Archive for September, 2007

Vai sem título mesmo

Wednesday, September 12th, 2007

A Copa de Literatura já está em seu terceiro jogo. Confiram lá! Daqui a umas semanas é minha vez de apitar uma partida. Entre o vencedor deste terceiro jogo e ganhador do sexto embate.

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A Revista Malagueta chegou a sua sexta edição recentemente. Dêem uma passada por lá também.

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Há alguns posts falei sobre uma entrevista interna de emprego que participei. Todos achando que eu iria passar, mas as coisas mudaram; foi feita uma outra seleção e eu não passei. Engraçado é que eu não fiquei tão chateado quanto pensei que fosse ficar, se não passasse. Até por conta de que os pré-requisitos para preencher a tal vaga foram mudados de última hora, e aí eu já não teria mesmo chance. Só achei um tanto quanto precipitado por parte deles ter feito a primeira seleção, a que eu participei. Se iam mudar os moldes, por que não mudaram antes? Vai saber. É uma pena, para eles, claro, que me perderam hehe

Ok, ok, seria muito legal pra mim. Mas talvez fosse cedo demais. Ou talvez não fosse pra ser. Sou daqueles que acreditam que tudo acontece quando tem que acontecer. E ponto.

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O Digestivo voltou mesmo ao ar, graças a Deus, e já tem várias novas colunas maravilhosas publicadas. O ensaio desta semana também é ótimo, do Daniel Piza.

Minha última coluna, sobre a qual falei alguns posts atrás, vale a leitura, acredito eu. Quem quiser ler, fique à vontade.

Digestivo Cultural de volta!

Monday, September 10th, 2007

Finalmente o Digestivo Cultural voltou a funcionar direitinho, depois de mais de uma semana fora do ar.

Agora é correr e tirar todo o atraso do site. Depois venho aqui pra lincar minha coluna de mais de uma semana atrás.

Xá eu ir trabalhar!

Ah, esse Orkut…

Monday, September 10th, 2007

e suas sortes maravilhosas.

Sorte de hoje: Você nunca mais vai precisar se preocupar em ter uma renda estável

Sei, sei. Pode deixar. Devo tornar-me um mendigo. Ou então minha bem-amada vai me sustentar pelo resto da vida.

O óbvio ululante

Saturday, September 8th, 2007

Anteontem, falei dos idiotas. Sinto, porém, que disse muito pouco, quase nada. O assunto foi apenas insinuado, e repito: - o assunto está diante de nós como uma sibéria imensa, à espera de que outros a invadam, e a ocupem, e a fertilizem. E quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá, jamais, o Brasil dos nossos dias. …O trágico da nossa época ou, melhor dizendo, do Brasil atual, é que o idiota mudou até fisicamente. Não faz apenas o curso primário, como no passado. Estuda, forma-se, lê, sabe. Põe os melhores ternos, as melhores gravatas, os sapatos mais impecáveis. Nas recepções do Itamaraty, as casacas vestem os idiotas. E mais: - eles têm as melhores mulheres e usam mais condecorações do que um arquiduque austríaco….

E, assim, lidos, viajados, falando vários idiomas, maridos das melhores mulheres - os nossos idiotas têm também os melhores cargos e exercem as funções mais transcendentes. Eu disse que estão por toda a parte: - na política como nas letras, nas finanças como no cinema, no teatro como na pintura. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: - ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

Os trechos acima fazem parte de uma crônica de Nelson Rodrigues publicada no dia 15 de abril de 1968. É por essas e outras que o chamam de gênio. Suas obras são atemporais e perturbadoras. Tanto as peças quanto as crônicas de jornal, quanto os contos, quanto os romances. Os trechos foram retirados do livro “O óbvio ululante“, uma seleção das memórias (ou crônicas) de Nelson publicadas no jornal O Globo entre os anos de 1967 e 1968, que comecei a ler muito por acaso anteontem e não estou conseguindo parar.

Não sei bem como explicar o estilo de Nelson. Ele consegue ser, ao mesmo tempo, irônico, sagaz, divertido e dramático. No mesmo momento em que há esperança, não há por quê lutar. É como se um boxeador jogasse a toalha, mas não a deixasse tocar o chão, e voltasse ao ringue logo em seguida. Simplesmente incrível e inacreditável. Mas possível, em Nelson Rodrigues.

Escritor frustrado, eu?

Friday, September 7th, 2007

Com o Digestivo fora do ar por uma muito provável incompetência monumental dos senhores que deveriam manter o site on-line, me sobra algum tempo para ler alguns blogs. Não sei se quem entra aqui lembra, mas posts atrás eu disse que não leio blogs. Apenas blogs de amigos e chapas. Não gosto da maioria dos blogs que leio. É porcaria demais para meus belos olhos castanhos cansados.

Não lembro como, caí no blog do Cléber. De lá, fui pro blog do Bruno (ambos excelentes, btw), e li dois posts muito bons. Neles, o Bruno faz bons comentários sobre novos autores. Se puderem, vejam lá, e digam se o cara tem ou não tem razão.

Post 1 & Post 2.

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Ao comentar com um amigo que há tempos não escrevo ficção e que estou me dedicando a resenhas de livros e a um ou outro artigo sobre qualquer coisa que o valha, ele me veio com aquela velha história de que “críticos são escritores frustrados”. E na maioria dos casos é assim mesmo, mas não em 100% deles (nem no meu). E.M. Forster e George Orwell são exemplos de escritores talentosíssimos e críticos de qualidade ímpar. Isso porque não quero fazer força pra lembrar de outros nomes. E não almejo outra coisa que não chegar a esse patamar. Tenho pelo menos uns 30 anos pra conseguir isso, e plena consciência do que posso ou não posso fazer.

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Acho que até o fim de 2006 (ou início de 2007) eu realmente queria publicar um livro, ver meus contos impressos e vendidos nas melhores e piores livrarias de todo o Brasil. Hoje já não tenho mais essa vontade. Não agora. Quero melhorar meus textos, não quero mais estrear com contos (quero começar com, no mínimo, uma novela, que já tem um bom pedaço escrito). Não quero ser mais um nesse mar de autor jovem. Sem contar que meus textos não são lá grande coisa, e não quero ser detonado por crítico nenhum por aí.

Talvez eu envie um original de contos para concorrer ao Prêmio SESC de Literatura deste ano, isso se eu conseguir tempo pra montar o original, mas só pra ver no que dá. Minhas ambições agora são outras.

Sem contar que o fato de eu resenhar livros e querer me tornar um crítico de verdade me obriga a ler. E a leitura é o melhor remédio para todo aspirante a escritor. Além de escrever, claro.

Capital Humano

Thursday, September 6th, 2007

Não é fácil resumir a história de “Capital humano” (Objetiva, 368 págs), romance do jornalista e escritor americano Stephen Amidon, que foi comparado pela crítica americana ao bem sucedido “A fogueira das vaidades”, de Tom Wolfe.

A trama não gira em torno de um personagem específico, mas de vários (seis, para ser mais específico). Suas histórias são contadas em capítulos alternados que apresentam diferentes pontos de vista, bem como o estado psicológico de cada personagem frente aos mesmos fatos. Essas histórias pouco a pouco vão se encontrando e se explicando.

O romance retrata o momento em que Drew Hagel, um pai de família de classe média que sonha com a estabilidade financeira, tenta recolocar sua vida nos trilhos. Os últimos anos foram cruéis com Drew. Ele tem uma firma de imóveis, a “Hagel&Son”, herança de seu pai, que está a caminho da falência. Sua segunda mulher está prestes a dar à luz e sua filha em breve estará na faculdade. E ele precisa de capital para bancar todas essas despesas.

Drew vê sua salvação em Quint Manning, seu mais novo amigo, conseqüência de um curto namoro entre sua filha e o filho de Manning.

Proprietário de uma empresa de gerenciamento de capital, Quint vive o sonho americano. O jovem esforçado que torna-se adulto bem sucedido, com mulher e filhos exemplares, e muito dinheiro no banco. Aparentemente. (more…)

Karma

Wednesday, September 5th, 2007

You do good things and good things happen to you. You do bad things and it’ll come back to haunt you. It’s karma.

O mantra de Earl, da série “My name is Earl“. Começamos a assistir a primeira temporada, mas ainda não terminamos. Aquela coisa de se prolongar o prazer, evitando que ele termine rápido. Vamos assistindo aos pouquinhos, a série é boa demais.

A viagem de Théo

Tuesday, September 4th, 2007

- Théo! Você viu que horas são? THÉO!

Théo não estava dormindo de verdade. A cabeça enfiada debaixo do lençol, entregava-se à deliciosa suavidade do despertar. No momento preciso em que sua mãe entrava no quarto, seus pés já começavam a deixá-lo e ele ia poder se erguer nos ares, sem seu corpo… Que sonho incrível! E teria de parar! Quando vagava tão bem entre o sono e o dia, por quê?

- Anda, chega! - exclamou Melina Fournay. - Desta vez, você vai se levantar, senão…

- Não! - gemeu uma voz sufocada. - Sacudir o travesseiro, não!

- É sempre assim - protestou a mãe. - De tanto demorar para dormir, você acaba acordando mal. A culpa é sua também!

Théo levantou-se com dificuldade. O mais duro era passar para a posição vertical e enfrentar a leve vertigem da manhã. Um pé surgiu da cama, depois uma perna, depois Théo inteirinho, remexendo os cabelos cacheados. Ficou de pé… E cambaleou. Sua mãe conseguiu ampará-lo e sentou-se com ele na beira da cama. Suspirando, Melina examinou os livros espalhados em cima do cobertor.

- Dicionário do Egito antigo, mitologia grega, Livro dos mortos tibetano… Que horrores são estes? Não é para a sua idade, Théo! Até que horas ficou acordado esta noite? - perguntou ela repreensiva.

- Hum… Não me lembro - resmungou Théo meio adormecido.

- Você fica lendo até tarde - murmurou ela franzindo as espessas sobrancelhas negras. - Vai acabar ficando doente, sabia?

Início de “A viagem de Théo“, “um romance sobre as religiões mais praticadas no mundo”, da francesa Catherine Clément. Há alguns posts, eu disse ter me interessado pelo livro ao ler justamente o seu início, na livraria daqui. Ignorando algumas questões de estilo que eu suspeito até serem falhas de tradução ou revisão, é um belíssimo início. Simples, muito simples. Mas que já diz bastante coisa sobre Théo e sua mãe. Quando vou ler o livro inteiro? Só Deus sabe.

Prrrííí!!!

Monday, September 3rd, 2007

Foi dado o pontapé inicial para a I Copa de Literatura Brasileira. Primeiro jogo, “Mãos de Cavalo” (Daniel Galera) versus “Por que sou gorda, mamãe?” (Cíntia Moscovich). Quem apitou o jogo foi a Renata Miloni e, se você quer saber quem ganhou, tem que visitar o site, ora pipocas.

Para quem escrevo, afinal?

Sunday, September 2nd, 2007

O Digestivo Cultural está fora do ar já faz alguns dias. Não quero nem comentar o impacto que isso tem em todos os que participam do site. Não é uma tragédia na vida de nenhum dos colaboradores, mas todos ficam sentidos com o fato. Mais ainda o Julio, editor do site, e eu, editor-assistente, que tanto suamos para colocar a casa em ordem nas últimas semanas. Corremos tanto e, no final, não adiantou nada. Os leitores não podem ler os textos que revisamos e programamos com uma antecedência de mais de uma semana. Uma pena.

E estou mais sentido ainda porque meu texto que sairia na sexta-feira, dia 31, me custou no mínimo duas semanas de reflexões. Acho que nunca tive tanto cuidado com um texto. Não é lá uma maravilha de texto, mas é um bom texto, e eu queria muito que ele tivesse saído no site do jeitinho que eu imaginava.

O pior é que eu não quero publicá-lo aqui. Modéstia à parte, meu esforço e meu texto merecem um melhor reconhecimento e um maior número de leitores.

Esse egoísmo me fez pensar na pergunta-título deste post: para quem escrevo, afinal?

Vivo dizendo que escrevo para mim, não para os leitores (os poucos que tenho). Certo, tudo bem. Assim penso sobre minha ficção. Não minhas colunas e resenhas. Estes textos, sim, escrevo pensando no leitor, em como conquistá-lo com meus argumentos, ou em como deixá-lo puto da vida com uma frase ou outra. Já aqui, no meu bloguinho, escrevo para mim mesmo, às vezes até sem me importar muito com o que estou escrevendo. Isso já me trouxe uma ou duas pequenas dores de cabeças, mas toma-se um Tylenol e segue-se em frente.

Aliás, não é egoísmo: é vaidade.

Estou pensando no que fazer com o texto. Enviei-o (tá certo isso?) a um editor, vamos ver o que dá. Ele estará disponível no Digestivo, quando o site voltar ao ar, claro. Mas vou tentar outros caminhos.