Archive for July, 2008

Há dois anos…

Sunday, July 6th, 2008

Procurando saber onde eu estava no dia 05/07/2006, encontrei o texto abaixo, no 3 Vozes. Reli, gostei e resolvi republicar aqui.

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Aos vinte e três anos de idade Arthur Rimbaud (1854-1891), gênio da poesia francesa, já havia deixado de escrever e vivia fugindo da polícia, pulando de país em país, de emprego em emprego.

Charles Baudelaire (1821-1867), outro gênio da poesia nascido na França, já havia escrito alguns dos poemas que seriam publicados anos mais tarde em “As flores do mal”, e trocava umas idéias com ninguém menos que Balzac.

Álvares de Azevedo (1831-1852), um dos nossos maiores poetas românticos, talvez o maior, nem chegou a completar seus vinte e três. Morreu antes de fazer 21, mas sua obra (“Lira dos vinte anos”, “Noite na taverna” e “Macário”) já fora toda escrita.

Meu mestre, o escritor mineiro Fernando Sabino (1923-2004), publicou “A marca”, novela que foi aclamadíssima na época, muito antes dos vinte e três. Nessa idade, ele tomava chopes com Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, entre outros.

Aos vinte e três, John Fante (1909-1983) tinha um contrato editorial e começava a escrever “O caminho de Los Angeles”, romance que só seria publicado depois de sua morte, pois foi considerado impublicável nos anos trinta, e era dado como perdido, até a esposa dele encontrar o manuscrito no meio das tralhas de Fante.

Um exemplo mais atual: Daniel Galera (1979-…), autor do romance “Mãos de cavalo”, tocava uma editora independente (a Livros do Mal) com mais dois amigos (Daniel Pellizzari e Guilherme Pilla) e já havia publicado dois livros. Um de contos e um romance uma novela.

O venezuelano Fernando Baez (1970-…) estava a um ano de iniciar uma pesquisa de doze anos, que resultou no seu recém publicado “História universal da destruição de livros”.

Eu poderia passar dias e dias pesquisando e citando mais exemplos de gente que, aos vinte e três, já haviam feito muita coisa (importante). Mas não seria uma boa idéia. Minha auto-estima não suportaria.

O caso é que, quando você estiver lendo esta croniqueta, eu já terei completado vinte e três anos de idade. E tudo o que tenho são apenas alguns textos espalhados em alguns sites e uma pilha de livros para ler e resenhar, além de um curso de graduação que, sinceramente, só não jogo pro alto por falta de coisa melhor. E, de certa forma, foi ela que me deu o pouco que tenho.

Eu não costumo ser pessimista. Mas, com licença: hoje, o dia é meu.

(05/07/2006)

RRRRRRRRRRRRRRubenssssssssssssss Barrichello!

Sunday, July 6th, 2008

Rubinho subiu ao pódio (3º lugar) na corrida de hoje, na Inglaterra.

Vocês que me desculpem, mas torço mais pelo Rubinho que pelo Massa.

Vai mais um sem título aí?

Sunday, July 6th, 2008

A intenção era fazer um estrago no cartão de crédito e voltar carregado de livros. Mas nos últimos dias aconteceram coisas estranhas, como “Robinson Crusoé“, Houellebecq, além de um vencedor do Pulitzer que eu queria faz tempo, Dickens e coisinhas mais, por 10 reais cada. Mas isso foi aqui na cidade, não nos sites.

Então, a razão de irmos a Salvador foi mesmo para que Cássia conhecesse finalmente um amigo meu de longa data e sua respectiva namorada (e que eles a conhecessem também, óbvio) e para finalmente conhecermos a Siciliano e a Saraiva.

Dei uma de espião nas livrarias, é óbvio. Não sei porquê o povo reclama tanto aqui. Professor tem desconto, estudantes têm descontos especificamente em suas áreas e tal, mas nem Saraiva nem Siciliano dão desconto. Até a Livraria Cultura tem o programa “Mais Cultura”, que dá descontos a afiliados. Tudo bem que Saraiva e Siciliano (que, aliás, são tudo a mesma coisa agora) fazem promoções nas lojas virtuais e os preços são até menores que nas lojas físicas. Mas, pô, “Fantasma sai de cena” tava de 42 pilas lá. No site está de 32,30. Acabei não levando.

Mas peguei “Os magros“, de Euclides Neto. Cássia foi me mostrar alguma coisa na prateleira e eu bati os olhos nele. Nem acreditei quando vi. Um dos primeiros livros que li por conta própria na faculdade, e um dos que mais me marcaram. Muito comparado a “Vidas secas”, “Os magros” é um romance que tem luz própria, apesar de ser notável a influência de Graciliano. Quem quiser arriscar, aí vai o email da editora que recentemente o reeditou: littera.editores@gmail.com. É barato, o livro, 25 reais, mais alguma coisa de frete (a Littera fica em São Paulo). Quer dizer, nem sei se eles vendem assim, mas taí as informações para quem se interessar.

Comprei também mais um do Coetzee, “Vida e época de Michael K.“, e ensinei a pronúncia correta do nome dele ao atendente da livraria: “côutizee”. Ao menos foi assim que ele foi apresentado lá na Flip. Ah, foi ele que me perguntou como se pronunciava corretamente.

Trouxe também “A corrosão do caráter“, de Richard Sennett. Pelo visto, é daquele tipo de livro que você não conheceria se não “topasse” com ele. Li a orelha, gostei e peguei logo.

Até fiquei surpreso por não ter feito uma verdadeira festa…

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Essa ida às livrarias foi boa também pra eu perder a vontade de comprar alguns livros. “Questão de ênfase“, de Susan Sontag, por exemplo, que eu quase comprei num dia mais empolgado, não é o que eu pensava. Nem “Variedades“, de Valéry.

E outra coisa: posso estar enganado, mas me parece que, nas grandes livrarias, o contato com o cliente é uma coisa muito rápida, automática. E eu não gosto disso. Acho legal a conversa, o indicar um livro e a pessoa saber indicar. Mais que isso: gostar de trabalhar com livros, gostar de literatura. Longe de mim criticar quem trabalha por necessidade, não é isso. Mas, sei lá, enfim, xá pra lá…

Metade de 50

Saturday, July 5th, 2008

Em algum estabelecimento comercial, um rapaz sobre o balcão preenche a ficha cadastral de um cliente.

- Qual a sua idade, por favor?

- Vinte e cinco.

- Puxa, é mesmo?

- Sim, metade de cinquenta.

- Rapaz, que coisa, vinte e cinco anos. Eu queria ter vinte e cinco anos. Deve ser sensacional, não? Qual a sensação?

- Olha, não dá para descrever. Nem o maior dos maiores escritores de todos os tempos saberia descrever a sensação. Nem o maior dos maiores cineastas, ou roteiristas. Nem mesmo o maior dos maiores autores de novelas conseguiriam isso. Aliás, nem mesmo o autor daquela novela dos mutantes que está passando agora, conhece? Nem mesmo ele teria palavras para descrever o que é ter vinte e cinco anos.

- Nossa…

- Quantos anos você tem, rapaz?

- Vinte e quatro.

- Olha, se prepara. É sério. Se prepara. Quando você fizer vinte e cinco… aliás, não falarei mais nada. Aguarde e verá.

- Ah, não, por favor, senhor, me diga! Me diga o que acontecerá quando eu completar vinte e cinco anos!

- Não, meu caro, aguarde e verá. Mesmo que eu soubesse o que dizer, você não acreditaria.

Certo, completei vinte e cinco anos, a metade de cinquenta. Não sou nem jovem nem coroa. Estou bem no meio, na corda bamba. Equilíbrio? Talvez.

Quer dizer, não. É hora de chutar o balde. Posso agora apontar o dedo na cara de qualquer escritor meia-boca e dizer “você é uma fraude, seu pseudo-escritorzinho-aspirante-de-merda”. Afinal, a idade permite. Antes dos vinte e cinco, diriam que eram palavras de um jovem inconsequente. Mas agora, não. Dirão que são palavras de um crítico em formação, ora essa.

Poderei também gritar com senhoras e senhores de até 50 anos. “O senhor é um fanfarrão! Isso aqui é uma livraria, não uma biblioteca! Zero Dois, cadê a vassoura, Zero Dois?” “Ô, ô, perua! É, é com a senhora mesmo que estou falando. Não educa seus filhos, não, é? Passa daqui, passa daqui!”

Bom, é claro que estou brincando. Mas não deixem de me dar os parabéns, valeu?

Resenha de “O sol se põe em São Paulo” and…

Friday, July 4th, 2008

Uma resenha que demorou bastante de sair, mas, quando saiu, foi quase de um fôlego só. E gostei muito de tê-la escrito. Talvez seja o início de uma mudança no tom de meus textos, não sei.

Confiram lá, no Digestivo.

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E hoje tem início minha colaboração com o Blog da Feira, que está mais para jornal on-line que para blog. Nos textos, o de sempre: livros e literatura. O primeiro texto é a resenha de “Amigos e vinhos, mulheres à parte”, publicada originalmente no Digestivo. Quem não leu lá, pode ler agora, no Blog da Feira.

O mistério da Companhia das Letras

Wednesday, July 2nd, 2008

Se você tem livros da Companhia das Letras, repare na capa deles. Tem um desenhinho de um barco, avião, coroa de flores, bicicleta etc., logo acima do nome “Companhia das Letras”, certo?

Alguma vez você já teve curiosidade em saber qual o critério que eles usam para colocar tais figurinhas? Eu sim, e o Guilherme Montana, também. Em uma reportagem investigativa que levou meses para ser concluída, Guilherme desvendou o mistério.

Ele agora encontra-se recluso em algum lugar remoto do continente africano.