Primeiro texto sobre o Fórum das Letras
Friday, October 30th, 2009Pessoas, como disse, estou cobrindo o Fórum das Letras de Ouro Preto. O primeiro texto saiu agora há pouco, no site da Brasileiros. Confiram!
Pessoas, como disse, estou cobrindo o Fórum das Letras de Ouro Preto. O primeiro texto saiu agora há pouco, no site da Brasileiros. Confiram!
Pessoal, estou em Ouro Preto. Vim aqui cobrir o Fórum das Letras de Ouro Preto. Amanhã começam a sair textos sobre as mesas, e aí venho aqui avisar onde vão sair etc. É muito provável que vocês os vejam no ar antes de mim.
Aqui em Ouro Preto só tem ladeira. Cada uma mais íngreme que a outra. Subir dá um cansaço danado, e o perigo de descer, na chuva, é escorregar e cair de bunda. Mas tudo bem, meu Adidas tá cuidando bem de mim.
Aliás, a Adidas bem que podia me patrocinar. Trouxe dois tênis que tenho dessa marca, além de desfilar por aqui com uma mochila mostrando a marca pra todo mundo.
Bom, vou ver a próxima mesa. Inté!
Trailer do romance “Amor e tempestade“, de Thales Guaracy. É, amigos, livro também tem trailer! Muito legal ![]()
Tá lá, mais um texto (inédito!) no A Falta Que Ele Faz ![]()
Ontem, domingo, meus pais foram à missa, como quase todo domingo vão. Na volta, por volta de 20:30, deixaram o carro do lado de fora, em frente à nossa casa, porque, teoricamente, em pouco tempo eu sairia com ele para levar minha bem-amada em casa.
Enquanto meus velhos tomavam café, Cássia e eu estávamos assistindo “O guia do mochileiro das galáxias”. Iríamos sair quando o filme terminasse, entre 21:30 e 22:00. Isto se, por voltar das 20:45, 21:00, não acontecesse o que aconteceu.
Quando ouvimos o primeiro estouro, achamos que fosse fogos de artifício. Logo em seguida veio o segundo estouro e imediatamente baixei o volume da TV. Foi quando ouvimos um “Vou te matar, seu safado!”, seguido de mais dois estouros. Que eram, claro, tiros.
Tínhamos levantado pra olhar da janela - estávamos no primeiro andar - e quando ouvimos a citada frase mandei Cássia se abaixar e fiquei em pé - essas coisas que fazemos sem pensar, eu deveria ter me abaixado também. Mas a verdade é que comecei a pensar um monte de besteiras, sendo uma delas que minha cachorra, que estava na garagem, poderia ter sido atingida por uma bala perdida. Antes de pensar nela, pensei nos meus pais, óbvio, e mais em meu pai, que tem o costume de fumar na garagem.
Felizmente, como disse no segundo parágrafo, eles estavam tomando café.
Depois de passar pela cozinha, fui à garagem, e minha cachorrinha estava lá, quietinha e ficou muito afoita quando me viu. Ela se assustou com o barulho, acredito eu. Depois, como já havia passado a confusão, fomos lá fora. Não vimos nada, as pessoas estavam dentro de casa, ninguém se atrevia a dar as caras ainda - nem nós, claro, não passamos do portão. Mas, depois de alguns minutos, todo mundo foi criando alguma coragem e, também, precisávamos saber o que tinha mesmo acontecido, ou tentar entender. E foi aí que ficamos sabendo que:
- Algumas casas adiante, vizinhos nossos de décadas estavam ainda na porta de casa, conversando. Sendo que um amigo da família estava dentro do carro e precisou fugir desesperado, com medo de que sobrasse tiro pra ele.
- Na casa quase em frente à minha, o pessoal, também vizinhos há décadas, estava colocando o carro pra dentro justo na hora em que aconteceram os tiros.
Daí o assombro que tomou conta em especial essas duas famílias: eles estavam do lado de fora enquanto tudo acontecia. Algo de muito ruim poderia ter acontecido com eles - felizmente, graças a Deus, não aconteceu.
Ficamos conversando por um bom tempo, cada um contando o que tinha vistou ou ouvido, e só depois foi que meu pai teve a curiosidade de dar uma olhada no carro. Uma bala varou o parabrisa e o vidro traseiro. Outra pegou de raspão na parte da frente do carro. A que atingiu os vidros atravessou o lado do carona. Geralmente quem fica no banco do carona é minha mãe ou eu. Quando o velho está dirigindo. Quando eu estou, quem fica é Cássia. (Analisando melhor a coisa toda, entendemos que um dos alvos do indivíduo armado se escondeu atrás do carro de meu pai - no desespero, ainda largou as sandálias em nosso passeio, imagino que para correr melhor.)
E foi então que pensei no que poderia ter acontecido. Porque é inevitável pensar nisso. E se meus pais chegam um pouco mais tarde? E se Cássia e eu quiséssemos sair um pouco mais cedo? Sabe lá Deus o que poderia acontecer… Claro que, justamente graças a Ele, nada aconteceu. Mas…
Enfim. Ligamos para a polícia, para fazer uma ocorrência ou qualquer coisa que o valha. Afinal, o vidro dianteiro estava com um buraco de bala e o traseiro estava estilhaçado, faltando pouco para não desabar. Esperamos, esperamos… E até agora esperamos. A polícia simplesmente não veio.
Meu pai foi até o complexo policial tentar resolver isso. Antes, ligou pra lá, perguntou se poderia fazer a ocorrência, disseram que sim. Quando chegou lá, disseram que não, queriam de ir a uma tal segunda delegacia, já que se tratava de uma tentativa de homicídio. Meu pai, óbvio, desistiu de ir, porque ele não é nenhum vagabundo pra ficar rodando de um lado pra outro da cidade atrás de uma polícia que não serve pra porra nenhuma.
Hoje meu pai foi ajeitar os vidros. O seguro vai pagar 1 e meio. Mas, se algo de muito ruim acontece - e não digo conosco, mas com qualquer pessoa aqui da rua -, quem ia pagar? Não há seguros para vidas. Há seguros de vida. Mas, para vidas, não.
Já falei aqui sobre a insegurança pública, já falei aqui que nosso bairro era mais tranquilo mas que nos últimos tempos sempre ouvimos tiros por perto, e agora eis que temos um imbecil dando tiros em frente à nossa casa. Enquanto isso, o governador da Bahia, Jaques Wagner (ele é do PT, só pra constar), está mais preocupado em garantir uma aposentadoria vitalícia para ele, para quando acabar o mandato.
Semanas atrás, bandidos barbarizaram Salvador, queimaram não sei quantos ônibus, implantaram toque de recolher e o escambau. E que faz o governador, em vez de aumentar o número de policiais e melhorar as condições de trabalho deles?
Vocês sabem a resposta. Mas direi mesmo assim: o governador não faz NADA. E nós, cidadãos de paz que só queremos um pouco de tranquilidade para enfrentar os problemas do dia a dia, ainda temos de nos virar sozinhos, torcendo para que um tiroteio não aconteça na frente de nossa casa e que, se acontecer, ao menos que uma bala de revólver não encontre algum ente querido.
Ontem eu postei uma série de tweets que, juntos, formam um pequeno texto. Como no Twitter tudo se perde muito rápido, resolvi organizá-los aqui em forma de post.
O escritor Fernando Sabino morreu há cinco anos, no dia 11 de outubro de 2004, às vesperas de seu aniversário de 81 anos. Para quem não sabe, Fernando Sabino é um dos maiores escritores brasileiros do século XX. É, com certeza, o maior cronista do século passado, ao lado de Rubem Braga. Além disso, é autor de quatro romances, sendo que pelo menos dois deles são obras-primas indiscutíveis: “O encontro marcado” e “O grande mentecapto”. Jorge Amado considerava outro como obra-prima: “O menino no espelho”, que, realmente, é fantástico.
Sabino é o escritor que mais admiro e que mais me influenciou literariamente. não apenas por suas obras terem me marcado muito, mas também porque aprendi muito sobre a própria literatura com ele. Além de, claro, aprender muito como ser humano. é por isso que, neste ano, resolvi fazer o site-homenagem, como marco desses 5 anos sem ele, e como forma de tentar fazer sua obra se conhecida por quem ainda não a conhece.
Com a ajuda de várias pessoas, estou atualizando o endereço http://afaltaqueelefaz.com.br/, com textos sobre Sabino e sua obra. E venho agora pedir uma pequena ajuda a vocês: divulgar o site. Ontem postei um texto de Affonso Romano de Sant’Anna, contando como foi o velório de Sabino. Hoje, aniversário de Sabino, postei depoimento inédito/exclusivo de Zuenir Ventura sobre Fernando.
Mais adiante serão republicados textos de João Paulo Cuenca, Sérgio Rodrigues, Caco Belmonte, Mauro Ventura, uma entrevista do Sabino jamais publicada etc. Portanto, a coisa é séria. Se vocês puderem divulgar, agradeço.
Pode parecer meio esquizofrênico, mas converso com meu irmão mais novo via Google Talk. Como meu computador fica no meu quarto, fico com preguiça de levantar da cadeira, abrir a porta e atravessar os poucos metros que nos separam, para falar algo com ele.
Dias atrás, quando estava correndo para colocar o A Falta Que Ele Faz no ar, nos falamos mais que o normal por aqui, porque ele estava editando as imagens que ilustram o site.
Em certo ponto da conversa, disse que pagaria a ele 20 reais pelos “serviços prestados”. Pouco depois disso, as primeiras imagens ficaram prontas, e eu as enviei para Cássia ver, que elogiou bastante. Daí, no Google Talk, seguiu-se este diálogo:
eu: cê ganhou elogio
nao precisa mais do dinheiro
artista nao quer dinheiro, quer reconhecimento
jjnilton: eh
vou la na padaria
elogiar o padeiro
eu: UAHAHUHAUHUAHUAHUAHUAUH
jjnilton: pra ele me da pão
eu: e padeiro é artista, pelo amor de Deus?
jjnilton: a arte de fazer o pão
Desta conversa ficaram duas dúvidas: padeiro é artista? E artista quer mesmo dinheiro ou reconhecimento (supondo que ele não possa ter ambos ao mesmo tempo)?
É o título do texto de Bruno Gouveia, vocalista do Biquini Cavadão, publicado no A Falta Que Ele Faz - Uma homenagem a Fernando Sabino. Corram lá!
Acho muito bonito toda essa onda patriótica correndo o Brasil por conta de o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas de 2016 - hoje mesmo, no Jornal Hoje, vi uma dúzia - não mais que isso - de integrantes do Olodum, lá no Pelourinho, fazendo festa pros cariocas. Imaginem como não deve ter sido animada a coisa lá no Amapá ou no Acre.
De verdade. Quase choro. Fiquei com um nó na garganta. Só não chorei porque estava almoçando, no restaurante ao lado do trabalho.
Mesmo tendo, horas antes, ouvido de um colega que Barcelona até hoje paga a conta das Olimpíadas que sediou em 1992. Se é verdade ou não, não sei. Mas ele falou uma coisa interessante, e que não deixa de ser verdade: a cidade do Rio de Janeiro será, agora, a menina dos olhos do governo federal. Deste e dos próximos. O que vai ter de investimento lá não vai ser brincadeira. Mas, vejam: somente o Rio de Janeiro. Nenhum outro estado será beneficiado. Talvez cidades vizinhas do Rio, e só. Li que outras capitais receberão partidas de futebol, mas, se isso for verdade, não é grande coisa: afinal, a Copa do Mundo de 2014 será aqui, toda a estrutura já estará montada.
Ou seja: vai ser bom pro Rio. Para o resto do Brasil, não. Porque certamente verbas federais que poderiam ir para outros destinos, cairão no Rio.
Não que eu seja contra qualquer coisa. A questão não é essa. Só penso o seguinte: nosso país tem problemas enormes e urgentes para serem sanados. Por que, em vez de trabalhar para isso, ficamos correndo atrás de sediar Copa e Olimpíada? Não dá para entender.
O Lula tem feito um bom governo? Depende do que você chama de bom governo. Para mim, a administração dele é razoável, porque comparo com o que ele poderia fazer. E ele poderia fazer muito mais. Não ele, Lula, mas seu governo, seu partido.
Fez muito, é verdade. Não se pode negar. Mas e o que poderia ser feito? Temos que analisar friamente a coisa. Se ele tirou X milhões de brasileiros da linha da pobreza, o fato é que poderia ter tirado o dobro. Se poderia ter levantado sei lá quantas casas, poderia ter levantado o dobro. E por aí vai. Não é porque um governo faz sua obrigação que devemos elogiá-lo e fechar os olhos para o que ele poderia fazer de melhor e não fez.
Se colocarmos na balança, o governo Lula foi mais decepção que surpresa. Basta citar o mensalão. E, agora, as alianças com Sarney e Collor - o vale-tudo pela governabilidade.
Isso é mesmo necessário? Justo ele, o presidente que bate recordes de popularidade?
Há algumas semanas, no trabalho, entrei de gaiato na conversa de alguns colegas. Eles, funcionários de um órgão federal, falavam que o PT precisa continuar no governo, para que tudo continue como está - ou seja, o emprego deles, o salário deles, o plano de carreira deles. Certo, tudo bem, entendo que temos de defender o nosso. Mas uma das minhas colegas chegou a dizer, sobre mensalão e conchavos com El Bigodudo e El Hombre del Saco Lilás, que tem de ser assim mesmo, que corrupção tem em todo o lugar e que tem de ser fechar os olhos para certas coisas, ou então não se governa.
Quer dizer: você vai deixar de ser um cidadão crítico porque sua situação se tornou mais confortável por causa de um governo corrupto, é isso?
E ela ganha um salário polpudo, poderia se dar o luxo de criticar. Eu, que ganho uma merreca e sou funcionário do município, jamais vou deixar de criticar o prefeito da minha cidade - seja lá quem ele for - só porque sou “funcionário dele”. (Felizmente, o atual prefeito vem fazendo um bom trabalho, ao que me consta.)
Voltando ao Rio. Não lembro se já disse aqui no blog - e estou com preguiça de procurar -, mas o que acontece no Rio de Janeiro é uma guerra civil. Em São Paulo também. Salvador recentemente teve dias de completa desordem, com bandidos queimando não sei quantos ônibus e barbarizando geral. E em várias outras cidades do Brasil.
Por que, em vez de gastar sei lá quantos bilhões com Olimpíadas, não tentamos resolver esse problema, por exemplo? E o da educação. E o da saúde. E o da moradia.
Sem contar que certamente uma parte considerável desses bilhões vai ser desviada para o bolso de muita gente graúda.
Mas, enfim, comemorem. Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Espero que ninguém por aí leve uma bala perdida na testa e perca essa festa.