Archive for December, 2007

Se você souber, me avise

Friday, December 28th, 2007

Li um excelente texto que falava sobre o fato de os norte-americanos serem criados para serem os melhores, seja lá em que área atuem. O texto (ou entrevista, não sei), diz que nós, brasileiros, não recebemos o mesmo incentivo, e que a grande maioria de nós não tem maiores pretensões. É como se a maioria de nós não fosse ambiciosa, como se só nos bastasse levar uma vidinha simples e normal, sem maiores emoções.

Se alguém tiver lido algo parecido e souber onde leu, por favor, me avise.

E-mails a um jovem resenhista

Thursday, December 27th, 2007

Texto novo, no Digestivo. Segue um trecho:

“A literatura é importante para quem faz, para quem ama, para quem gosta. Mas são tão poucas pessoas que fazem, amam e gostam de literatura, que chega a ser ridícula a proporção que alguns autores dão às más críticas de seus livros, por exemplo. São ridículos também comentários do tipo “ah, só publicaram porque ele é amigo de fulano”. É verdade que isso ocorre, mas reclamar e choramingar vai adiantar? Não vai. Então. O melhor é esquecer as reclamações e trabalhar, ou seja, escrever.”

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

Menos dois

Tuesday, December 25th, 2007

Menos dois livros na minha lista de aquisições futuras aí do lado. Cássia, a minha mamãe Noel, me deu dois de presente de Natal.

E foram gratas surpresas, porque, apesar de eles estarem na lista, eu achei que ela iria me dar um dos que foram adicionados por último.

Eis os títulos:

O último leitor“, do escritor mexicano David Toscana e “Meus contos esquecidos“, de Lygia Fagundes Telles.

Muito obrigado, meu amor. Pelos livros e por tudo o mais.

Livros no Natal

Tuesday, December 25th, 2007

Eu tinha feito uma compra na FNAC há mais de 1 mês já (ok, estou exagerando; foi há 20 dias) e não haviam me entregado ainda. Foram 4 livros, sendo um deles “Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira” e “Seymor, uma apresentação”, duas novelas de J.D. Salinger em um livro só. Eu pedi a edição da Companhia das Letras, que estava esgotada e eles não puderam me enviar. Fui agora no site e vi que a L&PM acabou de lançar essas novelas em um único pocket. Oh yeah!

Os outros três estavam na minha cabeça faz tempo, um deles estava na lista de aquisições aí do lado. Recebi todos ontem, dia 24. Que coisa, não? Parece que era pra ser meu presente de Natal para mim mesmo. Apesar de que meu presente para mim mesmo foi “Reino do medo”, de Hunter S. Thompson, que comprei sábado, com Cássia.

Aliás, nesse mesmo dia, ela deixou escapulir que vou ganhar dois livros de Natal! Ô beleza \o/

Ah, nem falei aqui: ganhei “O dia do curinga”, de Jostein Gaarder, no amigo secreto do trabalho, semana retrasada. Eu já li o livro no colégio e há muito tempo quero relê-lo.

(Por favor, não me falem em “O mundo de Sofia”; já tentei ler e não consegui, achei completamente chato).

Recebi, também ontem, dia 24, o “Granta em português - 1″, lançado pela Objetiva/Alfaguara. É uma coletânea que reúne - ou tenta reunir - “os melhores escritores jovens escritores norte-americanos”. Nele estão alguns “conhecidos” meus, como Jonathan Safran Foer (”Tudo se ilumina”) e Nicole Kraus (”A história do amor”).

E foi um dia legal, eu estava surpreendemente bem humorado, não sei por quê. Voltei pra casa com uma sensação muito boa de esperança e de que teremos um novo ano muito bom.

Isso foi bem piegas, eu sei.

No mais, estou assistindo com meu irmão os três “De volta para o futuro”. Domingo assistimos o 1, ontem o II e hoje assistiremos o III. Spielberg é incrível. E Robert Zemeckis também, que dirigiu toda a trilogia e, junto com Bob Gale, escreveu o primeiro e último roteiro. O segundo foi Bob Gale quem escreveu sozinho. Dos dois que assistimos, o segundo é um pouco mais sério.

O mais legal de estar revendo todos os filmes depois de tanto tempo - eu assisti a todos quando guri - é ficar novamente deslumbrado com a história já tão conhecida. E também ver que, putz, fizeram os filmes na década de 80, caramba. São sensacionais. Dão de pau na trilogia Matrix, sem dúvida nenhuma.

Não há nada de filosófico nos “De volta para o futuro”. São filmes bons, que contam uma boa história e que têm a única intenção de, ao menos é o que me parece, divertir. Não há mal nenhum nisso. São filmes “inocentes”, sem esses modismos de violência exacerbada, terror e sexo quase explícito que a maioria dos filmes lançados ultimamente têm.

Filme bom é filme assim. Uma boa história, com bons atores, bons diretores/produtores/roteiristas, sem negócio de apelação.

E é isso. O post vai assim, sem links nem revisão, que não estou pra isso agora.

Eu tenho família, porra!

Monday, December 24th, 2007

É o que deveria dizer todo mundo que trabalha no Natal, depois de encerrado o expediente. Deveriam todos dizer isso e abandonarem o posto de trabalho. Clientes que inventam de comprar de última hora que se danem.

Antes do Natal os horários de funcionamento do comércio e dos shoppings são amplamente divulgados. Vários shoppings viram a madrugada do dia 23 para o dia 24, justamente para tentar fazer com que os atrasados comprem na madrugada, e deixem todo mundo sair do trabalho na hora marcada, geralmente às 18:00.

Mas não. O povo deixa pra comprar em cima da hora, sempre. É sempre assim. Aí, lá pelas 17:30 da tarde do dia 24, o cara quer que a fila ande, que o cartão seja impresso, que o aumento de limite seja feito na hora. Às 18:10, eu já de camisa por fora da calça e óculos escuros na nuca, as meninas com caixa de bombom na mão, atendimento completamente fechado, o sujeito inventa de perguntar por que o cartão dele não passou uma compra de 300 reais. Ora, vai saber! Te vira, malandro, era o que deveríamos responder. Mas, infelizmente, precisamos ser sempre educados com os clientes. Apesar de às vezes não dar.

Sei que tem muita gente que trabalha até mais tarde no Natal, e tem aqueles que realmente não páram de trabalhar. O pessoal de posto de gasolina, padaria e tal, mas sei lá, o povo deveria fazer as coisas com antecedência, de modo que às 17:00 tudo estivesse completamente vazio e os gerentes e supervisores todos resolvessem baixar as portas por causa da falta de movimento.

Bom, é assim mesmo, fazer o quê. Paciência.

A indústria do Segredo

Sunday, December 23rd, 2007

Eu já falei sobre o assunto mais de uma vez, mas, sem querer ser chato, depois de “O segredo”, vários livros pegaram carona nele. Eis uma lista que fiz aqui de improviso, sem fazer muito esforço pra encontrar os títulos:

O Segredo de Deus
O Segredo da prosperidade
O Segredo por Ana Maria Braga
O Segredo do Segredo
A Lei da Atração - O Segredo colocado em prática
Muito além do Segredo
A chave do Segredo

Programados para serem lançados em 2008 estão outros títulos:

O Segredo do Segredo do Segredo
O Segredo de Marley, o cachorrinho da piveta que roubava livros em Cabul
O Segredo (Ai!) dos anos de um traveco na Paulista
O Segredo que ninguém sabia
O Segredo que ninguém contou, mas todo mundo acabul sabendo
Segredo: o homem que não sabia de nada
Muito, mas muito além mesmo, do… do… do que mesmo?

***

E boas festas, né? Correria aqui nos últimos dias, e dois dias com minha amada. Não deu pra matar a saudade, mas diminuiu um pouco.

A morte de Hunter S. Thompson e eu

Wednesday, December 19th, 2007

Não conheço nada do jornalista e escritor americano Hunter S. Thompson, a não ser alguns títulos de livros. Acabou de ser lançado aqui no Brasil uma coletânea de textos dele. Foi o próprio Thompson quem selecionou os escritos de “O reino do medo“, publicado nos EUA em 2003 (”Kingdon of fear”).

Folheando o livro aqui na livraria, fiquei sabendo que Thompson cometeu suicídio em 2005, aos 67 anos. Deixou um bilhete dizendo “… 67. That is 17 years past 50. 17 more than I needed or wanted …”. Mais sobre a morte de Thompson e o bilhete inteiro aqui.

Eu vivo dizendo que prefiro a morte a uma vida vegetativa, no caso de alguma doença (Deus me livre e guarde). Quando vi que um outro, além de pensar da mesma maneira, teve a coragem de cometer suicídio, estremeci. Porque às vezes nem eu mesmo me levo a sério, e são tantas as pessoas que vivem com grandes sequelas e dificuldades - Thompson não teve nada, matou-se por tédio e depressão, ao que tudo indica -, que chega a ser uma blasfêmia negar a vida, por mais limitada que ela possa ser.

Não é a primeira vez que penso no assunto, nem será a última.

Audiência

Tuesday, December 18th, 2007

É incrível o número de leitores que entrou aqui no blog buscando “os melhores livros de 2007“. Eu realmente não esperava isso. Ontem foram 39 cliques nele, e hoje, às 13:44 (no horário de verão), foram 18 cliques. Será que essa gente toda está mesmo interessada em ler?

O engraçado é que um post muito mais relevante que uma lista dos melhores livros do ano, que é o que estão buscando e acho que estão se decepcionando muito ao ver que eu não fiz uma, teve uma quantidade inexpressiva de leitores. Estou falando do post “Nem todo mundo é um crítico“, que me deu um trabalhão pra escrever.

Leitor é mesmo um bicho muito estranho. Parece até mulher.

Mas mulher é mais complicada.

Aproveitando, faz poucos dias que li “As horas podres“, de Jerônimo Teixeira, com quem já fiquei danado da vida pelo menos uma vez. O livro é uma beleza de tão bom, e coloco junto de “Fup” e “O brilho do sangue”, na lista dos que me surpreenderam este ano. Sobre o post de dois anos atrás, algumas coisas mudaram. Não sei se o escreveria do mesmo jeito hoje.

Verdades sobre Budapeste

Sunday, December 16th, 2007

Faz tempo que li “Budapeste”, de Chico Buarque. Na época, o romance estava há não sei quantas semanas seguidas em todas as listas de “mais vendidos” e recebia elogios de tudo quanto é lado.

Na contramão, eu, que achei o livro uma bela porcaria e escrevi isso no meu antigo blog, e o escritor pernambucano Urariano Mota, que escreveu uma excelente coluna sobre o livro, no Cronópios.

Agorinha há pouco, descobri, também no Cronópios, uma coluna da escritora Marcia Denser, sobre “Budapeste”. Ela, como eu e Urariano, também não gostou do livro.

Terra, sangue e lágrimas

Sunday, December 16th, 2007

* Publicado no 3 Vozes, em 15/07/2005

Lembro que costumava brincar bastante quando criança. Tive bonecos de uma porção de heróis, pistolas espaciais, espadas do Lion dos ThunderCats e do He-Man também.

Cinto do Kamen Rider, máscara do Jaspion, enfim, um monte dessas coisas.

Jogava bola com os amigos, saía para andar de bicicleta. Atividades essas que regularmente me deixavam com marcas e machucados. Não faço idéia de quantas vezes cheguei em casa sujo de terra, sangue e lágrimas.

Mas era bom. Não precisava levar nada a sério. O colégio era fácil demais. (Relendo essa última frase e pensando melhor nela, me sinto no dever de tecer o seguinte comentário: talvez o colégio não fosse fácil demais. Acho mesmo é que eu fui perdendo a inteligência que herdei com o passar dos anos. De excelente em tudo, tornei-me um medíocre. Mas, enfim, a lamentação é outra.) Eu era mais bonito. Namorei duas irmãs ao mesmo tempo. Eu, com seis ou sete anos de idade, era um tarado. E nunca me dei conta disso. Ninguém deu. Nenhum garoto de seis ou sete anos é um tarado. No máximo ele é “danadinho”.

Eu ia pra escola de manhã, fazia meus deveres à tarde e ficava até à noite brincando, vendo tv, recebendo paparicos.

Sempre vinha alguém visitar. Sempre alguém trazia presentes. Sempre havia amigos para aprontar por aí.

Hoje as responsabilidades aí estão. Faculdade, trabalho, contas a pagar. Dar exemplo aos irmãos mais novos. Ser um homem decente. Me esforço para honrar minhas obrigações, mas, em certos momentos, tudo o que gostaria de fazer era sentar no meu velho quarto – que não existe mais – e montar o meu lego – que também não existe mais.

Talvez eu não exista mais.

Mas isso é apenas um detalhe. O que eu gostaria mesmo é de não levar as coisas tão a sério. De não PRECISAR levar as coisas tão a sério. Mas o fato é que não há mais escapatória.

Estou ficando velho e não há como escapar do tempo.