Archive for September, 2007

Pra quê publicar, afinal?

Sunday, September 30th, 2007

A pergunta me veio depois de ler isto:

“Se recebemos dinheiro por nossa obra, tudo bem. Mas escrever para ganhar dinheiro é uma abominação. Essa abominação se paga com o abominável produto que assim se engendra.”

Quem diz isso é Ernesto Sabato, escritor argentino, em “O escritor e seus fantasmas“. Não tendo nada melhor pra fazer, resolvi pensar um pouco sobre o assunto. Mas bem pouco mesmo.

O que Sabato fala sobre “escrever para ganhar dinheiro” pode ser aplicado a outras profissões. É muito difícil encontrar alguém que faça bem feito qualquer tipo de trabalho se o tal trabalho for feito apenas por causa do dinheiro. Principalmente se for um trabalho artístico.

E então me perguntei, sem me restringir à questão “dinheiro”: por que diabos quero publicar, algum dia, um livro? Tenho algo de extraordinário a dizer? Sou um escritor genial? Não e não. Pra falar a verdade, minha ânsia em ser publicado já diminuiu muito. Quero, sim, publicar um livro, mas não tenho mais a pressa que antes tinha (tenho quase certeza de que já afirmei isso aqui outras vezes). Mas não quero publicar apenas para ser publicado. Lendo determinados livros, percebo que escritores que escrevem apenas para cumprir acordos editoriais - ou simplesmente para terem um livro novo na praça - não conseguem desenvolver um trabalho digno. Fica sempre a sensação de que a obra poderia ser bem melhor.

Digo tudo isso, mas, para escrever o livro dos meus sonhos, precisaria ou ter um trabalho bem tranquilo, ou não fazer nada além de trabalhar no livro. Ou seja: precisaria ter dinheiro sobrando para escrevê-lo, ou ser bancado por alguma editora. Se bem que tal exemplo não se encaixa no que Sabato diz. O livro que quero escrever é um projeto pessoal, algo que eu faria neste momento, se tempo tivesse, sem compromisso com nenhuma editora. É um livro que será publicado, um dia, mas com intenções bem mais nobres que apenas ganhar dinheiro.

Ganhar dinheiro com a escrita e “escrever para ganhar dinheiro” são coisas muito diferentes. Pena muita gente por aí não perceber isso.

É de cortar o coração

Saturday, September 29th, 2007

Dia desses, não sei o que deu em mim, inventei de arrumar meus livros. O problema não é a vontade de arrumar, e sim o horário: quase duas horas da manhã.

Estou com um terrível problema de espaço no meu quarto. Consegui livrar alguns centímetros de uma prateleira minha retirando de lá algumas latas de cerveja e refrigerante que guardava. As poucas que ficaram, de uma coleção que eu tinha. Sobraram só as raridades, para mim, no caso. Como uma latinha de cerveja Antarctica bem pequenininha, uns 200 e poucos ml, a lata de cerveja com o símbolo do São Paulo e outras mais.

Feito isso, coloquei alguns livros onde antes estavam as latas. Iria colocá-los na vertical, mas ganho mais espaço colocando-os na horizontal. E foi o que fiz.

Mas essa foi só a parte mais fácil. A minha bancada estava um terror, bagunçada ao extremo. Cds que tirei para ouvir durante as últimas semanas disputavam espaço com livros, revistas e outros papéis que deixei acumular. Explico assim, a bagunça: ninguém mexe na minha bancada. Podem varrer o quarto e passar pano. Mas, a minha bancada, só eu arrumo. Ou, melhor dizendo, desarrumo.

Joguei fora os papéis que não serviam mais, coloquei no lugar livros que estavam fora de lugar, e fiz novas pilhas (horizontais) de livros. No fim, até que ficou uma arrumação boa, enquanto não resolvemos aqui o que fazer (encomendar novas prateleiras ou comprar uma estante).

Mas, enquanto arrumava os livros, ia vendo quantos livros tenho para ler, e isso é de cortar o coração. Eles ficam lá, coitados, parados, esperando o dono ter um tempinho para mergulhar numa rotina de leitura decente. Infelizmente, tão cedo isso não acontece, apesar de nos últimos dias eu ter dado cabo de alguns livros.

É a vida, é a vida.

É dose…

Thursday, September 27th, 2007

Agora não dá mais pra ler o “O Globo” on-line. Estão cobrando o acesso à edição digital do jornal impresso. 35 reais por mês.

Fui ver então quanto ficaria a assinatura do jornal apenas para os dias de sábado e domingo, que são os dias que me interessam. Na verdade, só o sábado mesmo, por causa do “Prosa&Verso”. E, ainda assim, só porque de vez em quando o caderno é quase imperdível. 27,90 mensais. Tudo bem, eu até pensei em pagar. Mas.

Não tem essa opção aqui para a Bahia. Só para uns 6 estados, se não me engano.

Comprar o jornal no sábado é muito complicado. Meses atrás, fiquei monitorando as duas melhores bancas de revista da cidade entre meio-dia e quatro horas da tarde. O jornal não chegou até elas naquele dia. Acho que foi o caderno que tinha uma entrevista com o Orhan Pamuk.

Nossa, faz mesmo muito tempo. Porque foi sábado, e foi antes de eu começar a trabalhar (em dezembro de 2006). Me toquei agora, que lembrei que trabalho todo sábado. E por isso não posso mais ficar correndo atrás do “O Globo” no fim de semana.

Pior pra eles. Perdem um excelente leitor.

Texto do Ubaldo

Wednesday, September 26th, 2007

Só pra não dizer que não postei: um texto muito bom e divertido do João Ubaldo Ribeiro foi publicado no Digestivo. Leiam lá! Imperdível.

Frases que homens não dizem (ou dizem?)

Sunday, September 23rd, 2007

Encontrei, por acaso, um link do Terra com o seguinte título: “Veja 25 frases que você nunca ouvirá de um homem“. Curioso que sou, fui conferir. Eis que me deparo com uma porção de frases que eu já disse ou diria, e outras que, por mais feminina e dengosa que possa ser uma mulher, acredito que ela não gostaria de ouvir do companheiro.

Resolvi listar as frases e fazer alguns comentários sobre elas. Falta do que postar mesmo, não? Até porque as frases já são comentadas no link. Só vim mesmo fazer troça :)

“1. Já que eu estou em pé, quer alguma coisa?”

Sempre ofereço algo a minha namorada. E imagino que a maioria dos homens faz o mesmo. Não sei de onde tiraram isso.

“2. Você parece triste. Quer conversar?”

Às vezes meu grau de lerdeza aumenta, e não percebo - ou demoro a perceber - que algo incomoda a minha pequena. Mas, no mais das vezes, consigo perceber quando algo a incomoda ou a deixa triste. E sempre pergunto o que é, e conversamos sobre o assunto. Muitos homens também devem fazer isso. Não é a maioria, mas também não são poucos.

“3. Por que a gente não vai no shopping e você escolhe alguns sapatos novos?”

Eu diria isso, sem problemas. Se tivesse grana pra comprá-los.

“4. Acho que precisamos discutir nossa relação.”

Já fizemos isso algumas vezes - poucas, graças a Deus. Algumas dessas conversas foram puxadas por mim. Então, não vejo nada de incrível nisso.

“5. Sexo não é importante. Vamos ficar apenas conversando”

Vou pular essa.

“6. Antonio Banderas e Brad Pitt? A gente precisa ver esse filme!”

Realmente, isso não é coisa de macho. Se um homem disser isso para a mulher, acho bom ela procurar saber um pouco mais da vida do namorado/noivo/marido.

“7. Quer ajuda para escolher os sapatos?”

Acho que já disse isso, não especificamente falando em sapatos. Cássia pode confirmar se estou certo ou não.

“8. Você está com dor de cabeça? Deixa que eu pego um remédio para você e faço uma massagem para relaxar”

Eu nem sei fazer massagem, mas às vezes dou uma enrolada. E ela até gosta.

“9. Eu não sei o caminho. Vamos parar e perguntar”

Que homem que não fala isso, pelo amor de Deus? O que a gente mais quer é chegar logo onde quer que seja. E a primeira coisa que vem na mente é parar e perguntar, oras.

“10. Eu seguro sua bolsa enquanto você experimenta outra roupa”

E precisa falar? Geralmente a mulher pede pra gente segurar. Quando não pede, a gente fala. Eu ein.

“11. Esse vestido ficou bom, mas por que você não experimenta mais alguns?”

Claro que falamos isso. Se liguem: muitas vezes é uma maneira esperta de dizer que o vestido é feio ou está curto.

“12. Aquela mulher tem os seios muito grandes”

Se também tiver a bunda grande, melhor ainda. Digo, mais engraçado ainda. Uma vez vi uma mulher assim, ela parecia uma boneca de plástico, de tão artificial. Horrível. E comentei com Cássia, só não sei se ela lembra.

“13. Você cortou o cabelo?”

Eu percebo logo. Adoro o cabelo dela.

“14. Esta noite quero te dar tudo o que você merece. Vamos ao restaurante mais caro da cidade”

Bom, aí a coisa complica. Que negócio é esse de “mais caro da cidade”? Desde quando ser caro é ser bom? E tudo que ela merece se resume a comer comida cara? Prefiro comer num lugar divertido e tranquilo, dar um livro, cd ou dvd, ou simplesmente ficarmos juntos. Esse negócio de “dar tudo que você merece” ligado a “restaurante mais caro da cidade” é a maior bobagem.

“15. Deixa que eu lavo a louça. Hoje é domingo e você merece descansar”

Acho que vou dizer isso quando estivermos casados. Mas não posso afirmar com certeza.

“16. Querida, telefone para você. É o seu melhor amigo”

Outra frase de boiola. O melhor amigo dela sou eu.

“17. Eu acho a Sabrina Sato tão artificial”

E não é?

“18. Prefiro ficar com você. Só vou ao bar se você for”

Depende. De quem for ao bar. Se forem os amigos de longa data, ela sabe que vou sozinho. Aliás, é esse o combinado. Reunião de amigos, só vão os amigos. Até porque bar não é lugar de mulher direita estar. A não ser que seja um bar bem bom, coisa difícil (ao menos aqui na cidade).

“19. Você vai marcar horário para fazer as unhas? Veja se tem um para mim também, por favor”

Óbvio que não. Tá louco?.

“20. Já coloquei a roupa suja na máquina”

Pois. Já combinamos de comprar uma, justamente pra eu mesmo poder lavar minhas roupas.

“21. O seu sapato não está combinando com a sua bolsa”

Se não estivesse, eu diria. Mas ela nunca erra.

“22. Não compre na primeira loja, vamos andar mais um pouco para você escolher melhor”

Claro que um homem diz isso. Maneira esperta de dizer “vamos ver se achamos mais barato”.

“23. Acho que a empregada deixou poeira em cima da geladeira”

Realmente, não. Que homem vai ligar para o que está em cima da geladeira?

“24. Vou reclamar com o vizinho dessa história de a mulher dele ficar só de calcinha na janela”

Opa. Se for bonitona, até que não. Sendo baranga, tem que falar mesmo. Não pode deixar acontecer uma coisa dessas.

“25. Amor, por que você não está enroscando os seus pés nos meus hoje?”

Não vou nem comentar.

Queria poder não dormir

Saturday, September 22nd, 2007

É verdade. E quem me conhece pode estranhar a afirmação acima. Pois sabem que amo dormir, mais do que tudo. Se o mundo fosse acabar daqui a algumas horas, por exemplo, eu daria um jeito de dormir, para que o mundo acabasse sem minha presença.

Já tentei fazer muita coisa para aproveitar melhor minhas horas. Mas, simplesmente, não dá. Eu funciono melhor de madrugada, e é também quando a casa está em silêncio e eu posso trabalhar melhor. Só que de madrugada eu estou cansado, do dia de trabalho. E agora, José?

Queria mesmo era não precisar dormir. Ou não dormir tanto. Assim me sobraria mais tempo para ler, escrever, ver filmes e ouvir meus cds.

Mas tudo bem, tudo bem. Um dia resolvo isso.

***

Lembro do refrão de uma música, mas não consigo lembrar de qual banda. Interpol, talvez. Vou conferir. E dormir.

Vai mais um sem título!

Thursday, September 20th, 2007

Era pra eu ter avisado antes, mas os posts foram surgindo e eu deixei pra depois: minha resenha do livro “Um longo lamento” foi republicada no site 3:AM Magazine. Quem não leu, pode ler agora.

E hoje tem texto meu no Digestivo. Resenha do excelente “O brilho do sangue”, de Diter Stein, mais um bom autor genuinamente brasileiro pouco lido e pouco divulgado.

Por hoje é só. Ao menos por enquanto.

Eu me meto em cada uma

Tuesday, September 18th, 2007

No meu último texto publicado no Digestivo, falei sobre jornalismo. Mas, não sendo eu jornalista, por que diabos inventei de escrever sobre o assunto?

Vocês lembram do caso Estadão, certo? Bem antes disso, o Julio, editor do Digestivo, propôs aos colunistas e colaborados um especial chamado “Para onde vai o jornalismo?”. Como a maioria dos textos publicados no especial era a favor do jornalismo on-line, uma espécie de “neo new journalism”, digamos assim, fui contra a maré e escrevi um texto favorável ao jornalismo impresso (e?) tradicional. Do mesmo jeito que fui contra o que disseram da campanha do Estadão.

“Rafael, pára de enrolar e vai direto ao ponto”.

Minha coluna não teve repercussão nenhuma. Aliás, pelo visto, jamais serei um polemista (não que eu queira ser, não é isso). Mas, por mais que eu tente deixar alguém nervosinho, não consigo (a não ser que esse alguém seja mulher e eu exagere nas brincadeirinhas). Achei que conseguiria com o texto em questão, mas não deu certo.

Acontece que encontrei uma referência ao texto no blog da Laura Storch. Ela diz o seguinte:

“O colunista passa a matéria elogiando o trabalho de pesquisa do jornalista Eric Nepomuceno, mas não segue o padrão: Eric fez pesquisa de campo, mas também se alicerçou em pesquisas científicas, por exemplo. Não seria interessante fazer o mesmo em relação ao jornalismo? Sim, as pesquisas em jornalismo no Brasil são sérias, e também estão preocupadas com as transformações tecnológicas…”

Vamos cortar a parte do “passa a matéria elogiando o trabalho de pesquisa do jornalista Eric Nepomuceno”, coisa que, a rigor, não fiz. Elogiei, sim, o Eric, mas foi coisa de alguns trechos. Mas não escrevi este post para falar isso.

A Laura tem razão quando fala que eu não sigo o padrão. Realmente, não fiz pesquisa alguma para redigir a coluna. Tudo que escrevi foi com base em constatações minhas e opiniões pessoais. Melhor seria se eu não tivesse escrito.

Ao criticar de uma maneira geral o jornalismo feito em blogs e sites, justamente falando em credibilidade e veracidade de informações, escrevi um texto sem informação nenhuma, baseado apenas em minhas crenças.

Não é o fim do mundo, mas o correto seria eu não ter publicado o texto do jeito que lá está. Deveria ter dito que não sou jornalista e que a intenção da coluna não era fazer um estudo sobre jornalismo impresso e jornalismo on-line; que são apenas opiniões de um leitor e colaborador de sites literários.

Entendam: não estou aqui “desdizendo” tudo o que eu disse. Mantenho cada vírgula, cada letra que está no texto. Mas não posso dar outra mancada dessas, falar sobre um assunto que não conheço profundamente, sem fazer uma boa pesquisa.

Mas é como dizem: vivendo e aprendendo. Na próxima, tomo mais cuidado.

Pra terminar: minha cisma, com o jornalismo on-line, além da qualidade das informações fornecidas, é também com a qualidade dos textos escritos. Escreve-se muito mal na rede. É muito fácil encontrar erros de concordância e grafia, inclusive aqui neste blog. A impressão (sem trocadilho) que tenho é que nos veículos impressos há uma maior preocupação e um maior cuidado com tudo isso. É óbvio que existem veículos na rede com a mesma preocupação e o mesmo cuidado (o Digestivo é um exemplo), mas não são muitos.

Enfim, já escrevi demais.

De como os medíocres atrapalham os bons

Sunday, September 16th, 2007

Conversando por email com o Luis Eduardo Matta, bom escritor e boa praça, tive um insight que deveria ter tido há mais tempo: a culpa de tudo o que reclamo na literatura contemporânea é dos autores medíocres que são festejados como bons.

A praga dos novos autores se espalha dia após dia e, desde que isso começou, os bons autores, os verdadeiros autores contemporâneos (alguns jovens, inclusive), são colocados em segundo plano (ao invés de serem colocados no segundo caderno - do jornal, no caso).

Os bons autores contemporâneos, alguns deles citados aqui neste blog há alguns posts, é que deveriam ter seus livros resenhados e festejados. O relançamento de toda a obra de Charles Kiefer pela Record é que deveria ser destaque nos jornais e blogs. A reedição de toda a obra de Flávio Moreira da Costa é que deveria ser comentada. O romance inédito de Menalton Braff, que será lançado em breve, é que deveria estar sendo aguardado por leitores ansiosos. O novo livro de contos de Mayrant Gallo, que deve ser lançado ainda este ano, é que deveria ser a sensação do momento.

E não o festival de palavrões e histórias sem pé nem cabeça (e muito mal escritas) que é a literatura da maioria dos jovens autores.

Certo, a culpa não é apenas deles. É também do mercado, dos críticos, dos editores e dos leitores. De todo mundo, então. E até minha, que não tenho cacife nem coragem o suficiente para desmascarar esses escritores de meia-tigela e eliminar essa praga da nossa literatura. Mas tudo bem, tudo tem seu tempo. Eles que me aguardem.

Um pouquinho de política

Thursday, September 13th, 2007

O senador Aloísio Mercadante que me desculpe, mas desse jeito fica complicado defendê-lo. Na votação pela cassação ou não do presidente do senado Renan Calheiros, Mercadante se absteve. Ou seja: não votou nem a favor nem contra a cassação.

Justificou-se, dizendo o seguinte:

“Eu não votei ’sim’ porque não me parece que esse parecer traga uma prova conclusiva de que a empreiteira pagou as despesas do senador. Eu não votei ‘não’ porque isso significaria arquivar essa denúncia, e eu acho que ela tinha que ser aprofundada para ser conclusiva. Eu me abstive porque considero que há três denúncias no Conselho de Ética que sequer foram apreciadas.”

Pelo que sei, mesmo sendo Renan Calheiros cassado, ele poderia continuar sendo investigado. Alguém me corrija se eu estiver errado, por favor. Então, o senador Mercadante, que eu tanto admirava, não fez o que deveria fazer, que era ter votado a favor da cassação de Renan Calheiros. Apenas seu voto não resolveria a situação, mas ao menos ele teria feito a parte dele corretamente.

Aí agora os senadores oposicionistas ao governo, depois da absolvição de Renan, querem parar o congresso e obstruir as votações de projetos. Um dos mais importantes, que é o da prorrogação da CPMF (aquela taxa que você paga por toda movimentação bancária que faz), pode não ser aprovado. Os senadores de oposição dizem, em tom de vingança, que “o governo vai ter o troco”. A CPMF dá aos cofres públicos algo em torno de 40 bilhões de reais por ano. É um dinheiro que tem servido para desafogar algumas despesas do governo. Verdade que existem despesas em excesso (não sei quantas dezenas de “cargos de confiança” que poderiam ser extintos, por exemplo), mas esse dinheiro faz possível maiores investimentos na área da saúde. Se a coisa está feia com esses 40 bilhões, imagine sem eles?

Sou contra esse tipo de bravata, de barrar um projeto que vai prejudicar o País, para se vingar do governo. Poderia ser feito um outro tipo de protesto ou oposição, não sei. O que sei é que o homem dos bois, laranjas e emissoras de rádio deveria ter renunciado faz tempo, ou no mínimo se afastado do cargo. Dá embrulho no estômago vê-lo sorrindo nas sessões do senado, e ainda ter a cara de pau de dizer, depois de ouvir Cristóvam Buarque falar que melhor seria para o País se ele renunciasse, que “A democracia é bela porque permite momentos como este”.

Bela é o cacete. Democracia demais dá nisso. O Presidente Lula deveria tomar alguma atitude, e dar um jeito de destituir esse homem do cargo. Às vezes penso que um Presidente da República deveria ser um homem mais honesto, ativo e detentor de mais poder. Uma pena não haver bons homens capazes de possuir tanto poder em mãos.

Uma ditadura com homens honestos no poder seria bem-vinda. Acho.