Archive for October, 2007

Quase impropérios

Wednesday, October 31st, 2007

Puto é pouco para o que eu estava há algumas horas. Eu estava transtornado. Puto estou agora, depois de um banho morno, uma cerveja e um leve desabafo com os velhos.

Hoje tive que ir - sim, eu TIVE QUE IR - a um jantar com colegas de trabalho, pois nossos gerentes vieram fazer uma visita e vocês sabem: tem toda aquela coisa do encontro, do lazer, da confraternização. A verdade é que eu não ia. Mas meu superior direto me disse, com relativa razão, que eu me prejudicaria e também o prejudicaria, não indo: “Se você não for, tem que conseguir uma boa desculpa. O que eles vão pensar se só você não for?”

Pensariam que eu não gosto de me reunir com o pessoal, ou que não gosto deles. O que não é verdade. Gosto de sair com o pessoal com quem trabalho, e pra eles, os chefões, não dou a mínima. Faço meu trabalho bem feito, me esforço para me dar bem com meus colegas e isso me basta. Aliás, isso me custa.

Lidar com pessoas é difícil. Se às vezes brigamos com pais e irmãos, sangue do nosso sangue, imagine com colegas de trabalho. São pessoas estranhas, no sentido de que você não as conhece. Recomendo sempre manter uma boa distância de colegas de trabalho. Amigos de verdade, na vida, são poucos, e eu já tenho demais. Não preciso de mais. Ainda assim, fiz amigos no meu emprego anterior, e fiz alguns no emprego atual - acredito eu. Estou perdendo o foco do post.

A questão é que eu não queria ir para o jantar e acabei indo. Lá, tudo correu bem e tal. Mas aí a agonia do antes, da quase bronca que levei porque não queria ir, o desmarcar de encontrar minha noiva - porque só poderia ir gente do trabalho mesmo - e a agonia de voltar pra casa, depois do jantar, que custou a acabar. Sem contar que não pude ver meu time ser campeão na tv, mas quanto a isso até que tudo bem, eu já sabia que ia ser campeão mesmo.

As empresas agora estão com essa frescura de confraternizar, comemorar, reunir. Porra, não é minha família, caramba. Eles já sugam tudo o que podem e o que não podem do funcionário, e ainda querem que o cara vá às festas da empresa fazer papel de “ó, sou um funcionário exemplar, feliz e sorridente” - além de puxar o saco dos chefes, é claro.

Esse jantar me fez pensar mais furiosamente em algumas coisas. Na verdade, uma coisa: em como as pessoas podem ser falsas, hipócritas e caras de pau. A imagem que os gerentes tiveram de nós é que formamos um grupo unido, com um único objetivo, que é o de fazer a empresa aumentar seus lucros e com isso crescermos dentro dela. Ok, até que dá pra engolir isso. Mas é revoltante ver pessoas se fazendo de boazinhas durante uma droga de jantar, sendo que no dia a dia elas são extremamente difíceis de se lidar, cabeças duras e, que merda, imbecis. As pequenas atitudes do dia a dia, como não tratar bem os clientes, se recusar a fazer determinado procedimento apenas porque aquele atendimento não vai contar para a maldita meta e deixar uma bomba (leia-se: cliente com problema) cair em minhas mãos é de matar. Eu hoje me esforcei para não explodir com um e com outro e deixar de ir para a porcaria do jantar.

Uma menina dos EUA foi demitida da empresa em que trabalhava porque falava mal dos colegas dela em um blog. Parece que ela citava nomes e tudo. Aqui eu não citei nome de ninguém nem falei o nome da empresa em que trabalho, mas se alguém de lá ler, dane-se. É bom que fica sabendo o que realmente penso. Quer dizer, quem quer saber, sabe, eu não escondo.

É, eu estou mesmo puto. No mínimo.

Falta humildade (e simancol)

Monday, October 29th, 2007

Ser escritor não é apenas escrever, publicar e receber elogios. Ser escritor é não conseguir escrever, levar dias, meses, anos para finalizar um conto ou romance; é ler muito, escrever mais ainda e jogar muitos escritos no lixo. É saber limpar no texto, é escrever 10 páginas e aproveitar duas.

Além disso, e de outras coisas que não falei por falta de memória ou por não saber mesmo, ser escritor é saber lidar com as críticas e com os críticos. É saber que, para o crítico, pouco importa quantas noites ele passou em claro, ou quanto de dinheiro ele investiu no livro. O crítico não é pago - muitas vezes ele nem é - para sentir peninha de escritor nenhum, nem ser condescendente com a falta de qualidade de ninguém.

Então, voltando a um assunto que já abordei aqui, me irrita ver escritor reclamando de resenha que não elogia seu livro. Mas me irrita mesmo. E só não digo que é algo altamente imbecil de se fazer porque não quero angariar desafetos.

O caso é que, e já estou cansado de dizer (e de ouvir dizer), entrou na chuva, vai se molhar. Publicar um livro, ou mesmo que seja algum texto na internet, é arriscado. Pode chegar qualquer um e dizer que não gostou, que achou ruim. E todo mundo que escreve sabe disso. Chega a ser ridículo comentar isso de novo. Todos deveriam saber - acho que sabem, mas gostam de reclamar só para serem chatos - que a resenha de um livro não define nada. Nem uma resenha, nem duas, nem três. As opiniões podem ser - e ainda bem que são - muitas. Um crítico pode não gostar, outro vai e gosta, um terceiro diz que é uma obra-prima e um quarto diz que é a grande bomba dos últimos tempos. Imaginem se toda resenha fosse boazinha, favorável. Ia ser um saco.

Então, por favor, se você tem algum amigo ou amiga escritor, peça para que ele/ela não se chateie muito quando ler uma resenha não elogiosa. Só em ter o livro resenhado, já é uma vitória. Ou não? Quantos e quantos livros não ficam sem resenha, pobrezinhos? E podem até ser livros bons. Vejam o caso de “Fichas de vitrola & outros contos“, seleção de contos de Jaime Prado Gouvêa (mais três inéditos), publicado este ano, por exemplo. Jaime Prado nasceu em 1945, tem vários livros publicados, fez parte do Suplemento Literário de Minhas Gerais (criado por Murilo Rubião), publicou vários livros, ganhou prêmios. Nada disso fez com que “Fichas de vitrola & outros contos” ganhasse sequer uma nota em qualquer blog na rede. Ao menos não encontrei nada na busca que fiz no Google. Então, se um cara como o Jaime Prado (pelo pouco que li dá pra ver que ele é bom) lança um livro pela maior casa editorial do país (se não me engano) e ninguém resenha, como é que um escritor novo ou velho, seja ele bom ou ruim, reclama de seu livro não ter sido elogiado?

Façam-me o favor…

Que coisa…

Sunday, October 28th, 2007

Sabe quando você admira muito uma pessoa que trabalha na mesma área que a sua, e admira tanto que almeja chegar ao mesmo patamar que ela? Você procura se informar sobre ela, onde trabalhou antes, com quem trabalhou, como fez pra chegar onde chegou. Como você trabalha com ela, consegue algumas dessas informações com o próprio ser admirado. E ela, a pessoa, fala de uma maneira tão segura, tão simples e articulada, que você pensa: “caramba, será que serei assim algum dia?”.

Mas um belo dia você descobre que ela tem lá seus defeitos e mantém seu status à custa de outros, apropriando-se e valendo-se do trabalho de terceiros.

É quando você percebe que a sua admiração nunca teve uma verdadeira razão de ser, e que melhor mesmo é seguir seu próprio caminho da melhor maneira, sem precisar tomar para si o trabalho de alguém.

Não há decepção, e, sim, orgulho. De você mesmo, por ter chegado onde chegou por méritos próprios. Isso te dá um belo sorriso, e a certeza de um belo futuro.

Ah… Que bela maneira de amanhecer um domingo.

Do futuro pretendido

Friday, October 26th, 2007

Preciso colocar em mente que tudo o que acontece em minha vida é por culpa minha. Não foram poucas as chances que tive de dar a ela um rumo decente, mais correto e mais seguro. Desperdicei-as, e agora, reclamo.

Sinto-me cansado. Sempre correndo contra o tempo. E, na maior parte dele, estou preocupado, ansioso. Às vezes me percebo olhando, quase estático, para um lugar qualquer, alheio ao que acontece à minha volta. Nesses momentos, tento fazer uma retrospectiva das mais recentes bobagens que fiz e encontrar uma maneira de consertá-las. Mas o número de ações impensadas e imbecis é tão grande que fico cansado antes mesmo de listar todas. E assim volto à realidade: mais preocupado, mais ansioso. Sem encontrar uma mísera pista de solução.

Não sou um pobre-diabo, um pobre-coitado. Tenho uma vida razoável, e poderia dizer que sou feliz, não fossem as tais besteiras que fiz e insisto em continuar fazendo. Tenho uma boa mulher, bons amigos, uma família normal e um trabalho que, apesar de exigir muito de mim, me possibilita ter uma vida digna. Não ganho rios de dinheiro, mas posso tranquilamente viver com o que ganho.

O fato é que não quero continuar vivendo assim. Melhor dizendo: não estou contente com o rumo de meus dias. Eu não deveria estar trabalhando onde estou. Não deveria estar tão distante de casa e de meus pais, mesmo morando com eles. Não é certo ver a mulher da minha vida uma vez por semana. Há algo de podre no meu reino.

Não tenho mais os amigos todos que eu tinha. Os poucos que sobraram não sei como estão. Meus livros são acumulados em pilhas malfeitas em meu quarto; e eles, que me deram tanta vida e tanta gana de vencer, são deixados de lado, pois o dono não tem tempo para lê-los.

Sim, eu reclamo. Lamento. Não é do meu feitio fazer isso, mas ultimamente a melancolia tem se apoderado de mim, e não vejo outra alternativa, a não ser lamentar.

Não adianta nada, eu sei. É só uma maneira de, talvez, seguir adiante. De tentar aliviar um pouco o peso que carrego em meus ombros. Peso que eu mesmo tomei para mim, na forma das bobagens que fiz e tenho feito.

E o tempo vai passando, cada vez mais rápido. É com ele que mais me preocupo, com o tempo. Há anos que adio a decisão de mudar, dar mais importância a determinadas coisas e não deixar o efêmero tomar conta de minhas ações. Minha relação com o tempo é simples e paradoxal: quero aproveitar o máximo que puder. Já, agora. Mas, ao mesmo tempo, quero construir bases para ter um futuro resistente, seguro.

Sou um idiota que não sabe esperar, é isso. Alguém que perde o controle do presente e deixa o futuro pretendido cada vez mais distante. Um covarde, que sabe quais atitudes precisa tomar, mas tem medo de não conseguir sustentá-las, justificá-las e seguir adiante com elas. Alguém que precisa mudar, para melhor. E rápido, antes que seja tarde.

Finalmente!

Tuesday, October 23rd, 2007

Eu esperei demais por isso. É a edição de “Antes, o verão“, pela Alfaguara.

Um dos melhores romances que já li, em uma edição bem velhinha que tem lá na faculdade, e que mais me marcou. Em breve terei a nova edição em mãos, de um jeito ou de outro.

Outra boa nova é o romance de Menalton Braff. “A muralha de Adriano” já está à venda nas melhores livrarias (com o risco de estar nas piores também, mas até que isso não é ruim), e tem o padrão Menalton Braff de qualidade.

Aliás, deveria existir um órgão que medisse a qualidade das obras lançadas, principalmente de autores brasileiros. Tipo um selo de qualidade literário e tal.

Não é inspiração

Tuesday, October 23rd, 2007

Não estou aguentando minha própria genialidade. Acabei de escrever mais um texto digno de efusivos e demorados aplausos, depois de já ter escrito o esqueleto de um outro tão genial quanto.

Tenho medo de não conseguir conviver com isso e sofrer de um mal que assola alguns gênios: eles não aguentam tanta genialidade e mudam de vida. É como se Kafka resolvesse parar de escrever depois de escrito os primeiros contos, e fosse viver sua vida de bancário, sem nunca mais dar atenção à literatura.

É óbvio que estou brincando. Mas realmente escrevi dois textos bons em três dias. E como isso é bom, meu Deus. Melhor só se eu pudesse dormir até meio-dia hoje.

Quatro vozes

Monday, October 22nd, 2007

Tínhamos um blog - temos, na verdade -, o Dudu, o Thiago e eu, no qual publicávamos nossa pretensa literatura. Seu nome: 3 Vozes.

70% de culpa minha, paramos de postar. Por causa de minhas atividades, por não mais poder escrever ficção como antes escrevia. (Mas ao menos o consolo de, se não escrevo tanto, escrevo bem melhor.)

Acho que começamos em 2005, com o blog. E até hoje somos amigos. O Thiago é mais amigo dos outros dois, e isso mantém acesa a amizade minha e do Dudu, já que não nos falamos tanto. E vamos voltar com o nosso blog, é só uma questão de tempo. Pouco tempo, acredito eu.

Mas o fedelho do Thiago tem o incrível dom de me fazer chorar com seus contos, algumas vezes. Nas outras, me deixa irritado porque tem preguiça de revisá-los decentemente.

E ele escreveu um belo conto - sou suspeito para falar, pois fiquei mesmo emocionado - num blog que ele tem com outros três amigos, o Quatro Patacas, falando sobre nós, as 3 Vozes, e minha bem amada Cássia.

Abaixo o início do conto. O restante vocês lêem só no blog. Eu fico assim, sem graça, sem ter como agradecer ou retribuir. Se lágrimas servirem, ele as tem.

Quatro vozes

Quando eu e o Dudu sentamos na rua em Feira de Santana, logo depois dele ter voltado da Austrália, nós conversamos como se fosse a primeira vez que nos víamos. Lembramos quando nos encontramos, de nossa produção literária e dos sonhos que nós teríamos de construir juntos, eu, Dudu e Rafael. Até saímos no jornal um dia.

Nós éramos jovens ainda, eu ainda não tinha a história da Giovanna, e morria de amores pela Mari, veja como o tempo passa; e enquanto eu me lamentava em São Paulo do amor de alguém que nunca me amaria, e Dudu, como uma máquina, beijava mais mulheres que o próprio Casanova, nós dizíamos que tudo que queríamos, de verdade, era um amor como o que tinha o Rafa.

O Vinícius de Morais dizia que poetas não devem falar de seus amores, e sim de outras mulheres, e eu sempre entendi isso como uma forma de dizer que na poesia o falar de amor nem sempre é amar alguém; e que o amor de verdade, aquele do “de tudo ao meu amor serei atento”, é como um segredo embaixo de um guarda chuva que deve ser saboreado as escondidas.

Mas o Rafa não tinha essa moral Viniciana, ele cometia o pecado de amar em vida e declamar nas ficções. Ele poderia insistir que não, fingindo ser um contista boêmio a la Bukowski, mas no meio de suas vastas ficções, eu e o Dudu sempre notávamos as palavras que ele escrevia só para ela ler. Aquelas cartas de amor de um romântico incorrigível que ele insistia em negar, para manter a pose blasé. Até um dia que não deu mais, ele teve que assumir.

Ele escreveu os textos mais bonitos para ela. Porque ao contrário de mim, fudido com amores imperfeitos, ao contrário do Dudu, nosso Don Juan, e dos poetas do passado que já escreveram sobre amor, nós podíamos além de ler suas palavras, sentir que quando, e isso também é Vinícius, os olhos dele olham no dela, não existe mais ninguém no mundo exceto aquele dois.

Leia o conto inteiro no Quatro Patacas.

Fim da palhaçada e resenha nova

Thursday, October 18th, 2007

Finalmente, recebi os cds que o Submarino faltava me mandar (Procon é uma palavra mágica).

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Mais uma nova resenha escrita por este que vos fala, no Digestivo. Um texto maravilhoso, de qualidade ímpar (?), que só Rafael Bandini pode escrever pra você.

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Eu tinha alguma outra coisa pra falar no post, mas acabei esquecendo.

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Ah, lembrei. Saiu o resultado do Prêmio Portugal Telecom (PPT) de Literatura deste ano. O vencedor foi “Jerusalém”, romance do português Gonçalo M. Tavares. Em segundo lugar ficou “Macho não ganha flor”, de Dalton Trevisan e em terceiro o livro “História natural da ditadura”, de Teixeira Coelho, que mistura ficção e ensaio, segundo o release que anuncia os vencedores do PPT.

Tenho os dois primeiros, e ainda vou os ler, só não sei quando. O terceiro não tenho, mas parece ser interessante. Mas mais interessante ainda seria fazer um levantamento de quantos exemplares de cada livro foram vendidos (aqui no Brasil) antes do Prêmio e quantos serão vendidos após o anúncio. Minha opinião? Acredito que a diferença seria mínima. Até porque, pelo que li dos vencedores, não são livros assim tão fáceis de ser lidos, digamos. Culpa dos autores? De maneira alguma. Culpa dos leitores. E mais não falo porque não estou afim de cair numa conversa redonda.

Mas, então, o dia

Wednesday, October 17th, 2007

Quando te conheci, quis de alguma forma me transformar em você. Pensava ser possível absorver tua essência observando tuas ações, lendo tuas palavras e ouvindo teus conselhos. Quem sabe, até, herdaria tua postura e teus trejeitos, que tanto admirava.

E por pouco isso não aconteceu. Você, em excesso, deixou-me embriagado. Tuas palavras, teus conselhos, tuas idéias, teus tudo grudaram em mim, deixaram-me tal como uma cópia tua, e eu já não era mais eu. Eu era você, e sequer me dei conta da mudança em mim.

Chegou a ser engraçado. Conversar com você era como se estivesse falando com um outro eu. E eu sabia todas as tuas palavras seguintes, pois já até pensava igual a ti. Foste não uma paixão, um amor, mas uma obsessão, uma doença. Fui um parasita em você. Não sentiste?

Mas, então, o dia. O dia em que talvez algum sino ou estalar de dedos tenha feito acordar meu eu de um profundo dormir. Meu profundo mergulhar em teu eu. Não, não foi um sino ou estalar de dedos. Foram palavras, palavras tuas, ditas para mim, ou para outro, já não sei, mas que chegaram a meus ouvidos (ou foram meus olhos que as viram?). Letras ouvidas por mim ditas por teus dedos? Talvez. E… não importa.

Importa que acordei, e me vi no espelho. Reencontrei a mim mesmo, pele nova, barba e cabelo grandes, necessitários de corte e tratamento. Eu era eu novamente. Porém, não mais cópia de ti, não mais refém de tuas palavras.

As mesmas palavras que um dia me encantaram e fizeram mudar de mim para ti, fizeram-me perceber que eu me basto a mim mesmo, e que tuas idéias só valem para ti quando a ti te convêm. Assim: tuas opiniões e palavras dependem de onde e com quem estás. Não sabes o valor de uma verdade ou de uma palavra concreta, palavra-viga, palavra-sustentação.

Não quero minhas palavras flexíveis, como papel toalha ao vento. Quero-as como árvores, porque fixas, enraizadas, mesmo que regadas por tantos e diferentes outros. Quando for o tempo, que sejam derrubadas (até por mim mesmo) e que dêem nascença a papéis, por onde outros possam escrever palavras mais fortes e verdadeiras que as tuas.

Sobre os Nobel de Literatura e Paz

Monday, October 15th, 2007

O Prêmio Nobel de Literatura deste ano foi para as mãos de uma escritora que eu nem sonhava conhecer. E, aliás, não conheço mesmo. Só de nome, e de Nobel. Doris Lessing, o nome dela. Sinceramente, não vou correr atrás de nada dela não. Mas, se alguma coisa cair em minhas mãos, será de bom grado. É possível que isso ocorra nos próximos meses ou anos, pois é muito provável que comecem a reeditar suas obras aqui no Brasil.

Harold Bloom, possivelmente o crítico literário mais enfezado de todos os tempos, disse que o Prêmio foi uma decisão “pure political correctness”; ou seja: uma decisão puramente politicamente correta, é o que meu parco inglês me deixa entender.

Um dia, anotem aí, um dia eu vou dizer o mesmo. Serei um crítico birrento também, mas não tanto quanto Bloom.

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O Nobel da Paz, vejam vocês, foi dividido entre o grupo de cientistas que compõe o Painel de Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU e o ex-futuro-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Sobre os cientistas eu não sei nadica de nada. Sobre Gore, sei um pouquito só. E vocês devem saber o mesmo: nos últimos anos, Gore parece que ficou obcecado pela causa ambiental e tem feito uma mobilização enorme nos EUA e em outros lugares no mundo, um belíssimo trabalho de conscientização que, por mais que não dê resultados grandes e imediatos, está fazendo muita gente ficar atenta a isso, e fazendo até o próprio governo Bush mudar um pouco de posicionamento (ou ao menos fingir que está mudando); lembrando que o presidente Bush se recusou a apoiar o protocolo de Kyoto, que o próprio Gore tinha pré-assinado, quando vice-presidente dos EUA. A esperança é todos terem consciência da importância de se preservar a natureza e combater o desperdício e poluição. Missão difícil, essa, mas não impossível.