Archive for April, 2008

Os inimigos do literário

Sunday, April 27th, 2008

Em O mal de Montano, o narrador fala sobre os “inimigos do literário”. Em sua opinião, quem são os maiores inimigos do literário na literatura contemporânea?

Os diretores das editoras que já não são leitores de literatura e programam livros como se fossem camisas ou qualquer outro produto que se possa vender. Os escritores que, atentos a atender uma clientela imediata, buscam fórmulas prontas para seus livros e, além disso, renunciam a ser exigentes consigo mesmos. Os leitores - com estes ninguém se mete, como se fossem santos - que compram livros - lixo sobre o Santo Graal e outros romances de qualidade ínfima e, ainda assim, crêem que lêem.

Quem responde é Enrique Vila-Matas, em entrevista ao jornal Rascunho. O negrito é meu, porque tenho refletido sobre isso desde minha última coluna no Digestivo.

Ponto de vista

Friday, April 25th, 2008

Já fazia um bom tempo que Cássia e eu não íamos ao cinema. Combinamos de assistir, na última segunda-feira, “Super-Herói: O filme”, pra dar umas risadas. Mas perdemos a sessão e acabamos assistindo “Ponto de vista“.

Na verdade, era o filme que eu queria assistir mesmo, por causa do Dennis Quaid. Íamos assistir “Super-Herói” porque a sessão de “Ponto de vista” começaria já à noite. E como voltariamos andando para casa e as ruas estavam um pouco desertas por causa do feriado, achei melhor pegar uma sessão mais cedo. Mas, como já disse, não deu certo, e assistimos ao filme do Quaid mesmo.

Ainda bem, porque gostamos pra caramba. A história, pra ser bem sucinto, é a seguinte: o serviço secreto consegue se antecipar a uma tentativa de assassinato ao presidente dos Estados Unidos, que está na Espanha para assinar um documento contra o terrorismo ou algo do tipo, não lembro com exatidão. Mas enfim. O fato é que existe o atentado - aliás, os atentados, já que uma bomba explode na praça onde o presidente faria um discurso para milhares de pessoas.

Mas isso é só o catalisador da história. O filme conta o mesmo fato - esses atentados - sob a ótica de diversos personagens. Os principais são: Thomas Barnes (Dennis Quaid), que há cerca de 1 ano salvou a vida do presidente, levando um tiro que deveria atingi-lo; Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano que por acaso consegue filmar alguns acontecimentos cruciais para o entendimento da história; Javier (Edgar Ramirez), que consegue sequestrar o presidente dos EUA para entregá-lo a um grupo de terroristas que está com seu irmão como refém; e Kent Taylor (Matthew Fox; ou “o carinha do Lost”, o Jack) que é o “parceiro” de Barnes (entre aspas porque ele integra o grupo de terroristas).

Mas não esperem aquele negócio de luta contra o terrorismo à la Jack Bauer. “Ponto de vista” não é um filme que levanta questões sociais ou geopolíticas. É um filme para entreter, um thriller, sei lá. O mais legal dele é o fato de serem mostrados os diversos pontos de vista, como cada personagem viu o acontecido, quais as reações de cada um, o que realmente importa para cada um. Acaba sendo um drama, também, ou vários dramas.

Por incrível que pareça, o mais legal do filme também é o ponto fraco dele. Porque cada personagem tem uma história bem maior do que os poucos minutos reservados para cada ponto de vista pode demonstrar. Tudo bem que se pode até recorrer à literatura e pensar naquilo de “a história implícita” (coisa da teoria do conto de Ricardo Piglia: todo conto tem duas histórias, uma superficial e uma secreta). Dessa forma, o espectador imagina qual seria o passado e o futuro de cada um dos personagens. Mas achei que os conflitos internos (ou pessoais ou existenciais) dos personagens não foram tão aproveitados como poderiam ser, caso fossem mostrados os pontos de vista de, sei lá, dois ou três personagens, por exemplo. Isso não prejudica o filme, de maneira alguma. Foi só algo que me ocorreu.

Não há nenhuma interpretação digna de aplausos efusivos, mas é bom notar como o Whitaker consegue desempenhar quase perfeitamente o papel a ele designado. Preciso assistir o quanto antes ao filme que lhe rendeu o Oscar de melhor ator no ano passado.

Enfim, é um filme legal, que vale a pena assistir, acho. Eu recomendo e digo-lhes que assistirei novamente, quando sair em DVD.

Tudo o que acontece, acontece

Tuesday, April 22nd, 2008

Tudo o que acontece, acontece.

Tudo o que, ao acontecer,
faz com que outra coisa aconteça,
faz com que outra coisa aconteça.

Tudo o que, ao acontecer, faz com que ela mesma
aconteça de novo, acontece de novo.

Isso, contudo, não acontece necessariamente
  em ordem cronológica.

Epígrafe de Praticamente inofensiva, de Douglas Adams.

Parabéns, meu amor!

Monday, April 21st, 2008

Hoje é aniversário de Cássia! Vão lá desejar os parabéns a ela e tudo o mais. Festa não vai ter, mas comemoraremos por aqui, podem deixar.

Se todos fossem iguais a você - Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Se todos fossem
Iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer

Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você

Parabéns, meu amor.

O BBB não acabou

Saturday, April 19th, 2008

Pois é. Tem gente que considera o caso da menina Isabella como um novo Big Brother. É só ver nesta matéria do Diário de S. Paulo, via O Globo Online.

Com uma semana de atraso

Saturday, April 19th, 2008

Casais apaixonados ficam bobos de amor juntos.

Relevância, segundo o Houaiss

Friday, April 18th, 2008

Li alguns comentários sobre meu último texto publicado no Digestivo, e gostei do que li. Me agrada ver as pessoas discutindo, indicando o texto. Não por ele ser meu, mas sim porque é sempre bom recomendar, compartilhar, discutir. E, vá lá, admito: por ele ser meu, também.

Nele, falei sobre relevância. E isso gerou certa discussão. Inclusive sobre o conceito de relevância. Vejamos o que a versão eletrônica do dicionário Houaiss nos diz sobre a palavra:

“- adjetivo de dois gêneros
1 que tem relevo, que tem importância
2 que se salienta, que sobressai
3 de grande valor ou interesse
- substantivo masculino
4 o essencial, o indispensável”

Foi nesse sentido que utilizei a palavra. Explicando melhor: não desejo que todos os blogs sejam relevantes. O que quis dizer é que, na blogosfera brasileira, são poucos os blogs realmente importantes, que fazem diferença. E, se eu digo isso, é porque vejo blogueiros reclamando para si a alcunha de relevantes, de importantes. O que, a rigor, não são.

Ora, é óbvio que existem blogs importantes, no Brasil. Aliás, afirmar o contrário seria de uma imbecilidade sem tamanho. Mas blogs assim existem poucos. E eles não estão, salvo raras exceções, entre os mais acessados.

Pra terminar, ao menos por enquanto: blogueiros não são jornalistas. Alguns jornalistas têm blogs, e podem até ser chamados de blogueiros, com alguma boa vontade. Mas, repito: blogueiros não são jornalistas (de novo: salvo raras exceções).

Jovens blogueiros, envelheçam

Thursday, April 17th, 2008

É o título da minha coluna que sai amanhã, no Digestivo. Mas, como já saiu na NewsLetter do site e como ela está sendo bastante lida (ou ao menos clicada), aí vai o link.

Vida breve

Tuesday, April 15th, 2008

Ao trabalhar com atendimento ao cliente - ao vivo e a cores, e não em callcenters - você corre o risco de “criar laços”, vínculos. Existem clientes que só querem ser atendidos por determinado atendente, e esperam horas, se for o caso. Ou retornam no dia seguinte, se o tal atendente estiver de folga. Não que isso seja ruim, nunca é. Ontem mesmo, um cliente que atendi no final de 2007 veio falar comigo, já com meu nome na ponta da língua. Eu sinceramente não lembrava o dele. Lembrei da fisionomia e da personalidade, um senhor bem espirituoso, de alma jovem. Sua esposa me contou que, algumas horas antes, ele estava assistindo o Chaves, vejam só.

Mas acontece que, como eu disse, corre-se o risco de criar laços afetivos, inclusive. De tanto atender alguém, você pode até fazer uma amizade. E hoje eu soube que um cliente “meu” - digo isso porque fui eu quem fez o cartão dele, ele sempre me procurava pra aumentar o limite e também fui eu quem abriu sua conta - faleceu. Quem me deu a notícia foi a esposa dele, ainda atordoada com o fato recente, óbvio. Ele faleceu por conta de um acidente de carro há pouco mais de uma semana.

Pouco antes de eu sair de férias, conversamos um pouco e contei pra ele que eu estava prestes a sair do emprego e tal. Meu intuito era o de avisar que, se ele precisasse novamente de alguma coisa relacionada a seu cartão, procurasse determinadas colegas minhas que têm uma maior paciência e cuidado no atendimento (infelizmente nem todos os meus colegas atendem bem aos clientes). Ele então me perguntou por que eu iria sair, o que eu iria fazer, essas coisas. E pediu também meu telefone de contato e me deu o dele, para que a gente pudesse se encontrar depois.

Seria, talvez, mais um amigo que a vida me daria. Infelizmente, não saberemos o fim do “talvez”.

A menina que roubava pipas

Friday, April 11th, 2008

É o título do livro que o querido Marcelo Barbão começou a escrever recentemente. Um drama engraçado sobre as tristezas e alegrias de uma garota que preferia brincar com garotos.

Ele me enviou o primeiro capítulo e posso garantir: é coisa fina.

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Essa foi a minha piadinha de 01 de abril, atrasada.