Archive for the ‘A vida como ela é’ Category

Entretantos no site da Bravo!

Thursday, April 8th, 2010

Acho que nem preciso dizer o quão orgulhoso estou, né?

A partir de hoje o Entretantos - ou ao menos a parte “cultural” dele - estará no site da revista Bravo!.

Isso significa que o Entretantos, que me acompanha há anos e já passou por dois endereços diferentes, ficará restrito a posts mais pessoais, ao aviso de eventuais publicações de textos meus por aí etc. Comentários sobre filmes, livros e música serão publicados no seguinte endereço:

http://bravonline.abril.com.br/blogs/entretantos/

Conto com a presença de vocês por lá e peço também que vocês me deem uma ajuda na divulgação do novo endereço.

Um abraço a todos!

Armando Nogueira

Monday, March 29th, 2010

Somente há alguns anos pude ter algum contato com o trabalho do jornalista Armando Nogueira, que faleceu hoje pela manhã. Na época tínhamos TV a cabo e eu acompanhava bastante o SporTV, canal no qual Nogueira volta e meia aparecia como convidado especial de algum programa, sempre em participações brilhantes.

Era enriquecedor vê-lo em ação. Não raro lembrava de alguma história futebolesca deliciosa, ou dalgum “causo” dos bastidores do jornalismo. Lembro dele contando histórias maravilhosas envolvendo Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende, por exemplo.

Fiquei tão admirado pelo Armando que fui procurar na internet algum livro dele, ou sobre ele, para ler. E cheguei a encontrar, mas acabei não comprando, sabe-se lá por quê. Pensei, ainda, em tentar contactá-lo, quem sabe conversar com ele por email, entrevistá-lo, conhecê-lo, escrever um perfil do grande Armando Nogueira. Mas as limitações geográficas e financeiras, que me impediriam de fazer o que eu realmente gostaria, que era conhecê-lo pessoalmente, acabaram por me fazer desistir até mesmo de tentar um contato virtual.

E hoje Armando Nogueira se foi. Com ele, boa parte da memória brasileira vai junto. A velha guarda vai indo embora, e infelizmente a juventude não está sabendo preservar o legado desses monstros que participaram de momentos decisivos da história do Brasil. Armando, por exemplo, eu li em algum lugar, desafiou a cúpula da rede Globo uma certa vez, o que acabou de custando, de certa forma, o emprego: foi afastado de suas funções e aposentado.

Um exemplo de seriedade e comprometimento difícil de encontrar hoje. Em qualquer lugar.

***

Uma bela entrevista com Armando Nogueira, no jornal Plástico Bolha, que descobri hoje.

***

Hoje seria postado aqui um texto de outro grande jornalista, o Humberto Werneck. Por motivos óbvios, o texto será postado amanhã.

Fiz um Tumblr

Sunday, March 28th, 2010

Acabei me rendendo ao Tumblr, depois de passar meses (ou anos, sei lá) ignorando a ferramenta.

Estou gostando bastante de lá. É bem mais simples e rápido de postar. Além do mais, estou adorando não precisar colocar títulos nos posts.

Este blog aqui deve começar a ter uma outra “cara”. A conferir.

Aí vai o endereço do meu Tumblr, que não é “entretantos” também por já ter alguém usando esse nome.

http://sobretudo.tumblr.com/

Ah, e só pra criar expectativa: amanhã vou reproduzir aqui um texto do jornalista e escritor Humberto Werneck.

Senna 50

Sunday, March 21st, 2010

Ayrton Senna da Silva, o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos - só aceito discutir isso se a outra opção for Juan Manuel Fangio -, faria hoje 50 anos se estivesse vivo. Estão sendo feitas uma série de homenagens ao Ayrton, tanto off quanto on-line. Uma delas é do Instituto Ayrton Senna, que colocou no ar o site Senna 50, que está dialogando com redes sociais - Twitter, Facebook etc. - e prestando uma bela homenagem.

Já falei sobre o Ayrton aqui no blog, por ocasião dos 15 anos do trágico acidente que tirou sua vida, em Ímola. Contei como foi minha reação ao acidente e tudo o que veio depois, naquele 1º de maio, mas não me ocorreu algo que pensei dias atrás: sou fã do Ayrton, ele é um dos meus ídolos, mas, apesar de ter sua biografia há anos, ainda não a li.

E daí que isso me levou a pensar na paradoxal relação que alguns de nós tem com seus ídolos, com as pessoas que admiramos de uma maneira exagerada, ou mesmo com as pessoas que amamos. Muitas vezes nós “ignoramos” os defeitos e erros dessas pessoas simplesmente porque nossa admiração por elas nos faz “relevar” até mesmo suas más atitudes. Preferimos até desconhecer certas coisas, para que não haja o risco de uma decepção - ou decepções - ir minando a admiração que temos por elas.

Não posso afirmar que seja exatamente isto o que me fez não ler ainda a biografia do Ayrton. Até porque não sei se é esse o caso. Que o Ayrton tinha seus defeitos, todo mundo sabe. Afinal, ele é humano. Mas se esses defeitos são tão grandes a ponto de fazer um fã incondicional “ignorar” a biografia dele, não sei dizer. Assim como a dele, não li a biografia de Nelson Rodrigues, outro que admiro demais, apesar de tê-la também há alguns anos. Mas tendo a achar que seja este o motivo: não querer pagar pra ver - no caso, ler pra saber.

Meses atrás, um amigo me confessou estar um tanto desapontado com certas descobertas que vinha fazendo, sobre pessoas que ele vinha pesquisando para uma biografia. Ele me disse que chegou num ponto em que não conseguia mais ir adiante. Decidiu interromper o projeto por algum tempo e depois retornar a ele. Complicado, não?

Acho que existe em nós a vontade de manter determinadas pessoas ou mesmo determinados acontecimentos numa espécie de redoma, longe de imperfeições. Algo ingênuo e ilusório, já que a realidade e os fatos sempre dão um jeito de se colocarem diante de nós.

A edição que tenho da biografia do Ayrton não me permite sair com ela em mãos. É um pouco grande, além de eu querer mantê-la bem conservada por um looongo tempo. Saiu recentemente uma edição “de bolso” dela. Acho que vou comprar, pra poder andar com o livro e, finalmente, me dedicar a lê-lo.

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É quase revoltante o fato de não haver no mercado um DVD sobre o Ayrton feito por brasileiros. A rede Globo tem um acervo incrível de imagens do Ayrton, tem acesso livre a pessoas que conviveram com ele, tem dinheiro de sobra pra fazer um DVD triplo, quádruplo, sei lá, uma caixa com 10 discos só de imagens, entrevistas, corridas marcantes etc., e, sabe-se lá por que, simplesmente não faz isso. Tem também a editora Globo, que poderia publicar um livro com imagens do Senna, depoimentos sobre ele, as frases dele, enfim, mas não o faz. Fico me perguntando o motivo, mas não consigo pensar em nenhuma resposta.

A única coisa que sei é que o Brasil esquece muito fácil de tudo o que deveria lembrar. É por isso que a política continua do jeito que está. Collor fez o que fez e foi eleito senador. Arruda fez o que fez e foi eleitor governador. É tudo muito triste.

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Mas ao menos no ano passado saíram dois livros legais sobre o Ayrton: Ayrton Senna - Esporte Com Arte 2010 e Ayrton Senna - Uma Lenda A Toda Velocidade. E dá pra encontrar pelo menos 1 DVD à venda: An Official Tribute to Ayrton Senna.

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Vejam também:

- Post de Rafael Lopes sobre Senna
- Homenagens a Senna se estenderão ao longo de 2010

Os primeiros livros de 2010

Wednesday, January 27th, 2010

Daqui a pouco janeiro termina. Aproveito essa proximidade com o fim do mês para fazer um pequeno post citando alguns dos livros que recebi este mês e minhas primeiras impressões sobre eles. Talvez passe a fazer isso no fim de cada mês. Talvez.

De Martí a Fidel - A Revolução Cubana e a América Latina“, de Luiz Alberto Moniz Bandeira - Há anos que tenho um grande interesse pela História de Cuba, apesar de ter o que poderia ser batizado de “trauma de Che”, de tanto ver militantes estudantis revoltatos e sem noção vestidos com aquela velha e manjada camisa com a foto de Che Guevara. Cuba certamente não se resume a Che, bem como nem apenas de estudantes revoltados e sem noção é feita a militância estudantil - mas é uma pena que, neste último caso, apenas os revoltados se destaquem, e é uma pena Che ser praticamente o único lembrado quando se fala de Cuba - além de Fidel, claro. É desses estigmas que quero escapar. Por isso o interesse na História cubana.

Três Tristes Tigres“, de Guillermo Cabrera Infante - Recebi um dia depois do “De Martí a Fidel”, mas acabei lendo primeiro. Quem me recomendou sua leitura foi o Humberto Werneck, com quem compartilhei meu interesse por Cuba. Ele de pronto citou Cabrera Infante e uma série de autores que anotei num bloquinho de papel que estava ao meu alcance na hora. “TTT” é um livraço. Em breve mais palavras minhas sobre ele.

Moça com chapéu de palha“, de Menalton Braff - Foi com alegria que recebi o novo romance de Menalton. Comecei a ler pouco depois que o recebi e estou adorando, como já disse num post e também no Digestivo. Em pouco tempo escreverei mais sobre ele.

Trilogia “O império das Formigas”, de Bernard Werber - Sempre tive muita curiosidade sobre as formigas. Me admiro muito com a organização delas, aquela coisa de andarem em fila e se cruzarem e se chocarem, e se juntarem para carregar uma folha… É fascinante, como diria @oclebermachado. Essa trilogia é composta por três romances: “As formigas”, “O dia das formigas” e “A revolução das formigas”. Foi publicada originalmente há mais de 10 anos, na França, e só em 2008 veio dar as caras por aqui. Bom, antes tarde do que nunca. Até porque, se tivesse vindo antes, talvez eu nem tomasse conhecimento dos livros. Bernard Werber passou 15 anos estudando formigas para escrever seus livros. Ou seja: o cara não está para brincadeira. Comecei a ler aqui, só por ler mesmo, as primeiras páginas do primeiro livro e fui lendo, lendo… cheguei à página 22. Ok, começa na 11, mas mesmo assim. Nem percebi que já tinham se passado mais de 10 páginas. Vou deixá-los bem pertinho de mim, para sempre que tiver uma folguinha, ler um pouco. Ah, e quem tiver curiosidade, aproveita: o box com os três livros está quase de graça no Submarino (até o momento em que publico este post, ele custa 59,90 e está com frete grátis).

Além desses, recebi um outro livro que está para ser publicado e, por conta disso, não posso citá-lo agora. Li seu primeiro capítulo e achei soberbo. Preparem seus bolsos: parece ser um livro daqueles: imperdível.

Outros que chegaram por aqui e me surpreenderam foram “Museu de tudo“, de João Cabral de Melo Neto (que eu sinceramente achei que não fosse gostar) e “O iconoclasta“, de Gregory Berns, de um novo selo da editora Record, o Best Business. Fiquei tentado a reproduzir, aqui no blog, um poema que integra “Museu de tudo”, mas prefiro deixar a dica do livro e sugerir que, se vocês puderem, o folheiem na livraria (não deixem de ler os poemas da página 52 e 61). Sobre “O iconoclasta”, fica uma definição da palavra que dá título ao livro, e que inclusive está na capa dele: “Pessoa incomum que interpreta a realidade de maneira distinta e faz o que o senso comum julga inalcançável”.

Os espiões“, de Luis Fernando Verissimo e “A lógica do cisne negro“, de Nassim Nicholas Taleb eu já queria faz tempo. A primeira frase de “Os espiões” é perfeita: “Formei-me em letras e na bebida busco esquecer”. Li muito o Luis Fernando anos atrás, vários livros de crônicas dele, e achei geniais os textos do Analista de Bagé. Deste romance eu li as primeiras páginas e gostei muito. Em breve me dedico a ele. Já “A lógica do cisne negro” talvez demore um pouco mais de ser lido - mas pretendo fazer isso ainda neste primeiro semestre, junto com “O iconoclasta”. O que mais me atraiu no livro de Taleb são as citações que ele faz a escritores como Dostoiévski, Nabokov, Buzzati e uma série de outros. Como é um livro que requer um pouco mais de atenção e método, deixarei para ler quando tiver com um pouco mais de tempo. E ultimamente tempo é algo que eu estou negociando feito o mais sovina dos pães-duros deste mundo.

Lembrando os velhos tempos

Tuesday, January 26th, 2010

(Na verdade, não tão velhos assim.)

Nas últimas semanas houve a necessidade de, no trabalho, eu passar algumas horas do expediente em outro setor. Minha tarefa é por demais simples, mas voltei a fazer algo que não fazia há tempos: preencher dados de pessoas. A ficha é pequena, mas deu pra ter saudade da época em que eu fazia cartões de crédito e volta e meia acabava de preencher a proposta com mais um “chapa” na vida.

Hoje tive contato com um paraibano de nascença, mas que cedo veio para a Bahia (lembrando que tenho família na Paraíba). Faz muito tempo que ele não vai lá e acabou me pedindo notícias de sua terra natal. Houvesse tempo, certamente ficaríamos conversando bastante. Uma pena a ficha a ser preenchida ser tão curta.

Outra conversa animada tive com uma senhora que, ao se despedir, me desejou tudo de bom e, mais ainda, um feliz matrimônio - dizendo que homem usando aliança é a coisa mais linda do mundo. Disse também que um presidente como o Lula a gente não vai ter nunca mais. Perguntei-lhe se ele estava mesmo cuidando direitinho de sua terra, ela respondeu que sim. Num gracejo, eu lhe disse: “e ele que não cuide, que vou lá brigar com ele”.

Todas essas pessoas que hoje atendi são gente simples, em sua maioria lavradores. Gente que tem muita história pra contar e, mesmo sem estudo, muita educação para dar de exemplo. E tudo isso me fez ficar com mais saudade ainda da “minha” terrinha no interior da Paraíba.

Uma semana cheia

Friday, January 22nd, 2010

Esta semana eu pretendia terminar de ler um livro para fazer um post sobre ele aqui no blog, pretendia reproduzir uma das matérias minhas que saíram na Conhecimento Prático Literatura e pretendia, também, postar uma resenha do romance de Edney Silvestre, “Se eu fechar os olhos agora”, que acabou não saindo inteira na Brasileiros.

Mas aí a semana virou de cabeça pra baixo e eu simplesmente não pude fazer nada. Em contrapartida, recebi uma notícia extremamente boa, mas que só poderei divulgar daqui a alguns meses, além de outras notícias boas que poderei compartilhar com vocês em pouco tempo.

Aliás, esse tem sido meu maior problema ultimamente: tempo. Mas é isso mesmo, não estou nem reclamando muito. Até porque, se as coisas acontecem de maneira muito fácil, a gente acaba não dando valor.

A próxima semana será também um tanto complicada e cheia. Só prevejo alguma tranquilidade no início de fevereiro. Portanto, se eu deixar o blog um pouco de lado, não estranhem. E só pra lembrar: estou, sempre que posso, no Twitter, cujas atualizações aparecem aí do lado também. Qualquer coisa, é só chamar lá.

Mapas no colégio

Monday, January 18th, 2010

Hoje, folheando o livro “Laertevisão“, que chegou aqui ontem, Cassia lembrou daqueles mapas que a gente decalcava na escola - “a gente”, no caso, eu, ela e, provavelmente, você que está lendo este post. Acho que em folhas de papel manteiga, não vou lembrar o nome correto agora.

E aí eu perguntei a ela - e também a mim mesmo: por que é que mandavam a gente fazer aquilo? Qual a importância daquele decalcar de mapas em nossas vidas, hoje? Geografia é um assunto importantíssimo, claro, mas pra quê aquele negócio de ficar copiando os mapas? Pra fixar em nossas cabeças que a Bahia fica acima da região Sudeste? Que Roraima, Amapá e Rondônia ficam lá em cima?

É uma pena eu não me lembrar agora, mas recentemente li um artigo ou entrevista de alguém dizendo que - ah, lembrei, foi o André Forastieri, texto indicado pelo Diogo Salles - a escola não nos ensina coisas práticas e importantes, como planejamento financeiro ou relacionamento interpessoal (que é algo que pode e deve ser ensinado, na minha opinião, dentro das aulas de Moral e Cívica, que deveria voltar a ser uma matéria obrigatória até pelo menos a oitava série - ou seja, até a última série antes de se começar o antigo ensino de segundo grau). Em vez disso, a escola nos ensina coisas que, no mais das vezes, só utilizamos para passar num vestibular.

E aí, quando chegamos na faculdade, a coisa se repete: grades curriculares enormes, que muitas vezes poderiam ser enxugadas em no mínimo 1 semestre, quiçá até 1 ano. Um curso de Letras como o que eu faço não tem razão de durar 4 anos. Não há, em momento algum do curso, uma bifurcação para você escolher entre linguística ou literatura. Tentam fazer uma grade equilibrada, mas no fim a literatura sempre sai deficiente. Peguei 4 Teoria da Literatura obrigatórias, e 1 optativa. Mas Língua Portuguesa são 8, sem contar a Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, exclusivamente para ensinar como se ensinar a LP. Já Metodologia para o Ensino de Literatura, não há.

Se fosse um curso de Russo, tudo bem. Aliás, 4 anos seria até pouco, coloca mais 1 aí na conta. Mas Letras Vernáculas?

Bom, melhor eu parar de escrever ou isto aqui vai virar um muro de lamentações.

***

Ah, sim: o “Laertevisão” é superdivertido. Não li todo, mas dei uma folheada e ri bastante com algumas tirinhas. Ele é em formato de álbum, capa dura, aquela folha meio de plástico - eu esqueço o nome certo das coisas, às vezes -, é bem legal mesmo.

Making of da resenha de Vidas Novas

Thursday, January 14th, 2010

É muito difícil eu recusar um trabalho. Ainda mais quando se trata de uma resenha de livro. Recentemente, o Daniel Lopes, do Amálgama, perguntou se eu não poderia resenhar um livro para o blog. Eu quase digo que não, mas aceitei porque, além de gostar do Daniel e do Amálgama, sou casca grossa. Só digo “não” quando realmente não tenho sequer como tentar executar a tarefa. Mesmo com muita coisa a fazer, escrevi a resenha que o Daniel pediu dentro do prazo que ele me deu.

Então, quando a Brasileiros me perguntou se eu poderia resenhar o “Vidas Novas“, de Ingo Schulze, eu não pensei duas vezes: mal li o release encaminhado e já fui logo dizendo sim.

Eu já conhecia o autor. Sabia que um ano antes havia sido publicado um livro dele aqui - “Celular“, de contos, também pela Cosac Naify -, mas não sabia do outro, “Historias simples Da Alemanha Oriental”, também de contos, publicado pela editora Lacerda. Cheguei a reservar “Celular” para mim, na livraria daqui, mas acabei não comprando. E acabei me arrependendo depois, porque procurei o livro para comprar, depois de saber que iria resenhar “Vidas Novas”, e não o encontrei.

(Uma curiosidade: apesar de “Celular” ter sido publicado aqui em 2008, “Vidas Novas” foi publicado antes dele, na Alemanha.)

Mas enfim. O caso é que aceitei a resenha e o livro nem publicado havia sido. Eu teria de lê-lo no computador. Quando abri o PDF, vi que o livro tinha 300 e tantas páginas. E pensei “ah, que moleza, leio num tapa”. O negócio é que, quando fui mesmo começar a ler - eu só tinha mesmo aberto o PDF pra ver quantas páginas tinha -, horas depois, percebi que, na verdade, o livro tinha quase 800. O Reader me enganou: realmente eram 300 e tantas “folhas”, mas em cada folha havia duas páginas do livro. “Tudo bem”, pensei, “não vamos nos desesperar. Dividindo a quantidade de páginas pela quantidade de dias que tenho até o deadline, são 70 páginas por dia”. Coloquei a faca nos dentes e fui pra cima do Schulze.

Mas aí aconteceram alguns imprevistos e a
conta acima precisou ser refeita. Ainda mais porque a data da viagem para São Paulo estava chegando. Das duas, uma: ou eu dava um jeito de ler o livro durante a viagem, ou eu teria de conseguir uma extensão do deadline. Mas eu detesto pedir extensão de deadline. Às vezes não tem outra saída e tenho de pedir, mas não gosto de fazer isso.

Então tentei, primeiro, ver se meu celular aceitava PDFs. Procurei aplicativos que permitissem abrir PDFs no aparelho, cheguei a baixar dois, mas não deu certo. Na verdade, se bem me lembro, os programas valiam para outro modelo da LG, não para o meu. Mas como estava meio desesperado, tentei colocar o aplicativo na marra hehe

Pensei então em comprar um tablet da Nokia que eu vinha namorando há algum tempo, mas do qual havia perdido o interesse por conta de ele não servir como telefone. Eu não tinha dinheiro para comprá-lo, iria gastar durante a viagem, mas não tinha mais como desistir da resenha - além do mais, como eu disse, sou casca grossa. Eu não iria desistir da resenha.

Como diz uma letra do Renato Russo - acho -, quem espera sempre alcança (eu prefiro a minha versão dela, “quem espera nada alcança”, mas tudo bem). O fato é que, dias depois, milagrosamente o monitor do PC do meu irmão queimou, foi pro espaço, e imediatamente pensei: “ele pode ficar com o meu monitor, eu compro um notebook, levo pra Sampa e posso ler o livro durante a viagem. Rafael, você é um gênio!”. A coisa não foi tão simples assim, mas acabou acontecendo, e comprei o netbook que agora é meu parceirão de trabalho.

Li o livro na ida, li o livro na pousada - e quase me tranco no banheiro com o netbook, para não incomodar o sono de Cassia; afinal, a luz tinha que ficar acesa, mas ela não me deixou ler no banheiro -, li o livro no metrô - já com ele em papel, depois de pegar meu exemplar na sede da Brasileiros. Na volta, ainda no avião, arquitetei a resenha, e voltando de Salvador pra cá, no carro da empresa de traslado, escrevi o texto, no Moleskine.

Tive um lampejo que, no momento, achei ser o ideal: fazer a resenha em forma de carta, me dirigindo aos leitores da revista. Ia ser assim, mas depois os editores acharam que o formato de carta ficou ingênuo demais - e realmente ficou. Sem contar que toda a coisa da carta me obrigava a deixar de lado informações essenciais sobre o livro. É que eu começava dizendo:

“Há quanto tempo você não recebe ou envia uma carta? Sim, uma escrita à mão, envelopada e enviada pelo correio? Imagino que isso não aconteça há muito tempo. Nesses dias de internet, os e-mails substituíram as missivas, e hoje digitamos apressados mensagens que serão lidas de maneira ainda mais apressada e respondidas de forma ainda mais… “. Aí, no final, eu me despedia, dizendo que ia colocar a carta no correio etc. Ou seja: pelo menos dois parágrafos de blablablá.

Já em casa, refiz o texto inteiro, com um cuidado danado (detalhe: antes de tudo isso, até o Marcelo Backes, tradutor do livro, eu consultei, por email), de modo que não ficasse um texto com muitos detalhes, mas que também não ficasse muito preso ao aspecto histórico dele; ou seja, que abordasse também, e de forma equivalente, a questão inventiva - ou, melhor dizendo, literária - da obra. Tentei balancear isso porque o livro é tão importante em relação a seu valor histórico, por retratar um período tão sombrio da Alemanha, quanto em relação a seu valor ficcional e sua forma, por nos apresentar um personagem tão complexo como é o protagonista, num formato “antigo” e hoje tão pouco utilizado, que é o das cartas. A versão final da resenha está lá, na Brasileiros deste mês, ocupando duas páginas da revista.

“Vidas Novas” é mesmo um livro diferenciado. Tanto que até a leitura dele - e o desenvolver de uma resenha sobre ele, no meu caso - rende um texto. Como digo na resenha, já há quem o considere um clássico, uma obra-prima. Estou com eles e não abro.

P.S.: Esta capa listradinha na verdade não é a capa do livro, mas sim a sobrecapa. A capa é cor de abóbora, lindíssima.

Eu na Brasileiros de janeiro

Wednesday, January 13th, 2010

Já pode ser lida no site da revista Brasileiros a minha resenha do romanção “Vidas Novas”, de Ingo Schulze, que figura na edição deste mês de janeiro - cuja capa está uma beleza de tão linda. Hoje estou passando aqui apenas para deixar o link para o texto; amanhã pretendo postar aqui uma espécie de “making of” dele, por sugestão de Cassia, já que esta resenha, nas palavras dela, foi escrita “em circunstâncias inimagináveis”