Oitava Malagueta
Friday, February 22nd, 2008Como eu não estou escrevendo aqui nos últimos dias e também por ser uma boa dica de leitura, aí vai o link da Revista Malagueta, que chega a sua oitava edição.
Como eu não estou escrevendo aqui nos últimos dias e também por ser uma boa dica de leitura, aí vai o link da Revista Malagueta, que chega a sua oitava edição.
Vi aqui agora uma lista dos melhores álbuns de rock britânico dos últimos 50 anos e fiquei encucado. A lista é resultado de uma pesquisa de duas revistas da Inglaterra e vocês podem conferir neste link.
O caso é que o Keane, uma boyband sofrível, emplacou seus dois álbuns nessa lista, sendo que um deles está à frente de “Dark side of the moon”, do Pink Floyd. Sem contar que o Queen também foi deixado para trás pelo Keane.
Resta o consolo de saber que essas votações não podem ser levadas tão a sério. Um monte de pirralho deve ter votado no Keane, com certeza.
“Pull the pin” (”puxe o pino”), mais recente álbum do Stereophonics, não tem nada de muito novo em relação ao anterior “Language. Sex. Violence. Other?” (precisa traduzir?), que foi quando a banda deu uma diferenciada no som. Antes deles vieram “You gotta go there to come back” (”você precisa ir lá pra voltar”) e “Just enough education to perform” (numa tradução literal e não sei se correta, “apenas o estudo necessário para executar”), que são discos mais acústicos, com uma boa dose de rock sessentista ou setentista, não sei (e antes, ainda, vieram “Word gets around” e “Performance and cocktails”, mas como não os tenho originais e os ouvi muito pouco, não “entram” aqui no post). Na verdade, eu nem deveria estar falando disso aqui, já que não entendo bulhufas de música.
O caso é que “Language…” e “Pull the pin” se aproximam muito pelo fato de não haver tanto a presença do violão, nas faixas. A distorção das guitarras está mais, digamos, suja, e a bateria está mais seca, acho eu.
Apesar da proximidade entre os últimos dois álbuns - e, se for ver, a cada dois anos o Stereophonics se renova -, não posso dizer que este último seja uma mera repetição da fórmula usada em “Language…”. As músicas em “Pull the pin” estão mais “limpas”, digamos. Me parece que havia mais instrumentos nas canções de “Language…” e um tímido flerte com alguns efeitos eletrônicos. Kelly Jones, o vocalista da banda, é quem compõe todas as músicas, salvo raras exceções. Isso me leva a crer - aliás, isso é óbvio - que os discos da banda saem de acordo com o humor do Kelly. Se ele estiver meio deprimido, o disco vai ser deprimido (”You gotta go…”); se ele estiver confuso, o disco será confuso (”Language…”); se ele estiver puto da vida, o disco vai ser puto da vida. E acho que é o caso de “Pull the pin”. E não é para menos: Kelly Jones está puto com o mundo.
Já na primeira faixa, “Soldiers make good targets” (algo do tipo “Soldados são bons alvos”), ele canta “What kind of place are we living now?/ Watching wars live, via satellite/ You carry a gun but no smoking inside” (”Em que tipo de mundo estamos vivendo agora?/ Assistindo guerras ao vivo, via satélite/ Você pode andar armado mas não pode fumar dentro“).
Na segunda, “Pass the buck”, ele diz “Yes you lie. All the time/ And i don’t believe you/ Dodging blame. Catching planes” (”Sim, você mente. O tempo todo/ E eu não acredito em você/ Fugindo da culpa. Estragando planos“).
A quinta faixa é “Daisy Lane”, e é a mais cruel do disco. Lembrei imediatamente de “Jeremy”, do Pearl Jam. Uma estrofe de “Daisy Lane”: “15 years old, slow walking alone/ They stole his phone, he never got home/ Three boys in hoods/ A warm summer’s day/ Stuck him and killed him and then run away” (”Quinze anos de idade, caminhando devagar, sozinho/ Eles roubaram seu telefone, ele nunca voltou pra casa/ Três garotos encapuzados/ Um dia morno de verão/ O prenderam e o mataram e então foram embora“).
Não falarei mais sobre o disco porque só o ouvi uma vez, vou partir para a segunda audição agora. Mas acho que é um excelente álbum de rock. Sou suspeito para falar, já que sou fã da banda, mas quem tiver oportunidade de ouvir, ouça. Acho que vai valer a pena.
Enquanto aguardava a minha vez no consultório, dediquei uns 5 minutos da minha atenção a uma garotinha que estava zanzando feito uma barata tonta entre as cadeiras. Ela estava com a mãe, mas parecia que estava só, porque a mãe a deixava solta demais.
Foi muito engraçado. Tinha uma lata de lixo em um ponto da sala de espera. A garotinha foi lá, meteu a mão dentro da lata e tirou uma caixinha daqueles sucos Kapo (ou Kappo, algo assim). Aí a mãe veio, disse à filhinha que ela não podia fazer aquilo, a tirou de perto da lata (quer dizer, deixou a menininha a uns 4 passos da lata) e deu as costas. Não deu 10 segundos e a garotinha estava de novo mexendo na lata, pegando a caixinha do suco, a mãe indo de novo dizer que não pode e depois dando as costas.
É sério: essa cena ridícula se repetiu 5 vezes. CINCO! Deu vontade de dizer “minha senhora, segure sua filha, pelo amor de Deus”. A pobrezinha da menina ainda apanhou da mãe, na quinta vez.
Não fui trabalhar de novo, hoje. Por conta disso, tive novamente de ir ao médico, pra pegar mais um atestado. Dessa vez a coisa foi bem diferente - exceto a espera pela consulta, que foi ainda maior.
Enfim, fui lá. A doutora, bem mais simpática e educada que o baixinho de língua presa tirado a fortinho que me atendeu ontem, depois de me ouvir, tratou logo de fazer um exame. Cuidadosamente colocou um diabo de microcâmera no meu nariz e identificou a maldita sinusite.
Agora só me resta tomar uns remédios e voltar lá no consultório, daqui a uns 11 dias. Isso se eu tiver saco pra voltar…
Vou contar a vocês a minha ida ao médico hoje. Mas, antes, é necessário dizer o seguinte.
Independente de quando, onde, com quem ou por quê, tenho tentado ser o mais sincero possível. Então, se você me mostrar uma camisa que você comprou e eu achar a camisa ridícula, eu vou dizer que acho a camisa ridícula. Se você me aparecer com um penteado que eu acho que é horrível, eu vou dizer que achei horrível. Eu tenho minha opinião e não vou deixar de torná-la pública - quando solicitada, claro. E estou aplicando isso em todos os segmentos de minha vida e com todos que conheço e amo - ou não. Até mesmo com quem não conheço.
Dia desses inventei de comer uma fatia de torta num café aqui e deixei metade. A menina perguntou “não gostou não?”. Eu poderia ter dito que já estava cheio, ou que estava sem tempo, poderia pedir para embalar o resto pra levar pra casa. Mas não. Disse que achei a torta ruim, doce demais.
Dito isso, vamos lá.
Acordei hoje com uma dor de cabeça enorme. Acho que é sintoma de sinusite. O médico que costumo ir - e que é médico também de meus pais - suspeita que eu tenha sinusite. Me mandou fazer uns exames, mas eu acabei não fazendo. Hoje ele não estava atendendo e eu não me senti legal pra ir trabalhar. Então, eu teria que conseguir um atestado. Deixei pra fazer isso à tarde, com minha querida mamãe, e não restou outra opção a não ser ir a um pronto-socorro.
Chegamos lá, preencheram minha ficha e nos mandaram aguardar. Aguardamos. Eu queria só entrar, dizer o que estava sentindo, pegar um atestado e me mandar. Só isso, mais nada. Mas, vejamos.
Chamaram meu nome e fomos para a sala do médico. Digo, quase fomos. Havia gente aguardando na porta, para ser atendido. Não entendemos. Minha mãe foi até a recepção saber o que estava acontecendo. Quem foi chamado antes de mim ainda não havia sido atendido, o médico estava fazendo alguma coisa no computador e não pediu pra ninguém entrar. Meio ridículo e improvável isso, não sei como aconteceu uma coisas dessas, mas foi assim. Enfim: avisaram lá ao homem que havia gente esperando, esperei duas pessoas serem atendidas e entrei.
Quando entrei, disse “boa tarde” e não obtive resposta. Segundos depois minha mãe entrou, disse “boa tarde” e também não obteve resposta. Tudo bem, tudo bem, eu só queria o meu atestado.
Depois de uns dois minutos digitando algo, o doutor fez o favor de perguntar o que havia. Eu lhe disse que acordara com dor de cabeça, que havia uma suspeita de sinusite levantada por meu médico, que estava “fungando” muito e que estava sentindo o corpo cansado.
Ele perguntou se eu tinha alergia a algum medicamento. E foi aí que a coisa começou a feder. Eu sei que não posso tomar dipirona. A última - imagino que única - vez que fui submetido a ela, quase parto dessa para a melhor. Tenho também alergia a um outro remédio, que tomei quando guri, que me deixa enjoado a ponto de expeli-lo logo depois que o tomo. O negócio é que nem eu nem minha mãe lembramos o nome do tal medicamento. O doutor falou que tínhamos que saber e tal - até aí tudo bem, ele está certo. Mas inventou de falar que, se fosse o caso, eu deveria tatuar o nome do remédio no braço. Foi uma piadinha idiota, a gente até releva. E eu não queria confusão, queria meu atestado. Daí minha mãe perguntou se ele tinha como ver alguma ficha minha anterior - eu já estive lá outras vezes. Ele respondeu dizendo que “se tivesse como, eu já estaria vendo”. Nessa hora pensei fazer como o Bruce Banner e ficar verde. Mas me controlei. Afinal, eu queria o atestado.
Depois disso, ele imprimiu umas folhas. Eu achei que seria o atestado, finalmente. Mas não. Era uma requisição de exame de sangue, uma solicitação de medicação imediata na enfermaria, e uma outra dizendo que eu estava, entre outras coisas, com febre. Bom, eu não pronunciei, nem minha mãe, em momento algum, a palavra “febre”. Eu não iria ficar lá. Eu só queria a porra do atestado e queria voltar pra casa, pra descansar, só isso. Amanhã eu estaria melhor. Perguntei então se eu poderia não tomar a medicação e não fazer o exame. Ele disse que sim, mas que não poderia me dar um atestado, pois não teria como justificá-lo.
Aí eu disse que “só vim aqui pelo atestado, porque estou perdendo um dia de trabalho”. Ele repetiu o que disse antes: não podia dar se eu não ficasse lá e tomasse a medicação e fizesse o exame. Aí eu falei “bom, fica como falta no trabalho, então”, chamei minha mãe pra sair e saí da sala. Achei que ela tinha vindo atrás de mim, mas ela tinha ficado. Voltei pra tirar ela de lá, mas ela continuou falando com ele. Eu saí da sala, senão a merda seria maior. Resultado: ela acabou conseguindo o atestado de consulta. Ao menos isso.
Encontrei totalmente por acaso. Foi uma bela surpresa, e é uma belíssima homenagem.
S., estou pensando muito no que você disse. Sei que não é essa a sua intenção, mas me veio à cabeça algumas reflexões sobre o suicídio. Aliás, reflexões, não. Apenas algumas lembranças do que já ouvi dizer por aí. Uma vez alguém falou que o suicida é um covarde, pois tirar a própria vida é a saída mais fácil para se livrar dos problemas, sejam eles quais forem. Não acho isso. Minha opinião é a seguinte: para cometer suicídio, o indivíduo precisa ter uma coragem enorme, até porque corre o risco de não obter sucesso, o que é bem pior. É capaz de a pessoa ficar deprimida, depois de se dar conta que nem se matar conseguiu…
Mas, e agora cairei em contradição, o suicídio parece mesmo uma saída fácil, apesar do que eu disse acima. Afinal, ir embora e deixar tudo para trás é uma fuga. E a fuga, S., alguém já disse (dizem coisas demais, as pessoas, não?), é um ato de covardia, sim. Você pode me dizer que, em alguns momentos, não há mais forças para seguir em frente. E te digo o seguinte: há momentos em que você acha que não há mais forças, em que tudo parece perdido. Mas, se você parar um pouco, respirar fundo, lembrar de onde você veio, quem você é e para onde você quer ir, verá que você é maior que todos os problemas que surgem em tua vida.
Não olhe ao seu redor, S.. Não se compare com quem está à tua volta. Vê o sofrimento do teu irmão, na rua. Vê a dificuldade que tem o deficiente. Vê o que eles precisam suportar e superar. Depois, encare você mesma no espelho. É difícil, eu sei. Você vai me dizer que cada um tem seus próprios fantasmas. E eu não quero, de forma alguma, minimizar teus percalços. Mas, por favor, me entenda: o que quero dizer é que você tem condições de superar tudo o aconteceu contigo e o que está acontecendo agora. Você tem tudo para trilhar um belo caminho e precisa ser mais egoísta, pensar mais em você mesma e não se deixar abalar tanto pelos outros. Você precisa se amar mais, S.. Esqueça os amores que passaram por tua vida. Se eles não ficaram, é porque não deveriam mesmo ficar. Tudo na vida é aprendizado. Tire as lições necessárias dos seus sofreres, mas não os fique remoendo, cultivando. Sofrer é bom. Mas esquecer - ou não lembrar - também é bom. Nenhum sentimento é eterno, S.. Até o amor, com o tempo, deixa de ser amor. Ao menos o amor que conhecemos agora. O tempo passa, envelhecemos, e o amor se torna uma combinação de outros sentimentos: respeito e carinho.
Então, S., eu te peço: tenta esquecer o que passou. Pense em você e continua teu caminho. Não se dê por vencida. Você não pode se dar por vencida. Você não pode dar aos outros a oportunidade de te verem desistir. Você tem que voltar a ser você, S.. Ou, se necessário for, deixar de ser você. E se transformar em uma outra, mais ambiciosa, mais forte e mais egoísta.
Espero que você me entenda. Eu só quero o teu bem, S.
Com os sinceros sentimentos do teu amigo de sempre,
R.
Como estão vocês? Aqui estou numa correria danada. Trabalhando muito, demais. Não vejo a hora de tirar férias. Espero que os próximos 34 dias passem voando.
Não estou conseguindo ler com a mesma disciplina de antes (que já não era tanta). Então, os livros vão chegando aqui e eu vou empilhando, pra em março poder ler de maneira decente. Mas aos trancos e barrancos vou lendo o que posso, mesmo que bem pouco.
Tenho ouvido bastante música nas últimas semanas. Tenho ouvido John Mayer (”Room for squares” e “Heavier things“, ambos sensacionais), U2 (”Pop” e “Achtung baby“, estou até com um texto na cabeça sobre “Pop”; sobre AB não há o que dizer, a não ser que é tudo o que dizem ser: fantástico), os Acústicos MTV do Engenheiros do Hawaii e do Lobão (finalmente comprei), além do Ao vivo MTV do Nando Reis, que meu pai gostou pra caramba também, acabei comprando um Musicpac pra mim e deixando o da caixinha de plástico com ele. Um outro disco fantástico que estou ouvindo é o “Romantica“, do Luna. Uma bandaça. Quem não conhece e curte indie-rock ou seja lá o que for o som deles, tem que conhecer. É coisa fina.
De livros, comecei a ler “Os melhores jornais do mundo” (de Matías M. Molina), mas ainda não terminei “Crash” (de J. G. Ballard). Recebi uma porrada de livros nos últimos tempos, mas nem tive tempo de falar sobre eles aqui. Alguns foram: “Ensaio geral“, de Nuno Ramos (indicação do Fabio Silvestre Cardoso, mago do jornalismo cultural brasileiro); “Rubem Braga - Um cigano fazendeiro no ar“, biografia de Rubem Braga, escrita por Marco Antonio de Carvalho; “Não incentivem o romance” (ensaios), de Alfonso Berardinelli; “Bom dia para nascer” (crônicas), de Otto Lara Resende; “A cabra vadia“, segunda parte das Confissões (a primeira é “O óbvio ululante“) de Nelson Rodrigues.
Às vezes me pego pensando no que será de mim depois que eu estiver com tempo sobrando para ler e escrever. A sensação que tenho é um misto de excitação e nervosismo. Estou apostando muito em mim mesmo, este ano. Mais ainda que nos outros. Mas quem me conhece, sabe: eu não vou me decepcionar comigo.
Não é todo dia que você encontra um site sobre Murilo Rubião.