Archive for January, 2010

Edney Silvestre entrevista Ingo Schulze

Sunday, January 31st, 2010

Excelente esta entrevista que o Edney Silvestre fez com o escritor alemão Ingo Schulze, autor de “Vidas Novas”, que resenhei para a Brasileiros deste mês que acaba hoje. Não deixem de ver!

O olhar cingido (trecho)

Friday, January 29th, 2010

“- Fui numa exposição de arte outro dia. Com uma dona aí. Só pra agradar e depois comer. Cada quadrinho custava entre 4 e 6 mil pratas. Tu acredita?

- Acredito. Está vendo aquele ali?

Caminharam juntos até o outro lado da sala.

- É uma marina do Guinard. Paguei 50 mil dólares por ele.

- Bonitinho. Lembra Paquetá. Passei umas férias lá uma vez.”

Trecho do romance “O olhar cingido“, de Flávio Braga, lançado na semana passada pela editora Record, e que chegou hoje por aqui. Comecei a ler só pra descansar um pouco, ia ler as primeiras páginas apenas. Nessa brincadeira, cheguei na página 58. O início mesmo não é muito bom - nota: não disse que o início é ruim, disse que não é MUITO bom -, mas o romance vai crescendo e, quando você percebe, já foi envolvido pela história.

Em breve digito outro trechinho, uma piada engraçadíssima contada por um personagem.

Os primeiros livros de 2010

Wednesday, January 27th, 2010

Daqui a pouco janeiro termina. Aproveito essa proximidade com o fim do mês para fazer um pequeno post citando alguns dos livros que recebi este mês e minhas primeiras impressões sobre eles. Talvez passe a fazer isso no fim de cada mês. Talvez.

De Martí a Fidel - A Revolução Cubana e a América Latina“, de Luiz Alberto Moniz Bandeira - Há anos que tenho um grande interesse pela História de Cuba, apesar de ter o que poderia ser batizado de “trauma de Che”, de tanto ver militantes estudantis revoltatos e sem noção vestidos com aquela velha e manjada camisa com a foto de Che Guevara. Cuba certamente não se resume a Che, bem como nem apenas de estudantes revoltados e sem noção é feita a militância estudantil - mas é uma pena que, neste último caso, apenas os revoltados se destaquem, e é uma pena Che ser praticamente o único lembrado quando se fala de Cuba - além de Fidel, claro. É desses estigmas que quero escapar. Por isso o interesse na História cubana.

Três Tristes Tigres“, de Guillermo Cabrera Infante - Recebi um dia depois do “De Martí a Fidel”, mas acabei lendo primeiro. Quem me recomendou sua leitura foi o Humberto Werneck, com quem compartilhei meu interesse por Cuba. Ele de pronto citou Cabrera Infante e uma série de autores que anotei num bloquinho de papel que estava ao meu alcance na hora. “TTT” é um livraço. Em breve mais palavras minhas sobre ele.

Moça com chapéu de palha“, de Menalton Braff - Foi com alegria que recebi o novo romance de Menalton. Comecei a ler pouco depois que o recebi e estou adorando, como já disse num post e também no Digestivo. Em pouco tempo escreverei mais sobre ele.

Trilogia “O império das Formigas”, de Bernard Werber - Sempre tive muita curiosidade sobre as formigas. Me admiro muito com a organização delas, aquela coisa de andarem em fila e se cruzarem e se chocarem, e se juntarem para carregar uma folha… É fascinante, como diria @oclebermachado. Essa trilogia é composta por três romances: “As formigas”, “O dia das formigas” e “A revolução das formigas”. Foi publicada originalmente há mais de 10 anos, na França, e só em 2008 veio dar as caras por aqui. Bom, antes tarde do que nunca. Até porque, se tivesse vindo antes, talvez eu nem tomasse conhecimento dos livros. Bernard Werber passou 15 anos estudando formigas para escrever seus livros. Ou seja: o cara não está para brincadeira. Comecei a ler aqui, só por ler mesmo, as primeiras páginas do primeiro livro e fui lendo, lendo… cheguei à página 22. Ok, começa na 11, mas mesmo assim. Nem percebi que já tinham se passado mais de 10 páginas. Vou deixá-los bem pertinho de mim, para sempre que tiver uma folguinha, ler um pouco. Ah, e quem tiver curiosidade, aproveita: o box com os três livros está quase de graça no Submarino (até o momento em que publico este post, ele custa 59,90 e está com frete grátis).

Além desses, recebi um outro livro que está para ser publicado e, por conta disso, não posso citá-lo agora. Li seu primeiro capítulo e achei soberbo. Preparem seus bolsos: parece ser um livro daqueles: imperdível.

Outros que chegaram por aqui e me surpreenderam foram “Museu de tudo“, de João Cabral de Melo Neto (que eu sinceramente achei que não fosse gostar) e “O iconoclasta“, de Gregory Berns, de um novo selo da editora Record, o Best Business. Fiquei tentado a reproduzir, aqui no blog, um poema que integra “Museu de tudo”, mas prefiro deixar a dica do livro e sugerir que, se vocês puderem, o folheiem na livraria (não deixem de ler os poemas da página 52 e 61). Sobre “O iconoclasta”, fica uma definição da palavra que dá título ao livro, e que inclusive está na capa dele: “Pessoa incomum que interpreta a realidade de maneira distinta e faz o que o senso comum julga inalcançável”.

Os espiões“, de Luis Fernando Verissimo e “A lógica do cisne negro“, de Nassim Nicholas Taleb eu já queria faz tempo. A primeira frase de “Os espiões” é perfeita: “Formei-me em letras e na bebida busco esquecer”. Li muito o Luis Fernando anos atrás, vários livros de crônicas dele, e achei geniais os textos do Analista de Bagé. Deste romance eu li as primeiras páginas e gostei muito. Em breve me dedico a ele. Já “A lógica do cisne negro” talvez demore um pouco mais de ser lido - mas pretendo fazer isso ainda neste primeiro semestre, junto com “O iconoclasta”. O que mais me atraiu no livro de Taleb são as citações que ele faz a escritores como Dostoiévski, Nabokov, Buzzati e uma série de outros. Como é um livro que requer um pouco mais de atenção e método, deixarei para ler quando tiver com um pouco mais de tempo. E ultimamente tempo é algo que eu estou negociando feito o mais sovina dos pães-duros deste mundo.

Lembrando os velhos tempos

Tuesday, January 26th, 2010

(Na verdade, não tão velhos assim.)

Nas últimas semanas houve a necessidade de, no trabalho, eu passar algumas horas do expediente em outro setor. Minha tarefa é por demais simples, mas voltei a fazer algo que não fazia há tempos: preencher dados de pessoas. A ficha é pequena, mas deu pra ter saudade da época em que eu fazia cartões de crédito e volta e meia acabava de preencher a proposta com mais um “chapa” na vida.

Hoje tive contato com um paraibano de nascença, mas que cedo veio para a Bahia (lembrando que tenho família na Paraíba). Faz muito tempo que ele não vai lá e acabou me pedindo notícias de sua terra natal. Houvesse tempo, certamente ficaríamos conversando bastante. Uma pena a ficha a ser preenchida ser tão curta.

Outra conversa animada tive com uma senhora que, ao se despedir, me desejou tudo de bom e, mais ainda, um feliz matrimônio - dizendo que homem usando aliança é a coisa mais linda do mundo. Disse também que um presidente como o Lula a gente não vai ter nunca mais. Perguntei-lhe se ele estava mesmo cuidando direitinho de sua terra, ela respondeu que sim. Num gracejo, eu lhe disse: “e ele que não cuide, que vou lá brigar com ele”.

Todas essas pessoas que hoje atendi são gente simples, em sua maioria lavradores. Gente que tem muita história pra contar e, mesmo sem estudo, muita educação para dar de exemplo. E tudo isso me fez ficar com mais saudade ainda da “minha” terrinha no interior da Paraíba.

Uma semana cheia

Friday, January 22nd, 2010

Esta semana eu pretendia terminar de ler um livro para fazer um post sobre ele aqui no blog, pretendia reproduzir uma das matérias minhas que saíram na Conhecimento Prático Literatura e pretendia, também, postar uma resenha do romance de Edney Silvestre, “Se eu fechar os olhos agora”, que acabou não saindo inteira na Brasileiros.

Mas aí a semana virou de cabeça pra baixo e eu simplesmente não pude fazer nada. Em contrapartida, recebi uma notícia extremamente boa, mas que só poderei divulgar daqui a alguns meses, além de outras notícias boas que poderei compartilhar com vocês em pouco tempo.

Aliás, esse tem sido meu maior problema ultimamente: tempo. Mas é isso mesmo, não estou nem reclamando muito. Até porque, se as coisas acontecem de maneira muito fácil, a gente acaba não dando valor.

A próxima semana será também um tanto complicada e cheia. Só prevejo alguma tranquilidade no início de fevereiro. Portanto, se eu deixar o blog um pouco de lado, não estranhem. E só pra lembrar: estou, sempre que posso, no Twitter, cujas atualizações aparecem aí do lado também. Qualquer coisa, é só chamar lá.

Meus melhores livros de 2009

Friday, January 22nd, 2010

É o título da minha coluna de hoje, no Digestivo (sim, mudei de dia, agora sou colunista das sextas-feiras). Confiram lá!

Mapas no colégio

Monday, January 18th, 2010

Hoje, folheando o livro “Laertevisão“, que chegou aqui ontem, Cassia lembrou daqueles mapas que a gente decalcava na escola - “a gente”, no caso, eu, ela e, provavelmente, você que está lendo este post. Acho que em folhas de papel manteiga, não vou lembrar o nome correto agora.

E aí eu perguntei a ela - e também a mim mesmo: por que é que mandavam a gente fazer aquilo? Qual a importância daquele decalcar de mapas em nossas vidas, hoje? Geografia é um assunto importantíssimo, claro, mas pra quê aquele negócio de ficar copiando os mapas? Pra fixar em nossas cabeças que a Bahia fica acima da região Sudeste? Que Roraima, Amapá e Rondônia ficam lá em cima?

É uma pena eu não me lembrar agora, mas recentemente li um artigo ou entrevista de alguém dizendo que - ah, lembrei, foi o André Forastieri, texto indicado pelo Diogo Salles - a escola não nos ensina coisas práticas e importantes, como planejamento financeiro ou relacionamento interpessoal (que é algo que pode e deve ser ensinado, na minha opinião, dentro das aulas de Moral e Cívica, que deveria voltar a ser uma matéria obrigatória até pelo menos a oitava série - ou seja, até a última série antes de se começar o antigo ensino de segundo grau). Em vez disso, a escola nos ensina coisas que, no mais das vezes, só utilizamos para passar num vestibular.

E aí, quando chegamos na faculdade, a coisa se repete: grades curriculares enormes, que muitas vezes poderiam ser enxugadas em no mínimo 1 semestre, quiçá até 1 ano. Um curso de Letras como o que eu faço não tem razão de durar 4 anos. Não há, em momento algum do curso, uma bifurcação para você escolher entre linguística ou literatura. Tentam fazer uma grade equilibrada, mas no fim a literatura sempre sai deficiente. Peguei 4 Teoria da Literatura obrigatórias, e 1 optativa. Mas Língua Portuguesa são 8, sem contar a Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, exclusivamente para ensinar como se ensinar a LP. Já Metodologia para o Ensino de Literatura, não há.

Se fosse um curso de Russo, tudo bem. Aliás, 4 anos seria até pouco, coloca mais 1 aí na conta. Mas Letras Vernáculas?

Bom, melhor eu parar de escrever ou isto aqui vai virar um muro de lamentações.

***

Ah, sim: o “Laertevisão” é superdivertido. Não li todo, mas dei uma folheada e ri bastante com algumas tirinhas. Ele é em formato de álbum, capa dura, aquela folha meio de plástico - eu esqueço o nome certo das coisas, às vezes -, é bem legal mesmo.

Serviço público

Saturday, January 16th, 2010

“Acreditava que seu grande erro fora ter ingressado no chamado serviço público, o que significara para ele nada menos que sua destruição sistemática - primeiro, a destruição intelectual e, por fim, também a destruição física. Quem entra para o serviço público, disse-nos ele, por qualquer razão que seja e em que cargo for, é destruído e aniquilado. (…) O serviço público aniquila todo aquele que nele ingressa. No Estado, pouco importa a que senhor se pretenda servir: será sempre o senhor errado.”

Trechos do conto “Serviço público”, de Thomas Bernhard, no livro “O imitador de vozes“. A História prova que a situação não é tão trágica como Bernhard a descreve - vide o sem número de grandes escritores brasileiros que foram servidores públicos. Mas, na época deles, ao menos até onde sei, não era nada difícil bater o ponto, deixar o paletó na cadeira e pular fora do trabalho. Minha experiência pessoal prova que, além de hoje não dar mais para fazer isso, a aniquilação e a destruição são temores que devem ser levados a sério.

Não que eu pregue a fuga do trabalho, longe disso. É só uma observação.

Making of da resenha de Vidas Novas

Thursday, January 14th, 2010

É muito difícil eu recusar um trabalho. Ainda mais quando se trata de uma resenha de livro. Recentemente, o Daniel Lopes, do Amálgama, perguntou se eu não poderia resenhar um livro para o blog. Eu quase digo que não, mas aceitei porque, além de gostar do Daniel e do Amálgama, sou casca grossa. Só digo “não” quando realmente não tenho sequer como tentar executar a tarefa. Mesmo com muita coisa a fazer, escrevi a resenha que o Daniel pediu dentro do prazo que ele me deu.

Então, quando a Brasileiros me perguntou se eu poderia resenhar o “Vidas Novas“, de Ingo Schulze, eu não pensei duas vezes: mal li o release encaminhado e já fui logo dizendo sim.

Eu já conhecia o autor. Sabia que um ano antes havia sido publicado um livro dele aqui - “Celular“, de contos, também pela Cosac Naify -, mas não sabia do outro, “Historias simples Da Alemanha Oriental”, também de contos, publicado pela editora Lacerda. Cheguei a reservar “Celular” para mim, na livraria daqui, mas acabei não comprando. E acabei me arrependendo depois, porque procurei o livro para comprar, depois de saber que iria resenhar “Vidas Novas”, e não o encontrei.

(Uma curiosidade: apesar de “Celular” ter sido publicado aqui em 2008, “Vidas Novas” foi publicado antes dele, na Alemanha.)

Mas enfim. O caso é que aceitei a resenha e o livro nem publicado havia sido. Eu teria de lê-lo no computador. Quando abri o PDF, vi que o livro tinha 300 e tantas páginas. E pensei “ah, que moleza, leio num tapa”. O negócio é que, quando fui mesmo começar a ler - eu só tinha mesmo aberto o PDF pra ver quantas páginas tinha -, horas depois, percebi que, na verdade, o livro tinha quase 800. O Reader me enganou: realmente eram 300 e tantas “folhas”, mas em cada folha havia duas páginas do livro. “Tudo bem”, pensei, “não vamos nos desesperar. Dividindo a quantidade de páginas pela quantidade de dias que tenho até o deadline, são 70 páginas por dia”. Coloquei a faca nos dentes e fui pra cima do Schulze.

Mas aí aconteceram alguns imprevistos e a
conta acima precisou ser refeita. Ainda mais porque a data da viagem para São Paulo estava chegando. Das duas, uma: ou eu dava um jeito de ler o livro durante a viagem, ou eu teria de conseguir uma extensão do deadline. Mas eu detesto pedir extensão de deadline. Às vezes não tem outra saída e tenho de pedir, mas não gosto de fazer isso.

Então tentei, primeiro, ver se meu celular aceitava PDFs. Procurei aplicativos que permitissem abrir PDFs no aparelho, cheguei a baixar dois, mas não deu certo. Na verdade, se bem me lembro, os programas valiam para outro modelo da LG, não para o meu. Mas como estava meio desesperado, tentei colocar o aplicativo na marra hehe

Pensei então em comprar um tablet da Nokia que eu vinha namorando há algum tempo, mas do qual havia perdido o interesse por conta de ele não servir como telefone. Eu não tinha dinheiro para comprá-lo, iria gastar durante a viagem, mas não tinha mais como desistir da resenha - além do mais, como eu disse, sou casca grossa. Eu não iria desistir da resenha.

Como diz uma letra do Renato Russo - acho -, quem espera sempre alcança (eu prefiro a minha versão dela, “quem espera nada alcança”, mas tudo bem). O fato é que, dias depois, milagrosamente o monitor do PC do meu irmão queimou, foi pro espaço, e imediatamente pensei: “ele pode ficar com o meu monitor, eu compro um notebook, levo pra Sampa e posso ler o livro durante a viagem. Rafael, você é um gênio!”. A coisa não foi tão simples assim, mas acabou acontecendo, e comprei o netbook que agora é meu parceirão de trabalho.

Li o livro na ida, li o livro na pousada - e quase me tranco no banheiro com o netbook, para não incomodar o sono de Cassia; afinal, a luz tinha que ficar acesa, mas ela não me deixou ler no banheiro -, li o livro no metrô - já com ele em papel, depois de pegar meu exemplar na sede da Brasileiros. Na volta, ainda no avião, arquitetei a resenha, e voltando de Salvador pra cá, no carro da empresa de traslado, escrevi o texto, no Moleskine.

Tive um lampejo que, no momento, achei ser o ideal: fazer a resenha em forma de carta, me dirigindo aos leitores da revista. Ia ser assim, mas depois os editores acharam que o formato de carta ficou ingênuo demais - e realmente ficou. Sem contar que toda a coisa da carta me obrigava a deixar de lado informações essenciais sobre o livro. É que eu começava dizendo:

“Há quanto tempo você não recebe ou envia uma carta? Sim, uma escrita à mão, envelopada e enviada pelo correio? Imagino que isso não aconteça há muito tempo. Nesses dias de internet, os e-mails substituíram as missivas, e hoje digitamos apressados mensagens que serão lidas de maneira ainda mais apressada e respondidas de forma ainda mais… “. Aí, no final, eu me despedia, dizendo que ia colocar a carta no correio etc. Ou seja: pelo menos dois parágrafos de blablablá.

Já em casa, refiz o texto inteiro, com um cuidado danado (detalhe: antes de tudo isso, até o Marcelo Backes, tradutor do livro, eu consultei, por email), de modo que não ficasse um texto com muitos detalhes, mas que também não ficasse muito preso ao aspecto histórico dele; ou seja, que abordasse também, e de forma equivalente, a questão inventiva - ou, melhor dizendo, literária - da obra. Tentei balancear isso porque o livro é tão importante em relação a seu valor histórico, por retratar um período tão sombrio da Alemanha, quanto em relação a seu valor ficcional e sua forma, por nos apresentar um personagem tão complexo como é o protagonista, num formato “antigo” e hoje tão pouco utilizado, que é o das cartas. A versão final da resenha está lá, na Brasileiros deste mês, ocupando duas páginas da revista.

“Vidas Novas” é mesmo um livro diferenciado. Tanto que até a leitura dele - e o desenvolver de uma resenha sobre ele, no meu caso - rende um texto. Como digo na resenha, já há quem o considere um clássico, uma obra-prima. Estou com eles e não abro.

P.S.: Esta capa listradinha na verdade não é a capa do livro, mas sim a sobrecapa. A capa é cor de abóbora, lindíssima.

Como se começa um romance

Thursday, January 14th, 2010

“O telefone ricocheteando pelas paredes do apartamento, muito súbito e sério, com o castigo deste seu grito estridente, que ele repete obstinado, e repete, acaba esmagando meus nervos. Minha mão para, atenta, e de minha boca entreaberta escorre um fio branco de pasta e baba, que a água da torneira carrega para o ralo da pia. É uma sangria, uma vida que se esvai para fora do tempo. Em geral o telefone não aborrece, instrumento de trabalho, mas domingo de manhã, quando estou escovando os dentes e tenho de fazer um bochecho rápido para ver quem, no mundo, já está acordado, sinto uma dor que me sobre pela coluna, dor fria que acaba com meu bom humor.”

Assim começa o romance “Moça com chapéu de palha“, de Menalton Braff, que recebi hoje pelo correio. De Menalton eu já li um livro de contos, “A coleira no pescoço”, um dos melhores livros que li nos últimos anos. Dele tenho também os romances “A muralha de Adriano” e “Na teia do sol”, os quais devo ler depois de “Moça com chapéu de palha”, cujo primeiro capítulo a editora Língua Geral disponibilizou em PDF.