Os olhos de minha bem-amada

E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.”

Da crônica “O amor por entre o verde”, de Vinicius de Moraes, publicada no livro “Para viver um grande amor”.

One Response to “Os olhos de minha bem-amada”

  1. Cássia Says:

    Não tem mais espaço.

    Não tem mais espaço para outros. Não cabe mais nada. Não tem como apertar um pouco, ajeitar, esvaziar. Tudo foi preenchido. Ele ocupa todos os lugares. Ele é espaçoso. Toma conta de tudo.

    (Cássia)

Leave a Reply