Archive for August, 2008

Marcelo Camelo, esse peralta

Sunday, August 31st, 2008

Não importa o que a imprensa diga, ou a gravadora, ou o próprio Marcelo Camelo, mas o nome do disco solo que ele está prestes a lançar é “Nós”, e não “Sou”. Eis o que parece ser a capa:

Marcelo Camelo certamente está pregando mais uma peça em todos nós. A primeira foi a de que o Los Hermanos seria a banda mais coesa e de melhor qualidade que este país já conheceu. Não foi e nem vai ser, já que acabou. O fim do Los Hermanos só fez com que bandas como Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso ganhassem mais notoriedade e importância, por estarem na estrada há décadas, mesmo com todos os problemas e baixas que sofreram.

De qualquer maneira, dia 28 de setembro ele fará um show em Salvador. Vamos tentar ir.

P.S.: Ah, sim. Quem quiser ouvir as músicas do novo disco, é só acessar a página do Marcelo no Sonora, do Terra. As músicas estão sendo disponibilizadas aos poucos. Até agora, duas faixas estão disponíveis. Amanhã, dia 01 de setembro, mais duas estarão.

Aos que renegam o passado

Saturday, August 30th, 2008

Querer ignorar, substituir ou menosprezar o passado é burrice. Principalmente se formos falar em literatura.

Não posso falar pelo resto do mundo, mas ao menos aqui no Brasil, a quantidade de escritores, críticos e leitores que simplesmente esquecem livros e autores de mais de três décadas atrás é assustadora. Professores tentam, em vão, obrigar seus alunos a lerem José de Alencar, Machado de Assis, Raul Pompéia, Jorge Amado etc. Talvez Drummond e Clarice se salvem, mas qualquer coisa antes deles gera uma espécie de trauma nos estudantes, que passam a ter asco de qualquer autor que não seja blogueiro e não fale de sexo, drogas e rock’n'roll.

Mas se fossem apenas os jovens, tudo bem. O pior é que os próprios escritores renegam os clássicos. Você não vê um autor contemporâneo dizendo que tem influência de Machado. Nenhum deles leu Alencar e malmente sabem quem é Raul Pompéia.

Se formos falar em poesia, pior ainda. São batidas as referências. Porque existem os clássicos pop, como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Pablo Neruda, Drummond e por aí vai. Difícil ver alguém dizer que leu Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac.

Entendam: não estou pregando aqui que devemos todos correr para as bibliotecas, procurar pelos livros de páginas mais amarelas e empoeiradas e começar a lê-los. Nem que deixemos de ler os autores modernos, contemporâneos. Quem acompanha este blog e meus textos sabe que leio bastante coisa nova. Mas nem por isso esqueço quem já passou e fez história.

É triste ver a obra de determinados autores ficar restrita a leituras obrigatórias no colégio e a questões de vestibular. Principalmente autores como alguns dos que citei aqui. Mais triste ainda é ver autores contemporâneos que escrevem nada com coisa nenhuma serem incensados a promessas, revelações e indispensáveis.

Conversa entre formigas

Wednesday, August 27th, 2008

Duas formiguinhas pararam ao pé do meu teclado e começaram a conversar. O que falavam, não sei, só sei que ninguém mais vai saber. Matei-as.

Do post interrompido

Wednesday, August 27th, 2008

O post seria sobre como é chato ver alguém comentando um texto da seguinte forma: “acho tal trecho dispensável” ou “eu não sustentaria meu texto em tal argumento”.

Eu ia dizer que, em vez de comentar baboseiras, a pessoa deveria ela mesma escrever um texto da maneira como gostaria de ler. Se ela leu o texto de outra pessoa e não entendeu ou não gostou da maneira que o autor conduz o texto, paciência, problema dela. Que não leia, ou que, como sugeri, que escreva ela o próprio texto.

Mas, sei lá, ia parecer indelicado, não sei. Além de não ser totalmente correto, porque às vezes quem comenta tem razão. Mas só às vezes.

Eu ia dizer também que uma coisa é ler um texto. Outra coisa é entendê-lo. Muita gente só lê e não entende. E não existe essa de se a pessoa não entendeu, culpa do autor. Nada disso. Culpa da pessoa, que não sabe ler direito.

É como dizia o Nelson: “Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos“.

P.S.: Tem alguém que pode usar isso contra mim, porque eu vivo “não entendendo” os textos dela. Mas, veja bem: como eu disse, às vezes quem comenta tem razão…

5 Minutos

Monday, August 25th, 2008

Depois de alguns dias sem blog, minha bem-amada está de volta à blogsfera. Devagarzinho, ainda conhecendo a casa nova, mas está de volta.

Visitem lá: http://5minutos.entretantos.com.br

Um gerador de poesia

Saturday, August 23rd, 2008

“Muito antes de estarmos juntos eu já havia lido os poemas de Bandeira nele (ou por ele) inspirados. E a crônica ‘O Místico’, a propósito de sua partida para Londres. E a ‘Nova Gnomonia’, sobre sua classificação de todos os seres humanos em cinco categorias. Schmidt já me falara das ‘noivas de Jayme Ovalle’, não só através de seu belo poema, mas pessoalmente, contando casos pitorescos com ele vividos em noites de boemia na Lapa. Já ouvira de Di Cavalcanti as suas histórias de Paris. Conhecia Azulão, Berimbau, Modinha, sabia de sua fama de músico e poeta. Mas era ainda um mito, de contornos imprecisos, cuja existência eu atribuía a em parte à imaginação criadora de seus amigos.

Até que vim conhecê-lo pessoalmente – e foi um impacto para a minha vida. Nosso convívio diário durante quase três anos, morando a princípio no mesmo hotel em Nova York, era um deslumbramento permanente para a minha sensibilidade. Bebíamos juntos todas as noites, almoçávamos juntos todos os dias, e embora a diferença de idade entre nós fosse de mais de trinta anos, éramos como dois velhos amigos.

(…)

Vinicius acaba de me telefonar da Bahia. Peço-lhe que me defina Jayme Ovalle, e ele me responde imediatamente:

- É o poeta em estado virgem. A mais bela crisálida de poesia que jamais existiu, desde William Blake. É o mistério poético em toda a sua inocência, em toda a sua beleza natural. É vôo, é transcendência absoluta. É amor em estado de graça.”

Trechos da crônica “Um gerador de poesia”, de Fernando Sabino, homenageando Jayme Ovalle. Na foto, Jayme Ovalle, Otto Lara Resende e Vinicius de Moraes.

Se eu fosse candidato

Friday, August 22nd, 2008

As propostas são sempre as mesmas. Lutar pela educação, pela segurança e pela saúde.  Mas sempre tem um ou outro engraçadinho, que foge ao comum. Vi no YouTube um candidato que dizia mais ou menos o seguinte: estou lascado na vida, desempregado, com a casa caindo aos pedaços, e quero o seu voto para resolver os meus problemas.

Acreditem ou não (eu mesmo me pego duvidando), dizem que o cara foi eleito, para vereador. E depois ainda concorreu ao cargo de deputado federal.

Se eu fosse candidato, seria original também. Meu discurso seria mais ou menos o seguinte:

“Meu amigo, minha amiga. Meus companheiros! Peço o seu voto não para lutar pela saúde, pela segurnaça ou pela educação. Não entendo nada de política, não farei projeto nenhum. Apoiarei alguns, tentarei barrar outros. Minha verdadeira intenção é servir de bode expiatório na câmara de vereadores. Sim, amigos, eu seria o dedo-duro, um espião. Eu ficaria de olho em todos os meus colegas e os denunciaria sempre que percebesse alguma irregularidade. Vote em Rafael, por uma política mais medrosa.”

Teria que deixar o discurso mais bonitinho, mas seria basicamente isso aí.

Para ser candidato

Thursday, August 21st, 2008

Assistindo ao horário eleitoral um dia desses, vi um ex-colega de colégio, agora candidato a vereador. Foi estranho, já que naquela época ele era um tanto quanto maluco. É certo que tomou jeito com o passar do tempo, mas não dá pra ver nobreza ou altruísmo no ato de se candidatar.

Além dele, vi uma porção de outros candidatos a vereador. E um pensamento que eu já tinha só fez ganhar mais força: a candidatura não deveria ser algo voluntário, de livre e espontânea vontade. Deveria ser justamente o contrário. No meu mundo maravilhoso, disputariam eleições pessoas que um determinado número de pessoas escolhesse para disputar, quase como as primárias dos EUA, mas não seria tão simples assim.

A comunidade teria que decidir que Fulano seria candidato, faria um abaixo assinado solicitando que ele se candidatasse e levaria as assinaturas para ele, que, de posse do abaixo assinado, iria se filiar a algum partido (também escolhido pela comunidade) e levar sua proposta de candidatura ao local responsável (fiquei de cara agora: onde é? TSE?).

Mas é óbvio que não é tão simples. Se ele aceitasse isso de primeira, não poderia ser candidato. Seria candidato apenas quem negasse terminantemente a ser. Vou dizer como penso isso: o cidadão receberia o abaixo assinado solicitando sua presença nas eleições. Ele diria que não, não queria se candidatar, não tinha vontade alguma de ser eleito. Depois da primeira negativa, mais assinaturas seriam recolhidas, a comunidade organizaria uma passeata em prol da candidatura dele. Mas, mesmo assim, o cidadão se negaria a participar do pleito.

Diante da segunda negativa, seria dada voz de prisão ao pré-candidato (no meu mundo maravilhoso há uma legislação bem diferente em vigor). Ele, honesto e íntegro que é, não se deixaria abater, e iria mesmo para a cadeia, mas não seria candidato de maneira alguma.

Um mês depois, com a comunidade insistindo na sua candidatura, inclusive fazendo “protestos” na frente do presídio, o nosso correto cidadão finalmente aceitaria ser candidato.

Seria esse o primeiro filtro das eleições. Seria uma adaptação eleitoral do método Capitão Nascimento se gerir pessoas, imagino, já que não assisti ainda ao tão falado Tropa de Elite.

Resenha de “A última casa de ópio”

Tuesday, August 19th, 2008

Opa, todos bem? Tem sido complicado aparecer aqui, mas vamos lá.

Saindo do forno uma resenha novinha, de “A última casa de ópio”, de Nick Tosches. Tá lá, no Digestivo.

Em tempo: a loja virtual da Conrad está em queima de estoque. Os caras estão dando até 50% de desconto em alguns livros. Se liguem lá no Hunter Thompson e no outro do Tosches. Eu já peguei os meus.

Pro lixo

Friday, August 15th, 2008

“Você pode comprar um livro porque alguém lhe indicou, ou por ter lido uma matéria sobre ele. Você pode também comprar um livro porque ele está em alguma lista de mais vendidos. Mas existem casos mais curiosos. Existem pessoas que compram livros pela capa, ou por causa do título. Não sem antes ler a orelha dele, claro. Há ainda pessoas que, antes de decidirem levar uma obra para casa, lêem os primeiros e os últimos parágrafos. Sim, lêem o fim do livro. Gostando de ambos, compram. Já fiz isso, uma vez, e não me arrependo. Mas sou do tipo que compra livros por intuição.”

Ia ser o começo de uma resenha, mas não gostei.