Archive for May, 2008

Malagueta número 9

Friday, May 30th, 2008

A edição de número 9 da Revista Malagueta já está no ar faz tempo e eu esqueci de avisar aqui. Como devo ficar uns dias sem postar algo (ao menos este fim de semana), deixo aqui a dica: vão lá na Malagueta e divirtam-se.

Peixe grande

Thursday, May 29th, 2008

Contrariando todas as minha expectativas, só temos um exemplar de Peixe grande (que, pasmem, está esgotado também no Submarino), na livraria. Excelente, excelente.

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É uma pena, mas escreveram um livro que eu iria escrever. Há anos que venho defendendo ardorosamente a tese que Marck Bauerlein defende e que Nelson Rodrigues há mais de 30 anos defendeu. Ah, sim: antes que comecem a me xingar, digo que é claro que há exceções, e alguns jovens têm algo na cabeça.

Rapaz…, rapaz…

Tuesday, May 27th, 2008

Vou tentar descrever uma sensação que não sei se vocês conhecem a sensação - espero que sim: você, ao terminar de ler um conto, poema ou romance, diz assim: “rapaz…, rapaz…”, um tanto que assombrado/assustado com a qualidade do que acabou de ler, ou com a surpresa do final.

São 01:55 da madrugada do dia 25/05 e isso acaba de acontecer comigo. Li o primeiro conto de “Encontro em Ouro Preto“, de Geraldo Holanda Cavalcanti. O conto, que dá título ao livro, é fantástico (em ambos os sentidos). Sen-sa-cio-nal.

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Enviei ontem, 26/05, meus votos para o Portugal Telecom. E na madrugada de ontem comecei a ler “O sol se põe em São Paulo“, de Bernardo Carvalho. Rapaz…, rapaz…

Elementar, meu caro Watson…

Monday, May 26th, 2008

É por essas e outras que esse Brasil não vai pra frente. Você pode dizer que isso não quer dizer nada, que não interfere em nada, mas a vida é feita de detalhes. O menor deles pode mudar muita coisa. E a junção de vários e vários detalhes pode fazer uma enorme diferença. A imprensa dar espaço pra esse tipo de coisa é o fim.

Realismo fantástico ou conto de fadas?

Monday, May 26th, 2008

Em “O processo”, romance genial de Kafka, um homem chamado K. é acordado por oficiais de justiça que o acusam de ter cometido um delito, um crime, mas não dão detalhes da acusação. K. garante que é inocente e não faz idéia do que está acontecendo. Ele não chega a ser preso, mas fica sob vigilância total dos oficiais.

Durante todo o romance K. é tratado como um suspeito, mas ninguém lhe diz do que é acusado. Assim sendo, K. não tem como se defender, e tampouco a justiça lhe prende. Ele fica em “liberdade” até o fim do livro, que eu não lembro, nem seria de bom tom contar.

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Há mais ou menos 2 anos, Lula acordou e foi acusado de acobertar o mensalão. Mas “o mensalão não existiu”, então Lula era acusado de um crime que não cometeu. Sempre dizendo que não sabia o que havia acontecido, Lula viveu dias de K. Uma situação kafkiana em Brasília, vejam só. Coisa bem mais comum do que deveria ser.

Recentemente, um cara lá que não lembro o nome, afirma que seu computador enviou, por engano (e para quem não deveria enviar), um email contendo uma planilha com os gastos feitos por Fernando Henrique Cardoso e sua então primeira-dama em seus respectivos cartões corporativos (se eu estiver errado, me corrijam, por favor).

Depois do absurdo de Kafka é a vez do realismo fantástico de Borges ou dos contos de fadas?

Resenha de “Acaricia meu sonho”

Saturday, May 24th, 2008

* O Digestivo está com alguns problemas técnicos. Como deve voltar ao normal só segunda ou terça, deixo aqui minha resenha que foi publicada ontem lá.

Enquanto um sem número de aspirantes a escritor com vinte e poucos anos não vêem a hora de terem seus primeiros contos, poesias ou romances publicados em livro e até pagam do próprio bolso edições independentes que acabam servindo de presente para amigos e parentes (que jamais lerão o livro, infelizmente – ou felizmente, em alguns casos), há escritores – e, não, aspirantes – que preferem esperar, amadurecer e aprimorar sua escrita para só então publicar.

Não que não existam bons autores jovens. Mas eles são cada vez mais raros. Há algumas décadas era quase comum escritores de vinte e poucos anos escreverem obras-primas. Era um outro tempo, se melhor ou pior que hoje não cabe aqui a discussão, mas é notório que antigamente os jovens não eram tão jovens.

Por isso, quando encontramos autores como Humberto Werneck, que tem, há décadas, um original guardado (e só recentemente publicado, em tiragem limitadíssima); ou Diter Stein, que passou mais de uma década tentando publicar e reescrevendo seu livro; ou Mayrant Gallo, que passa anos e anos à procura do verso perfeito para seus poemas ou do desfecho perfeito para os seus contos, é necessário festejar. A vez, agora, é de festejar Marcelo Barbão e sua novela Acaricia meu sonho (Amauta Brasileira, 2007, 98 págs.), que vem a ser seu primeiro livro.

Barbão, como é mais conhecido e como assinou o livro, esperou um bom tempo para publicar sua primeira obra. Mesmo já a tendo pronta há algum tempo. O motivo? Sinceramente, não sei, não lhe fiz essa pergunta. Ou, se fiz, já não me lembro a resposta. O que sei é que essa “demora” foi boa, pois percebe-se que, em Acaricia meu sonho, Barbão tem pleno domínio sobre sua ficção, e, não, o contrário.

A história: uma mulher retorna, depois de alguns anos, à cidade onde conheceu o grande amor de sua vida, quarenta anos antes. Através das referências, logo descobrimos que a cidade é Buenos Aires. E talvez não pudesse ser outra, se não ela. O frio do outono e a inevitável associação da cidade a Borges, Casares e Cortázar (mesmo que este último não tenha nascido lá) dão à novela um clima de fantasia, no sentido do gênero literário.

E é nesse clima de fantasia que acompanhamos essa mulher, cujo nome não sabemos, em sua jornada solitária pelas ruas de Buenos Aires e por suas memórias, em busca de alguma notícia de seu amado, cujo nome também não é revelado. Sabe-se, apenas, que foi um grande escritor e tradutor, e que, depois de alguns meses vivendo com a protagonista e narradora da novela, vai para a França. Ela sabe, em seu íntimo, que jamais o verá novamente, mas precisa fazer essa espécie de via-crúcis, como se somente depois de tentar encontrá-lo uma última vez, mesmo sabendo que isso não acontecerá, ela pudesse se libertar da ausência de sua presença (ou da presença de sua ausência, como o leitor preferir).

Dividida em capítulos curtos, todos eles tendo como títulos nomes de canções argentinas, a narrativa da novela é, me perdoem o clichê, ágil e fluente, mas também delicada e inebriante. É clichê, mais um, mas o ritmo de Acaricia meu sonho pode ser comparado ao de um bom tango argentino.

Em determinados momentos, fatos se misturam a lembranças e devaneios. Há trechos, inclusive, nos quais podemos ficar em dúvida se o que a narradora diz está mesmo acontecendo ou se não passa de um sonho da protagonista. E acredito ser este o ponto alto de Acaricia meu sonho: mesmo que ela narrasse apenas “fatos reais”, realmente “acontecidos” (entre aspas porque estamos falando de uma ficção), haveria mais de uma maneira de interpretar a novela. Mas, ao criar uma atmosfera fantástica (ou, se o leitor preferir, já que foram citados três dos pilares da literatura argentina, uma atmosfera “realista-fantástica”), Barbão dá à sua novela várias outras possibilidades de interpretação. Isso transforma Acaricia meu sonho em uma espécie de livro-labirinto, do qual até se pode descobrir a saída, mas é interessante retornar e tentar sair por outros caminhos.

Além de escrever um belo livro, Barbão faz, em sua novela, uma homenagem a um autor argentino (o leitor mais familiarizado com a literatura dos hermanos certamente descobrirá que autor é esse) e, assim, uma ode à literatura.

Antes de terminar este texto, me sinto na obrigação de dizer aos leitores que sou amigo de Marcelo Barbão. Hoje, quando um resenhista elogia um autor brasileiro, sempre aparece alguém pra dizer “ah, o cara deve ser amigo dele”, tamanha é a fama da troca de favores que de vez em quando é feita no “meio literário” tupiniquim.

Então, para sair na frente dos pobres diabos que poderiam tentar demolir minha resenha, dizendo que elogiei Barbão pelo simples fato de ele ser meu amigo, afirmo que, sim, ele é meu amigo, e que não, não o elogio por causa disso. Os elogios são mais que merecidos, única e exclusivamente pela obra.

Peço desculpas aos leitores conscientes e de bom senso, que jamais pensariam tal absurdo não apenas de minha pessoa, mas de outros resenhistas e críticos literários que fazem seu trabalho de maneira ética e correta. Mas, infelizmente, existem aqueles que adoram criar um mal-estar, lançar no ar suspeitas bobas e infundadas. Como diz um ditado, o justo paga pelo pecador. E este recado meu é uma grande prova disso.

Uma referência ética

Friday, May 23rd, 2008

Acabo de saber do falecimento do senador Jefferson Péres. Um dos poucos políticos que podemos chamar de honrados. E que seria o atual vice-presidente do Brasil, se a população tivesse eleito Cristovam Buarque na última eleição.

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O filho do ministro Hélio Costa vai ser exonerado de seu cargo fantasma. Mas isso não resolve o problema. O ministro deve ser afastado do cargo, ou até mesmo exonerado. Deve ser investigado, também, o prefeito de Belém (PA), Duciomar Costa, que foi quem colocou o fantasma do filho do ministro na folha de pagamento do governo. E o filho do ministro tem, por obrigação, que devolver aos cofres públicos todos os salários que recebeu durante todos esses anos.

Peço um favor aos blogueiros que eventualmente frequentam este blog, que se interessam por política e ainda conseguem ficar indignados com esse tipo de coisa: postem, em seus blogs, algo sobre esse caso. Qualquer coisa. Se quiserem, podem até copiar o post daqui. Comentem o caso com amigos, coloquem o assuntos nas rodas de chope. Se for necessário, vamos enviar uma enxurrada de emails para a Veja, que quer derrubar o governo, para que o sensacionalismo dela ajude a isso vir a se tornar um escândalo dos grandes. O que importa é fazer essa informação chegar ao maior número de pessoas possível. Isso precisa ser investigado. Certamente há mais funcionários fantasmas no congresso, e isso precisa ser descoberto, revelado e corrigido.

Acaricia meu sonho, de Marcelo Barbão

Friday, May 23rd, 2008

Em cima da risca, publiquei minha coluna de hoje, no Digestivo. É a resenha de “Acaricia meu sonho”, novela de Marcelo Barbão. Quem puder conferir, pode ficar à vontade.

É o terror!

Friday, May 23rd, 2008

Uma das coisas mais curiosas de se trabalhar em uma livraria, no meu caso, é o fato de lidar todos os dias com livros de pessoas com as quais já tive um bom contato e/ou continuo tendo.

De vez em quando preciso arrumar o balcão menos visitado da loja: o de literatura brasileira. E lá estão livros de Ronaldo Correia de Brito, Sérgio Augusto, Flávio Moreira da Costa e Paulo Polzonoff, por exemplo. Na estante de idiomas, que visito com uma frequência um pouco maior, está um livro do Sérgio Rodrigues. Num dos balcões de lançamentos, está o mais recente livro de Ruy Espinheira Filho. Até algum tempo atrás tinha um exemplar de um livro do Mayrant, mas alguém comprou.

E isso é até legal, divertido, porque acabo me lembrando deles e de conversas passadas.

Mas, por outro lado, não tem livros do Menalton Braff, não tem o livro do Jaime Prado Gouvêa, nem do José Castello, nem do Diter Stein, nem do Jerônimo Teixeira… O que me deixa um tanto triste, ressabiado. Afinal, mesmo que tivesse livros deles lá, ninguém ia comprar.

É o terror, meus amigos, é o terror.

Estão todos podres

Thursday, May 22nd, 2008

A menos que esta informação seja falsa ou se trate de um engano, está ficando difícil continuar aqui parado, sem tentar nem ao menos mobilizar alguma coisa.

Se você clicou no link e leu o curto texto, ficou sabendo que o filho do ministro das comunicações (assim mesmo, com letras minúsculas, porque aqueles pulhas - e, pelo visto, a nossa república também, não merecem mais respeito algum) é, há cinco anos, funcionário fantasma do governo.

Que palhaçada é essa? O que se passa na cabeça desses caras, pelo amor de Deus? Meio mundo de gente passando fome, dificuldades, tanta gente doente, morrendo por falta de atendimento em hospitais, e o pessoal lá em Brasília brincando? Tirando sarro da nossa cara?

Isso não é mais uma vergonha. É humilhação. É isso, é isso que andam fazendo lá. Nós estamos sendo humilhados por um bando de salafrários que escapam impunemente de tudo e de todos. Eles devem estar rindo de nós, eles devem estar sempre rindo de nós. Eles sempre riram de nós.

O filho de um ministro. Se fosse o filho do Lula, tudo bem, porque ele nunca sabe de nada. Mas o filho de um ministro? E ainda mais do Hélio?

Garanto a vocês que torço de coração para que essa informação seja falsa, que seja um engano, um mal-entendido, não sei. Porque, se for realmente verdade, é algo tão decepcionante, tão frustrante, que fico sem saber mais no quê ou em quem acreditar. Estão todos sujos, estão todos podres.