Archive for March, 2010

Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre

Tuesday, March 16th, 2010

Em dezembro de 2009 foi publicada, na revista Brasileiros, uma entrevista que fiz com o Edney Silvestre, sobre seu primeiro romance. Além da entrevista eu havia feito uma resenha do livro, que foi parcialmente utilizada na introdução à entrevista. O texto na íntegra você lê abaixo.

O início de “Se eu fechar os olhos agora”, romance do jornalista e escritor Edney Silvestre, dá ao leitor, primeiro, a impressão de estar diante de um livro infanto-juvenil, por apresentar os dois protagonistas, Eduardo e Paulo, garotos de 12 anos de idade, no momento em que fazem mais uma de suas travessuras, matando aula para nadar em um lago; depois, o livro dá uma guinada, e o leitor se vê enredado em uma trama policial: os garotos encontram, nas imediações do lago, uma mulher morta a facadas. Mas, na verdade, e apesar de haver em “Se eu fechar os olhos agora” uma espécie de aura juvenil e de uma investigação ocupar grande parte do livro, o que se tem diante dos olhos é um romance de formação.

Ambientado na década de 1960, em Valença, pequena cidade fluminense – terra natal do autor –, “Se eu fechar os olhos agora” é o primeiro livro de ficção de Edney Silvestre, que tem várias outras obras publicadas – de crônicas e coletâneas de entrevistas. Um dos personagens, já adulto, é a voz que dá início ao livro: “Se eu fechar os olhos agora, ainda posso sentir o sangue dela grudado nos meus dedos. E era assim: grudava nos meus dedos como tinha grudado nos louros cabelos dela, na testa alta, nas sobrancelhas arqueadas e nos cílios negros, nas pálpebras, na face, no pescoço, nos braços, na blusa branca rasgada e nos botões que não tinham sido arrancados, no sutiã cortado ao meio, no seio direito, na ponta do bico do seio direito”. Este trecho, que é o primeiro parágrafo do romance, revela uma das características da prosa de Edney: a descrição. E não se trata apenas de descrever um ambiente, uma cena, mas principalmente os sentimentos dos personagens, o que eles pensam em momentos cruciais do livro. Detalhes muito importantes para entender melhor cada um dos protagonistas da história, que se atém, principalmente, ao misterioso assassinato, mas que, paralelamente, acompanha os garotos no processo de perda da inocência e iniciação no mundo adulto – naquela época se envelhecia mais cedo…

Depois de encontrarem a morta, avisarem a polícia, serem considerados suspeitos e, finalmente, liberados, os garotos se recusam a crer na “versão oficial dos fatos” – de que ela foi morta pelo marido supostamente traído. E passam a conversar sobre o crime, tentar entender o fato, levantar outras teorias para explicá-lo. Em seguida, vão até a casa do casal, para quem sabe encontrar ma pista que os leve a esclarecer a situação e, talvez, descobrir a verdadeira razão pela qual a mulher foi morta – além de, claro, descobrir quem é o verdadeiro assassino. É quando descobrem que não são os únicos a desconfiar da versão de crime passional: na mesma noite em que eles invadem a propriedade, uma outra pessoa faz o mesmo. Quem é esse outro “detetive” os garotos descobrem fácil, seguindo-o rumo ao seu lar, um asilo para idosos. Este senhor, a quem conhecemos melhor no decorrer do romance, serve como espécie de consciência dos meninos. Inexperientes em tudo, não conseguiriam jamais entender aquele crime sozinhos. Com a ajuda do velho Ubiratan, o que antes parecia ser uma brincadeira de criança, sem perspectiva alguma de chegar a um desfecho, a uma conclusão, se torna uma empreitada séria e perigosa, repleta de reviravoltas e que em certos momentos causa vertigem no leitor.

Apesar de estreante na ficção, Edney Silvestre tem como trunfo uma carreira sólida no jornalismo e uma bagagem literária invejável – tanto que é ele o apresentador/entrevistador do programa Espaço Aberto Literatura, do canal de TV a cabo GloboNews –, coisas que certamente lhe ajudaram no desenvolver do romance. Principalmente no que se refere à linguagem, à forma. A história, apesar de emaranhada, não se torna em momento algum confusa. A leitura é ágil e provoca uma enorme ansiedade de saber o que vai acontecer na próxima página. É admirável também a ambição do autor. Não parece que Edney Silvestre escreveu o livro apenas para ser publicado e ser premiado com a pecha de escritor. A impressão é que ele tentou escrever um romance diferenciado, marcante, relevante. E conseguiu não apenas isso, mas também produzir uma obra de inegável qualidade, beleza e força. É o mínimo que se pode esperar de um escritor, seja ele quem for.

O novo Estadão (meus pitacos)

Monday, March 15th, 2010

Como disse no sábado, fiquei de comprar o Estadão de ontem para ler e comentar aqui depois.

Antes de qualquer coisa, se eu não tivesse pedido para guardarem o jornal para mim na banca, não teria como comprá-lo, porque só chegou UM exemplar dele na banca mais próxima de minha casa. Tem uma outra na rodoviária que também recebe, mas não sei quantos exemplares. O que sei é que o jornal termina pouco depois que chega.

A edição de ontem veio com um caderno especial explicando as mudanças e também contando um pouco da história do Estadão. Por isso fiz questão de comprá-la.

A maior mudança apresentada pelo Estado de São Paulo é no site, que foi totalmente reformulado. A nova versão está, de fato, mais elegante e mais bonita. Mas como acontece com qualquer mudança, há certos pontos a serem acertados. Um exemplo? Esta matéria, que fala sobre a Alice Braga beijar o Jude Law (um assunto de extrema importância, ora pois) não abre de jeito nenhum. (Sério, eu queria ler a matéria.) Outro ponto que poderia ser pensado, mas talvez nem valha a pena trabalhar, é no redirecionamento dos links antigos para as novas seções. Exemplo: antes, para chegar ao conteúdo virtual do Caderno2, você ia para este link: http://www.estadao.com.br/arteelazer/ Aqui no meu navegador - eu uso o Firefox -, a página está completamente desfigurada. No novo site, os artigos do Caderno2 ficam neste link: http://www.estadao.com.br/cultura/ Talvez fosse melhor redirecionar aquele para este. Talvez.

Outra coisa, e isto vi agora: a página do horóscopo (não, eu não acredito, mas às vezes dou uma olhada, não posso negar) também está desfigurada, ao menos aqui no meu pc, e a esta hora, 00:14: http://www.estadao.com.br/horoscopo/cancer.shtm

Terminando minhas observações em relação ao site: senti falta de um link para visualizar o índice da edição do dia. No sábado, por exemplo, eu pude ver a lista de textos do Caderno2 por este link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100313/caderno2.htm Ontem, domingo, passei o dia inteiro tentando visualizar o índice da edição - para que, se eu comprei a versão impressa? direi mais adiante - e não consegui. Só agora há pouco foi que tive sucesso, mas ainda assim a imagem da capa do caderno não carregou (ao menos até agora, 00:17) http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100314/caderno2.htm

Na versão impressa, as mudanças principais se dão por conta de certos detalhes que passam despercebidos se você não é um leitor assíduo do jornal - como é o meu caso, já que o acompanho mais pela internet e também porque há uma dificuldade enorme para comprá-lo aqui, como dito parágrafos acima. A fonte mudou um pouco, os textos de opinião têm agora uma espécie de moldura, e as matérias e artigos mais importantes têm seus primeiros parágrafos em negrito. Além disso, algumas seções foram horizontalizadas. Ou seja: em vez de você ler um texto em duas colunas de tamanho razoável, você lê o texto em 4 ou 5 colunas de tamanho médio. No Sabático isso ficou muito bem explícito, nos textos do Sérgio Augoogle e de Silviano Santiago. Acho que há mais mudanças, mas não lembro de tudo agora.

Bom, para que eu tentei consultar o índice do Caderno2, se eu tinha comprado o jornal? Não sei por que cargas d’água, não veio nem o Caderno2 Domingo - que é o novo nome para o caderno aos domingos - e nem o Aliás. Ou seja, fiquei boiando. Como não consegui ver o Aliás no site, fiquei mais boiando ainda. (Aham-aham: isto não foi mau uso do português; é uma espécie de construção do dia a dia que usamos aqui na cidade/na Bahia/ no Nordeste.)

Como apontei mais o que não deu certo do que o que deu, talvez a impressão do post seja a de que eu não gostei das mudanças. Mas longe disso: gostei bastante, tanto que me dei o trabalho de comprar o jornal, lê-lo com alguma atenção - é complicado ler com muita atenção quando se está com os braços, ombros e pescoço doendo, como estou - e depois dedicar um post no blog sobre o assunto. A questão é que há detalhes para acertar.

O mais importante é que o maior passo foi dado. Posso estar enganado, mas acho que o Estadão é o primeiro grande jornal brasileiro a peitar, de verdade e de forma agressiva, a crise que vem atingindo os jornais em todo o mundo - e, óbvio, no Brasil. A tiragem de ontem do Estadão foi de mais de 500 mil exemplares. Pelo que me lembro, as tiragens dos outros grandes jornais não estavam chegando nem a 400 mil. É pouco provável que essa tiragem maior se torne comum a curto prazo, mas, pelo visto, o Estadão pretende, a médio prazo, aumentar tanto sua tiragem impressa quanto seu público virtual.

Que todas estas mudanças no Estadão surtam bons efeitos, e que sirvam de exemplo para os outros jornalões. Alguns parecem ter parado no tempo…

E antes que eu esqueça: neste link você pode conferir a apresentação virtual do novo Estadão, com direito a narração e tudo http://www.estadao.com.br/jornal_renovado.shtm

Atualização (às 15:43): O Pedro Doria, “editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado“, publicou em seu blog um texto sobre as principais dúvidas levantadas, no Twitter, sobre as mudanças no Estadão. Uma delas se refere a um dos pontos que abordei, a questão do índice da versão impressa.

Sabático e blog do Castello

Sunday, March 14th, 2010

Duas excelentes novidades para os amantes dos livros e da literatura: a primeira é que ontem foi publicado o primeiro “Sabático”, novo caderno do jornal O Estado de São Paulo, que virá nas edições de sábado. Na edição “debutante”, textos de Sérgio Augusto, Silviano Santiago (não dá pra lincar, conteúdo fechado para assinantes), matéria de Lúcia Guimarães sobre a Biblioteca de Nova York, entrevista com Umberto Eco sobre o fim do livro, conto inédito de Ronaldo Correia de Brito e mais uma cacetada de coisas. Uma estreia pra lá de excelente.

O Estadão está passando por uma grande reformulação, tanto o site quanto a versão impressa. O marco zero das mudanças é justamente hoje, domingo. Inclusive, a edição de hoje virá com um caderno especial explicando as mudanças. Se tudo der certo, compro o jornal, leio o caderno e depois comento aqui.

A segunda boa notícia literária é que o grande José Castello ganhou um blog no site do O Globo. O nome, “A literatura da poltrona“, mesmo título do livro dele publicado em 2007 - que eu tenho mas não li inteiro. E não foi por falta de vontade, é que minhas leituras têm sido pautadas mais pela necessidade que pela vontade própria. Tento unir sempre as coisas, mas muitos livros acabam ficando para trás por conta das leituras “obrigatórias” - das quais gosto muito, diga-se.

Sob o céu de Samarcanda, de Ruy Espinheira Filho

Friday, March 12th, 2010

Um amigo recentemente me perguntou se eu tenho lido poesia. Eu disse que não e ele, que sempre me dá bons conselhos, disse que eu não deixasse de ler versos, que arrumasse um tempo para eles.

Isso coincidiu com a notícia do lançamento de “Sob o céu de Samarcanda“, de Ruy Espinheira Filho. Pensei, então, em unir o útil - o conselho - ao agradável - literatura - e voltar a ler poesia justamente com o novo livro do Ruy. Comprei-o há alguns dias e de fato li alguns poemas - destaque para o “Manuscrito encontrado entre os papéis do poeta, em envelope lacrado que ele, infelizmente, nunca chegou a abrir” (p.129), uma homenagem a Mário de Andrade -, mas não pude me dedicar exclusivamente a livro por conta de obrigações outras.

Farei isso em breve. Mas enquanto não me livro - olha só, um trocadilho! - de algumas leituras (veja bem… não estou reclamando delas, mas queria mesmo poder estar somente com o “Samarcanda”) sigo lendo alguns poemas, folheando o livro, me maravilhando com a poesia de Ruy.

Pra quem ficar curioso sobre o autor e o livro, aí vão dois links: um com minha resenha de “De paixões e de vampiros”, romance de Ruy publicado em 2008, e outro para uma matéria que o pessoal do Saraiva Conteúdo fez sobre o autor, com direito a um vídeo com trechos da entrevista que fizeram com ele.

CP Filosofia, CampiDigital e Melhores discos de 2009

Saturday, March 6th, 2010

Pessoal, está nas bancas a revista Conhecimento Prático Filosofia nº 22, Karl Marx na capa, que traz uma resenha minha dos três livrinhos que compõem a coleção “Sobre o que nos perguntam os grandes filósofos”, de Leszek Kolakowski. O texto pode ser lido no site da revista, mas quem puder comprar, é bom, né? Até porque o visual da matéria ficou bem bonitão.

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Foi publicada hoje uma entrevista comigo no site do CampiDigital, um evento que vai rolar em Salvador, no dia 20 deste mês. A conversa foi sobre minha experiência com o Digestivo Cultural e como as mídias sociais podem interferir no jornalismo feito na internet. Ficou bem legal, confiram lá!

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E foi publicado ontem, no Digestivo, meu texto sobre os melhores discos de 2009 - na minha opinião, claro. Corram pra ver!

Lançamento: Sobrescritos, de Sérgio Rodrigues

Friday, March 5th, 2010

O sempre infalível Sérgio Rodrigues - de quem infelizmente não sou parente - está lançando livro novo. Trata-se de “Sobrescritos - 40 histórias de escritores, excretores e outros insensatos”, pela Arquipélago Editorial, a mesma editora de “O Pai dos burros”, de Humberto Werneck.

Segue abaixo o release que recebi por email.

Caros amigos,

A Arquipélago Editorial acaba de lançar SOBRESCRITOS - 40 histórias de escritores, excretores e outros insensatos, novo livro do escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, autor de As sementes de Flowerville (Objetiva) e de Elza, a garota (Nova Fronteira), entre outros. Sobrescritos é uma coletânea dos melhores contos publicados por Sérgio em seu Todoprosa, um dos sites sobre literatura mais lidos e comentados do país.

No link abaixo, assista ao teaser do livro, uma animação produzida por Leon Vilhena, com narração do próprio Sérgio Rodrigues. O texto é o conto “Virtual”, que encerra o volume:

http://www.youtube.com/watch?v=TvpaJvH0yWo

O lançamento de Sobrescritos, no Rio de Janeiro, será na próxima quarta-feira, dia 10 de março, às 19h, na Livraria Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572 (veja o convite abaixo).

Nas livrarias: O altar das montanhas de Minas

Monday, March 1st, 2010

Chegou às livrarias - ou está chegando, a depender da rapidez ou demora dos distribuidores - o romance “O altar das montanhas de Minas“, de Jaime Prado Gouvêa. Publicado originalmente em 1991, pela editora Siciliano, o livro volta em nova edição pela editora Record.

Pouco posso falar sobre o livro no momento, porque já escrevi sua resenha - que em breve será publicada em algum lugar - e nela falei bastante sobre ele. Mas aqui posso acrescentar o seguinte: quem é mineiro, vai se identificar mais ainda com o romance; quem já foi a Ouro Preto alguma vez, vai se sentir “em casa” lendo o livro; e quem não é mineiro e nem foi a Ouro Preto, vai querer ir a Minas assim que terminar de ler.

O romance tem sua carga trágica, mas há também momentos engraçadíssimos. Os diálogos, trechos que causam uma das maiores dificuldades para escritores, são quase perfeitos. Prova de que Jaime teve o maior cuidado com sua obra.

Enfim. Recomendo desde já a leitura de “O altar das montanhas de Minas”. É um livraço. Do mesmo autor eu resenhei “Fichas de vitrola & outros contos”, e fiz uma entrevista com o Jaime, está lá no Digestivo (quem acompanha o blog tá cansado de saber disso, mas não custa relembrar).

Pergunte ao Bandini

Monday, March 1st, 2010

* Texto publicado em junho de 2006, na minha extinta coluna Literando, no site Argumento.

E, por favor, sem trocadilhos infames com a marca de macarrão [Brandini], como anda fazendo um amigo meu.

Bandini, Arturo Bandini, é o alter-ego do escritor norte-americano John Fante (1909-1983), personagem de quatro romances do autor: “O caminho de Los Angeles“, “Espere a primavera, Bandini”, “Pergunte ao pó” (recém-adaptado para o cinema) e “Sonhos de Bunker Hill”. Os três primeiros foram publicados no Brasil pela José Olympio Editora. O último saiu pela L&PM, em edição pocket.

Cheguei à literatura de John Fante por causa de Charles Bukowski (1920-1994), que decidiu ser escritor depois de ler “Pergunte ao pó”.

Mas então. Às pressas escrevo este texto, em uma maldita madrugada insone, tendo à minha frente o romance “O caminho de Los Angeles” (que ganhei de minha namorada neste último dia 12 de junho), tendo como motivação a estréia do filme “Pergunte ao pó”. Um estalo tardio em minha mente (em todos os sentidos). Minhas boas ideias surgem com um “delay” que ainda não sei explicar.

Pois comecei a ler “O caminho de Los Angeles” (colocando-o à frente de um sem número de leituras atrasadas), e fiquei surpreso. Não achei que o livro fosse tão bom e tão agradável. E olha que ainda estou no começo.

Resolvi, então, fazer essa recomendação e deixar aqui um trechinho do livro.

Opa! Faltou eu dizer que Arturo Bandini é um descendente de italianos que mora nos Estados Unidos com a família e sonha em ser um escritor de sucesso. No romance “O caminho de Los Angeles” acompanhamos um Bandini extremamente ácido e sarcástico em suas andanças e vivências ainda no Colorado, antes de se mudar para a cidade dos anjos.

Peguei meu livro de Nietzsche debaixo do balcão e parti para a porta. Nietzsche! O que sabia ele sobre Friedrich Nietzsche? Embolou a nota de dez dólares e a jogou sobre mim.

- Seu salário de três dias, seu ladrão!

Encolhi os ombros. Nietzsche num lugar destes!

- Estou indo embora – falei. Não fique excitado.

- Saia daqui!

Estava a uns bons quinze metros de distância.

- Escute – falei. Estou vibrando por sair daqui. Estou cansado de sua baboseira, de sua hipocrisia elefantina. Queria abandonar este emprego absurdo já há uma semana. Portanto, vá direto para o inferno, seu carcamano de merda!

Parei de correr quando cheguei à biblioteca.