Archive for March, 2007

O outro lado

Thursday, March 29th, 2007

* postado em 02/12/2006, no antigo Entretantos.O mundo nunca foi, não é e nunca vai ser o mundo perfeito que muita gente quer e imagina que possa vir a ser.

A maioria das pessoas foi, é e sempre será ignorante, mal-educada e fútil.

O lucro foi, é e sempre será o objetivo de todo e qualquer ser humano. A ambição é inerente à nossa espécie. Raros são aqueles que não têm metas maiores a alcançar. E coitados deles, pois são atropelados por todos os outros.

Os filhos foram, são e sempre serão rebeldes sem causa, e só aprenderão as lições da vida quando algo de muito grave com eles acontecer. E quando isso ocorrer, é muito provável que eles estejam sozinhos no mundo, sem os pais, e afastados do que antigamente chamavam de família. E só então vai perceber que, na verdade, nunca souberam o que o termo “família” significava. Raros são os filhos que dão valor a seus pais.

A maioria dos pais foi, é e sempre será impaciente e muito pouco compreensiva no que concerne às vontades e sonhos dos filhos, justamente dos filhos que são pacientes e compreensivos com eles. É incrível. Mas a culpa disso não é dos pais: é do mundo, cada vez mais cruel e insuportável, por culpa das pessoas que não têm a mínima preocupação em serem pessoas melhores. Os pais preferem, portanto, que os filhos não sonhem, que não se iludam com o mundo, pois não receberão boas novas em troca. Apenas sonhos despedaçados.

Tudo hoje gira em torno de apenas duas coisas: dinheiro e satisfação pessoal. Dane-se o próximo. Dane-se um “bom dia”. Dane-se um jogar o papel do chiclete no lixo. Dane-se uma gentileza, um ato de respeito ou de carinho. Dane-se tudo, danem-se todos. Eu, eu, eu. É só o que importa: eu. E mais nada.

É por essas e por muitas outras coisas que o mundo está do jeito que está, e vai piorar, e muito, nos próximos anos.

Não podemos ficar nessa de “cada um que se cuide e salve-se quem puder”. Todos temos nossa parcela de culpa, todos podemos ajudar de alguma forma.

Você não paga pra dar um “bom dia” ao carteiro. Você não paga pra ajudar uma senhora que passa carregando peso ou pedindo uma informação. Você não paga pra dar lugar a um idoso no ônibus, trem ou metrô.

Você não vai morrer se deixar pra jogar o papel do chocolate alguns metros adiante, numa lata de lixo. Você não morre se tiver um pouco mais de paciência com todos os que te cercam.

Muita gente por aí tem uma vida pior que a sua, que a minha, e nem por isso fazem de suas vidas um mar de lamentações. Trata-se apenas de uma questão de paciência, boa vontade e esperança, que anda faltando em muita gente.

Esperança. Por incrível que pareça, e apesar de tudo que está escrito acima, eu ainda tenho um pouco.

O inverno da nossa desesperança

Wednesday, March 28th, 2007

* Resenha publicada em 2006, no Argumento.net

Quando recebi “O inverno da nossa desesperança” (L&PM Pocket, 328 págs.), meu irmão estava por perto e perguntou:

“Que livro é esse?”

Falei o título e ele pediu para ver.

“Por que o nome do autor está maior que o nome do livro?”

Ora, eu disse. Porque trata-se de John Steinbeck, um dos maiores escritores do século XX, e qualquer coisa que ele tenha escrito merece ser lida, não importa o quê. Se bem que o título do livro é muito bonito.

“O inverno da nossa desesperança” foi publicado nos Estados Unidos em 1961. Um ano depois o autor foi premiado com o Prêmio Nobel de Literatura. Ao anunciar o vencedor, a comissão do Nobel declarou que, com este romance, John Steinbeck havia “reconquistado sua posição como um arauto da verdade”.

A essa altura, Steinbeck já havia publicado, entre outros livros, o clássico “Ratos e homens”, também um romance inigualável.

O protagonista e narrador (o romance é narrado em primeira pessoa, salvo alguns poucos capítulos) de “O inverno da desesperança” é Ethan Hawley, homem casado e pai de dois filhos, que vive na pequena e fictícia cidade de New Bayton.

Ethan é balconista da mercearia que pertencera à sua família, antes de seu pai perder todo o patrimônio dos Hawley, deixando para o filho muitas dívidas, o mercado e uma velha casa.

Para seguir sua vida e sustentar a família, Ethan vendeu o mercado para um imigrante italiano, o Sr. Marullo, e acabou sendo contratado como balconista.

Sempre demonstrando para os outros ser um homem bem-humorado (principalmente em casa, pois Ethan adora fazer sua esposa, Mary, rir; um dos apelidos dela é “dona ratinha”), Ethan Hawley tem conflitos internos como qualquer pessoa normal. Talvez até maiores, pois ele convive com o fantasma de seu avô, um rígido capitão do mar e com a lembrança dos tempos de ouro da família Hawley.

Além disso, seus dois filhos parecem ser crianças sem coração e sem piedade, pois perguntam mais de uma vez ao pai quando eles serão ricos de novo: “Ontem à noite mesmo, a Ellen me perguntou: ‘Papai, quando vamos ficar ricos?’. Mas eu não lhe disse o que sei: ‘vamos ficar ricos logo, e você que lida mal com a pobreza, vai lidar mal com a riqueza do mesmo jeito’. E é verdade. Na pobreza, ela é invejosa. Na riqueza, pode ficar esnobe. O dinheiro não transforma a doença, apenas os sintomas”.

Querem verdade maior do que essa?

Não foi por acaso que John Steinbeck ganhou o Nobel de Literatura com “O inverno da nossa desesperança”. Por trás do esforço de Ethan Hawley em sustentar sua família e melhorar de vida, há todo um conflito ético, do que vale ou não vale a pena fazer para se conseguir o que se quer. Além de o fato de que tudo gira em torno de um homem comum (como eu e como você, leitor), que se mostra como uma pessoa satisfeita, feliz e bem-humorada, mas que tem por dentro um caldeirão de sentimentos, angústias e desejos.

Eu sou Ethan Hawley. Você também pode ser um.

perambulagens

Tuesday, March 27th, 2007

a Diego Barreto Ivo (ou “o poeta”)

tenho sono
mas não posso dormir
pois tenho fome.

tenho fome
mas não posso comer
pois não há o que comer.

e então sigo perambulando
por essas ruas de um lugar qualquer
até o dia em que meu corpo desabar.

e nunca mais sentir nem fome nem sono
nem nada.

Pretensões literárias

Friday, March 23rd, 2007

Eu sempre fui um tanto quanto retraído. Nunca fui de contar vantagem ou de sair divulgando uma ou outra conquista que tive aqui e ali.

Ultimamente tenho mudado um pouco isso. Contra a minha vontade, pra ser sincero. Se eu pudesse permanecer incógnito e fazer tudo o que tenho feito, seria perfeito. Mas o rumo das coisas me obriga a deixar um pouco de lado a timidez e divulgar o que ando fazendo.

Acho que foi no fim de 2005 que comecei a mandar algumas mensagens para minha lista no Orkut, divulgando o 3 Vozes, blog meu, do Thiago e do Dudu. Tínhamos sido o blog da semana do Jornal do Brasil, e depois disso me senti um pouco mais à vontade para divulgar o endereço. A idéia era expandir o blog, angariar mais leitores. Infelizmente a idéia não deu certo. O blog hoje encontra-se adormecido. Acordará no tempo certo.

Mas a questão aqui não é especificamente o 3 Vozes. A questão aqui é o “se expor”. Eu não gosto de me expor e faço o máximo para que isso não aconteça. Ao menos não de maneira desordenada e gratuita.

Aí você vem e me diz: “mas Rafael, você, escrevendo isso, já está se expondo”. Concordo. Só que estou falando de um outro tipo de exposição. A exposição de mim mesmo, nos posts aqui do blog, são apenas fagulhas de minha personalidade e absolutamente nada de minha vida. Se vocês observarem bem, aqui não há posts com detalhes de minha vida pessoal ou profissional. Eu evito falar de minha namorada, por exemplo. Agora eu a citei e deixei o link para o blog dela, só. Vai ser muito difícil vocês verem aqui algo além disso. (more…)

Um homem sem objetivos não é nada

Thursday, March 22nd, 2007

 E eu digo “homem” no sentido mais amplo da palavra, no sentido de “ser humano”.

Todo homem deve almejar algo. Por mais simples que seja esse algo. Ter um objetivo claro e persegui-lo é uma das coisas que mais admiro numa pessoa.

Digo isso inspirado pelo Romário, que está prestes a marcar seu milésimo gol. Antes de chegar nessa contagem regressiva ele foi duramente criticado, alvo de piadas e do desprezo de muita gente que agora o endeusa. Romário é, talvez, o melhor atacante que vi jogar - posso falar da década de 90 pra cá - e por mais que já tenho feito e dito muita besteira, hoje é um exemplo para qualquer um, acredito eu.

Os cabelos brancos e a idade ensinaram a Romário algo que ninguém pode ensinar a ninguém. Não é a bronca do pai nem o conselho do irmão. É o tempo que nos faz aprender.

A busca pelo milésimo gol levou Romário, que já foi eleito melhor jogador do mundo e jogou em times como o PSV (da Holanda) e Barcelona (de onde, mané?), a jogar em um time inexpressivo da liga de futebol norte-americana e a um time menos expressivo ainda, da Austrália. (more…)

O poder dos livros

Wednesday, March 21st, 2007

O livro é a mais importante e completa fonte de informação, de conhecimento, de prazer e de fruição intelectuais. É um maravilhoso veículo para a força das idéias, a magia do imaginário, o enlevo do poético, para a transcendência da vida, enfim. E por ser tudo isso ele é certamente o mais poderoso de todos os instrumentos de aperfeiçoamento e promoção humana e de transformação social.”

Trecho do ensaio a ser publicado no Digestivo Cultural no dia 26/03, escrito por A. P. Quartim de Moraes.

Então…

Tuesday, March 20th, 2007

“Antônio: (…) Sou grato à minha sorte; mas não confio nunca os meus haveres a um só lugar e a um barco, simplesmente nem depende o que tenho dos azares do corrente ano, apenas. Não me deixam triste, por conseguinte, as minhas cargas.

Salarino: Então estais amando.“ 

Trecho de “O mercador de Veneza“, de W. Shakespeare.

42

Tuesday, March 20th, 2007

Eu, no fundo, sou muito romântico.
Gosto das mulheres por todas as razões e não apenas pelos seus seios, pelo seu rabo, pelas suas ancas e pela sua.
Gosto muito de mulheres.
Está-me no sangue.

Se uma mulher me pedir:
- Quero que subas até ao 10º andar pelas escadas e de lá do alto quero que grites que me amas; se uma mulher me pedir isto é claro que eu não vou subir a lado nenhum, nem gritar nada - que não sou de gritos - mas de certeza que lhe vou dar um beijo.
Elas não resistem a isto.

Ser romântico é dar beijos em qualquer situação.
Elas pedem-nos uma outra coisa e nós zau: um beijo.
Elas choram e nós zau: 1 beijo.
Riem à gargalhada e nós, zica: 1 beijo.
É assim:
beijos, beijos, beijos.

Sou romântico, mas não sou palerma.
Subir de escadas até ao 10º andar por causa de uma mulher?
Nem pensar.

Eu bem que poderia ter escrito isso, mas é mais um trecho de um dos poemas, “42“, de “O homem ou é tonto ou é mulher“, de Gonçalo M. Tavares.

Sinceramente?

Monday, March 19th, 2007

Alguns posts abaixo avisei que estou colocando alguns textos literários no blog e pedi a opinião de quem passar por aqui a respeito deles.

Na verdade, não dou a mínima para o que alguém acha do que eu escrevo. Quer dizer, dou sim, vá lá (mas não é com todo mundo). Quero ser lido, não posso dizer o contrário. Senão eu não estaria nessa.

A opinião de quem quer que seja ajuda a identificar e rever certas coisas que não foram consideradas no momento da elaboração e revisão do texto. Foi por isso que pedi a opinião de quem passa por aqui.

Os comentários do Thiago, via msn, por exemplo, me ajudaram bastante com os últimos textos postados. Revisei umas coisas, melhorei (acho) o que estava escrito. Mas putz, ninguém mais se pronuncia?

Não quero comentários elogiosos. Quero que apontem os defeitos, que digam que está faltando algo e que me façam reconsiderar meus escritos. Eu quero que alguém me provoque, que me desafie. Se ninguém fizer isso, não saberei o quê melhorar.

Enfim. É só um desabafo.

Os links, de novo

Sunday, March 18th, 2007

Atualizei de novo a lista de links.

Entraram nela o blog do Thiago de Oliveirao blog que o mesmo Thiago e Cássia estão levandoo da Renata Miloni e o site da mesma Renata. Adicionei também o Cronópios, que pecado não tê-lo colocado desde o princípio.

That’s all.