Archive for May, 2009

Sete cidades

Sunday, May 31st, 2009

Legião Urbana. Digam o que disserem, gostem ou não gostem, a Legião está aí até hoje, sendo trilha sonora de meio mundo de gente. Para mim, é uma bandaça. Hoje desenterrei “As quatro estações”, álbum deles de que mais gosto, mas que já não ouvia há algum tempo. Uma das músicas, “Sete cidades”, tem uma letra bem bonitinha e simples, que pode servir de declaração de amor. Pois. Aí vai a letra, para ela, claro.

Já me acostumei
com a tua voz
Com teu rosto e teu
olhar

Me partiu em dois
E procuro agora o que é
minha metade

Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo
junto ao teu

Meu coração
é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda
os caminhos do mundo

Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo
junto ao meu

Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais

E já me acostumei
com a tua voz
Quando estou contigo
estou em paz

Quando não estás aqui
Meu espirito se perde
Voa longe
longe

Deu a louca no Prêmio São Paulo de Literatura?

Sunday, May 31st, 2009

Foram divulgados os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2009, que vai premiar os melhores romances publicados em 2008 nas duas categorias a seguir: melhor romance e melhor romance de autor estreante.

O problema é que, entre os finalistas “estreantes”, há nomes experientes até demais. São estreantes no romance, é verdade. Mas o correto não deveria ser colocar autores inéditos “de tudo”?

Enquanto Rinaldo Fernandes, que tem vários livros de contos publicados, e Altair Martins, que tem um livro de contos publicado, estão entre os “estreantes” apenas porque publicaram seus primeiros romances em 2008, Ronaldo Correia de Brito, que tem vários livros de contos publicados e lançou seu primeiro romance ano passado, está na categoria principal.

Das duas, uma: ou Ronaldo Correia deveria estar entre os estreantes ou, o mais correto, Rinaldo Fernandes, Altair Martins e até mesmo Contardo Calligaris - ele é estreante na ficção, mas tem vários livros publicados, então não é, a rigor, estreante - deveriam estar na categoria principal.

Não estou aqui pregando contra os autores nem contra o prêmio. Só questiono o critério que dividiu os autores. Que, na minha opinião, está errado (o critério).

Faça alguma coisa, governador!

Sunday, May 31st, 2009

Eu não conhecia a figura, Cássia foi quem me “apresentou” a ela. É uma senhora que desistiu de esperar que a prefeitura ou o governo, sei lá, colocasse guardar de trânsito numa avenida bastante movimentada aqui da cidade. Ela mesma resolveu o problema: com a constituição na mão, exige que os motoristas parem os carros para ela - e outras pessoas - atravessarem. Vejam vocês mesmos.

Resenha de “Elza, a garota”

Saturday, May 30th, 2009

Saiu hoje uma resenha minha do livro “Elza, a garota”, de Sérgio Rodrigues, no jornal O Tempo, de Minas Gerais.

O texto está no site do jornal, vocês podem ler clicando aqui. E aí embaixo vão dois trechinhos sobre o livro que escrevi depois de ter enviado a resenha para lá, e que, óbvio, ficaram de fora.

Nem mesmo a facilidade ao acesso à informação que a internet proporciona pode trazer à tona determinados fatos históricos da história recente do Brasil. Com tanta gente falando e escrevendo ao mesmo tempo, tudo fica passível de passar despercebido, e muitos fatos acabam sendo “esquecidos”. Escolas e faculdades também não resolvem esse “problema”, infelizmente. Daí a importância do bom jornalismo e da boa literatura. Colocar em foco acontecimentos dos quais, muitas vezes, pouquíssimas pessoas têm conhecimento. Não é outro senão este o caso do livro “Elza, a garota”, de Sérgio Rodrigues.

Um dos melhores momentos do romance é justamente seu final, que de certa forma faz lembrar o livro anterior de Sérgio Rodrigues, o excelente “As sementes de Flowerville”. E, por mais que seja um clichê, mostra como às vezes a literatura pode ser tanto a perdição quanto a salvação de alguém.

O que você faria?

Thursday, May 28th, 2009

Veja a pergunta que Ricardo Kotscho fez a Caio Túlio Costa, em entrevista publicada no Último Segundo.

Vou contar um caso concreto que aconteceu comigo lá na “Folha”. Um professor de escola pública no Embu telefonou, dizendo que os alunos estavam dormindo na sala de aula. Ele estranhou aquilo e descobriu que as crianças trabalhavam numa olaria de madrugada, um trabalho insalubre. Eu fui lá, chequei e realmente tudo era verdade. Fui falar com o dono da olaria. Ninguém tinha registro, as famílias ganhavam por produção. Por isso, os pais botavam as crianças para trabalhar, e moravam de graça. O dono da olaria disse: “Eu sei que está errado, não tem registro em carteira, as crianças trabalham, não sou eu que mando, são os pais… Se o senhor publicar essa reportagem vai acontecer o seguinte: vai vir aqui a Delegacia do Trabalho, vai multar a minha olaria, e vou ter que fechar. E vou ter que botar essas pessoas todas na rua”. Eram 10 famílias. Aí eu fiquei com esse negócio na cabeça, e pensei: vou denunciar um negócio desse para defender as crianças e vou ferrar a família inteira. Contei essa história para o meu editor. Eu nunca vou esquecer a resposta dele: “Para com essa frescura! É verdade tudo isso que você me contou? Então senta aí e escreve!”. Eu acabei escrevendo e me arrependo até hoje. O que você faria?

Imagine-se no lugar de Kotscho. O que você faria?

A primeira coisa que me veio à mente foi mandar o editor tomar naquele lugar e pedir demissão. Mas depois li a resposta de Caio Túlio:

Há uma questão moral aí: nós, jornalistas, não somos justiceiros. Acho que muitas vezes a gente se sente como tal. Então o ímpeto do senso comum é dizer: “Olha, eu não vou atrapalhar a vida dessas 10 famílias”. Mas, do ponto de vista do problema moral, o teu dever, Kotscho, era publicar a reportagem. O teu dever enquanto jornalista, porque você viu uma situação de abuso do trabalho infantil, viu uma situação de miséria, de transgressão das leis da cidade, que reflete um problema social, um problema muito maior do que aquele.

Ele tem razão. Mas a vontade de mandar o editor tomar naquele lugar permanece. Conclusão: espero não ter que passar por uma situação dessas.

Vida conjugal, de Sergio Pitol

Wednesday, May 27th, 2009

Estou lendo “Vida conjugal“, do mexicano Sergio Pitol (não só ele, é verdade; também estou a ler “Click”, de Bill Tancer, mas o assunto aqui é outro).

E, caramba, eu tenho razão! Há muitos livros e autores bons no mercado, o negócio é que alguns não têm a atenção que merecem. Às vezes porque foram publicados por editoras pequenas, outras porque não foram alvo de resenhas elogiosas, e outras porque são autores estreantes, sobre os quais recai uma desconfiança enorme por parte dos leitores (e críticos).

Esse “Vida conjugal”, por exemplo, estou gostando bastante. É uma narrativa tradicional, ao menos até agora, o livro é curto e as páginas vão passando rapidamente, mas você “cai” mesmo na história, na lábia do Pitol.

Devo terminá-lo entre hoje e sexta-feira. Depois vem a resenha, claro. Por enquanto, deixo uma frase da qual gostei muito. E que representa uma das mais puras verdades deste mundo:

“Por mais que me digam o contrário, tenho certeza de que ninguém nunca conseguirá imaginar no que um ser humano pode se transformar com o passar dos anos.”

God save the newspapers!

Tuesday, May 26th, 2009

É o título da minha coluna de hoje, no Digestivo.

Ridículo demais

Tuesday, May 26th, 2009

Ê, laiá… Tem gente que não tem mais o que fazer, ein?

Uns torcedores doentes mentais do Fluminense foram encher o saco dos jogadores, da comissão técnica e da diretoria durante um treino. Xingaram diversos atletas, agrediram um deles e fizeram cobranças como se fossem eles, torcedores, os donos do time.

Um absurdo. Uma idiotice sem tamanho. Protestar, tudo bem, mas ir pro treino ficar xingando a galera? E ainda partir para a violência?

Isso é coisa de vagabundo.

Agora, uma coisa: errado também o Fluminense, que, mesmo sabendo, via internet, que haveria esse protesto, permitiu a entrada dos torcedores. O negócio é barrar. Não tem que deixar delinquente entrar. Pô, fala sério! Esse negócio de dirigente ficar de conversinha com liderzinho de torcida é absurdo, não tem lógica! O Flamengo também faz isso, se não me engano. Tem que colocar o torcedor no lugar dele, que é na arquibancada, em dia de jogo. E sem essa babaquice de se achar o dono do time. Pombas!

A “sala de escrever” de Will Self

Tuesday, May 26th, 2009

Pesquisando aqui declarações de Will Self sobre “O livro de Dave”, encontrei, no site oficial dele, um link para imagens da sua “Writing Room”, “Sala de escrever”, numa tradução literal. Abaixo, três fotos:

E eu pensando que o bagunceiro era eu.

O engraçado é que meu quarto vai ficar ainda mais parecido com a sala dele. Faz meses que estou pensando em comprar um mapa pra colocar aqui do lado, na parede. Mas farei isso apenas depois de comprar uma estante para meus livros, porque alguns deles ocupam justamente parte da parede onde vou colocar o mapa.

Outra curiosidade é que, na segunda foto, o livro preto deitado na mesa é “Lunar Park”, de Bret Easton Ellis. Esse livro está na minha outra lista de aquisições futuras há séculos. Mas como sempre vão surgindo prioridades, eu fui deixando ele pra trás. Acho que o compro em julho, finalmente.

(In)Segurança pública

Monday, May 25th, 2009

Ontem, domingo, por volta das 20:20, saímos, Cássia e eu, para ver se alguma das padarias aqui por perto estava aberta. Não é lá uma boa hora, mas também não estava tarde. Fomos andando tranquilos, vimos que estava fechada a padaria que poderia estar aberta e voltamos. No meio do caminho, dois malandrinhos passaram por nós, de bicicleta, deram uma “espiada básica” em nós, dobraram numa rua adiante e pararam no meio dela, como se estivessem com algum problema na bicicleta.

Na verdade, eles queriam apenas saber onde iríamos dobrar. Como seguimos reto, eles voltaram para a rua principal e começaram a nos seguir. Percebemos isso e começamos a pensar no que fazer. Apressar mais ainda o passo e ir pra casa ou dobrar na rua seguinte e entrar numa igreja que tem por aqui? O mais ridículo é que estávamos do lado direito da rua, e eles do lado esquedo. Do lado de lá, havia gente indo e vindo, mas nem isso não os intimidou.

Como o caminho para casa estava pouco movimentado e meio escuro, viramos na rua da igreja. Por sorte, os fieis estavam todos na porta, conversando etc. Tinha um pipoqueiro lá, compramos pipocas e esperamos os malandros passarem direto. Depois de alguns minutos, voltamos a seguir nosso caminho e chegamos são e salvos em casa.

O problema é que, a meu ver, não deveríamos ter corrido esse perigo. Porque foi um perigo, sim. Não dá pra engolir a história de que não tem como resolver a questão da (in)segurança pública. E aí não me interessa se a responsabilidade é do governo municipal ou estadual. O governo federal tem o dever, a obrigação de intervir e melhorar o policiamento nas cidades. Não sei como, não sou o presidente da república nem ministro de nada. Mas tenho o direito - aliás, o dever, acho - de reclamar e exigir que algo seja feito. Não é algo fácil de ser resolvido, claro. Mas existem alguma medidas que podem ser tomadas de imediato, como melhorar a iluminação das ruas e aumentar o número de policiais circulando pelos bairros, por exemplo.

Eu já falei aqui uma vez e repito: a situação só piora. Estamos - e agora me refiro a todos nós, cidadãos de bem - à mercê de bandidos, acuados em casa e paranoicos fora dela, olhando para todos os lados o tempo inteiro enquanto estamos andando por aí, temendo ser assaltados a qualquer momento. As coisas não deveriam ser assim. Não faz muito tempo, passamos por perigo semelhante, num domingo à tarde. Num domingo à tarde, repito, em plena avenida. Pessoas têm sido assaltadas pela manhã. Cássia mesmo já foi assaltada num bairro vizinho à faculdade, em plena luz do dia. Pior, há alguns metros apenas de um batalhão da polícia militar. Enfim, um absurdo.

E os bandidos agora já não “apenas” roubam. Eles agridem física e verbalmente, e muitas vezes matam sem motivo algum, mesmo quando a vítima não esboça reação alguma. De certa forma, vivemos numa espécie de prisão domiciliar. Não ficarei chocado se daqui a algum tempo começar a ouvir um toque de recolher. Parece que isso faz parte da “evolução” das coisas.