Archive for July, 2009

Speculacultura

Sunday, July 19th, 2009

É o nome do novo blog do Flávio. No primeiro post, ele escreve sobre as relações entre “Bartleby, o escrivão”, de Herman Melville e o disco “The Wall”, do Pink Floyd. Que tal para vocês? Não deixem de visitar!

Elogie com moderação

Saturday, July 18th, 2009

Hoje li alguém dizer que a minissérie “Som e fúria”, no ar pela rede Globo, é “a melhor coisa já produzida pela tevê brasileira”. Essa era a primeira frase do texto e eu quase não li o restante, de tão estupefato que fiquei. Mas segui lendo e felizmente não havia mais exageros. Se bem que, com um desses, pra quê mais?

Por mais que a série seja boa, afirmar o que a pessoa afirmou é demais. Afinal, como ignorar toda a história da televisão brasileira por causa de uma série da Globo?

É complicado comparar uma novela com uma série, mas não precisamos ir muito longe para lembrar de novelas históricas e de qualidade inquestionável. Que eu lembre de ter visto, basta falar de “Que rei sou eu”, “Rainha da sucata” e “A próxima vítima”. Se formos falar só de séries, mesmo, que tal “Agosto”, “Anos dourados” e “O fim do mundo”?

Entendo a empolgação de algumas pessoas, mas não se pode sair determinando coisas assim. No ano passado aconteceu coisa semelhante com o CQC, meio mundo de gente dizendo que é o melhor programa do universo etc. Tipo, ninguém assistiu TV Pirata? Ou a melhor fase do Casseta e Planeta?

Mais uma vez, é complicado comparar, porque são propostas diferentes. Mas é bom lembrar que tanto TV Pirata quando C&P fizeram (e os Cassetas continuam fazendo) críticas políticas e sociais. A diferença é que o CQC é também um programa jornalístico, e não apenas humorístico.

A explicação mais plausível para esses elogios afoitos é a de que estamos tão acostumados com porcarias que, quando surge qualquer coisa mais ou menos, a gente já sai dizendo que é a melhor coisa do mundo. Isso acontece não apenas na televisão, mas também na música, na literatura, no cinema, enfim, no mundo “dazartes”.

Então, meus queridos, aí vai um conselho, se me permitem: elogiem, mas com moderação. E conhecimento de causa também, claro.

E daí se não pisaram na Lua?

Thursday, July 16th, 2009

Chego em casa do trabalho e vejo uns e outros querendo provar que os astronautas americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin não pisaram na Lua. Não obstante minha falta de paciência para essas bobagens, fiquei pensando: “e daí?”.

E daí que eles não tenham pisado na Lua? E daí que tudo seja uma farsa? O Lula também não é? E, no entanto, ele continua aí, com mais de 80% de aprovação…

Querer provar que o homem não foi à Lua é mais ou menos como dizer a uma criancinha, só de maldade, que Papai Noel não existe. É óbvio que não se deve alimentar ilusões, mas tudo tem seu tempo - ao menos no caso do Papai Noel.

No caso da missão à Lua, sinceramente, não vejo motivo para tentar provar que ela não aconteceu. Quem quer viver num mundo onde o homem não chegou à Lua? Quem quer viver num mundo onde Neil Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins, John F. Kennedy, a Nasa e toda a imprensa norte-americana da época são mentirosos?

Eu não quero.

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Recebi dois livros hoje, ambos da editora Planeta. “Balzac“, de Jonhannes Willms, e “Beber, jogar, f@#er“, de Andrew Gottlieb. O título do segundo é, óbvio, um sarro com “Comer, rezar, amar“, de Elizabeth Gilbert. O primeiro, claro, é uma biografia de Honoré de Balzac. Espero poder escrever sobre eles em breve.

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Recebi, também, a Brasileiros de julho. Procurem nas bancas e comprem!

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O São Paulo perdeu de novo, desta vez para o Atlético Mineiro. Placar: 2 a 0 para os mineiros. Quero ver até quando a diretoria são-paulina vai segurar o técnico de brinquedo e manter as maçãs podres cariocas. É preciso tomar uma atitude decente e afastar alguns jogadores. Do jeito que a coisa anda, o destino é a série B em 2010.

Pose de escritor

Thursday, July 16th, 2009

Tenho lido ultimamente algumas pessoas dizendo, em blogs e também no Digestivo, que levam às vezes um dia inteiro tentando escrever. Ou mesmo dias inteiros, seguidos, tentando escrever uma coisa. Não é que eu duvide de ninguém, porque o trabalho do escritor não é fácil, realmente.

O que me deixou encucado foi o aparente exagero por parte de alguns. Porque, ao que me consta, nem mesmo os escritores brasileiros mais aclamados e experientes conseguem viver apenas de sua própria ficção. A maioria deles tem outros trabalhos - alguns até envolvendo literatura, imaginem! -, e é dessas outras atividades que vem a maior parte do sustento.

Então, muito me admira pessoas das quais nunca ouvi falar dizerem que se ocupam tanto escrevendo. E aí perguntei a mim mesmo: esse povo não trabalha?

Parece coisa de alguém que não tem o que fazer, mas não é. Confesso que é até meio idiota eu vir aqui no blog, quase às duas da manhã, gastar tempo e verbo com um “problema” desses, mas preciso dar à minha mente alguma outra coisa para fazer que não pensar em leituras, entrevistas, textos e processos (sim, processos, mesmo, fazem parte de minha rotina agora).

Eu, sinceramente, não passo mais de duas horas tentando escrever uma resenha, por exemplo. Se nesse tempo eu não iniciá-la e ela não deslanchar, pulo fora. Vou ouvir música, comer algo, ler um livro, assistir algo, sei lá, andar. Só não vou é ficar parado na frente do pc, parecendo uma múmia, esperando algum santo baixar e psicografar o texto.

Daí penso que muitas dessas pessoas, na verdade, ou estão enganando os outros ou estão enganando a si mesmas. Porque, se passam dias inteiros tentando escrever e não conseguem, já passou da hora de tentarem seguir uma outra carreira ou arrumar alguma coisa pra fazer. Me parece que já não se pode mais dar milho a pombos, mas há outras atividades interessantes, como ler, por exemplo. Em vez de ficar tentando, sem sucesso, escrever, que tal ler algo que valha a pena? Melhor do que ficar olhando para a página do caderno em branco ou para a tela vazia do Word.

E se elas apenas dizem que passam dias inteiros tentando escrever quando na verdade não fazem isso, estão apenas fingindo serem “escritores atormentados”. Ou seja: estão posando de escritor. Porque, hoje, como vocês sabem, qualquer garota que saiba falar uns 20 palavrões e assistiu a uns 10 filmes proibidos para menores de 18 anos pode escrever qualquer bobagem e dizer que é um livro; qualquer cara que tenha tomado uns bons porres e viva na boemia pode escrever umas historinhas tortas e dizer que são contos.

Difícil entender essa coisa do glamour de ser - perdão, de fingir ser - escritor. Parece que há, em algumas pessoas, uma vontade irracional de ser artista. E como ninguém tem dinheiro pra comprar uma guitarra, ou tem uma vozinha ridícula, ou não sabe desenhar nada que preste, dizer que é escritor é muito mais fácil e barato, porque basta papel e caneta.

E aí voltamos ao post abaixo. Mais precisamente, ao Paulo Coelho. Justo ele, que tanta gente critica, é muito mais escritor do que uns 50 pseudoescritores-brasileiros-com-livros-publicados. Não estou aqui defendendo os livros dele, nem colocando em xeque a sua qualidade, só estou dizendo o seguinte: o Paulo Coelho não fica por aí posando de escritor. Ele escreve as coisas dele e as publica. Não é isso que um escritor deve fazer? Pois. Parem de falar que escrevem. Escrevam.

O que é ser escritor

Wednesday, July 15th, 2009

“B) Um escritor tem o dever e a obrigação de jamais ser compreendido por sua geração - ou nunca chegará a ser considerado um gênio, pois está convencido de que nasceu numa época onde a mediocridade impera. Um escritor sempre faz várias revisões e alterações em cada frase que escreve. O vocabulário de um homem comum é composto de 3 mil palavras; um verdadeiro escritor jamais as utiliza, já que existem outras 189 mil no dicionário, e ele não é um homem comum.

(…)

D) Um escritor entende de temas cujos nomes são assustadores: semiótica, epistemologia, neoconcretismo. Quando deseja chocar alguém, diz coisas como ‘Einstein é burro’ ou ‘Tolstói é o palhaço da burguesia’. Todos ficam escandalizados, mas passam a repetir para os outros que a teoria da relatividade está errada, e que Tolstói defendia os aristocratas russos.

(…)

H) Só existe um livro que desperta a admiração unânime do escritor e seus pares: ‘Ulisses’, de James Joyce. O escritor nunca fala mal deste livro, mas, quando alguém lhe pergunta do que se trata, ele não oconsegue explicar direito, deixando dúvidas se realmente o leu. É um absurdo que ‘Ulisses’ jamais seja reeditado, já que otodos os escritores o citam como uma obra-prima; talvez seja estupidez dos editores, deixando passar a oportunidade de ganhar muito dinheiro com um livro que todo mundo leu e gostou.”

Começando com a letra “A” e terminando com a “H”, Paulo Coelho faz uma lista do “que era ser um escritor, no início da década de 60″. Tirando o fato de “Ulisses” ter sido reeditado algumas vezes de lá pra cá (e mesmo assim acho que só umas três vezes, aqui no Brasil), o resto continua praticamente do mesmo jeito.

O restante do texto pode ser lido no livro “Ser como o rio que flui” (sendo mais específico, os trechos acima fazem parte do prefácio dele), que comprei ontem. Detalhe: tinha presenteado Cássia com um exemplar no mês passado, li o trecho que ele fala do “Ulisses” e naquele dia mesmo resolvi que iria comprar um pra mim também.

“Ser como o rio que flui” nada mais é do que a reunião de alguns textos do Mago originalmente publicados “em diversos jornais do mundo”, para usar as palavras dele. Tem como subtítulo “Pensamentos e reflexões”, e isso já basta para saber o teor do livro, certo?

Já vejo uma porção de gente torcendo o nariz para este post e vai ver até já teve gente fechando o blog e pensando em nunca mais entrar aqui. Paciência. Li “Diário de um mago” faz um bom tempo (em 2000, acho), mas lembro que gostei. Comprei “O Zahir” por livre e espontânea vontade, na época do lançamento, mas acabei não lendo - lerei ainda. E quero ler “A bruxa de Portobello” também, além de “O vencedor está só”. Não é nem por nada, mas quero ler. Este “Ser como o rio que flui” parece ser bem legal, com textos leves e que fazem refletir (como o que eu acabei de ler, “Marcado para morrer”, página 98; não tem sumário, o livro, bola fora da Agir).

Para quem tem a cabeça aberta e estiver disposto a deixar o preconceito de lado, taí uma boa dica de leitura.

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Outro que comprei, mas anteontem, foi “Pulp“, de Charles Bukowski. Último livro escrito por ele, finalizado alguns meses antes de sua morte, tem a seguinte dedicatória: “Dedicado à subliteratura”. Dizem que é muito bom, mas levarei algum tempo para comprovar.

Resenha de “Click”, de Bill Tancer

Tuesday, July 14th, 2009

Queria poder dedicar todas as mais belas palavras do mundo a ela. Não apenas as mais belas palavras, mas também as mais belas coisas. Infelizmente, não é possível. Porque as mais belas palavras do mundo me escapam, e as mais belas coisas não são minhas, e sim de todos nós. Mas se é verdade quando dizem “o que vale é a intenção”, que fique aqui registrada a minha.

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Hoje tem coluna nova minha, no Digestivo. É a resenha de “Click”, de Bill Tancer. Um livro bem interessante, aliás. Confiram lá!

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Os caríssimos Diogo Salles e Rafael Fernandes colocaram no ar ontem um podcast sobre música, o Tungcast (se o site não abrir de primeira, atualizem, na segunda deve abrir). Para ser sincero, ainda não ouvi, mas baixei e pretendo ouvir hoje à noite. Isso não me impede de recomendar aqui o trabalho dos caras. Ambos são colunistas do Digestivo e vêm escrevendo textaços sobre música nos últimos tempos. Vale a pena conhecer e ouvir no site ou baixar o podcast pra ouvir direto do computador ou mp3player.

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Nos últimos dias venho tentando organizar minhas atividades, aproveitar melhor meu tempo. E precisei deixar um pouco de lado as conversas em tempo real - ou seja, MSN e Google Talk - e também este blog. Ainda tenho bastante coisa atrasada, mas felizmente estou conseguindo diminuir. Em breve fica tudo OK.

O meu post de hoje não é meu

Saturday, July 11th, 2009

É do Ricardo Kotscho, que parece ler pensamento. Ele escreveu, na coluna dele na Brasileiros, tudo o que eu venho dizendo via Twitter e em conversas com colegas. Incrível. Até trabalhar com uma camisa verde hoje eu fui.

Entre livros e empadas

Thursday, July 9th, 2009

Aproveitando o gancho dos aniversários, eis os livros que ganhei de presente:

O livro dos insultos” (Mencken)
Viagem à roda do meu quarto” (Xavier de Maistre)

Crônicas da vida e da morte” (Roberto DaMatta)
No mundo dos livros” (José Mindlin)

O crash de 1929” (Selwyn Parker)

Minha bem-amada me deu os dois primeiros, minha mãe os dois do meio e o último foi o Julio quem mandou.

Além desses, ainda comprei, no domingo, “Todos os fogos o fogo” (Cortázar) e “Fahrenheit 451” (Ray Bradbury; edição de bolso).

E, além disso tudo, ainda ganhei um monte de deliciosas empadinhas de frango com catupiry (feitas por minha bem-amada)!

Eu na Brasileiros de julho

Thursday, July 9th, 2009

Vim avisar logo aqui no blog (depois de ter avisado no Twitter - aliás, recado para quem realmente acompanha o blog: às vezes eu não posto aqui mas fico falando bobagens no Twitter; então, de uma maneira ou de outra, é interessante continuar acessando este endereço, pra ver os twitts na barra ao lado!): resenha minha na edição deste mês da Brasileiros, que, como vocês sabem, está completando dois anos.

A resenha é do livro “Vida conjugal”, de Sergio Pitol. Confiram lá!

Em tempo: na entrevista com Hélio Campos Mello, sugeri que o perfil astrológico do mês de julho fosse dedicado à própria revista. E, como ele adiantou, isso já havia sido planejado e executado. Lendo aqui, gostei muito do trecho que se refere ao “segundo nascimento” da Brasileiros (dia 04 de julho, um dia antes do meu aniversário, portanto). Deixo um trechinho pra vocês, porque vale para (quase) todos os cancerianos.

Falando em cancerianos, hoje é aniversário do Flávio! Parabéns, Flávio! Tudo de bom, rapaz!

A Brasileiros foi para as bancas dia 4 de julho de 2007, mostrando sua cara para os brasileiros. No mapa desse segundo nascimento, o Sol, em Câncer, dá grande sensibilidade e inspiração criadora. Este signo encarna o princípio da tenacidade: quando um caranguejo prende alguma coisa com sua pata nunca larga, que é típico do caráter de Câncer. Câncer é regido pela Lua, que está no signo de Aquário, fornecendo disposição para trabalhar com seriedade, encadeando fatos e processando as informações recebidas. Mostra uma inclinação para ideais humanistas e necessidade de divulgar novos conhecimentos. Se dá bem em trabalhos que exijam confiança inabalável em seus talentos. Estas características ficam reforçadas por um aspecto harmônico entre o Sol (brilho) e Urano planeta ligado a mudanças, inovações e liberdade .

Mercúrio em Câncer permite adaptação fácil a situações novas e interesse por assuntos históricos, tradição e o passado. O trígono de Mercúrio com a Lua e o sextil com Marte nos mostram novamente a facilidade na comunicação, o talento para escrever, a imaginação e a habilidade para colocar as ideias em prática.

Vênus em Leão favorece a apreciação de assuntos artísticos, como música, teatro e outros espetáculos. Marte em Touro reforça a perseverança antes apontada para o Sol em Câncer.

A Lua em conjunção com Netuno e em oposição a Saturno e Vênus apresenta obstáculos para a realização dos objetivos, juntamente com a necessidade de tornar os sonhos uma realidade. Mas Plutão fazendo um aspecto harmônico com estes planetas dá um senso de estratégia adequado, capacidade de transformação e ajudas inesperadas, quando necessário. Saturno em trígono com Plutão explica a seriedade e a necessidade de que tudo seja muito bem feito.

Resenha de “Os exilados de Montparnasse”

Tuesday, July 7th, 2009

Foi publicada já faz alguns dias no blog do caderno “Ideias e Livros”, do Jornal do Brasil, junto com a de Duílio Gomes, que vem antes da minha: http://www.jblog.com.br/ideias.php?itemid=13576