Archive for April, 2009

Se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé

Sunday, April 19th, 2009

Apesar de querer ir ao Maranhão conferir o clima político de lá, não tenho condições financeiras para fazer isso. Mas, como diz o ditado que intitula este post, tive a sorte de encontrar o Flávio Luís, que mora lá e comentou o post. Depois do comentário, conversamos por email e, como as informações que ele me passou são bem úteis para entendermos um pouco a situação política do estado maranhense, pedi sua autorização para publicar, como post, seu comentário e as declarações que ele me fez por email. Meus agradecimentos públicos ao Flávio e aí vai o comentário dele.

Sou de São Luís/MA e posso te garantir que ambos os governos bebem da mesma fonte podre. A única diferença está no fato da família Sarney ter dominado o cenário político maranhense por décadas e por isso possuir uma maior notoriedade de seus atos corruptos. Quanto ao seu “domínio” sobre a imprensa local, também é de conhecimento público que existem relações de parentesco entre os donos dos principais meios de comunicação do Maranhão e a família Sarney. No entanto, toda a imprensa “dominante” do Maranhão está vinculada a grupos políticos, de modo que praticamente não existe uma informação independente. Ao comprar um jornal você já sabe que ele irá apontar sempre na defesa do grupo que o financia, sem se importar com a busca da “verdade” dos fatos.

Para resumir bem a situação posso te dizer que, a população maranhense - principalmente do interior, em razão do péssimo nível de educação nas escolas, isso quando elas existem - é formada por uma grande maioria de analfabetos funcionais, gente de pouquíssima instrução, e sem nenhum senso crítico mais apurado acerca da política. Em muitos casos são populações já acostumadas com certas práticas políticas no mínimo imorais, e é sobre essas bases que os grupos constroem suas vitórias eleitorais.

A forma como isso é construído pelos principais grupos políticos do Estado (independente dos nomes), deixo ao critério das mentes curiosas e críticas… Digo apenas que minha sensação, enquanto cidadão do Maranhão, é a de que o TSE mostrou apenas a ponta de um iceberg que todos sabem que existe, ao mesmo tempo em que brincam de faz de conta para o jogo não acabar. Mas isso já entra numa questão ainda mais delicada e complexa chamada Política Brasileira e seus meandros cheios de falhas, imoralidades e corrupção.

Esse aí foi o comentário do Flávio. Por email lhe fiz algumas perguntas:

Então quer dizer que tanto Jackson Lago quanto os Sarney não valem nada? Hoje vi o Lago dizendo que ele fez mais de uma centena de escolas e tal… É verdade? Não houve avanço nenhum com o governo dele? Melhora alguma? Qual a fama dele aí? Rouba mas faz? Ou só rouba mesmo?

Reparem na paciência, cordialidade e sobriedade do Flávio ao responder a saraivada de perguntas que lhe fiz:

Segundo o meu ponto de vista, o Maranhão ainda precisa de uma política que realmente venha a romper com os vícios existentes nos govenos passados. Por enquanto, o que vemos são discursos falsamente revestidos de um caráter libertador - mas se necessita bem mais do que uma mera alternância formal de nomes num governo para se “libertar” um Estado…

Quanto a construção de escolas e outras informações, a gente sabe que todo político sempre fala a mesma coisa, isso é impressionante. Se ao menos metade das coisas que eles falam que fizeram fossem verdadeiras todos nós viveríamos num paraíso terrestre. É o caso daquela famosa frase que agora não me recordo de quem é, mas que sabiamente diz que os políticos sempre falam verdades para expressar mentiras. Ele talvez até tenha construído escolas, talvez tenha alguma estatística - a puta das provas, uma das mais manipuláveis -, mas o que percebemos enquanto cidadãos é que nada de substancial mudou em seu governo.

Cara, como te falei, o povo maranhense ainda é muito deficiente no tocante a uma educação crítica, por isso suas opiniões geralmente são influenciáveis por argumentos vagabundos, simplórios, e que costumam provocar algum efeito nas massas.

Acredito que muitos dos eleitores de Jackson estão descontentes com seu governo, pois de fato não se percebeu grandes mudanças além de discursos vazios. Embora também não se possa dizer que estamos contentes com o retorno de Roseana. Nesse sentido, sinto uma sensação de descrença política por parte de algumas pessoas que conservam uma visão mais independente. Mas, como te falei antes, estamos falando de uma população carente, e muito frágil sob ponto de vista da manipulação ideológica. Essa é uma questão seriíssima em nosso Estado, e enquanto isso continuar não consigo enxergar uma grande mudança no Maranhão. Agora o problema, Rafael, é que isso é o ciclo vicioso. Quer dizer, como alterar esse cenário com uma educação que não é levada a sério?

Se não podemos chegar a uma conclusão inquestionável sobre a situação política do Maranhão - apesar de que, segundo o Flávio, a coisa lá tá ruim mesmo, como em todo o Brasil -, ao menos uma conclusão definitiva podemos tirar: educação de qualidade é fundamental. Enquanto este país não tiver um sistema educacional decente, não vamos sair disso. Se damos um passo adiante em algum setor, com certeza há um passo para trás em outro, e tudo fica na mesma, as pioras anulam as melhorias e engessam o Brasil.

E me deixa um pouco triste ver que as pessoas, na internet, não demonstram preocupar-se com questões políticas, sociais e econômicas. Conheço pessoas que têm muito conhecimento histórico e político e que certamente poderiam dar boas opiniões em seus blogs, mas não o fazem. Pois deveriam fazer, deveriam opinar, protestar. Talvez se houvesse mais “manifestações internéticas políticas”, digamos assim, isso evoluísse para ações mesmo: protestos, eventos em universidades etc., coisas que certamente surtiriam algum efeito no Brasil, mesmo que pequeno.

É uma pena que os jovens que poderiam ser revolucionários estarem assistindo a vídeos engraçados no YouTube neste exato momento.

***

Em tempo: Jackson Lago deixou ontem o palácio do governo do Maranhão.

J. G. Ballard (1930-2009)

Sunday, April 19th, 2009

Uma nota triste: o autor de “Crash“, J. G. Ballard, morreu hoje pela manhã, aos 78 anos. Ballard é também autor de, entre outros, “O império do sol“, recentemente reeditado em versão de bolso pela Record. Dele comecei a ler “Crash” mas fui forçado a largar pouco antes de chegar à metade. O livro estava se mostrando uma obra descomunal para mim, e na época eu não tinha condições de dedicar uma leitura mais atenta a ele. Recomeçarei a lê-lo em breve.

Para folhear na livraria

Saturday, April 18th, 2009

Gosto de ter liberdade. É por isso que, por exemplo, este blog, apesar de teoricamente se ater à literatura, não tem posts somente sobre o mundo dos livros. Porque o blog, de certa forma, é um espelho de seu autor, um cara que tem interesse por uma quantidade enorme de assuntos.

E aí não posso fazer coisas do tipo: “segunda-feira vou postar sobre música; terça, sobre filmes; quarta, sobre livros” etc. O que me traz um problema, claro, porque quem acompanha fica meio perdido com as mudanças bruscas de assunto. Mas me traz a vantagem de não ficar preso a um modelo, a uma rotina.

Ainda assim, tenho pensado em escolher um dia da semana para postar dicas aleatórias de livros que não tenho ou tenho e não li ainda, mas que, na minha opinião, valem a pena no mínimo serem folheados na livraria. Apesar de uma das minhas maiores diversões ser justamente ficar olhando os livros a esmo na loja física ou nos sites, até que algum me chame a atenção e eu resolver ler mais sobre ele ou folheá-lo.

Mas, claro, nem todo mundo é como eu, e tem gente que gosta de ter umas dicas de livros para dar uma olhada etc. Talvez seja pretensão minha justamente eu dar essas dicas, não porque menospreze minha própria opinião - muito pelo contrário: quem lê um livro indicado por mim geralmente não se arrepende, porque meu gosto literário é mesmo bom -, mas porque minha vontade é me ater apenas a livros que, repito, não tenho ou tenho e ainda não li.

Como assim?, você pergunta. Ora: tenho um faro aguçado para livros, palavra de honra. Costumo me interessar por livros que são realmente bons e valem a pena cada centavo gasto - ou cada minuto gasto, no caso de exemplares que recebo direto de editoras ou autores. Portanto, que mal faria eu em indicar livros para serem simplesmente folheados?

Então, aproveitando que ontem recebi alguns exemplares, coloco em prática a minha ideia neste post. Caso alguém goste ou não goste da iniciativa, é só comentar.

A mulher da minha vida, de Carla Guelfenbein -> Primeiro eu gostei do título. Porque é legal, não? É uma frase que uso de vez em quando - Cássia a ouve vez ou outra, com um “você é” antes. A capa é bonita também, e essas coisas me fizeram ler um pouco mais sobre o romance e sobre a autora. Que é chilena. E, oh, é preciso valorizar a literatura latino-americana. Que, aliás, estive pensando, deve ser bem superior à literatura norte-americana. Mas, enfim, o livro tem como personagens principais Antonio, Theo e Clara, que na década de 80 formaram um triângulo amoroso - dos três, Antonio e Clara são chilenos; Theo é inglês. Eles se conhecem na Inglaterra - Antonio vai para lá exilado, e Clara é filha de um exilado. Quinze anos depois, eles se reencontram no Chile, e o resto eu não sei. Sei é que “A mulher da minha vida” foi o livro mais vendido em 2005, em terras chilenas, e eleito por um jornal de lá como o melhor romance daquele ano. Já vale a folheada, não?

Pobre George, de Paula Fox -> A história de Paula Fox é curiosa. Pra resumir bem - até porque é só o que sei -, ela nasceu em 1923, mas só aos 43 anos estreou como escritora. Segundo livro da autora publicado no Brasil - o outro é “Desesperados”, também um romance - “Pobre George” é protagonizado por, claro, George, um professor de inglês “insatisfeito com sua vida e seu casamento”, e tem sua vida alterada por conta de um jovem chamado Ernest, “um voyer que costuma invadir as casas da vizinhaça por lazer”. É uma história inusitada e eu ando cansado de histórias batidas, por isso o interesse. Um tal Jonathan Lethem, na introdução do livro, diz assim: “O que quero dizer, ao dar voltas à minha mesa de trabalho tentando decidir o que lhe falar sobre ‘Pobre George’, é que o livro já faz parte de mim como uma pele”. E vocês precisam entender uma coisa: só no Brasil um escritor medíocre faz introduções ou prefácios de livros. É que, por aqui, a mediocridade é como se fosse capim, que está em todo lugar e pouca gente se incomoda com ele: só quando cresce um bocado é que resolve cortar. Então, mesmo sem saber quem é Jonathan Lethem, levo a sério suas palavras. Mas, pra agravar a situação e para que suas palavras soem mais pesadas, vejo agora que ele é autor de um romanção que ainda quero ler, chamado “A fortaleza da solidão” - belo título, tradução literal do original em inglês, “The fortress of solitude”.

Porque ela pode, de Bridie Clark -> Este caiu em minhas mãos por acaso e, ironicamente, foi o único dos três que realmente comecei a ler. Confesso que tenho um certo preconceito quanto a ficção “para mulheres”. Aquele negócio de “Melancia”, “Férias”, daquela Marian Keyes, só para ficar num exemplo. Mas é óbvio que pode haver livros bons neste nicho, é só uma questão de escolher com cuidado. Algum dia, quem sabe, eu leio algum da Keyes, mas por enquanto prefiro manter distância. Isso não me impede de tentar começar com algo menos pesado - no sentido de quilogramas, mesmo: os livros da Keyes são enormes! Justamente por isso resolvi tentar ler “Porque ela pode”, que começa com um casamento prestes a acontecer - ou a não acontecer -, mas que promete mesmo ser uma história divertida sobre o mercado editorial norte-americano, porque a protagonista, Claire, antes editora-assistente de uma editora, agora trabalha para uma outra editora, ganhando três vezes mais que o salário anterior. Mas, é claro, tudo na vida tem um preço, e o que Claire paga por esse aumento substancial é sua paz, porque a poderosa Vivian Grant, sua chefe, não lhe deixa em paz nem mesmo pouco antes do seu casamento - que não sei ainda se vai ser consumado ou não. Li as primeiras linhas do livro só mesmo para ver como ele tem início, mas fui indo, indo, indo… e já li quase 20 páginas. Isso em poucos minutos. Ou seja: parece ser o tipo de livro que você começa a ler e não consegue mais parar.

O livro de Dave, de Will Self -> Este eu não recebi. Sequer sabia que tinha sido lançado. Soube por acaso, há poucas horas, mas já nem lembro como. Will Self foi um dos convidados da Flip de 2007 e sua participação foi junto com Jim Dodge. Lembro de tudo muito bem porque, além de estar lá, a mesa se deu no dia do meu aniversário. Além disso, comprei um livro dele, “Cock&Bull”, só para pegar seu autógrafo - detalhe: comprei também “Fup”, do Dodge, só para pegar um autógrafo também, porque, desligado, não levei pra lá o exemplar que eu já tinha. Voltemos ao Self. Confesso a vocês que, apesar de ter três livros dele - os outros dois são “Como vivem os mortos” e “Os grandes símios” -, ainda não li nenhum. Mas por que gosto tanto do Self? Li partes destes dois últimos e gostei bastante. Além disso, sua participação na Flip foi uma das melhores daquela edição - e teve gente dizendo que foi uma das melhores de todas as Flips. É uma intuição minha: acho que Will Self é um autor que, daqui a alguns anos, terá me influenciado bastante. Espero ter “O livro de Dave” em mãos ainda este ano. Bem provável que eu o leia antes dos outros.

Se eu tivesse dinheiro, iria para o Maranhão agora!

Friday, April 17th, 2009

Jackson Lago, eleito em 2006 para governar o estado do Maranhão, teve seu mandato cassado ontem pelo TSE, que, além disso, determinou que Roseana Sarney, derrotada no segundo turno daquela eleição, assuma o governo do estado, coisa que ela já fez hoje pela manhã.

Mas Jackson Lago afirma que vai resistir até quando puder e não arredou o pé do palácio do governo. Agora há pouco - no momento são 15:14 -, o Direto da Redação, da RecordNews, entrevistou o governador. Não obstante as declarações suspeitas dos âncoras - “o senhor está desobedecendo a lei” etc. -, a impressão que fica é a de um homem que luta contra - como ele mesmo disse - uma oligarquia que dominou o estado por mais de 40 anos.

A família Sarney domina tanto a política quanto a mídia maranhense. Por tabela, tem empresas bem-sucedidas e, claro, com uma boa ajuda da máquina pública.

Por outro lado, numa rápida pesquisa que fiz na internet, alguns maranhenses acusam Jackson Lago de não ter cumprido suas promessas eleitorais e de pouco - ou nada - ter feito de importante enquanto governador.

Na falta de uma opinião ao menos não tão parcial sobre a situação, gostaria eu de ir ao Maranhão e ver como está a situação, conversar com as pessoas olhando em seus olhos, sabendo quem são, para assim formar uma opinião sobre Jackson Lago e seu mandato. Infelizmente, não posso ir lá. E mais infelizmente ainda, não temos veículos de comunicação competentes e independentes o bastante para confiarmos.

MAS, e este é um grande, negritado, sublinhado e em itálico “MAS“, tendo a preferir qualquer coisa - exceto uma ditatura - ao domínio da família Sarney.

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Mais:
O Maranhão de luto“, editorial um tanto dramático do Jornal Pequeno, do Maranhão.

Sete ministros do TSE usurpam o lugar de milhões de eleitores“, post do Reinaldo Azevedo sobre a situação no Maranhão. Entre outras coisas, ele dá a declaração mais sensata que li/ouvi sobre isso:

“(…) há nisso tudo tudo uma outra falha lógica estúpida: um vencedor jamais recorreria ao tribunal contra um perdedor, certo? Mas isso não significa que aquele que perdeu não possa ter cometido crimes ainda maiores do que aquele que ganhou. Nessa hipótese, bastante plausível, o TSE pune um criminoso eleitoral entronizando outro.”

Agite antes de usar

Thursday, April 16th, 2009

Vocês sabiam que o ketchup precisa ser agitado antes de consumido? Descobri um dia desses.

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Não durmam sem ler/ver isto.

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É engraçado como gostos literários podem ser tão próximos. Um dos clientes habituais da livraria daqui faz encomendas regularmente e deixa os títulos acumularem para, depois, comprar tudo de vez. Semanas atrás fui lá e um dos que ele tinha encomendado era justamente “Seis histórias da Era do Jazz”, do Fitzgerald. Como ele às vezes demora tanto de comprar que dá tempo de chegar outro, o pessoal deixou que eu comprasse o que estava reservado e ficaram de pedir outro pra ele.

Hoje fui lá e procurei saber se o cara tinha ficado chateado por eu ter comprado o livro e tal, mas ele nem lá esteve ainda. Por curiosidade, fui no caixa ver se tinha mais livros separados para ele. Qual não foi minha surpresa ao ver os seguintes livros: “Marilyn e JFK“, “O resto é ruído” e “John Lennon - A vida“. Respectivamente, quero muito o primeiro, quase quero o segundo e estou pensando em querer o terceiro.

Ou seja: é mais que “gosto literário parecido”. Nos interessamos pelos mesmos livros, pelos mesmos assuntos. É muito engraçado isso. E irônico. Porque é muito provável que, de um bate-papo entre nós, boa coisa não saísse. Quando duas pessoas muito parecidas se juntam, a probabilidade de algo bom sair dali é mínima. Tenho provas.

O Blog da Feira está de volta!

Thursday, April 16th, 2009

Depois de um período de hibernação, o Blog da Feira está de volta. Novo layout, novo formato, mesmo endereço: http://www.blogdafeira.com.br/

Em vez de uma cobertura tradicional, Jânio Rego decidiu “tomar” o blog para si, e fazer do BF seu blog pessoal. (Se o Jânio me ler por aqui, acho que a decisão foi acertada.)

É verdade que não concordo com algumas opiniões dele, da mesma forma que ele também não concorda muito com as minhas, mas é sempre bom ler outros pontos de vista. E o do Jânio é um dos que vale a pena ler.

Longa vida ao “novo” Blog da Feira!

Bienal do Livro Bahia

Wednesday, April 15th, 2009

Contagem regressiva para a 9ª edição da Bienal do Livro Bahia. O evento começa agora, dia 17, e vai até dia 26. E eu, claro, não posso deixar de ir, ao menos alguns dias. Eu, vírgula, nós: Cássia me acompanhará em três dias escolhidos a dedo.

Esta será a Bienal mais “estrelada” dos últimos anos. Ao menos de 2005 pra cá. Estarão aqui, na Bahia, mais precisamente em Salvador, no Centro de Convenções, nomes como Ruy Castro, Zuenir Ventura, Alberto Mussa, Ronaldo Correia de Brito, Antonio Carlos Viana, Marcelino Freire, Frei Betto, Heloísa Seixas, João Gilberto Noll, Luiz Ruffato, Nelson Motta, enfim, uma porção de autores. A literatura baiana será muito bem representada por Ruy Espinheira Filho, Mayrant Gallo, Aleilton Fonseca, João Filho, Carlos Ribeiro e outros nomes importantes.

Toda Bienal do Livro é uma excelente oportunidade para ver pessoas que vivem literatura discutir literatura e contar suas histórias. Esta, pela quantidade e qualidade dos autores convidados, tem tudo para ser um grande evento. Espero que o público seja ainda maior que o de 2007, idem no que se refere a divulgação e cobertura. Eu, claro, farei a minha.

O preço da vida

Monday, April 13th, 2009

- Se você fizer mesmo a opção, faça-a sabendo que a literatura - como, de resto, toda arte - custa o preço da vida.

Não foram apenas estas palavras, lidas no romance “De paixões e de vampiros“, de Ruy Espinheira Filho, que me fizeram arrepiar. Foram também as circunstâncias em que elas foram ditas - e o que foi dito antes. Mas, acima de tudo, foi a minha escolha.

Coitado do Tiradentes

Monday, April 13th, 2009

Morreu enforcado e até hoje o povo enforca ele (o feriado, no caso).

Fala sério, ministro…

Sunday, April 12th, 2009

Os políticos não cansam de me surpreender. Desta vez foi o ministro da educação, com essa proposta ridícula de mudança no vestibular - ele quer substituir o tradicional pelo ENEM, com a justificativa de que isso traria melhoras ao ensino médio.

A burrice já começa por aí. Já que ele quer melhorar o ensino médio, por que não começar justamente pelo ensino médio? Vai começar pelo ingresso na faculdade? Que pensamento de asno é este?

Um dos argumentos dele é que “apenas 0,04% dos estudantes matriculados no primeiro ano do ensino superior têm origem em estado diferente da unidade da federação onde estudam. ‘Nos Estados Unidos, 20% dos alunos são oriundos de estados diferentes de onde cursam a universidade’, comparou.” Será que ele não pensou na possibilidade de os alunos não terem dinheiro pra mudar de estado?

Deixei de prestar vestibular na UFS (Universidade Federal de Sergipe) porque simplesmente minha família não tinha grana pra me manter lá. Certo, eu poderia arrumar um emprego depois. Mas, no começo da mudança, um bom dinheiro seria gasto, e eu não fui lá fazer a prova. Casos como o meu certamente tem por aí aos montes. Conheço uma porção de gente que deseja fazer algum curso na UFBA e não vai lá fazer porque não teria condições de se bancar em Salvador e, claro, bancar o curso. Porque, como vocês todos sabem, mesmo você fazendo faculdade pública você gasta. Se pouco ou muito, vai depender do curso. Mas que gasta, gasta.

O MEC deveria estar preocupado em formar melhor os professores, em dar estrutura digna às escolas, em cuidar para que o dinheiro da merenda dos alunos não seja desviado para contas particulares em paraísos fiscais. Estas deveriam ser as preocupações do MEC. Mas não. O cara sai da cadeira dele pra dizer que os cursinhos pré-vestibulares são uma “anomalia brasileira”. Falem o que quiser contra os cursinhos, mas ao menos eles estão empregando e pagando razoavelmente bem professores que receberiam miséria se fossem depender do MEC. Depois disso, aí, sim, ele pode querer mudar o vestibular.

Ah, e só pra lembrar, os cursinhos realmente preparam os jovens para passar nos vestibulares por aí. Claro que não fazem milagres, o aluno tem que se esforçar. Mas cursinhos ajudam bastante quem é interessado e tem dedicação. E, só pra lembrar também, tem bastante aluno de escola pública que faz cursinho. Por quê, ein? O ministro da educação poderia falar sobre isso, né?

Político é assim. Em vez de se preocupar com o que realmente importa, fica inventando porcaria pra desviar o foco do assunto principal. O que tem de professor sendo xingado e ameaçado por aluno na rede pública não tá no gibi. Por que não se ater a isso? Por que não resolver os problemas realmente graves e básicos, que atrapalham o andamento e a melhoria da educação neste país? Por que não fazer alguma coisa, em vez de ficar propondo bizarrices como essas?

Uma proposta dessas é absurda, frente aos problemas que a educação brasileira tem. Essa é a minha revolta.

P.S.: Detalhe: o ministro da educação é graduado em… DIREITO! E é mestre em… ECONOMIA! Ele é doutor em… FILOSOFIA! O cara não é da área de educação! Este governo é uma palhaçada sem fim. Balzac ficaria envergonhado da sua Comédia Humana. A Comédia Humana é o governo federal brasileiro.