Archive for February, 2007

O nome da morte

Friday, February 16th, 2007

Mais uma resenha minha no Digestivo. Desta vez do livro “O nome da morte“, do jornalista e escritor Klester Cavalcanti. Um trecho dela:

O jornalista e escritor recifense Klester Cavalcanti é um homem de sorte. Não digo isso pelo fato de ele ter trabalhado em ‘algumas das maiores publicações do país’. Digo isso pelo fato de ele ter conhecido, em 1999, o personagem que qualquer escritor gostaria de conhecer. Trata-se de Júlio Santana, um matador de aluguel que, em 35 anos de trabalho, executou 492 pessoas em diversos lugares do Brasil.

Pra ler o texto inteiro é só clicar aqui.

On the estrada

Wednesday, February 14th, 2007

Acho que foi no fim de 1998. Meu pai e eu fomos de carro daqui até Brasília. Fui fazer o vestibular da UNB. Na época eu queria Direito.

A viagem foi longa. Se não me engano, foram dois dias de viagem. Parando para dormir, admirar e conhecer alguns lugares e visitar amigos distantes. Dele, no caso.

Chegando no paraíso dos safados, ficamos hospedados na casa de uma tia de meu pai. Conheci o Palácio do Planalto, um shopping enorme que não lembro o nome e alguns pedaços de Brasília, cidade que visitei outra vez no ano seguinte, e quero visitar novamente assim que puder.

Lembro perfeitamente do dia em que fui fazer a prova e conheci uma bela garota de nome Narjara. Mora - ou morava, pois deve ter passado no vestibular, já deve estar em Brasília - em uma das cidades satélites. A ocasião foi o nosso almoço, nos conhecemos por acaso em um McDonald.

Mas o melhor da viagem foi a paisagem, tanto de Brasília quanto da estrada que nos levou até lá.

Se eu fosse já um literato naqueles tempos, teria anotado tudo, pra depois dar uma de Kerouac.

“Fiz muito gosto”

Tuesday, February 13th, 2007

Hoje atendi um português que nasceu em Vila Viçosa, terra de Florbela Espanca, e que sabe tudo sobre a vida dela.

Isso eu sei porque vi na identidade dele e porque ele me falou sobre a poetisa. Óbvio que, pra ele dizer isso, eu tive que disparar alguma coisa. Nada mais eu disse do que “De Portugal, eu conheço a literatura portuguesa”, ou algo do tipo. 

Depois disso tivemos uma longa conversa, no meu horário de lanche, sobre a colonização brasileira e espanhola, regada a suco de acerola - da fruta, mesmo. O senhor, que já tem seus 60 anos, é inteligentíssimo, e muito simples, apesar de ter uma confortável situação financeira. Gosto muito de gente assim.

Isso me motivou a ler “O sol e a sombra“, que estava em uma das várias caixas de livros que tenho aqui, e que de certa forma aborda um assunto que seu José Manuel e eu discutimos: a administração portuguesa no Brasil.

Isso não é pra agora, é pra daqui a uns meses. Mas com certeza citarei seu José Manuel no texto. Afinal, é ele o culpado de tudo.

Esse acaso só reforça o que eu penso e, sempre que posso, digo: nenhum livro jamais deve ser descartado antes de ao menos uma leitura. Corre-se o risco de perder uma grande obra. É por isso que minha biblioteca cresce a cada dia, mesmo sabendo eu que será impossível ler todos os livros que eu comprar/ganhar.

Ao fim da conversa, seu José Manuel se despediu dizendo “fiz muito gosto”, coisa lá da terrinha. E eu voltei a trabalhar. Sorrindo.

It ain’t over ’til it’s over

Monday, February 12th, 2007

Fomos ontem, domingo, assistir a “Rocky Balboa“.

Neste filme, que encerra a série, o ex-boxeador Rocky Balboa vive de maneira pacata, no lugar onde foi criado e tem um restaurante chamado “Adrian”, em homenagem à sua mulher, que sucumbiu ao câncer.

(É bom dizer que a atriz que interpretava Adrian, Talia Shire, continua vivinha da Silva, ao contrário do que eu mesmo pensava. Clique aqui e leia o que ela falou sobre a morte da personagem.)

Tudo vai bem na vida de Rocky, exceto a saudade da mulher, a falta de aproximação com o filho e a vontade adormecida de voltar a lutar. É óbvio que cada um dos problemas vai sendo superado até o fim do filme.

Ele conhece uma nova mulher e, apesar de não se envolver com ela, a impressão que fica é a de que ela vai fazer com que Rocky deixe um pouco de lado a quase adoração à esposa falecida. O filho se aproxima do pai no meio do filme, quando Rocky decide voltar a treinar. É quando também aparece a chance de ele enfrentar o atual campeão dos pesos-pesados, Mason Dixon.

Isso por conta de uma simulação feita no computador de uma luta entre os dois. Na simulação, Rocky vence, facinho, por nocaute. Já a luta de verdade, não digo quem venceu.

O slogan do filme é “it ain’t over ’til it’s over“. Traduzindo ao pé da letra fica mais ou menos ”nada acaba até acabar” ou “nada acaba até chegar ao fim” ou como o leitor preferir.

“Rocky Balboa” ou “Rocky VI” é um filme sobre um homem que não desiste de seus sonhos, como tantos filmes. Mas a história de Rocky é diferente. Rocky Balboa é quase um mito, se já não for. É também um filme sobre a obstinação e a dedicação de um homem.

Obstinação e determinação que teve o próprio Sylvester Stallone, para fazer ”Rocky Balboa” chegar às telonas. Stallone teve grandes dificuldades em produzir o filme, que quase não foi rodado. Sobre isso, você poder ler mais aqui. Aliás, é bom dizer que foi Stallone quem dirigiu, produziu e escreveu o roteiro do filme.

O filme começa e termina com 14 mil pessoas gritando “Rocky, Rocky!”. É arrepiante.

Minha primeira Entrevista

Friday, February 9th, 2007

Opa, todos bem?

Entrou no ar hoje a minha primeira entrevista, concedida a Julio Daio Borges, o infalível Editor do Digestivo Cultural.

A entrevista marca a minha promoção para Editor-assistente do site :)
Vocês lêem a entrevista clicando aqui.

“Os medíocres venceram”

Thursday, February 8th, 2007

Depois de ler o post abaixo - ou não, o olho é seu, você é que sabe o que lê ou deixa de ler -, dê uma passadinha no Digestivo e leia a excelente entrevista que Julio Daio Borges fez com o escritor, jornalista e crítico literário (tudo o que eu vou ser, um dia) Sérgio Augusto, que disse, entre outras coisas, o seguinte:

Podemos concluir que o processo de decadência da imprensa cultural é algo tão indiscutível e aparentemente irreversível quanto o aquecimento global. Os jornais não estão interessados em qualidade, mas em ganhar dinheiro; ou melhor, em não perder tanto quanto perderam nos últimos anos. Ficaram populacheros, como dizem os mexicanos, atrelados à ‘cultura’ da celebridade, à vulgaridade televisiva. Os medíocres venceram.

A Piauí

Thursday, February 8th, 2007

A Piauí é uma revista que me deu vontade de ler e resenhar. Primeiro porque, logo que foi lançada, ela veio com aquele slogan de “pra quem tem um parafuso a mais”, se não me engano. Achei isso elitista e arrogante. Pensei seriamente em comprar o primeiro número só pra esculhambar a revista. Mas já foi a época em que comprava livros só pra falar mal deles. Comprei dois e não faço isso mais. É desperdício de tempo e de dinheiro, óbvio. A verdade é que eu pensava que os livros mudariam minha opinião sobre eles mesmos e sobre seus autores. Infelizmente isso não aconteceu. Acabei não escrevendo sobre eles, porque não valia a pena. Mas não queiram saber o que é um escritor ou resenhista ressentido ou amargurado. Não queiram. Mesmo.

Voltando à Piauí, eu achei bem elitista o slogan. E não gostei do formato da revista. Ela é gradona, do mesmo tamanho da Caros Amigos. Nada contra o tamanho da Caros Amigos, muito pelo contrário, mas achei cara-de-pau demais a Piauí chegar com um slogan desse e imitar o tamanhão da CA. Sei lá, foi minha opinião, na época. Além do mais, ela é um projeto do João Moreira Salles, homem que pode passar o resto da vida rasgando centenas de reais todos os dias que não morre pobre. Então eu achava que a revista era só o mais novo passatempo dele. O caso é que, desde o lançamento da Piauí para cá, minha opinião sobre ela mudou bastante.

O slogan ainda não consegui engolir, pra ser sincero. Mas o tamanho é justificável. Os textos da Piauí são maiores que os das revistas tradicionais. Então nada mais justo que a revista ser maior também. Afinal, um texto de três páginas da Piauí teria seis páginas em uma revista “normal”. Isso talvez espantasse leitores, não sei. Três páginas dá a impressão de que o texto não é tão grande. Ele tem três páginas e não SEIS, sacou? Fator psicológico. Sério. Qual livro mais lido de Joyce? ”Ulisses” ou “Dublinenses”? Rá rá rá.

Então. Minha opinião mudou. Isso porque comprei a edição de janeiro e vi lá um texto do Italo Calvino e outro do Daniel Galera. Além de outras matérias que não li ainda. E então resolvi assinar a revista, só pra não ter que ficar indo na banca todo mês comprá-la. É um saco ir na banca comprar revista. Ao menos aqui é.

E eis que a edição de fevereiro me chega em casa. Com textos de Vargas Llosa e Woody Allen, e outros mais. Ô coisa boa.

Sobre o John Moreira Salles, percebi que ele não faz a revista por pura vaidade. Ele quer mesmo mudar o panorama, fazer uma revista diferente, com conteúdo. E acho que isso ele está fazendo. Além disso, a empresa que trabalho faz parte do patrimônio da família dele. Não posso falar mal do irmão do chefãozão, certo?

A última Literando

Wednesday, February 7th, 2007

Saiu essa semana a minha última coluna no site Argumento.net. Um texto de despedida, é claro.

Relendo aqui, agora [GIL GOMESSSS], não me pareceu um bom texto. Paciência.

Em todo caso, aqui vai o endereço, pra quem tiver curiosidade de ler: http://www.argumento.net/literando/index.shtml

Ser legal é legal

Wednesday, February 7th, 2007

Procuro ser o mais gentil possível com quem quer que seja. Menos com quem não merece gentilezas, é claro. Mas ainda assim procuro sempre ser agradável. Em casos extremos demonstro um ar cansado, sem ser de enfado, só pra mostrar ao outro que não sou nenhuma máquina. E isso às vezes funciona.

Mas o que funciona mesmo é ser gentil. E o melhor é ser sem pensar em recompensa, ser agradável gratuitamente, sem esperar nada em troca. Quase sempre há um bom retorno, mais cedo ou mais tarde.

Sábado à noite atendi uma cliente muito simpática. Ela foi fazer o cartão da empresa, e como já era tarde, só teríamos a resposta no dia seguinte. Como ela não poderia ir lá no domingo, pedi que ela ligasse de casa ou que aparecesse por lá na segunda, pra saber se o cartão tinha sido aprovado. Ela fez questão de só saber o resultado na terça, comigo.

E ontem também um cara muito gente fina, que tentou mês passado fazer o cartão e não foi aprovado, retornou à loja. Como estava muito cheio e ele tem um problema de tempo, sugeri que viesse no domingo próximo. Ele perguntou se eu estaria trabalhando, mas estarei de folga. Ele então disse que viria outro dia, pra fazer o cartão comigo.

Muito legal esse tipo de coisa. E pra ser legal não tem receita. É só ser. Andar de bem com a vida, sem reclamar de barriga cheia. E se for reclamar de barriga vazia, ou seja, com razão, o melhor mesmo é usar a garganta pra outras coisas.

É correr atrás, minha gente. Correr atrás. Misturei um pouco as coisas, mas acho que vocês entenderam a mensagem principal.

Dez mil outras pessoas…

Monday, February 5th, 2007

“- O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
 - Tudo bem, então devemos fazer o melhor possível.”

(do conto “Braçadas para o meio do nada”, no livro “Numa fria“, de Charles Bukowski)