segundo o vento, romance, de Carlos Nejar (pai do Fabrício Carpinejar). Folheei o volume na livraria aqui da cidade, a careira, de alguns posts atrás. Nela, o livro custa R$ 26,00. Esperei bastante até encontrá-lo por R$ 17,90. Agora ele subiu para R$ 21,90. Valer R$ 26 ele vale, até por conta do projeto gráfico, muito bonito e bem cuidado (a capa é de um material que não sei dizer qual, um tipo de papelão mais fino, forrado com um papel especial). O caso é que às vezes dá pra esperar uma promoção. Enfim o comprei. Leio não sei quando.

O homem ou é tonto ou é mulher, poemas, Gonçalo M. Tavares. Este eu folheei na bienal do livro em Salvador, em setembro de 2005. Não o comprei porque tinha outras prioridades, na época, mas fiquei monitorando ele em lojas virtuais até agora. Em breve posto um trecho dele aqui.

Divertimento, novela, Julio Cortázar. O escritor argentino é presença obrigatória na estante de qualquer um que se diga admirador de literatura. Até então eu só tinha uma edição bem simples de “Todos os fogos o fogo”, que precisa ser substituída, aliás. As traças já comeram alguns pedaços de páginas. De “Divertimento” só li o primeiro parágrafo, então não posso dizer nada sobre o livro. O fato é que Cortázar é Cortázar e, pra mim, qualquer coisa dele vale a pena.

O destino bate à sua porta

Monday, February 19th, 2007

O destino bate à porta” é um dos poucos livros do gênero policial que suporta uma segunda leitura. É um romance noir único, de estilo nervoso, muscular, apesar da aparente simplicidade. Corajoso também, de uma ousadia ímpar. Não é à toa que Albert Camus lhe reconhecia os méritos. Só comparável a “Santuário”, de Fawlkner, “A lua na sarjeta”, de Goodis, e a um ou outro livro de Hammett e Chandler. A bela edição da Companhia das Letras fez, afinal, justiça à qualidade do livro.

O comentário é de Mayrant Gallo, meu eterno professor de teoria literária e um dos melhores escritores brasileiros em atividade.

Lembro quando ele citou a obra em uma de suas aulas, logo no primeiro semestre do curso. E tenho anotado, em uma das páginas do caderno que usei naquele semestre, o título do livro. De lá pra cá já se foram quatro anos.

O plano é finalmente comprar o livro comprá-lo esta semana.

Se você veio do Todoprosa…

Friday, February 16th, 2007

Clique aqui e leia o ensaio “As Penas do Ofício, do jornalista e escritor Sérgio Augusto.

E a discussão continua no outro Sérgio, o Rodrigues.