Archive for June, 2007

Conversa sobre a Geração 90

Saturday, June 30th, 2007

Não percam esta conversa entre Marçal Aquino, Luiz Ruffato, Bernardo Carvalho e Milton Hatoum, promovida pela Folha de São Paulo. Sensacional. Destaque para Carvalho e Hatoum, que colocam Ruffato e Aquino no chinelo.

Adorei duas declarações do Bernardo:

(…) me incomoda a luta pela visibilidade (…) porque não tem uma questão literária por trás (…) parece que é uma geração que funciona para o mercado, não para a literatura.

Perguntado se existem bons autores jovens brasileiros, ele responde (um detalhe: Bernardo foi - não sei se continua sendo - parecerista de originais da Companhia das Letras; parecerista é aquele que lê e analisa os originais enviados para as editoras):

Teve uma época em que imbuído de sentido cívico eu disse a mim que teria que ajudar algum gênio a ser publicado. A Companhia das Letras tinha pilhas de manuscritos que ninguém conseguia ler. Eu li por três dias. Fiquei com uma depressão profunda. Pensava: vou começar a escrever como esses caras.

Cada um entende como quiser…

***

E este é meu último post antes da viagem. Entre um post amanhã, mas foi digitado anteontem. Quando chegar em Sampa mando notícias. Até!

Um post vazio

Saturday, June 30th, 2007

Há um post no meio do caminho
No meio do caminho há um post
vazio.

Há um post vazio no meio do caminho.

Preenchê-lo com o quê, afinal?

Piadinhas? Trocadilhos infames? Um desabafo indignado com a situação caótica do nosso país? Falar de um livro recém-lançado? Contar a todos meus conflitos existenciais?

Pelo visto, há muito mais coisas no meio do caminho do que um post vazio.

* Publicado originalmente no blog do Digestivo Cultural

História dos Estados Unidos

Friday, June 29th, 2007

é o título da minha coluna que entrou no ar hoje, no Digestivo, que nada mais é do que uma resenha do livro “História dos Estados Unidos”.

Os EUA exercem uma influência sem precedentes em todo o planeta. E em tudo. Cultura, sociedade, política, economia. Escritores japoneses escrevem livros recheados de referências norte-americanas. Bandas brasileiras tocam músicas que mais parecem covers adaptadas das músicas dos grupos americanos. O inglês é a segunda língua na maioria dos países do mundo. Como se tudo isso não bastasse, qualquer decisão política ou econômica tomada pelos políticos americanos afeta a economia e a política de todo o planeta. Mas essa influência não é recente. No século XVIII as idéias libertárias norte-americanas serviram de inspiração para o nosso Tiradentes e para o francês Robespierre.

Confiram lá!

Ela cansou

Thursday, June 28th, 2007

Certa vez, disse a ela que só me cansaria quando ela se cansasse. Eis que agora, ela diz que cansou. Fiquei surpreso, mesmo suspeitando que mais cedo ou mais tarde esse dia chegaria.

O que fazer agora, me pergunto.

A única resposta possível: seguir adiante.

Violência cansa

Tuesday, June 26th, 2007

Vocês viram nos jornais: uma empregada doméstica foi espancada por um grupo de cinco jovens no Rio de Janeiro, no último fim de semana.

Desses cinco, quatro são universitários. Quase com certeza fazem faculdade particular. Se aqui, na cidade, a mensalidade de uma faculdade particular já é cara, imagine no Rio de Janeiro. Ou seja: todos os rapazes são filhinhos de papai.

Os jornais estão batendo muito na tecla de que eles são universtários. E estão certos. Afinal, supõe-se que quem estuda tem esclarecimento e algum pouco de juízo. Todo mundo faz bobagem, todo universitário e jovem faz besteira. Eu mesmo já bebi pra caramba nessa vida, mas nunca cheguei ao ponto de praticar qualquer ato de vandalismo ou de violência.

Um dos jovens disse que eles pensaram que Sirley, a empregada doméstica espancada, fosse uma prostituta. Como é que é isso? Quer dizer que se ela fosse uma prostituta ela poderia ser violentada? Que mentalidade de abóbora é essa desse rapaz?

Não bastando o imbecil dizer um absurdo desses, o senhor Ludovico Ramalho, pai de um deles fala que já pediu desculpas à Sirley, como se isso fosse resolver alguma coisa. Não contente em dizer isso, disse mais: “Eu queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa disso. Eles cometeram um erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, que estão estudando, [que] trabalham, presos.”

Não, seu Ludovico. Os meninos têm mesmo é que ficar soltos, pra daqui a mais uns dias aprontarem outra dessas, ou pior. E o senhor tem culpa sim, como não? O senhor e os outros pais. Vocês criaram as peças. Se não criaram bem, se deixaram eles soltos demais, se não viram que eles andavam em más companhias, a culpa é de vocês, com certeza. Por essa declaração dá pra ver o tipo de pai que o cara é.

Esses rapazes têm mais é que ficar presos. Que coisa é essa, meu santo Cristo? Tem mais é que ficar presos, e serem obrigados a prestarem serviços à comunidade, como parte da pena.

Escrever cansa

Tuesday, June 26th, 2007

Idéias todo mundo tem, mas não são muitas as pessoas capazes de sentar a uma mesa, seja diante de um caderno ou de um computador, e passar duas, quatro, seis horas seguidas tentando passar suas idéias para o papel, uma tarefa tão extenuante quanto somar à mão colunas e mais colunas de números com dezenas de algarismos. Escrever parece com isso: fazer contas de cabeça. É preciso estar ligado o tempo inteiro, mantendo na memória os resultados parciais até poder chegar na parte de baixo, pensar “345”, colocar o “5”, dizer “vai 34”, e prosseguir.

Braulio Tavares, no Cronópios, porque tem a ver com o post abaixo e porque acho que vou escrever algo mais elaborado sobre o assunto.

A questão do cansaço de escrever. É que cansar é uma coisa, dizer que “escrever é um sacrifício” ou que é “sofrido” ou “dolorido” é outra coisa totalmente diferente. Tem uma pessoa que não vai gostar muito de ler isso, mas não me leve muito a sério, tá?

E sim, eu estou imitando o Julio.

Das madrugadas escrevendo

Monday, June 25th, 2007

Não sei a quem disse isso, mas já percebi que funciono melhor de madrugada. Estou falando de escrita, ok?

Sempre que faço uma prova, passo uns 20 ou 30 minutos olhando pro teto, ou de cabeça baixa, pensando em como começar a maldita avaliação. Fiscais de vestibulares e concursos sempre ficam com uma pulga atrás da orelha quando estou na sala. Teve uma vez, quando fui fazer o vestibular da UFPB, que um dos fiscais ficou 30 minutos em pé, atrás da minha cadeira, olhando pra mim. E eu lá, paradão, esperando bater a vontade de começar a responder a prova.

Pela manhã eu sou sempre um pouco mais lerdo que o normal.

Às vezes acontece de, depois que deito para dormir, uma idéia para um texto que vinha se repetindo ao longo do dia tomar forma e eu ter de levantar para escrever. Não dá pra perder esses momentos. Quando um texto praticamente se apronta por inteiro em sua mente, não dá pra perder. Tem que registrar o mais rápido possível. Todos os contos inacabados que tenho foram iniciados pela manhã. Tudo o que de melhor (não, isso não é um elogio a mim mesmo) tenho escrito foi escrito já madrugada adentro.

E na última madrugada aconteceu de novo. Eu precisando escrever uma resenha, e nada tinha escrito. Eu sabia que, se deixasse para escrever durante a manhã ou tarde do outro dia, não iria sair algo bom. Preferi perder a noite e escrevê-la de uma vez. Foi um texto mais difícil, por ser sobre um livro informativo, tipo de livro que não tenho costume de resenhar, mas foi um texto muito bom de ter sido escrito, porque foram feitas anotações, escrevi primeiro o miolo, depois o final e, por último, o início. Eu construí o texto, fiz os blocos e os encaixei. É quase como num poema que escrevi.

Fiquei cansado, não posso negar. Mas ver o texto pronto, e ver que ele saiu bem feito, compensa o cansaço.

Movimento estudantil

Saturday, June 23rd, 2007

Quando entrei na faculdade, em 2002, eu achava que seria muito legal me engajar no movimento estudantil. José Serra foi presidente da UNE, se não me engano, FHC também começou na política estudantil, se não me engano também, e uma série de outros políticos começaram deste mesmo jeito. Claro que eles não são exemplos a serem seguidos, mas eu tinha fé que poderia seguir no caminho certo e me tornar um político bom e honesto, e ajudar minha cidade e meu país.

Sabe quando você é jovem e tem aquela ilusão de que não apenas o mundo pode mudar, como também de que é você quem vai mudar o mundo? Pois é. Um então colega de sala - hoje nos chamamos de amigos, apesar de fazer um bom tempo que não o vejo - também queria seguir carreira política, e começamos a querer nos meter no movimento estudantil.

Digo até que fui longe. Participei de assembléias, fui representante da turma em alguma coisa lá que não me lembro, e fui suplente de um colega que foi delegado de alguma coisa num congresso estudantil que rolou lá. Na época desse congresso eu até já estava bem chateado com o movimento, mas ainda não decepcionado ou irado com ele. Foi por causa de uma assembléia em que expressei minha opinião sobre algum assunto que não recordo, contrária à opinião do pessoal que organizou a assembléia, que fiquei chateado. Depois desse dia, muita gente começou a me olhar atravessado e alguns até começaram a virar a cara para mim. Me viam e faziam de conta que não tinha me visto. Mas, como disse, isso não me deixou irado ou decepcionado. Fiquei só chateado, e achei todos uns bobos, por não respeitarem uma opinião contrária e tal. Mas todo mundo passa por isso uma vez na vida. E como eu já tinha passado muitas outras vezes antes, pelo fato de eu ser muito “do contra”, nem dei muita trela.

O que me deixou enfurecido foi, meses mais tarde, já fim de 2003, os estudantes entrarem em greve, por motivos totalmente relevantes. Essa greve fez com que o fim do semestre fosse empurrado para o início de 2004, quando eu estava de cama. Foi quando tive, ao mesmo tempo, dengue, rubéola e estafa.

Tinha ficado de fazer provas finais de três matérias. Não precisava de notas muito altas para passar, e estava muito tranquilo. Até saber que as finais coincidiram com a minha tripla enfermidade e que para provas finais a faculdade não aceitava atestado.

Acho que ninguém sabe o que é isso. Creio que ninguém tenha passado por algo semelhante.

Mas não é apenas por isso que tenho profundo ódio pelo movimento estudantil. Na verdade, é por tudo o que ele representa: baderna, violação de direitos e leis, desculpa pra aparecer e ganhar espaço na mídia, nem que seja a mídia de dentro da faculdade.

Não sou radicalmente contra o movimento estudantil. Sou contra a forma como ele vem sendo dirigido no decorrer dos anos. Não existe isso de greve de estudante. Não existe isso de aluno invadir a reitoria. Não existe isso de estudante ir para as ruas e parar o trânsito, atrapalhando meio mundo de gente que trabalha pra sustentar a família e tem horário a cumprir, pra protestar contra aumento de passagem de ônibus. Todo protesto pode ser feito de maneira civilizada, organizada e sem necessidade de arruaça.

Para mim, estudante tem é que estudar. Essa invasão que aconteceu na USP, por exemplo, é algo que não deveria ter ocorrido. O meu colega de site e acho que posso até chamá-lo de amigo, Eduardo Mineo, explica por que a invasão à reitoria não tem lá tanto motivo pra ter acontecido. Aqui também já aconteceu coisa semelhante, e eu fico me perguntando por que diabos um sujeito ou uma menina até bonitinha e inteligente fazem parte de uma ação desse tipo. Aliás, eu sei: é aquela ilusão de mudar o mundo, que falei alguns parágrafos acima.

Já disse um candidato a reitor aqui da universidade, pai de um amigo meu, aliás: “movimento estudantil tem que ser um só: da sala pra biblioteca e da biblioteca pra sala”.

Pois, meus jovens: envelhaçam rápido, como disse o Nelson Rodrigues. Envelheçam e percebam quão ridículos vocês foram, e tentem se redimir do erro. Ainda há tempo. Como disse o Renato Russo, temos todo o tempo de mundo.

A break

Friday, June 22nd, 2007

Finalmente, uma folga. Depois de dias e dias trabalhando direto, com direito a um atestado e tudo, cá estou eu, escrevendo mais que algumas poucas linhas ou repostando um post antigo.

Hoje é o dia de dizer aqui, pra todo mundo, que do dia 02 ao dia 11 de julho estarei viajando. Vou a Parati, ver de pertinho a Flip (Festa Literária Internacional de Parati). Vou finalmente conhecer pessoalmente o pessoal do Digestivo e amigos que fiz também virtualmente. Vai ser ótimo.

Vou também conhecer, se tudo der certo (e vai dar) em São Paulo - passarei uns dias lá -, um recente amigo que em breve volta ao Brasil, depois de uma temporada nos States.

Lá em Parati participarei da OFF-FLIP, evento paralelo à Flip. Participarei e assistirei também, é claro. A participação se dará na Tribuna da OFF, onde alguns escritores lerão textos seus para a platéia que lá estará. A Tribuna ocorrerá nos dias 05 e 06, estarei na do dia 06.

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Quem me conhece sabe que eu não gosto de comemorar aniversário. Nem de dizer a data dele. Mas com esse negócio de Orkut (antes eu não sabia que podia esconder a data), e porque também eu tenho escrito textos na ocasião deles, nos últimos anos, algumas pessoas ficam sabendo da data e tal.

Por conta disso, não custa dizer que passarei meu aniversário, dia 05 de julho, em Parati. Longe da família, dos amigos e do meu amor, mas com direito a assistir a Jim Dodge e Will Self de pertinho, sem contar que estarei com o pessoal do Digestivo lá, e tomaremos muito refrigerante e tudo mais.

Ah, e quem quiser me dar presente, não vou negar. Até facilito: vou criar uma página aqui no blog para listar os livros e cds que vou deixando pra comprar quando tiver grana - porque nos próximos meses serei o cara mais mão-de-vaca que vocês já tiveram notícia. Aí quem quiser mandar pra cá alguma coisa, é só pedir o meu endereço e tal. Querendo fazer surpresa - ohhhh, nem precisa, eu não mereço tanto! - é só pedir os dados a Cássia.

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Não posso deixar de falar de livros. Coisa rápida, porque são livros que só folheei na livraria aqui. Um é “Cruze esta linha“, de Salman Rushdie. São ensaios e artigos do autor indiano, publicados entre 1992 e 2002. Um dos ensaios fala sobre o U2, a melhor banda de todos os tempos. E foi esse ensaio - e o que vem logo em seguida, sobre ser fotografado - que me fizeram decidir que lerei o livro. Coincidência ou não, o livro já viria pra mim, via Digestivo.

Outro livro que gostaria de falar sobre é “A velocidade da luz“, do espanhol Javier Cercas, que o Sérgio recomendou. Li muitas páginas dele ontem, depois que tomei meu café lá na livraria. Um dos temas abordados no romance é o sucesso, e como ele pode mudar as pessoas, principalmente um escritor. Alguns diálogos que li são inteligentíssimos e cheios de ironia e com uma leve pitada de humor negro. Algumas das coisas necessárias ao meu dia-a-dia. A imagem da capa é muito bonita, e ela em si foi muito bem feita. Só acho que ficaria melhor se fosse naquele tipo de papel que tem uns furinhos, não sei o nome dele. Esse livro é um que, se alguém aí quiser mandar pra cá, pode ficar à vontade.

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Acho que vou republicar umas resenhas antiguinhas minhas aqui. O que acham?

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Caramba, esqueci de dizer: Chris Cornell (ex-Soundgarden e ex-Audioslave) regravou “Billie Jean”, do Michael Jackson. Ficou absurdamente boa. Incrivelmente sofrida e melancólica. Coisa de outro mundo. Ficou mesmo sensacional. Quem quiser ouvir, vai lá na rádio do UOL e procura pelo Chris.

The war of the worlds

Thursday, June 21st, 2007

Pois o homem não vive nem morre em vão.

(H.G. Wells, em “A guerra dos mundos“)