Archive for April, 2007

Um poema de Jim Dodge

Monday, April 30th, 2007

Preceitos básicos e avisos adicionais a jovens escroques

Não tente roubar uma vaca maior que sua caçamba.
Não mostre seu rabo pra Polícia Rodoviária.
Negociatas longas com grana curta é prejuízo na certa.
Não confunda o Evangelho com a Igreja.
Nunca dedure familiares ou amigos.
Evite morar em qualquer lugar onde não dê pra mijar da porta da frente.
Só porque é simples não significa que é fácil.
Não deixe seu olho grande preencher cheques que sua barriga vazia não possa bancar.
Se você não a quer, não a provoque.
Não estacione entre dois cachorrões jogando sujo.
Qualquer um amassa tomates; o foda é fazer o molho.
Nunca se é pobre demais para deixar de prestar atenção.
Não remoa por aí suas paranóias.
Nunca durma com uma mulher que considere isso um favor.
Se for atingido por um valentão, dê-lhe a outra face. Se rolar de novo, atire no filho da puta.
Manter é sempre duas vezes mais difícil do que conseguir.
Nunca atravesse uma cidade pequena a 120 por hora com a filhota do xerife nua na garupa.
Nunca registre o preto no branco.
Se você não está confuso então não tá entendendo nada.
Amar é sempre mais difícil do que parece.

[Traduzi/reinventei esse poema que pertence ao livro "Rain on the River", com poemas e contos de Jim Dodge.]

Quem traduziu/reinventou o poema foi Joca Reiners Terron, na comunidade do livro “Fup”, de Jim Dodge, no Orkut.

Playboy? Eu não.

Saturday, April 28th, 2007

Pensei numa revista com esse título: “Playboy? Eu não”. Porque a Playboy é realmente para playboys. Caras que têm muito dinheiro de sobra. Que podem comprar camisas de 300 reais, ternos de 1.000 e sapatos de 500. Ou ainda carros e motos de valores astronômicos. Sem contar que a revista paga altos cachês para as modelos de capa. Agora tudo é na base dos milhões de reais.

A minha revista seria diferente.

Na seção “Moda”, fotos de tênis All Star de no máximo 70 reais e sandálias Havaianas. Sapatos sociais da C&A ou alguma outra loja de departamento. E não mais que 79,90.

Camisas? Lisas, por 14,90. Camisas sociais não ultrapassariam o módico precinho de 50 pilas. Mais que isso é um susto e sair correndo da loja.

Carros e motos? Não teríamos por quê ter uma seção dessas. O público leitor de minha revista anda de busão. Principalmente o editor dela - eu -, que tem larga experiência no assunto.

No lugar dessa seção, teríamos uma chamada “Busão” ou, quem sabe, um nome mais poético “As histórias maravilhosas do busão nosso de cada dia”. E lá muitas dicas de como se espremer na porta do ônibus sem se machucar, ou de como utilizar o colega passageiro como apoio para não cair. E a melhor dica de todas: como não se envolver com nada ao seu redor no interior do ônibus: basta sentar (se conseguir um lugar para sentar, claro), abrir um livro e ler - ou fingir que está lendo.

Nossas modelos - rá!, modelos! - seriam mulheres que abordariamos na rua - sim, eu teria uma equipe, ora bolas! -, perguntando: “quer 100zinho pra tirar umas fotos?”, se ela fosse muito bonita. Já é uma boa, não? Pras medianas, cinqüentinha já seria bom demais. E cada uma ganharia um milhão transgênico, devidamente plantado e colhido no terreno de um integrante maconheiro da equipe de redação da revista. E, pelo preço, não seria nú artístico, óbvio. Só umas fotos mais ou menos sensuais, de biquini (na beira de uma piscina de plástico no quintal aqui de casa), camisa de malha branca molhada (devidamente molhada com uma mangueira ou no chuveiro mesmo), essas coisas.

Ah, e teríamos uma bela (bela, não: belíssima, sensacional) seção de livros, cds e dvds (toda ela editada por mim, com alguns pitacos de amigos convidados), e de como encontrar coisa boa a derreáu (pra quem não sacou, 10 reais).

Nisso eu sou especialista.

Aliás…

Saturday, April 28th, 2007

Nunca é tarde para se corrigir algum erro, injustiça ou idiotice cometida. Estou pensando bastante nisso nos últimos dias.

Isso tem e ao mesmo tempo não tem a ver com “Fup“, pequena grande novela do escritor americano Jim Dodge, que li nos horários de lanche dos últimos dias. Depois de comer, é claro - ou enquanto comia.

Jim Dodge vem ao Brasil em julho, by the way. Quem for à Flip (Festa Literária Internacional de Parati) irá vê-lo por lá. (Uia, ficou bem sonoro esse finzinho de frase, não?)

Sobre a leitura do livro, quero aqui agradecer publicamente a duas pessoas que me interromperam, e cortaram meu barato, justamente nas últimas páginas (dois clientes lá do trabalho), quando eu estava prestes a chorar no banco do shopping. Não seria deprimente, mas seria estranho (pra quem estivesse passando, não pra mim).

Livro bom, muito bom. Uma lição para quem quer aprender a contar bem uma bela história. Relerei alguns trechos do livro amanhã e domingo, para escrever uma resenha sobre. A sair no Digestivo.

No fim da leitura, no fim mesmo, “Fup” arrancou de mim um grande e emocionado sorriso.

Não se sorri muito assim nessa nossa vida.

Mais sobre a Bienal

Friday, April 27th, 2007

Coluna sobre a Bienal do Livro Bahia hoje, no Digestivo.

É preciso ter tempo de sobra para se ir a uma Bienal de Livros. Não se pode ir a um evento desse tipo na correria, com o horário apertado, como eu infelizmente fui obrigado a fazer. O bom mesmo é ir todos os dias, ver as conversas entre os autores, ir aos lançamentos de livros, pesquisar preços nos vários estandes, encontrar amigos, conhecer gente que gosta de literatura, que vive a literatura.”

Clique aqui para ler o texto completo.

A lista de Rafael

Wednesday, April 25th, 2007

Como não podia deixar de ser, comprei uma porrada de livros na Bienal.

Foram 19 aquisições. Com dois que ganhei, 21. Primeiro os dois que ganhei:

“Teatro das horas” (Edições K), poemas, André Setti. Quem me deu esse foi o Wladimir Cazé.

O homem invisível” (Nova Alexandria), romance, H. G. Wells. O tio do melhor stand pra comprar livros da Bienal, o Outlet, me deu esse na terça-feira; ele viu a credencial de imprensa e me fez esse agrado. Eu que não tivesse pedido a credencial…

Um eu já tenho e comprei pra dar a minha amiga Lauanda. Foi o romance “Anotações sobre um escândalo“, da escritora inglesa Zöe Heller. O livro deu origem ao filme “Notas sobre um escândalo”, com a Cate Blanchett. Eu prefiro a capa do livro que tenho, que é lilás e rosa. (Algum preconceito?)

Agora vou dividir pelos dias.

Na terça-feira eu comprei quatro e ganhei um (o do Wells). São os quatro:

Mistério à Americana 2” (Record), coletânea de contos policiais;
Onda de crimes” (Record), coletânea de contos e ensaios, James Ellroy;
Pico na Veia” (Record), contos, Dalton Trevisan;
O diário de H. L. Mencken“, diários, H. L. Mencken;

Os quatro livros me custaram 70 reais. Os três primeiros foram dicas do Mayrant, o último eu comprei porque há tempos que quero ler Mencken. Todos eles caíram de preço no domingo, último dia da Bienal, mas só vi dois deles lá. Ou seja: eu tinha que ter comprado mesmo, não posso reclamar.

Agora os livros do domingo, sem contar “Anotações sobre um escândalo”:

Elegia de Agosto” (Bertrand Brasil), poemas, Ruy Espinheira Filho;
Notícias do Mirandão” (Record), romance, Fernando Molica
A mil por hora” (Record), romance, Stewart O’Nan;
Berkeley em Bellagio” (Francis), novela, João Gilberto Noll;
Hotel Atlântico“, (Francis), novela, João Gilberto Noll;
O quieto animal da esquina“, (Francis), novela, João Gilberto Noll;
Bech no beco“, (Companhia das Letras), romance, John Updike
Pnin” (Companhia das Letras), romance, Vladimir Nabokov;
Eu servi o rei da Inglaterra” (Companhia das Letras), romance, Bohumil Hrabal
Antes de as mulheres terem asas” (Bertrand Brasil), romance, Colin May Fowler
É proibido comer a grama” (Leitura), contos, Wander Piroli;

Romildo” (Bertrand Brasil), contos, Alberto Moravia;
O décimo inferno e Luna Caliente” (Record), novelas, Mempo Giardinelli;
O vidiota” (Ediouro), romance, Jerzy Kosinski;

Meus critérios foram: preço, relação custo-benefício, fator Mayrant Gallo (ou “leva, rapaz!”) e fator intuição minha (ou “ah, tsc, vou comprar, por mim…”).

Os três do Noll, por exemplo. Me custaram 9 reais, todos os três. Ou seja: 3 reais cada. Como eu quero conhecer o autor, não achei que seria nada mal comprar logo. Os livros estão novinhos em folha.

O do Molica eu comprei porque fiquei curioso pra ler ele, depois de trocarmos algumas idéias através de amigos em comum.

O do Ruy eu comprei porque é um autor que é obrigação ler. Não somente pelo fato de ele ser um dos grandes autores baianos, mas por ser um dos grandes poetas brasileiros vivos.

O “A mil por hora” eu comprei porque li uma resenha dele no Digestivo, não lembro de quem agora, e gostei da história.

“Pnin” não precisa de explicação. Nabokov é Nabokov.

O do Mempo Giardinelli, “O vidiota” e “Romildo” foram recomendados pelo Mayrant. Do Molica pra cá, cada livro me custou cinco reais. Todos novos.

“Antes de as mulheres terem asas” eu li quando entrei na faculdade, em 2002. Lembro que fiquei muito emocionado com a leitura, chorei até. Quero tê-lo para reler quando puder. É grande a vontade de lê-lo novamente.

“Eu servi o rei da Inglaterra” foi comprado porque no fundo do livro tem assim “Obra-prima da literatura tcheca…”. Eu nem li o resto, peguei logo.

“Bech no beco” eu comprei porque na orelha tem assim “… Updike apresenta nos livros protagonizados por Bech, em tom de comédia rasgada, as aventuras e desventuras de um escritor de fama e reputação medianas às voltas com as vicissitudes da vida literária, com as rivalidades, com as panelinhas e, como não podia deixar de ser, com uma conturbada vida amorosa”. Às vezes é bom se reconhecer em livros.

Por fim, “É proibido comer a grama”. Não me perguntem como nem por quê, mas era pra eu ter participado da edição desse livro. Li um dos contos dele, e fiquei embasbacado. Wander Piroli nasceu em Minas Gerais e não é muito conhecido do grande público. Erro que espero ajudar a corrigir, resenhando o mais breve possível este título. A edição é simplesmente linda. Um dos livros mais bem acabados e editados que eu tenho, sem dúvida alguma. O preço foi baixíssimo, levando em conta a qualidade da edição: 24 pilas.

Foram 15 livros no domingo. Gastei 90 reais. E todos os livros são novos. As edições mais antigas são os do Mencken e do Moravia, de 1995 e 1996, respectivamente, mas estão em ótimo estado - só aquele cheiro de guardado e tal, mas isso é besteira.

Estou quase fazendo o que Mayrant sugeriu: comprar, nos próximos dois anos, só o que for estritamente necessário, e guardar dinheiro para, em 2009, fazer um estrago maior ainda na próxima Bienal.

Portugal Telecom 2007

Tuesday, April 24th, 2007

Eu soube disso já faz alguns dias, mas não podia falar antes. É a boa (excelente!) notícia que prometi alguns posts atrás.

Prezado Rafael,

Por sugestão de Rogério Pereira, você foi indicado para fazer parte do Júri Inicial do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Esse Júri escolherá por e-mail os 50 primeiros finalistas do Prêmio. Considero esse Júri o mais importante já que elege os participantes das etapas seguintes. Assim, gostaria muito de sua participação pois seus votos, com certeza, serão votos de qualidade.Você indicará os cinco melhores livros de 2006 a partir da lista de livros inscritos, que você receberá no e-mail.

Você votará também em cinco nomes da lista do Júri Inicial para formar os Júris subsequentes: 20 especialistas que escolhem os 10 finalistas e os três vencedores a partir da lista dos 50 livros.”

“Rogério Pereira é editor e idealizador do Jornal Rascunho, onde saiu um texto meu em janeiro. Já o agradeci via email, mas não custa deixar um muito obrigado público aqui no blog. Então, Rogério, muito obrigado, de novo.

E não dá pra expressar com palavras o estado eufórico em que fiquei quando li o email acima.

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Esse júri inicial é composto por 303 pessoas. O fato de eu estar no meio de tanta gente pode parecer pouca coisa pra algum espírito de porco, mas pra mim isso é importante demais. Além de ser algo muito bom pra colocar no currículo.

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Além de agradecer ao Rogério, preciso agradecer a pessoas que sempre me ajudaram bastante e continuam me ajudando até hoje. A Augusto Sales, editor do Paralelos, pela enorme confiança que depositou em mim e pelas várias oportunidades que me deu, e ao Julio Daio Borges, editor do Digestivo, pela mesma confiança e pelas mesmas várias oportunidades.

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Ah, e a partir de hoje eu sou “Crítico de literatura”. Em breve me assumo também como escritor.

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Além dos três nomes citados acima, muita gente boa faz parte desse Júri. Xico Sá, Miguel Sanches Neto, José Castello, Luis Antônio Giron, Jerônimo Teixeira (podem falar mal dele, eu mesmo já falei, mas que o cara é bom, é), Fabio Silvestre Cardoso, Jonas Lopes, Edney Silvestre, meu ex-professor Antônio Brasileiro, e por aí vai.

Das coisas que eu entendo

Tuesday, April 24th, 2007

Se você não conhece - ou conhece muito pouco - o Nenhum de Nós, corra já para a loja de cd mais próxima e compre uma coletânea qualquer da banda. Ou algum dos dois acústicos também. De estúdio eu só tenho um deles, que coisa.

Mas se pegar alguma coletânea, certifique-se de que nela está a música “Das coisas que eu entendo”.

Ouça sozinho, feche os olhos e tente não chorar.

Coisas engraçadas na Bienal

Monday, April 23rd, 2007

Três momentos hilários ontem, em Salvador:

Enquanto Mayrant falava do tanto de gente e do aperto dentro dos stands, um pai carinhoso que estava com o filhinho no pescoço, foi virar o guri não sei pra onde. O pé do menino pegou de raspão no cocoruto do maestro.

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Eu não levei muito dinheiro desta vez, porque sabia que quanto mais eu levasse, mais eu iria gastar - e porque eu não tinha mais grana pra levar também. Em certo momento eu vi que se continuasse com o dinheiro na minha mão, correria sério risco de não voltar pra casa (estou exagerando, mas eu iria voltar sem um centavo sequer). Foi aí que peguei o pouco que me tinha sobrado e dei pra Cássia: “Toma, toma esse dinheiro senão eu gasto todo”. Só ela e Mayrant riram.

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Passamos na frente do stand da editora Abril umas três vezes. Em todas as três vezes o mesmo cara abordou o maestro. Nas primeiras duas ele disse “não, obrigado”. Na terceira ele apenas ergueu a palma da mão, como se pedindo pro cara parar, porque já estava demais.

Chegando da Bienal

Sunday, April 22nd, 2007

Cheguei da Bienal agora há pouco, são 23:30 no momento. Voltei de lá com um carregamento de 14 livros. Cássia comprou os dela também, mas menos títulos, pois o doente aqui sou eu.

Em breve a lista de aquisições completa - de terça e de hoje - e coluna no Digestivo sobre as duas idas lá. Se eu conseguir escrever ainda hoje…

Ah, o mega encontro ficou para uma próxima. John Son não foi visto pelos corredores da Bienal. Mas passei um bom tempo com Mayrant e pouco tempo com o Wlad e com o Ivã. Valeu a intenção e valeu as palavras trocadas. Na próxima a gente faz um arrastão por lá.

Encontro marcado (na Bienal)

Saturday, April 21st, 2007

Vou de novo à Bienal. Amanhã, domingo, no último dia. O Mayrant diz que geralmente o último dia é sempre bom pra fazer boas aquisições a preços ultra baratos. Espero que a profecia do mestre seja cumprida.

Dessa vez Cássia vai comigo. E já temos um encontro marcado com “os caras”: Mayrant Gallo, João Filho, Wladimir Cazé e Ivã Coelho. O maior encontro literário de todos os tempos.

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E quem puder, confira no blog do Mayrant o “Decálogo do perfeito contista“, de Horácio Quiroga. Imperdível.