Archive for October, 2008

Contos comprimidos

Thursday, October 9th, 2008

O querido Caco Belmonte manda avisar que dia 13 de outubro será lançado, em Porto Alegre, o livro “Contos comprimidos”, da editora Casa Verde. Antologia “dedicada aos minicontos, o livro reúne 50 autores, cada um com dois textos sobre o binômio saúde/doença.”

Segue a lista de escritores que participam da antologia:

Alcir Nicolau Pereira, Amílcar Bettega, Ana Mello, Berenice Sica Lamas, Blau Fabrício de Souza, Caio Riter, Celia Maria Maciel, Celso Gutfreind, Cezar Dias, Christina Dias, Cíntia Moscovich, Claudia Tajes, Cleci Silveira, Cristiano Bernardes, Deonísio da Silva, Dilan Camargo, Fernando Neubarth, Fernando Rozano, Filipe Bortolini, Franklin Cunha, Ivette Brandalise, Jaime Cimenti, Jaime Vaz Brasil, Jane Tutikian, José Eduardo Degrazia, José Tupinambá Vasconcelos, Laís Chaffe, Leonardo Brasiliense, Lourenço Cazarré, Luciana Veiga, Luís Dill, Luiz Paulo Faccioli, Marcelo Spalding, Marilice Costi, Mário Viana de Queiroz, Marô Barbieri, Miguel Sanches Neto, Mirna Spritzer, Paula Taitelbaum, Paulo Bentancur, Renato Lajús Breda, Sérgio Capparelli, Sergio Napp, Sizínio Kanan Hebert, Susana Gastal, Tabajara Ruas, Tailor Diniz, Valesca de Assis, Walter Galvani.

Quem puder ir, já sabe: vá!

O Brasil de verdade

Thursday, October 9th, 2008

“O Brasil consegue ter desigualdade maior do que as de China e Índia, países com mais de um bilhão de habitantes cada. Metade dos nossos habitantes não tem acesso à rede de esgoto. Regiões como a Nordeste e a Norte concentram a maioria dos miseráveis e das pessoas que ainda mantêm taxa de fertilidade do século 19 – ou seja, geramos mais brasileiros nos lugares onde há menos condições para criá-los –, mas a direita detesta ouvir falar em desenvolvimento regional e a esquerda nem sequer concebe debater a necessidade de planejamento familiar. O analfabetismo é alto, especialmente o funcional, e existe dentro das salas de aula; além disso, metade dos jovens não chega ao ensino médio.”

É esse aí o Brasil de verdade, descrito por Daniel Piza.

Como fazer para não broxar

Wednesday, October 8th, 2008

O post abaixo foi publicado no primeiro Entretantos, em 2006. Resolvi republicar aqui porque é um texto que gerou alguns comentários curiosos, e eu gosto dessa espontaneidade e sinceridade das pessoas. O tom do texto é escrachado e a escrita foi bem relaxada, tanto que há até palavrão, coisa que provavelmente eu não usaria hoje. Optei por manter o tom e a escrita, apenas corrigindo algumas coisas e modificando outras poucas. Espero que gostem.

Não, eu não sou mágico, nem faço comércio ilegal de Viagra. Alguém digitou a frase do título deste post e acabou caindo aqui no blog. Isso porque, em um post passado, está digitada a palavra “broxar”.

Para não perder o leitor, resolvo aqui me passar por psicólogo ou confidente e tentar ajudar, mesmo que apenas com palavras e clichês.

Para não broxar, meu caro, tu tens que estar com uma mulher inteligente. É o primeiro requisito. Ela não precisa entender de física quântica ou ter lido Nietzsche, Voltaire ou Hegel. Apesar de que uma boa dose de cultura é bem-vinda. Afinal, você não quer conversar com uma porta, certo? E se a dita cuja não tiver nada na caixola, complica. Quando ela disser que o último livro que leu foi no colégio, aí, sim, você vai broxar.

Mas ela precisa ter um outro tipo de inteligência, também. Inteligência lasciva, compreende? Ela precisa saber te conduzir, e conduzir as preliminares. Porque, pelo visto, você não está lá com muito jeito para a coisa.

Tens também que escolher uma mulher vaidosa para ser tua parceira na cama. Mas não aquela mulher que exagera na vaidade, que demora uma hora - ou mais - para se vestir. A vaidade à qual me refiro é a seguinte: a de ela querer te deixar maluco, meu caro. De ela querer te proporcionar a maior foda da tua vida. Para você depois dizer “essa foi a melhor foda da minha vida, benzinho”. E, é claro, a vaidade de se vestir bem, mas de forma simples, de estar cheirosa e com uma inspirada lingerie.

Mas a mulher, sozinha, não resolve a tua situação. Você precisa ficar tranquilo, rapaz! Não podes ficar se cobrando demais. Vê o que acontece com o Ronaldinho Gaúcho na seleção, não vê? Ele broxa. Porque esperam demais dele. E ele acaba se cobrando demais. Então, mantenha a calma, pois o time ganha jogando em conjunto.

Outra coisa: não queira resolver tudo em dez minutos. Não se trata apenas de empurrar a bola pra dentro do gol. Há de se armar o time taticamente, planejar as jogadas, trabalhar a bola, fazer o trajeto defesa/meio-campo/ataque. Mas sem firula, sem firula…

Recomendo também que você manere no álcool. Se for beber, beba, mas não muito. Senão, não tem jeito mesmo.

Ah, e por último: goste da mulher. Sinta amor por ela. Com amor, você não broxa nem com a Bruxa do 71. É claro que, se ela for bonita, melhor ainda. Mas o fundamental é o sentimento. De nada adianta você pagar 1 milhão de dólares por uma noite com um monumento recheado de silicone: se não houver nada que “acenda a chama”, que levante o teu bilau, pra ser mais direto, tu vais broxar mesmo.

Mas é claro que tu pode ignorar tudo o que eu disse aqui e simplesmente comprar um Viagra e pagar uma mulher qualquer para satisfazer tuas vontades.

Seja lá qual for a tua escolha, boa sorte!

Não foi dessa vez

Tuesday, October 7th, 2008

Contrariando os mais otimistas, o candidato Tarcízio Pimenta (DEM) foi eleito prefeito da minha querida Feira de Santana logo no primeiro turno. Os mais otimistas do lado da oposição, claro. Esperávamos todos um segundo turno. Alguns entre o candidato do DEM versus o candidato petista, outro entre o candidato do DEM e o candidato do PMDB, Colbert Martins Filho, de quem falei alguns posts atrás demonstrando meu apoio à sua candidatura.

Eu, que sou mais que otimista, após assistir ao hilário debate com os quatro candidatos na TV (além dos três citados havia um candidato do PSDB, o Professor Almeri), cheguei a pensar num segundo turno entre Colbert Filho e o candidato petista Sérgio Carneiro. Isso porque o candidato Tarcízio Pimenta foi muito mal preparado para o debate. Aliás, me corrijo: foi muito bem preparado: para não responder nada.

Todos os outros três atacaram ferozmente Tarcízio Pimenta. Colbert não atacou tanto, mas Prof. Almeri e Sérgio Carneiro o tempo todo davam lá suas alfinetadas no candidato do DEM. Que não respondeu uma pergunta sequer. Apenas dizia que estava sendo vítima de ataques gratuitos, perguntava à câmera se era “esse o debate que eles queriam, para me atacar?” (isso porque nos outros debates, promovidos por emissoras de rádio, ele não deu as caras) etc. Mas foi engraçado Tarcízio reclamar de ataques. Engraçado, não, ridículo. No rádio, os programas eleitorais do candidato do DEM se referiam a Prof. Almeri, Sérgio Carneiro e Colbert Filho como Frankestein, Sérgio Malandro e Pernalonga. Algo ameno, se formos comparar com certos absurdos de debates e campanhas, mas certamente de muito mau gosto.

Colbert Filho apresentou suas propostas, manteve a serenidade em suas declarações, se exaltou uma ou duas vezes, apenas. Se dependesse do desempenho no debate, certamente seria eleito prefeito. Mas, me perguntei, ao ver o resultado final da eleição: por que isso não aconteceu?

O atual prefeito, José Ronaldo (também do DEM) fez um bom trabalho na cidade. Tanto que está na sua segunda administração seguida e conseguiu eleger um candidato do seu partido para “dar continuidade ao seu trabalho”. Ou seja: as pessoas elegeram o candidato de José Ronaldo, e não Tarcízio Pimenta. Fosse eu o canditato apoiado pelo atual prefeito, venceria também a eleição, sem dúvida alguma.

E isso me leva a concluir que as pessoas continuam votando “por tabela”. Por fulano ser amigo de sicrano, ou filho de sicrano, ou por ser apoiado por Lula, ou pelo partido que está governando a cidade (e governando mal, muitas vezes). Claro que há exceções, e essa eleição mostrou um pouco isso. Mas não vi rupturas que, na minha opinião, seriam necessárias acontecerem.

Não vejo com bons olhos os próximos quatro anos do DEM administrando a cidade. Não tenho bons pressentimentos. Quem quisesse uma prova de que algumas coisas foram deixadas de lado nos últimos anos bastava olhar a situação da escola onde estava votando. Trabalhei na eleição como secretário de uma seção e, no colégio onde trabalhei, as paredes estavam precisando de uma boa pintura, as salas e as cadeiras estavam sujas, algumas cadeiras quebradas, janelas e ventiladores quebrados (um calor enorme e as janelas não abriam!), banheiros sem água - aliás, banheiros sequer sem torneiras! E isso porque é um dos colégios públicos mais bem falados na cidade, que fica ao lado de uma das igrejas de maior movimento, que por sua vez fica ao lado de um colégio particular respeitadíssimo (justamente por conta de a igreja estar do lado e ter a fama de ser um colégio “católico”) e bem perto de dois teatros da cidade, ambos jogados às traças.

Sem falar na situação dos hospitais públicos daqui. Ou seja: já temos dois assuntos importantíssimos, duas pastas que merecem a maior atenção possível, que foram colocadas de lado pelo prefeito José Ronaldo: saúde e educação.

No debate os feirenses ficaram sabendo que Tarcízio Pimenta foi presidente do Fluminese de Feira, time que já foi campeão baiano e que há anos atravessa uma crise aparentemente sem saída. Na gestão de Tarcízio, salários foram atrasados durante meses. Faço coro com o Prof. Almeri e com Sérgio Carneiro que, no debate, perguntaram: “se ele não soube administrar um time de futebol, como vai saber administrar Feira de Santana?”.

Pergunta que Tarcízio não respondeu, mas que começará a ser respondida no início de 2009. E Deus queira que estejamos todos nós, candidatos e eleitores de oposição, errados, e que o novo prefeito de Feira consiga fazer uma boa administração. Mas, por via das dúvidas, uma mensagem de apoio a Colbert Martins Filho: por seu pai, Colbert, não desista. A campanha e o trabalho para 2012 precisam começar agora.

Aos cariocas, com carinho

Monday, October 6th, 2008

Não sou carioca e somente vez ou outra assisto ou leio notícias sobre o Rio de Janeiro. Então, se eu postasse aqui “votem no Gabeira, pelo amor de Deus”, além de ser um pedido completamente vazio de conhecimento de causa, seria uma idiotice. Afinal, aham-aham: não sou carioca e somente vez ou outra assisto ou leio notícias sobre o Rio de Janeiro.

Mas me preocupo com a situação política de cidades/estados que podem, num futuro próximo (ou nem tanto) ditar os rumos da nossa nação, decidindo uma eleição ou influenciando os outros estados a decidirem.

Tudo bem que na última eleição para presidente o Norte/Nordeste do país teve papel fundamental. Mas nada impede que, na próxima, o Sul/Sudeste desempenhe esse papel. Acho que o caso de São Paulo é um caso perdido - Kassab ou Marta, a coisa vai ser a mesma. Mas no Rio, não. Me parece que é uma oportunidade única de a cidade dar uma guinada, e para um lado bem melhor.

Digo isso porque, não me perguntem o motivo, eu não saberia explicar, admiro Fernando Gabeira e, mais ainda, admiro ver o Pedro Dória o apoiando. O que eu vejo: um jornalista competente, talentoso e com credibilidade fazendo o que pouquíssimos jornalistas podem fazer com tamanha segurança e honradez: sendo parcial.

Há uma frase sobre a imparcialidade, se alguém lembrar, coloca aí na caixa de comentários, por favor. Acho que seria algo do tipo “a imparcialidade é o último reduto dos canalhas”, e ela seria de Nelson Rodrigues. Mas se a frase não for erssa e não tiver dono, podem citá-la, desde que me dando os créditos, claro.

Mas, enfim. Vejam lá, no Pedro Dória: “Por que Gabeira é melhor do que Paes“.

E ainda hoje acho que escrevo sobre as eleições aqui. Meu candidato não levou, infelizmente.

Me deixe fora disso

Friday, October 3rd, 2008

“JBM: (…) em vez de grandes cabeças falando para as massas, agora são as celebridades que falam para as massas.

NM: Cuidado. Você é muito jovem para saber como as coisas eram antigamente. As grandes cabeças quase nunca falam diretamente para as massas.

JBM: Diretamente, não. Mas Hemingway escrevia um texto, você escrevia um texto, e as pessoas discutiam esses textos, debatiam, iam e voltavam…

NM: Me deixe fora disso.”

Trechos de uma entrevista que NM e JBM concederam à Playboy norte-americana, em 2004. A saber: NM = Norman Mailer; JBM = John Buffalo Mailer (filho de Norman).

A entrevista (não sei se na íntegra) é parte do livro “O grande vazio - Diálogos sobre política, sexo, Deus, boxe, moral, mito, pôquer e má consciência na América“, publicado aqui pela Companhia das Letras, este ano.

A frase de Mailer pai é de fazer rir, mas não é o principal do trecho. Nessas poucas linhas há muito mais sobre a sociedade contemporânea do que pode parecer. Recomendo o livro veemente, e que resenho em breve, logo depois de “Caio Fernando Abreu“, igualmente recomendado.

Se você encontrar o Alckmin…

Thursday, October 2nd, 2008

… diga que mandei um abraço.

Engraçado como as coisas mudam. Há dois anos eu falava mal do Alckmin. Fazia piadas de mau gosto (opa, de novo?) sobre ele e tudo. Mas a vida me levou a hoje sentir uma simpatia enorme pelo Alckmin. E digo que, se morasse em São Paulo, votaria nele. Mais: se pudesse voltar no tempo, votaria nele para presidente.

Óbvio que posso estar completamente equivocado. Mas não posso esconder a sensação que tenho.

Talvez essa empatia tenha sido gerada pela admiração que tenho por homens e mulheres que, mesmo depois de abandonados, seguem em frente, em busca de seus ideais e objetivos. Não que outros por aí não tenham seguido. Mas até agora o Alckmin não vendeu a alma dele a qualquer um… (acho eu).

Cegos protestam contra Ensaio sobre a cegueira

Thursday, October 2nd, 2008

A primeira coisa que me veio à mente quando li o título desta matéria do Estadão foi uma piada de extremo mau gosto: “ué, eles nem viram o filme, como podem protestar?”.

Claro que me auto-flagelei por causa disso. Afinal, sou cristão (atenção: sou cristão; não sou católico, evangélico, batista etc., apenas cristão, ok?), e não é de bom tom ficar fazendo piadinhas de mau gosto, mesmo que para mim mesmo.

Mas, enfim, cegos protestaram contra o filme “Ensaio sobre a cegueira”. Depois da piada, pensei assim: “ué, por que não protestaram quando o livro foi lançado?”. Mas continua sendo uma piada de mau gosto, mesmo que não proposital e muito indiretamente.

Só na terceira tentativa de entender a situação foi que pensei em algo digno de ser externado: ora, o livro - e vou aqui eximir o filme de qualquer culpa, visto que ele nada mais é que uma adaptação do romance de Saramago - trata de um outro tipo de cegueira, além da cegueira física. É a cegueira psicológica, digamos assim, que faz muita gente com olho saudável não enxergar um monte de coisa. O Lula, por exemplo: ele nunca soube de nada, nunca viu nada…

Então, não há razão para protestos. Os deficientes visuais (os cegos, enfim) que estão protestando, só vão fazer com que o filme tenha maior repercussão na mídia e atraia mais pessoas aos cinemas. Eles poderiam tentar compreender a história de uma outra maneira. E, para isso, não é necessário enxergar. Basta abrir os olhos…