Archive for March, 2009

Resenha de “Foi apenas um sonho”

Monday, March 30th, 2009

Como estou indo dormir, deixo logo aqui o link para a minha resenha do romance “Foi apenas um sonho”, de Richard Yates, que sai amanhã, no Digestivo.

Buenas!

Onda de crimes

Sunday, March 29th, 2009

Pelo título, este post poderia ser sobre a sem-vergonhice que é a segurança pública neste país, onde, aos poucos, nós vamos perdendo um dos principais direitos assegurados pela nossa constituição (que, aliás, ultimamente tem sido jogado no lixo pelos políticos que deveriam cumpri-la e fazer com que ela fosse sempre cumprida): o direito de ir e vir.

Mas não quero falar sobre isso, quero falar sobre um livro que “descobri” hoje na minha estante. E aproveito para falar da minha estante.

Eu sempre me preocupei em comprar e ganhar livros, mas nunca me preocupei em como e onde guardá-los. A isto se chama colocar o carro na frente dos bois, e não aconselho ninguém a fazer o mesmo. Em 2007 cheguei num ponto crítico: eu estava me sentindo sufocado pelos meus livros. Tropeçava neles quando acordava (porque deixo muitos em cima do tapete ao lado da cama), batia os cotovelos neles enquanto digitava no computador (porque deixo muitos ao alcance das mãos para os momentos de revisão e criação de textos) e começava a ter problemas com poeira e bichos dentro de algumas caixas onde guardava muitos deles. Foi quando, aproveitando uma promoção no hipermercado, comprei uma estante de plástico só para deixar a coisa um pouco menos desorganizada.

Essa estante só deu para aliviar um pouco a situação, porque os livros continuaram sendo comprados e sendo ganhos - sem contar aqueles para “trabalho”, ou seja, os que recebo para resenhar. Em pouco tempo eu estava novamente com o mesmo problema: excesso de livros e falta de lugar para guarda-los.

E então, no início deste ano, meu pai teve uma ideia excelente: fazer umas prateleiras para os livros usando um material que tínhamos em casa e estava sem destino. Precisamos comprar apenas os suportes para as prateleiras, que são de vidro. Depois de tudo pronto, comecei a arrumar as prateleiras. Mas, para o meu espanto, a estante de plástico continuou com muita coisa em cima, e os livros continuaram (e continuam, graças a Deus!) chegando.

Como é uma quantidade considerável, às vezes esqueço que possuo um ou outro livro, e só os reencontro quando preciso de alguma obra escondida nas entranhas da estante de plástico. E foi justamente o que aconteceu hoje. Meu intuito era pegar um romance chamado “Queria que você estivesse aqui“, de Stewart O’Nan, para deixá-lo mais perto de mim (porque faz tempo que deveria tê-lo lido e agora, com ele à vista, espero não demorar mais para fazer isso), “descobri” que tenho um livro chamado “Onda de crimes“, de James Ellroy, autor de “Dália Negra” e “Los Angeles - Cidade Proibida”, entre outros.

Este “Onda de crimes” se constitui de contos, reportagens e artigos de Ellroy publicados numa revista americana chamada “GQ”. Eu o comprei em 2007 na Bienal daqui, em Salvador, e desde o dia da compra (17 de abril), eu não mais o vi. Fui vê-lo novamente hoje, quase dois anos depois. Resolvi tirar a poeira que o cobria e ler um dos textos, “O assassino de minha mãe”, que são reminiscência do autor sobre o assassinato de sua mãe, um crime até hoje não resolvido. O texto é direto, sem rodeios, curto e grosso, e é sensacional. Ellroy não hesita em dizer que chamava, quando garoto, sua mãe de bêbada e puta, e que, na época do assassinato, ele a odiava. Entre outras coisas, diz que “Dália Negra”, livro escrito baseado em fatos reais, em mais um caso de uma mulher assassinada, foi uma tentativa de se livrar do peso da morte de sua mãe. O livro, dizem, é muito bom, mas Ellroy não ficou tranquilo depois de escrevê-lo. Tanto que volta ao assunto neste texto, e vai mais uma vez tentar encontrar respostas para o crime.

James Ellroy teve uma vida conturbada: chegou a viciar-se em drogas e cometer furtos. Mas, felizmente, a literatura mudou seu rumo para melhor. “O assassino de minha mãe” é uma pequena amostra (15 páginas, somente) de sua obra, mas já valeu a grana gasta com o livro. Além disso, me deixou curioso a respeito do restante da obra e também das outras obras de Ellroy. Para a estante de plástico ele não volta. Foi promovido para a prateleira de vidro ou, talvez, até para o tapete ao lado da cama.

Sobre escrever um romance

Sunday, March 29th, 2009

Engana-se quem pensa que escrever um romance é coisa fácil de se fazer. Não basta ter uma boa ideia, sentar na cadeira e escrever. É preciso muito trabalho, bastante disciplina e uma dose cavalar de paciência.

Porque às vezes acontece de você ter a grande ideia, sentar na cadeira diante do computador ou com uma caneta e um caderno em mãos, e começar a escrevê-la. Mas à medida que você vai desenvolvendo a história, você começa a perceber que há alguns furos. Depois nota que determinado personagem não tem, vamos ser sinceros, serventia alguma, e precisa eliminá-lo. Mas ele interagiu com outros personagens, falando algumas bobagens, e aí você precisa reescrever tudo.

Mas o pior não é isso. O pior é quando você precisa mudar a voz da narrativa. Um exemplo: você começou a escrever sua história em primeira pessoa (”Eu acordei de manhã, calcei as sandálias e blablabla”). Mas em determinado ponto você quer dizer alguma coisa, mas essa coisa não pode ser dita pelo narrador, porque ele não sabe que tal coisa aconteceu. Então você precisa meter um narrador onisciente no meio, porque seu protagonista não sabe de tudo, ele está narrando os fatos à medida que eles vão acontecendo. E aí, das duas uma: ou você muda tudo desde o início, ou começa a intercalar as falas do seu protagonista com capítulos narrados pelo tal onisciente. Tá, não é o pior de tudo, mas dá um trabalho dos diabos.

O pior, na verdade, é quando acontece o seguinte: certo dia você senta para continuar a história e simplesmente nada vem à sua mente. Você fica parado olhando para o documento em branco do Word ou para a folha de caderno vazia durante meia hora e nada acontece. Mas aí você começa a pensar em outras coisas e, de repente, um lampejo. Você começa a digitar ou escrever freneticamente. Em poucos minutos você tem três páginas do Word com o começo de uma outra história. Algo totalmente diferente do que você vinha trabalhando.

No dia seguinte, você volta a tentar escrever, continuar qualquer uma das duas histórias, mas está travado (ou travada), e não consegue progresso algum.

Meses se passam, você sempre pensando naqueles materiais que tem guardado. Num belo dia, andando pela sua cidade, você vê uma coisa acontecendo ou alguém que conheceu há algum tempo e então acontece. Você consegue ligar as duas histórias. Desde o começo elas tinham uma ligação, mas você não havia percebido. Será um tanto trabalhoso uni-las, porque certas arestas precisarão ser aparadas e você precisará abrir mão de certos fatos da vida do seu protagonista.

Mas isso não importa. Você tem um romance em mãos. E você vai escrevê-lo.

Boa sorte.

Life on a Draw

Thursday, March 26th, 2009

Uma amiga de Cássia passou pra ela e ela passou pra mim. É O Life on a Draw. Muito legal a ideia do site e mais legais ainda são as imagens.

Fitzgerald bebaço

Wednesday, March 25th, 2009

“Como a maioria dos escritores, Scott Fitzgerald tem suas receitas para cativar a página em branco. Em Paris, ele se levanta às onze horas, mas só começa a trabalhar às cinco da tarde. Pretende escrever até as três da manhã. Mas passa a maior parte das noites fora, fazendo a ronda dos bares e dos botequins, e perde, ao longo das horas, todo o self-control. Chega uma noite ao New York Herald Tribune em avançado estado de embriaguez, precipita-se para o escritório dos redatores, joga fora o texto pronto para a composição, rasga-o, cantando aos berros, e exige que os jornalistas façam coro com ele, até o momento em que cai, desacordado.”

Trecho de “Os exilados de Montparnasse“, de Jean-Paul Caracalla, que estou lendo.

Desencalha, Wanderson!

Wednesday, March 25th, 2009

Passei anos tentando encontrar a mulher da minha vida. Mandei buquê de flores para tentar conquistar uma, fui engabelado por outra que disse me amar e depois de uma semana estava com outro, fui a shows de pagode e forró, nos quais eu me embriagava para deixar a timidez de lado, na esperança de encontrar uma garota direitinha para quem sabe começar um namoro e tal, conversei com várias garotas via internet, marquei encontros em shoppings e tudo o mais.

Ou seja, usei dos mais variados artifícios, “perdi” um bom tempo nessa busca, até descobrir que eu conhecia a mulher da minha vida há bem mais tempo do que todas as com as quais me envolvi. No fim das contas, aquele negócio de que “a pessoa certa pode estar ao seu lado” aconteceu. Na verdade, ela não estava ao meu lado, mas sempre esteve a um clique de distância, e nos “víamos” sempre através das telas de um programinha de chat.

Mas agora vi que tudo o que precisava fazer era ter criado um site igual ao deste rapaz, o Wanderson.

Ele corajosamente se coloca à disposição das mulheres e enumera as características que deseja em uma companheira. Algumas curiosas e que eu gostaria de comentar são:

“- Que nunca tenha sido “atriz de filme erótico”.
- Que nunca tenha sido casada com alguém que esteja vivo.
- Que não esteja grávida.”

Bom, eu não teria problemas com uma atriz de filme erótico. Principalmente se ela ganhasse muito dinheiro. Inclusive, eu poderia entrar no mercado também, em todos os sentidos.

Quanto ao tenha sido casada com alguém que esteja vivo, não veria problema em casar com alguma ex do Roberto Justus ou de algum outro milionário. A pensão que ela receberia certamente me deixaria tranquilo para não trabalhar.

O mesmo vale para o “não estar grávida”. Vai que ela engravida do Mick Jagger? Quando fosse levar o guri pra visitar o pai, eu pedia autógrafo e ainda tirava foto com o compadre.

Refazendo uma análise do legado de Greenspan

Wednesday, March 25th, 2009

O melhor texto que li sobre a crise.

Campanha da Brasileiros

Tuesday, March 24th, 2009

A agência DM9DDB é responsável pela campanha publicitária da revista Brasileiros. Mais detalhes aqui.

O vídeo ficou excelente.

Vai entrar de café-com-leite na história?

Tuesday, March 24th, 2009

Se você quer ser escritor, você vai entrar no jogo pra ganhar ou pra ser mais um café-com-leite?

É uma das coisas que diz Sérgio Rodrigues num depoimento ao pessoal do “Prosa&Verso”, do O Globo. O vídeo é curto, quase 5 minutinhos, e carrega rápido. Vale a pena.

Fizeram também uma bela entrevista com o Sérgio, sobre o novo livro dele “Elza, a garota”, que em breve me chega às mãos.

A pequena pausa

Monday, March 23rd, 2009

“Não era só aqueles dias e noites na cama. O sexo estava em tudo no início, nas palavras, expressões, gestos semi-esboçados, a mais simples insinuação de um espaço alterado. Ela largava um livro ou revista e uma pequena pausa se instaurava em torno deles. Isso era sexo. Eles caminhavam juntos pela rua e viam a própria imagem numa vitrine empoeirada. Um lanço de escada era sexo, ela subindo bem junto à parede e ele vindo logo atrás, tocando-a ou não, roçando de leve ou apertando com força, ela sentindo que ele a imprensava, sua mão abraçando a coxa dela, detendo-a, o jeito discreto dele subir e se aproximar, o jeito dela de agarrar-lhe pelo pulso.”

Trecho de “Homem em queda“, de Don Delillo, que eu estava lendo.