Archive for June, 2008

21 gramas

Saturday, June 28th, 2008

Enquanto eu não posto, acompanhem o 21 gramas, um blog muito legal.

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Em tempo: fiz uma fila de livros de autores brasileiros, na vitrine da loja. Ainda não deu resultado. Ainda.

Devagar as coisas andam (e os livros são vendidos)

Friday, June 20th, 2008

O Campeonato Brasileiro de Futebol começou dia 10 de maio. Eu comecei a trabalhar na livraria alguns dias antes, dia 02. Quando o campeonato começou, uma daquelas lâmpadinhas se acendeu em cima de minha cabeça. Estavam lá alguns livros (a maioria daquela coleção da Ediouro) sobre alguns times, e estava lá a vitrine precisando de uma revigorada. Por que não colocá-los lá?

Como era/sou novato, não posso ir fazendo o que me der na telha. Mesmo sendo uma boa idéia. Esperei um pouco, pra ver se os livros não seriam vendidos sem precisar colocá-los na vitrine. Como isso não acontecia, comecei a perguntar às minhas colegas se ninguém comprava aqueles livros. Uma disse que não, outra disse que raramente. Depois disso perguntei a meu chefe se ele permitia que eu colocasse alguns livros na vitrine. Ele disse que tudo bem, era uma boa idéia.

Não são muitos, os livros que temos em estoque, infelizmente. Num dia que o movimento estava fraquíssimo, aproveitei pra fazer o que queria, e coloquei 7 livros em exposição: dois do Corinthians (de autores/editoras diferentes), dois do Botafogo (de autores/editoras diferentes), um do Palmeiras, um do Santos e um do São Paulo. Logo nesse dia, dois clientes entraram perguntando pelos livros da vitrine. Nenhum deles comprou, verdade seja dita, mas perguntaram.

No dia seguinte, mais dois cliente entraram e perguntaram. Mais um dia se passou e um cliente levou um do Botafogo. Depois, paulatinamente, saiu mais outro do Fogão, um do Corinthians, um do meu tricolor do coração e mais recentemente o do Palmeiras, filho único, inclusive.

Quero continuar fazendo vitrines temáticas. A próxima, se tudo der certo, vai ser com livros de Clarice Lispector. Depois, biografias. Depois, infanto-juvenis. Depois, uma seleção refinada de literatura brasileira e, em seguida, de literatura estrangeira. E assim por diante.

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Dá gosto ver o cliente comprar o livro que você indicou. Hoje uma cliente foi comprar um livro para o sobrinho de 10 anos. Vocês podem não acreditar, mas minutos antes eu estava com “Você é um homem mau, Sr. Gum” em mãos, lendo, pois o movimento está ultra-fraco esses dias. É sempre bom ter uma noção de qualidade e temas de pelo menos alguns livros da seção infanto-juvenil (ficar só indicando Luis Fernando Verissimo e suas “Comédias para ler na escola” não dá, tem que ter repertório, por menor que ele seja). Então, como eu dizia, estava lendo “Você é um homem mau, Sr. Gum”, e estava gostando. Quando ela falou a idade do guri, não pestanejei: taquei o livro na mão dela, que deu uma folheada, leu um pouco e levou.

Legal, não?

Entrando pelo cânone, Guga Schultze

Wednesday, June 18th, 2008

O Guga Schultze fala sobre Harold Bloom e uma porção de coisas (relacionadas à literatura, claro) na sua coluna de hoje. Genial, não deixem de ler.

Aumentaram meu limite!

Wednesday, June 18th, 2008

Tem algum doido trabalhando no banco que tenho conta. Inventaram de aumentar o limite do meu cartão de crédito.

Quem, em sã consciência, faria isso, pelo amor de Deus? Mas vai ver o cara olhou lá minhas faturas dos últimos meses, viu que eu tô me “amarrando”, e pensou: “pô, se eu aumentar o limite desse cara pode ser que ele desista de se controlar”.

Mas não, seu psicopata, eu não vou desistir. E só não ligo pro banco pra avisar que você é doido e mandar lhe internar porque pode ser que um dia eu precise dessa sua insanidade.

Livraria não é biblioteca (nem parque de diversões)

Tuesday, June 17th, 2008

Um dia desses me perguntaram se a livraria empresta livros. Como se estivesse respondendo a uma pergunta normal, em vez de uma pergunta estapafúrdia, respondi que não e tal, mas depois que o cara virou as costas, perguntei aos céus o que ele estava pensando da vida.

Tem gente que acha que livraria é biblioteca. Entra, pega um livro, senta numa mesinha, começa a ler e vai embora. Seria normal, se alguns não fizessem isso todos os dias e marcassem onde pararam de ler, para retomar a leitura no dia seguinte. Recentemente um senhor terminou de ler um assim, e já emendou outra leitura. É impressionante. Tem que ter muita paciência e força de vontade.

Livraria também não é parque de diversões. Quase todos os dias pais e mães soltam seus filhos lá. E salve-se quem puder. A pirralhada corre, pula, deita no meio da loja, senta na escada, sai tirando tudo quanto é livro do lugar e colocando só Deus sabe onde. É uma algazarra sem tamanho. Os pais fazem de conta que não enxergam, que está tudo bem, que é muito bonitinho-guti-guti os filhinhos deles bagunçarem toda a loja.

No calor da situação, dá vontade de dar uns cascudos na gurizada. Mas o certo mesmo seria dar umas palmadas nos pais, que não ensinam aos filhos aquela coisa arcaica que alguns conhecem como “bons modos”.

Invasão de emos no blog

Saturday, June 14th, 2008

Me parece que os emos estão invadindo o Entretantos. Tem uma banda emo que o nome é Sherlock, de Sherlock Holmes, só que com “Ch”, e parece que a tal banda tem um cd que o título é - vou colocar a frase aqui porque ela já está em 1 ou dois posts aqui no blog - “elementar, meu caro Watson”. Aí, por conta disso, hoje o blog terá novo recorde de acessos. O que é uma pena, porque não queria ter um recorde de acessos por conta dos emos.

Nada contra eles. Mas é melhor que fiquem lá e que eu fique cá.

P.S.: Será que eles leram mesmo Conan Doyle? Digo, será que leram tanto que ficaram fãs e colocaram o nome da banda para homenagear o escritor inglês? Se a história for essa, pode ser até que num futuro distante, daqui a uns 15, 20 anos, depois que os integrantes da banda estiverem adultos, eles possam fazer alguma coisa que preste, em termos de música.

Dois anos depois…

Saturday, June 14th, 2008

Na Revista Cult de abril de 2006, li um ensaio de Thales Guaracy sobre o livro “The breaking point”, de Stephen Koch. Em 1937, em meio à guerra civil espanhola, o professor José Robles Pazos é assassinado. Esse trágico acontecimento provoca o afastamento de dois grandes amigos: os escritores John Dos Passos (amigo de Robles) e Ernest Hemingway.

Para entender melhor essa história, é bom ler o texto de Guaracy. E para ir mais a fundo, é bom ler o “O ponto de ruptura“, tradução de “The breaking point” recém-lançada pela Difel, que em breve terei em mãos. Uma grande e feliz coincidência: ele chegou na loja quarta-feira e foi parar justamente em minhas mãos.

Detalhe: o assassinato do professor Robles e a ruptura dessa amizade são fatores determinantes para o fato de você, caro leitor, cara leitora, muito provavelmente não ter idéia de quem tenha sido John Dos Passos e ao menos já ter ouvido alguém falar em Ernest Hemingway.

Pois é com bastante convicção que lhe digo: Dos Passos tem uma importância literária se não maior, ao menos igual à de Hemingway. Na minha opinião, bem maior. Mas ainda é cedo para eu afirmar isso com certeza absoluta. Dêem-me alguns anos. Se alguém por aí já afirmou, excelente, assino embaixo.

P.S.: Por coincidência, alguns dias antes de ler o ensaio, eu havia comprado o livro “Paralelo 42“, de Dos Passos, primeiro volume da trilogia USA (o segundo volume é “1919″ e o terceiro “O grande capital”; todos publicados pela editora Rocco, que precisa reeditá-los, inclusive). Na época, quando comecei a ler “Paralelo 42″, logo percebi que tinha em mãos uma obra estupenda, fenomenal. O que não aconteceu quando li alguns contos de Hemingway…

Camarões me mordam!

Friday, June 13th, 2008

Há uns dois meses, não mais que isso, fui fazer uma boquinha na lanchonete do hipermercado onde trabalhava. Pedi em alto e bom som bolinhos de queijo. Trouxeram-me bolinhos de camarão. Só fui saber depois da primeira mordida, claro. Odeio camarão. Detesto. Nunca comi um. Quando experimentei, mordi e cuspi fora. Foi o que aconteceu na lanchonete. A menina ainda fez menção de não trocar, como se quisesse me obrigar a comer o que não pedi. Disse-lhe que desse seus pulos, não iria comer camarão. Ela, a contragosto, vejam só, trocou.

Ontem, dia dos namorados e nosso aniversário, fomos Cássia e eu comer uma pizza. Eu sempre peço portuguesa, sempre. Só porque inventei de experimentar um outro sabor, deu treta. Pedi francesa, veio camarão. Será, com o perdão da rima, perseguição?

De tanto que demorou de sair a minha parte da pizza - porque a de Cássia veio certa, até comi um pedaço -, resolvemos pedir pra embalarem, pois já estava ficando tarde. Trouxe a francesa pra comer em casa (hehehe) e não gostei.

Mas enfim, foi divertido. E rendeu um post. O negócio é estar com ela. Pra isso, faço qualquer negócio.

Ah, e claro: menos dois na minha lista. Com uma noiva que me dá Schopenhauer e Allen, de uma só vez, preciso de mais alguma coisa?

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Mosquitos demais aqui. Enquanto digitava este post, matei quatro.

São questões demais, R.

Tuesday, June 10th, 2008

Consta que R. escrevia um diário. Um quase diário, na verdade. O que acontecia era que R., quando em situações extremas – de amor, ódio, conflitos existenciais ou antes de tomar decisões importantes –, escrevia. Era assim que R. externava seus sentimentos, mesmo que apenas para uma folha de papel. Começou escrevendo letras de músicas. Depois, sob efeito de poetas franceses, R. passou a escrever poemas. Mais adiante, influenciado por escritores ingleses, R. começou a escrever contos. Durante essa fase, R. também leu muitos escritores brasileiros. Foi quando percebeu que poderia, ao mesmo tempo, escrever contos e arquitetar um romance. O romance nada mais seria que os contos organizados, já que os contos de R. tinham um único protagonista: um jovem sem nome, que na maioria das vezes era o próprio R.

O texto abaixo, por exemplo, é um desabafo do protagonista do romance de R. Ou seja: é um desabafo do próprio R.

Quanto mais penso, mais fico confuso. De que adianta pensar, se soluções não aparecem? Pra quê perguntar, se não vou obter respostas? E as perguntas são tantas… É como falar sozinho, gritar diante de um abismo. Não há respostas, só o eco das palavras. Um ecoar que parece não ter fim.

Mas por que isso? Por que as respostas não aparecem? Por quê? Será que não existem? Mas se existem perguntas, obrigatoriamente deve haver respostas. Ou não? Supondo que não, para que servem as perguntas? Se não há uma coisa, não deveria haver outra, certo? Errado, eu sei. É só desespero.

Existem doenças que não têm cura. Ou será que têm e somente ainda não descobriram? Mas pessoas morrem de doenças sem cura e cientistas morrem procurando a cura para essas doenças. Será que pessoas morrem por não encontrar respostas para as suas perguntas? Será que vou morrer perguntando? E será que, depois de morrer, encontrarei alguma resposta? E se eu não encontrar, o que acontece? Continuarei perguntando, durante a eternidade? Isto é, se a eternidade existir. Se não, só morro, e nada mais. Nada mais?

Se eu morrer e não houver um pós-morte, minhas dúvidas cessam, óbvio. Mas será que elas não ficam de herança? Será que, depois que alguém morre, uma outra pessoa pode assumir seus questionamentos? Isso já não acontece? Sim, acontece. Mas não estou falando de questionamentos morais, filosóficos e sociais. Me refiro a questionamentos do tipo: “não seria melhor fazer as pazes com meu pai?”.

Sinceramente, não sei. Como disse um filósofo, só sei que nada sei. Quero saber, mas não consigo encontrar o caminho correto para descobrir, aprender, solucionar. Se há problema, há solução. Se não há solução, solucionado está. Mas como saberei se o que dizem ser a solução é mesmo a solução? Sempre dizem que há outras saídas, outras alternativas. Mas será que elas existem mesmo quando enxergamos apenas uma única? O que fazer para enxergar e descobrir outras maneiras?

Às vezes aconselham esquecer, parar de perguntar, deixar as coisas acontecerem. Mas não creio que tudo se resolva sozinho, ou “com o tempo”. Em determinados momentos – na maioria deles – se não houver uma ação, não haverá reação. Portanto, não haverá solução. Parado está, parado continuará. Para descobrir respostas, é necessário movimentos. Não movimentos simulados, a simulação não ajuda. Dissimulação também não. É necessário agir, investigar, tentar, percorrer caminhos, arriscar. Mas quem quer correr riscos? O melhor, dizem todos, ou quase todos, é o seguro, o certo, o que conhecemos. O desconhecido é sempre rejeitado, deixado de lado, em segundo plano, como última alternativa. Mas não poderia a última alternativa ser justamente a correta?

Não sei. E quanto mais eu penso, mais fico confuso.

Trocando os Laços

Monday, June 9th, 2008

Sábado uma garota perguntou se tínhamos “Laços de família” na livraria. De imediato lembrei da novela de mesmo nome, de Manuel Carlos, que há alguns anos ocupou o horário nobre da tevê Globo. Sem pestanejar, com aquele ar de quem tudo sabe, fuzilei: “de Manoel Carlos?”.

Talvez para não ser indelicada comigo, ela respondeu que não lembrava o nome do autor. A caminho do computador para consultar se havia o livro no estoque, fui me sentindo mais idiota a cada passo que dava. Quando digitei o título e vi o nome de Clarice Lispector depois de apertar “enter”, reconheci minha clamorosa falha: “nossa, é da Clarice, como é que fui esquecer?” A garota, talvez para ser mais uma vez gentil, disse a mesma coisa.

Não comentei mais aqui, mas até que estamos vendendo um pouquinho mais de literatura, ultimamente. Também no sábado, uma outra garota entrou querendo comprar algum livro de Mario Quintana, mas que fosse de poesias. Como eu já tinha folheado “Da preguiça como método de trabalho“, sugeri-ô-ô, frisando que era prosa. Ela deu uma olhadinha e acabou levando.

Outros livros que foram vendidos recentemente - ambos sem a interferência de nenhum vendedor, infelizmente - foram “Moby Dick” (edição nova da Cosac) e “Divina Comédia” (a caixa da Editora 34).

Há um exemplar de “O som e a fúria” dando sopa por lá, espero que saia logo. Chegaram uns livros do Bioy Casares, espero que alguma boa alma os compre. Coisa fina, de primeira, mas não são pro meu bico - ainda. A literatura argentina, na minha opinião, é como um sanguessuga, se você não tomar cuidado. Você, no caso, leitor que deseja se tornar escritor. A tentação de imitar os argentinos é enorme. Então, ao menos antes de você decidir que caminho ficcional trilhar, é bom evitar os hermanos. Ler um ou outro, de vez em quando, é bom. Mas ler vários, em curtos espaços de tempo, não aconselho.

Mas quem sou eu pra aconselhar, ein? Troquei Lispector por Carlos…