Archive for June, 2009

Vai pro Palmeiras, Muricy!

Sunday, June 28th, 2009

O “Volta, Muricy!” é até legal, mas não adianta mais. Ricardo Gomes venceu a primeira partida dele ontem, contra o Náutico. A esperança era ele perder feio, mas isso não aconteceu e agora já era.

Mas como não dá pra esquecer a barbaridade que foi a demissão do Muricy, proponho aos são-paulinos um novo movimento: “Vai pro Palmeiras, Muricy!”. Calma, vou explicar.

A ida do Muricy para o Palmeiras seria uma espécie de tapa de luvas na cara da diretoria do São Paulo. Além disso, o Palmeiras é o time do coração do pai do Muricy. Aceitar o cargo seria uma belíssima homenagem que ele faria ao pai. O Muricy dirigiria o Palmeiras apenas durante o restante de 2009, ou no máximo até o fim de 2010. Lá, seria campeão brasileiro deste ano e melhor técnico do campeonato novamente. Se continuasse em 2010 no verdão, seria campeão da Libertadores e disputaria a final do mundial interclubes.

Nesse meio tempo, a diretoria atual do São Paulo entraria em crise, por causa dos maus resultados conseguidos por Ricardo Gomes e o time de estrelas cadentes que é o atual tricolor. Não desejo o mal de ninguém, mas Ricardo seria demitido no início de 2010, os “jogadores” que vieram do Fluminense seriam todos dispensados, Hernanes seria vendido por alguns milhões de dólares e Dagoberto, Hugo, Borges e Richarlyson assumiriam a liderança do time em campo. A diretoria seria totalmente substituída, talvez Raí se tornasse um dos dirigentes - ou técnico. O SPFC faria uma campanha discreta no Brasileiro de 2010 mas conseguiria se classificar para a Libertadores de 2011.

No final de 2010, depois de ter sido campeão do mundo, Muricy não renovaria o contrato com o Palmeiras, pois sua intenção, depois de não ter mais nada o que provar para ninguém, seria descansar mesmo, de verdade. Mas aí vem a nova diretoria do São Paulo e implora para que Muricy seja o técnico do time em 2011. Ele aceita. Muricy é campeão paulista, brasileiros, da Libertadores e do Mundial Interclubes de 2011, pelo São Paulo, seu time do coração.

Depois disso, ele se aposenta como técnico e se torna conselheiro do clube.

A morte de MJ e o nosso mundo de merda

Thursday, June 25th, 2009

Chego em casa do trabalho, abro o Twitter e o que vejo? Mensagens sobre a morte de MJ.

Tudo bem se fosse uma ou outra, mas foram várias, sendo que algumas pessoas enviaram, cada uma e em poucos minutos, 500 mil mensagens sobre o assunto.

Até o momento em que cheguei havia apenas o boato de que MJ estava morto. Um jornal de Los Angeles havia confirmado a notícia, mas nenhum grande veículo assinou embaixo. Acessei os sites da BBC, CNN e New York Times, mas nada.

Pensei que o tal jornal de LA estava exagerando. Em todos os outros veículos, a informação era a de que MJ fora internado com uma parada cardíaca. Algo seriíssimo, com certeza, mas reversível em alguns casos. E eu pensava, claro, que MJ escaparia dessa.

Mas não escapou. Ele morreu. E não tenho nada a dizer sobre sua morte, apesar de nos últimos tempos ter me aproximado ainda mais de sua música.

O que tenho a dizer é sobre o carnaval que fizeram, no Twitter, em torno da notícia de que ele estava morto. Foi simplesmente incrível. Mesmo sem ter a confirmação oficial, as pessoas mataram o MJ sem dó nem piedade. Parecia que era uma batalha para atrair visitantes para seus próprios perfis. Afinal, a todo momento alguém acessava a ferramenta para buscar alguma informação, porque, com a possibilidade de twittar via celular, não seria surpresa se a confirmação viesse de alguém que estava na porta do hospital onde MJ foi internado. Parece que até o Jorge Pontual, correspondente da Globo em Nova York, disse que buscou informações no Twitter.

Certíssimo, ele. Como eu disse, a confirmação poderia sair mesmo via Twitter. No perfil da CNN, por exemplo. Vai saber. Mas ninguém esperou confirmação alguma, foram logo enterrando o MJ. Já a CNN, o NY Times e a BBC esperaram até a confirmação oficial para anunciarem a notícia.

Além da pressa em colocar o MJ na cova, houve, também, como não poderia deixar de ser, piadas ridículas sobre o cantor. Piadas ridículas, sem graça e completamente idiotas. O pior é saber que não foi nem o começo. Mais e mais piadas virão, porque as pessoas têm esse lado sádico de querer fazer troça em cima da morte dos outros.

Será porque, quando elas morrerem, a atenção que vão receber será pouca? Vai saber.

A vida é curta…

Thursday, June 25th, 2009

(…) a vida humana é frágil, curta, por mais longa que seja, e pode acabar daqui a dois segundos. Trata-se de uma constatação óbvia, mas da qual poucos parecem se dar conta. Portanto, nunca é demasiado fazer uma reflexão e pensar naquilo por que realmente vale a pena lutar ou por que vale a pena se aborrecer. Não perder tempo, por exemplo, com bobagens mesquinhas e polêmicas tolas que só conduzem a uma animosidade e a um rancor que envenenam a alma e as relações humanas inutilmente. Tampouco se atribuir uma importância excessiva ou pretender ter a posse inconteste de alguma verdade. E, no entanto, buscar sempre a verdade, ainda que seja preciso contrariar algumas das nossas mais arraigadas paixões.

(Luis Eduardo Matta, em sua homenagem a Zé Rodrix, falecido em maio último.)

Resenha de “Como a picaretagem conquistou o mundo”

Wednesday, June 24th, 2009

Está logo ali, no Amálgama, confiram!

Eu não sou jornalista! e Twitter aí do lado

Tuesday, June 23rd, 2009

Está no ar minha coluna “Eu não sou jornalista!”. Lá, no Digestivo, confiram!

E coloquei aí do lado um plugin para mostrar meus posts no Twitter. Achei que seria legal fazer isso.

Burrices do dia

Monday, June 22nd, 2009

Cheguei do trabalho e bastou alguns minutos para ver uma porrada de burrices por aí. Das várias que vi, elegi três para colocar aqui no blog:

- Estudantes de jornalismo protestam contra a queda do diploma. Teve grito de “Fora, Gilmar” e tal. Mas por que eles nunca saíram para protestar contra as palhaçadas que o Gilmar Dantas - digo, Gilmar Mendes - vive fazendo? Ou, melhor, por que não criaram blogs ou jornais independentes para publicar textos e matérias sobre essas palhaçadas? Parece que teve até estudante que comeu jornal. Espero que não tenham passado mal.

- Comentários ofensivos para Rubens Barrichello. A revista Época convidou leitores a enviarem perguntas que serão feitas a Rubinho. Alguns enviaram mesmo perguntas, mas o que mais se vê por lá são comentários ofensivos e idiotas. É nessas horas que dá vontade de dizer que brasileiro é uma desgraça mesmo. Mas, claro, não dá pra generalizar. Tem ainda gente boa neste país. Mas, se eu pudesse, não estava mais aqui. Estaria em Londres, vivendo com pessoas decentes e civilizadas. Na corrida de domingo, os ingleses aplaudiram Lewis Hamilton, que disputada a 14ª posição, se não me engano, com Fernando Alonso. Aqui, mesmo o cara sendo vice-líder do mundial, o povo esculhamba. É triste demais.

- Muricy Ramalho pode ir para o Palmeiras. É uma possibilidade remotíssima, tem tudo pra ser boato, mas parece que ela existe, se você pensar que tudo é possível neste mundo. Em outras palavras, Muricy treinar o Palmeiras é improvável, mas não impossível. Mas, se isso acontecer, seria excelente. Eu adoraria. Seria um tapa na cara da diretoria burra do São Paulo, que preferiu demitir um técnico competente e que, além disso, é torcedor do clube. Ou seja: AMA o time. Detalhe: o Palmeiras é o time do coração do pai do Muricy. Belíssima razão para ele ir pra lá. Sério.

Um bom fim de semana ruim para Barrichello

Sunday, June 21st, 2009

Rubens Barrichello quase tirou a sorte grande este fim de semana. Nos treinos para a corrida de Silverstone, na Inglaterra, Jenson Button, seu companheiro de equipe e líder do campeonato, não conseguiu dominar o carro e largou apenas em sexto. Rubinho conseguiu o segundo melhor tempo e, devido ao seu bom histórico em Silverstone, podia tranquilamente sair vencedor da prova.

Isto se não existisse um cara chamado Sebastian Vettel e um outro chamado Mark Webber, ambos pilotos da RBR, cujos carros tiveram um desempenho mais que espetacular nesta corrida e ficaram, respectivamente, em primeiro e segundo lugares, com Rubinho fechando o pódio. Jenson “Push The” Button chegou apenas em sexto.

Vettel, alemão, é um gênio. E um moleque. Nasceu em 1987, também em julho, vejam só. Piloto fantástico, tem tudo para, nos próximos anos, fazer história na F1. Webber é um profissional quase do mesmo quilate de Rubinho - o brasileiro é melhor que o austríaco - e chegou em segundo porque o carro realmente estava excelente neste GP.

Mas o curioso mesmo foi Rubinho ter ficado à frente de Jenson Button, tanto nos treinos quanto na corrida. Nas temporadas anteriores, com um carro ridículo, isso era quase regra. Mas este ano, com um carro excelente nas mãos, vinha acontecendo sempre o inverso. Nesta corrida, na qual os carros da Brawn estavam um tanto nervosos, Barrichello conseguiu superar seu companheiro.

Isso é um bom indício de que esta teoria, de Ivan Capelli, tem toda a pinta de ser correta.

Esse terceiro lugar do Rubinho prova que ele pode conseguir vitórias ainda este ano na Brawn, e que não chega a ser um devaneio ele pensar ainda no título. Mas, para isso, sua equipe precisará desenvolver melhorias para o carro urgentemente, e o Rubinho vai ter que passar a falar menos e trabalhar ainda mais, para tentar dominar a máquina e superar Button que, como Schumacher e Vettel, se sente muito à vontade com um carro bom e estável.

Comecei como poeta e vou acabar como poeta

Sunday, June 21st, 2009

Estou assistindo a entrevista que Edney Silvestre fez com Ivan Junqueira.

Adoro as entrevistas que o Edney faz. Ele faz com que os escritores deem declarações sensacionais. Ivan tinha ido no Jô Soares há alguns dias e eu assisti, mas 5 minutos com Edney já colocaram no bolso toda a conversa mole do Jô.

Assistam toda a entrevista, mas deixo aqui dois trechos: primeiro, de uma das respostas do Ivan.

Eu gosto de dizer o seguinte: eu comecei como poeta e vou acabar como poeta. Eu só sou ensaísta porque sou poeta, e só sou tradutor porque sou poeta. Então eu costumo dizer que o meu ensaísmo e a minha crítica literária elas padecem um pouco das minhas limitações como poeta. Quer dizer, não são páginas de um crítico de universidade. Na melhor das hipóteses seriam textos de um crítico que um dia foi militante e hoje já não é mais.

Agora, de um dos textos de “Cinzas do espólio” (detalhe: quem faz a leitura é o ator Otávio Augusto):

No que respeita ao transbordamento verbal da alma cabocla, essa praga que nos vem desde os românticos, é bem de ver que o poeta brasileiro, ao se dar conta de seu ciclópico engenho e de sua infinita prestidigitação rítmica e melódica, julga que já sabe tudo e que é capaz de tudo, transformando assim a dura e severa prática da poesia numa estúpida e efêmera banalização. É muito comum entre nós esse solene desdém pelos frutos que possam advir de uma sólida formação literária e intelectual, mas, para tanto, é necessária uma dose de humildade, que os jovens não têm.

Mais um livro para a minha lista.

São Paulo (mas já?) anuncia novo técnico

Saturday, June 20th, 2009

Não sei se acredito mais na diretoria do São Paulo. Quinta-feira à noite foi declarado apoio ao Muricy. Sexta-feira, demitiram ele. Disseram que o novo técnico seria procurado com calma, que não tinham pressa etc. Mas já mesmo na noite de ontem começaram a busca, e agora pela manhã anunciaram: Ricardo Gomes é o novo técnico do São Paulo.

Sorte ao Ricardo. Que ele consiga ao menos classificar o time para a Libertadores do ano que vem. É o máximo que o SPFC pode conseguir.

Enfim, o post foi só pra terminar a novelinha.

A demissão de Muricy (ou A vitória dos corneteiros)

Friday, June 19th, 2009

O São Paulo é uma espécie de time-modelo do futebol brasileiro. Bem-estruturado, atletas do exterior vê fazer tratamento médico no Reffis - núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica -; salários não atrasam e os centros de treinamento são de dar inveja a qualquer time.

Outro belo exemplo que o SPFC tem dado nos últimos tempos é a manutenção dos técnicos, independente de uma má sequência de jogos. Demissões só em casos extremos, pelo que me lembro. Telê Santana comandou o time por uma porção de anos, e Muricy Ramalho, seu pupilo, estava no cargo desde 2006. No site oficial do São Paulo, os números:

“Desde 2006 são 252 jogos seguidos comandando o Tricolor, com 139 vitórias, 67 empates e 46 derrotas: um aproveitamento de 64% dos pontos disputados.”

Eu quero saber qual técnico de time brasileiro tem, neste momento, uma estatística tão favorável quanto essa.

Mas nada disso segurou Muricy Ramalho no comando do São Paulo. Ele foi demitido na noite de hoje. Ou seja: a diretoria são-paulina não aguentou - ou não quis aguentar - a pressão dos corneteiros.

Completa burrice. Muricy vem sendo, desde 2005, ganhando o prêmio de melhor treinador do Campeonato Brasileiro. São quatro anos seguidos sendo eleito o melhor da sua categoria. Isso não é pra qualquer um.

Além disso, ele AMA o São Paulo. Muricy Ramalho tem uma ligação com o clube que nenhum outro treinador tem ou terá. O São Paulo é quase a vida do Muricy. Ou seja: ele certamente estava dando tudo de si, e com certeza iria tentar tirar mais forçar ainda sabe-se lá de onde para reerguer o time. Uma pena a diretoria parecer ignorar isso.

Em vez de mais uma vez reforçar sua imagem de time-modelo/exemplo, o São Paulo seguiu o mal exemplo de outros dirigentes. Demitir Muricy Ramalho é uma burrice tremenda porque simplesmente ele é o melhor treinador do país. Ou seja: nenhum outro que assuma a equipe agora poderá fazer algo semelhante ao que ele fez. Aliás, só dois técnicos podem substituir Muricy à altura: Cuca e Paulo Autuori.

Adoraria vê-lo assumir outro time e ser campeão este ano. Porque o São Paulo já era.