Archive for the ‘A vida como ela é’ Category

A palavra é…: respeito

Tuesday, January 12th, 2010

Quem escreve – tanto faz se em um grande jornal ou se em um blog pouco acessado –, precisa estar preparado para qualquer tipo de reação do leitor, seja ela um elogio ou uma crítica. Elogios, quando em demasia, podem ser prejudiciais, pois o autor corre o risco de se deixar levar por eles e achar que chegou a seu ápice criativo – ou à unanimidade. As críticas, quando construtivas, devem ser levadas em conta, porque ninguém é perfeito e quem escreve sabe que sempre há o que ser melhorado. Quando são destrutivas, devem ser ignoradas: não vale a pena perder tempo com esse tipo de crítica, porque muitas vezes são feitas por pessoas movidas pela inveja ou pelo simples prazer de destratar os outros.

Com a minha penúltima coluna publicada no Digestivo, tive a intenção de mostrar como certas pessoas parecem sair de casa e irem a lojas apenas para destratar um funcionário, descarregando suas angústias e frustrações em cima de algum pobre inocente. Mas a maioria dos comentários que ela gerou foi ocasionada por conta de um detalhe, na minha opinião, ridículo e irrelevante: o fato de alguns livros da livraria serem lacrados.

Eu até esperava alguns comentários revoltados, mas não a respeito dos livros lacrados, e sim a respeito dos “elogios” que fiz ao protagonista do texto – afinal, eu o chamo de “idiota” e “imbecil”. E eis que justamente o fato mais bobo do texto se tornou pivô de comentários emocionados, pessoas defendendo os livros lacrados, como se eles estivessem sendo sufocados pelos plásticos que os revestem. Pior: como se eu tivesse dito que todos os livros da livraria estavam lacrados.

***

Por mais de quatro anos trabalhei num shopping aqui na cidade. Primeiro, trabalhei numa loja de departamentos; depois, numa empresa de cartão de crédito, cujo atendimento fica dentro de um hipermercado; e, por último, na livraria. Gostei de trabalhar em todos esses lugares, mas algo que sempre me incomodava era a ignorância de certas pessoas – na maioria dos casos, pessoas de muitas posses e diplomas.

Essa gente pensa que vendedores ou atendentes de lojas, principalmente se trabalham em shoppings, não estudam ou não têm perspectiva alguma de vida. Esquecem-se de que vendedores e atendentes trabalham para pagar os custos de suas faculdades, que muitas vezes são cursadas com muito sacrifício, ou para garantir o sustento de sua casa, ou de seus filhos. Pensam que vendedores e atendentes são máquinas que devem fazer todas as suas vontades.

Tais fatos ocorrem porque o brasileiro tem na mente aquela frase cujo autor é, com certeza, um mentecapto: “o cliente tem sempre razão”. É óbvio que as empresas fazem de tudo para agradar aos clientes, mas nem sempre eles têm razão. Certa feita, um desses mentecaptos apareceu, imediatamente depois da micareta aqui da cidade, para trocar um sapato furado, que ele comprara poucas semanas antes. Avaliamos o calçado e chegamos à conclusão de que o indivíduo havia furado o sapato em suas estripulias na avenida, como ele mesmo admitiu ao fim de toda a discussão. Mas, até ele perceber que não iríamos mesmo fazer a troca, sustentou a versão de que o sapato havia “furado sozinho”.

Na livraria, lembro de uma vez em que uma garota me perguntou sobre um livro de Direito. Ela queria que eu lhe indicasse um livro sobre determinado assunto, e que ele fosse de fácil compreensão. Lhe informei que não entendo nada do assunto e perguntei se ela não tinha algo mais específico, uma indicação de autor, por exemplo. Ela respondeu que não, e disse algo do tipo “Mas como você não sabe? Você não trabalha aqui?”. Ou seja: eu, como atendente de livraria, deveria ser um profundo conhecedor de Direito. Isso, aliás, era muito comum acontecer lá: o cliente chegar na livraria sem saber exatamente o que quer e nós termos que nos virar para descobrir. Em certos casos, não há nada de mais, como uma vez em que até nos divertimos tentando descobrir um livro de capa vermelha que o cliente tinha visto na vitrine não se sabe quando. Mas volta e meia apareciam professores universitários querendo que nós indicássemos livros técnicos para eles, sendo que eles é que deveriam saber o que exatamente estavam procurando.

Me prolonguei falando sobre o que os atendentes e vendedores passam mas não esqueci da questão dos livros lacrados. Deixei para o final porque minhas palavras sobre o assunto serão poucas, somente à guisa de esclarecimento: ao contrário do que muita gente parece ter pensado, não sou a favor de livros lacrados, e muito menos todos os livros da livraria na qual trabalhei são lacrados. Alguns livros, isto sim, são lacrados, por simples questão de preservação deles, ou por eles terem chegado lacrados na livraria. Às vezes acontecia de haver um único exemplar de determinado título e de ele estar lacrado, mas abri-lo era só uma questão de o cliente solicitar a qualquer vendedor. Quando há educação e respeito, tudo se torna mais fácil.

Aliás, esta é a palavra-chave daquele texto – e deste também: respeito. As pessoas hoje não se respeitam mais. Recentemente, no dia 24 de dezembro, fui a um hipermercado com dois amigos. Ao adentrarmos o estacionamento, presenciamos uma discussão breve porém áspera entre dois motoristas. Apressado que estava, um deles não percebeu que o outro tinha um obstáculo à sua frente – não lembro se um carrinho de supermercado ou mesmo se um terceiro automóvel – e não podia seguir adiante até o obstáculo sair do caminho. O que estava atrás começou a gritar e xingar o que estava à frente, que por sua vez se irritou e mandou o que estava atrás “passar por cima”. Como disse, era véspera de Natal. Discussões como essas estão cada vez mais terminando em tragédias, e comentamos entre nós que, se um deles tivesse uma arma escondida no carro, é muito provável que suas respectivas famílias tivessem um Natal nada agradável.

Parece que, tanto na internet quanto no dia a dia, as pessoas têm cada vez menos respeito em relação ao próximo. Se respeitássemos mais uns aos outros, se tentássemos compreender e entender melhor a situação do outro, se nos colocássemos no lugar do outro, o mundo seria bem melhor. Mas, claro, fazer tudo isso dá muito trabalho, e ninguém tem tempo nem cabeça pra essas coisas, não é mesmo?

Aconteceu de novo

Monday, January 11th, 2010

Fui descoberto mais uma vez. Hoje, no trabalho, uma garota me perguntou se não sou eu que tem um blog. Desconfiado e tímido que sou, respondi que “depende”. Só admiti ser o autor dos posts deste blog depois de ela explicar a coisa toda: ela é amiga da Amábile, que em 2008 me interpelou na livraria, quando eu lá trabalhava.

Nessas horas eu sempre fico sem graça e tento desconversar. Tudo bem que tenho blog, Twitter, Orkut, Facebook, minha foto está no Twitter e tudo, mas sempre preferi ficar nos bastidores, escondido atrás de minhas palavras. Sei que é algo que preciso mudar, afinal, se quero um dia publicar um livro e ter uma boa carreira de escritor, precisarei mostrar minha cara por aí. Estou tentando deixar de lado essa timidez, muito embora não seja fácil. Espero que, aos poucos, isso vá passando.

Estou até pensando em fazer uns videoposts, via Twitcam. Alguém teria alguma coisa contra ou sugestão a fazer?

Matéria sobre Fernando Sabino

Friday, January 8th, 2010

Foi publicada, na revista Conhecimento Prático Literatura nº 27, uma matéria minha sobre Fernando Sabino. Coloquei alguns trechos dela no A Falta Que Ele Faz. Quem quiser ler, é só ir lá!

A matéria não está disponível no site da revista. Entonces, quem quiser ler, vai ter que comprar. Mas pô, comprem! Tá bem legal a revista, e minha matéria ficou bem boa, modéstia à parte ;)

A turma do fundão (do ônibus)

Thursday, January 7th, 2010

Voltei a trabalhar aqui na cidade hoje. Ou seja: voltei a pegar ônibus.

E justo hoje, um calor dos diabos, ele demorou de passar e, quando chegou, estava cheio. Tanto que fiquei do lado de cá da catraca, esperando o pessoal se organizar do outro lado. Mas não se organizaram e tampouco se comoviam com o fato de eu estar do lado de cá, doido para passar pro lado de lá - da catraca, que fique bem claro.

Mas abriu uma brechinha e acabei passando. Fiquei num aperto danado, mas fui para o lado de lá da catraca. O problema é que ficar em pé num ônibus lotado é sempre um problema, tanto na frente quanto no verso. No caso dos homens do sexo masculino, há dois perigos: ou fica-se quase encostado nas partes baixas traseiras de alguém - um perigo enorme, no caso de esse alguém ser mulher (corre-se o risco de apanhar), e um perigo maior ainda, se o alguém for um homem do sexo feminino (corre-se o risco de o indivíduo gostar da situação); ou fica-se postado de costas na frente de um homem do sexo masculino (graças a Deus, nunca passei por isso).

E lá estava eu, cercado de mulheres, sem ter pra onde ir. Em outros tempos, em uma outra situação e em um outro lugar, isso seria uma maravilha. Mas era um ônibus, sou noivo e esse negócio de escândalos por causa de assédio sexual virou moda de uns tempos pra cá. Eu realmente fico preocupado.

Com algum esforço, dei um jeito de me postar entre duas mulheres - ser magro tem suas vantagens. Enquanto esperava pacientemente o ponto de minha descida, olhava para fora do ônibus, vendo as coisas passar. Mas pouco depois mais gente entrou no ônibus, ninguém desceu e quem entrou queria passar pro lado (agora) de cá da catraca.

(cá da catraca - cá da catraca - cada catraca - cadacatra ca)

Se a situação já não era boa, ficou ainda pior. Resolvi verificar se o pessoal lá de trás estava cooperando, porque às vezes o pessoal do fundão não ajuda - vide as salas de aula. E aí foi que vi: além de os companheiros do fundão não se apertarem lá atrás, ainda por cima deixavam pelo menos um assento vago. Sim, um assento vago, livre, sem ninguém sentado nele.

Fico me perguntando o que leva uma pessoa em sã consciência, num ônibus lotado, não sentar em uma cadeira vaga. Certo, olhei de longe. Mas quais seriam as probabilidades de ter, sei lá, vômito no assento? Era um banco com dois lugares, e um estava preenchido. Ou seja: duvido que houvesse algo impedindo que alguém majestosamente repousasse seu rotundo traseiro naquele assento.

Enfim. Coisas que nem Freud explica.

Parceria com o grupo Ediouro

Thursday, January 7th, 2010

Coloquei uma nova “caixinha” na barra de menu aí do lado, com as marcas das editoras Agir, Ediouro e Nova Fronteira, pertencentes ao grupo Ediouro. Este blog agora é um “parceiro” do grupo, no sentido de que o Entretantos eventualmente participará de ações de divulgação de determinados livros da editora. Simplificando: haverá a possibilidade de eu receber o título para resenhá-lo aqui no blog. A resenha não deve ser, óbvio, favorável ao livro. A única “obrigação” minha seria justamente escrever um post sobre ele.

Alguém pode perguntar: “Mas Rafael, você sempre resenhou livros e nunca fez parceria com editora nenhuma, por que isso agora?”. Respondo: o fator Rubem Fonseca pesou bastante. Tenho a esperança de que a Agir faça ações com as reedições dos livros dele, e eu adoraria recebê-los e resenhá-los. Outro fator é que finalmente serei “obrigado” a publicar resenhas inéditas com alguma regularidade aqui no blog - se bem que ainda não sei qual será a frequência, não recebi livro nenhum ainda, e nem sei quando receberei. Por fim, acho que chegou a hora este blog ter uma maior responsabilidade, digamos assim. Traduzindo: postar menos bobagem, escrever mais sobre coisas úteis e pertinentes.

Enfim, só queria mesmo compartilhar isso com vocês. Espero que a parceria seja duradoura e satisfatória. E espero que mais editoras façam isso. É uma proposta/atitude bem interessante.

Notebook, netbook ou tablet?

Monday, January 4th, 2010

Me fiz essa pergunta meses atrás, depois de ver a entrevista que o Jorge Pontual fez com o Andrew Keen - e vice-versa, já que o Andrew fez uma pequena entrevista com o Jorge também, filmada através de seu iPhone.

Keen falou tão bem do iPhone que eu fiquei doido pra ter um. Fui pesquisar e vi que o aparelho foge - e muito - das minhas possibilidades. Porque para ter um iPhone você não pode “apenas” comprar ele, mas também aderir a um plano de conta que tem um valor, no mínimo, salgado.

Na época eu não ia comprar nada, nem poderia comprar tão cedo. Pensava em comprar algo somente no meio de 2010, e olhe lá. Mas foi bom ter pesquisado um pouco sobre Netbooks e Tablets. Li uma série de textos sobre o assunto em vários sites - se quiser fazer o mesmo, basta usar o Google - mas não cheguei a conclusão alguma. Primeiro porque precisaria ver tanto um Netbook quanto um Tablet ao vivo.

Por que foi bom ter pesquisado meses atrás? Simples: mês passado o monitor do meu irmão pifou e teríamos de comprar outro com urgência. Como estava se aproximando a data de nossa - minha e de Cassia - viagem para São Paulo, propus o seguinte aos meus velhos: meu irmão ficaria com meu monitor e, em vez de comprar um novo, compraríamos um Netbook para mim, assim eu poderia levá-lo comigo na viagem e não precisar pagar exorbitantes 10 reais por uma hora de acesso à internet - valor que paguei no Formule 1 quando fui a Minas. Nem ficar enchendo o saco de Cassia para procurarmos uma lan house perto da pousada em Sampa.

Quando fomos à Paraíba, em 2008, foi isso que aconteceu. Eu tinha que passar pelo menos uma hora por dia na lan house - isso quando eu não resolvia passar uma hora pela manhã e meia-hora à tarde. (AVISO: não sei se o hífen de meia-hora está correto.) Ela dizia que não, até ficava na internet também, mas eu sei que é um saco. Certo, não é nada agradável você sair de férias com seu/sua noivo/noiva e ele/ela ficar na internet enquanto você tenta dormir com a luz acesa. Mas ao menos a encheção de saco de ir à lan house é eliminada.

Enfim. Fomos, meu pai e eu, dar uma olhada nos Net e nos Notebooks. Ele não gostou dos Nets porque são bem pequeninos. Telas de no máximo 11 polegadas, configurações bem modestas etc. Já eu não gostei dos Notes por causa dos preços, bem maiores, e por causa do tamanho. Eu queria algo mais discreto que um Notebook, por isso pensei até mesmo num Tablet. Mas o problema é que um Tablet completo, que sirva também como celular e que tenha uma boa configuração, é mais caro que um Notebook. Se eu pudesse ter, além do Netbook um Tablet, tudo bem. Mas, entre um e outro, melhor o Net.

Sim, porque acabei me decidindo por um Netbook. Meu irmão ajudou a escolher. Quando já estávamos desistindo da compra, porque meu pai e eu não chegamos a um consenso, meu irmão e eu vimos outros Nets que não tínhamos visto - o único que havíamos visto era um Positivo. Entre um Lg, um Asus e um Acer, fiquei com o Acer. O que mais me deixou bobo foi o tamanho. É realmente pequenininho, leve, dá pra colocar na mochila tranquilamente. Óbvio que, para quem trabalha com computador - é este o meu caso - o Netbook não é exatamente a melhor escolha - no caso de você estar comprando A máquina que você vai usar sempre. Porque a tela é pequena, não tem drive de CD, enfim, é um tanto limitado. Para deixar mais claro: NÃO é recomendável fazer o que eu fiz, que foi trocar um PC por um Netbook.

Mas como aqui em casa há outro PC e meu pai tem um Note, posso utilizar um ou outro quando necessário. Até agora - em breve faz 1 mês que estou usando o Net -, ele tem me servido muito bem - ainda não precisei usar a máquina de ninguém aqui. Há até uma vantagem: como a tela é menor, meus olhos se cansam um pouco mais rápido que no monitor de 15 polegadas que eu tinha, e isso me faz não ir dormir muito tarde. Me faz também levantar mais vezes para descansar ou tomar uma água. Ao menos durante esses dias em que estou de férias do trabalho aqui da cidade. Vamos ver como isso vai ficar depois que voltar a trabalhar.

A configuração deste é bem boa. Melhor que a do meu PC, aliás. Ele tem 1 GB de RAM, HD de 160 GB e processador Intel Atom de 1.66 GHz e já vem com o Windows XP Home Edition instalado, além de uma versão trial do Office 2007. Estou adorando. Mas isso porque meu PC não era lá grande coisa. Tinha, a rigor, 480 MB de RAM, porque 32 MB era da placa de vídeo.

O maior problema do Netbook é quando você abre um site em Flash ou um vídeo, por exemplo. Como a tela é pequena, você precisa ou enquadrar direitinho a caixa de vídeo, ou assistir o vídeo em tela cheia, porque às vezes não dá pra enquadrar na tela. No caso dos sites em Flash - aliás, não apenas sites em Flash; acabei de lembrar que, para navegar em certas páginas, eu preciso colocar o navegador em tela cheia (F11) - alguns itens ficam “invisíveis”, daí a necessidade de se colocar em tela cheia.

Antes de fazer a compra, é bom, além de pesquisar na internet, consultar amigos ou pessoas que entendam melhor do assunto. No meu caso, tive a sorte de contar com esclarecimentos do Barbão e do Inagaki - o primeiro usa e abusa de Notes e Netbooks; o segundo também, além de entender muito de Gadgets.

Obrigado, 2009

Thursday, December 31st, 2009

Este foi, sem sombra de dúvida, o meu ano mais produtivo. Não vou fazer as contas agora, mas com certeza foi um dos anos que mais colunas escrevi para o Digestivo - acho que as minhas melhores colunas de todos os tempos foram escritas nos últimos meses -, e foi o ano em que escrevi mais resenhas.

Além disso, foi o ano em que tive mais textos publicados em veículos impressos. Tive artigos, resenhas e matérias publicadas nas revistas Conhecimento Prático Filosofia, Brasileiros e Conhecimento Prático Literatura, e no Suplemento Literário de Minas Gerais.

Foi, também, o ano em que fui a Ouro Preto cobrir o Fórum das Letras de Ouro Preto, para o site da Brasileiros. Lá, conheci pessoalmente os jornalistas e escritores Jaime Prado Gouvêa - a quem entrevistei para o Digestivo -, Humberto Werneck - que revi em São Paulo recentemente -, e Edney Silvestre - a quem entrevistei para a Brasileiros.

2009 foi o ano em que revi os amigos do Digestivo e conheci também amigos do Digestivo que anda não conhecia pessoalmente. Foi o ano em que Cassia defendeu sua monografia e se formou com louvor, em Pedagogia. Foi o ano em que fomos a São Paulo e meio que decidimos quais serão nossos próximos passos.

2009 não foi, é claro, um ano perfeito. Houve problemas aos montes, os quais não vale a pena relatar aqui - até porque são apenas da minha conta, não da de vocês hehe -, mas com certeza foi o meu melhor ano, profissionalmente falando - ao menos até aqui.

Por isso, há muito o que comemorar e agradecer. E há também uma maior gana e responsabilidade para 2010. Porque se em 2009 houve muito trabalho e muitos obstáculos, 2010 promete a mesma quantidade de tudo, ou até mais.

Então, meus amigos, é isso. Um Feliz Ano Novo a todos vocês. Se 2009 foi bom, façam 2010 ser ainda melhor. Se não foi, não se esqueçam do clichê: ano novo, vida nova. É lugar-comum, mas acreditem: sempre é tempo de mudar, dar a volta por cima, começar de novo.

***

“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.” (Fernando Sabino, em “O encontro marcado”.)

Mais detalhes sobre a viagem

Thursday, December 31st, 2009

Caramba, como pude esquecer! Não falei dos livros que trouxe de Sampa!

Viajei com a consciência de que não iria comprar nada. Ou, se fosse comprar, que fosse muito pouco. Antes de viajar eu tinha enviado um email para o Julio, pedindo pra ele levar um livro para o encontro do Digestivo, porque eu queria trazer o livro pra cá porque, teoricamente, eu teria tempo de ler etc.

Ele disse que não ia levar porque ia me mandar depois ele e uns outros. E eu pensei que seria melhor mesmo, assim não voltava com mais peso pra casa.

O negócio foi que, ao chegar no encontro, o Julio disse: “Rafa, trouxe uma caixa pra você, mas aí você vai ter que se virar pra levar no avião”. Eu pensei que fosse brincadeira, mas aí ele apontou pra baixo e lá estava a caixa, recheada de livros. E eu fiquei pensando: “putz! como é que vou levar isso pra casa?”.

No mesmo encontro, a Elisa Andrade Buzzo, colunista do Digestivo, me presenteou com um livro também: um conto de Machado de Assis, “Terpsícore“, publicado pela Boitempo Editorial em 1996. E agora me dou conta de que a Elisa não fez dedicatória. Fiquei tão surpreso com a presença dela que acabei esquecendo de ver isso na hora.

Engraçado foi chegar na pousada com a caixa de livros. O cara da recepção deve ter imaginado zilhões de coisas. “Será uma bomba aí dentro? Um animal em extinção? Armas? Drogas?”

No dia seguinte, fomos à Livraria Cultura duas vezes. Não lembro se já nesse dia compramos algo. Acho que não, eu estava tentando me controlar. Além disso, foi nesse dia que fomos à Brasileiros, e voltei de lá com a edição de dezembro em mãos - detalhe: nem nas bancas de São Paulo ela estava à venda, ainda - e com o romace “Vidas novas“, de Ingo Schulze, que será resenhado por mim na revista.

(Ah, perainda! Eu anotei as datas nos livros.)

No dia 11, sexta-feira, mesmo dia da visita à Brasileiros, comprei o livro “The dumbest generation“, de Mark Bauerlain. É, comprei no original, mesmo sem ter inglês fluente. Fiquei entre comprar ele e uma coletânea da Dorothy Parker, também em inglês, mas resolvi deixar a Dorothy para depois. Se não leio fluentemente em inglês, por que o comprei, então? Simples: porque quero muito lê-lo e as editoras aqui parece que tão cedo não o traduzem. Além disso, talvez seja uma boa maneira de melhorar nem que seja um pouquinho meu inglês.

No dia 12, sábado, completamos 5 anos de relacionamento. Foi, portanto, um dia especial. Não perfeito, porque algumas coisas não deram certo, mas foi um dia especial. Neste dia, comprei a biografia de Clarice Lispector (”Clarice,“) para Cassia. Ela me deu uma camisa, a qual devo vestir hoje, na virada do ano.

No dia 13, domingo, um vacilo: vi o cd do Them Crooked Vultures na Nobel de um shopping que fomos com Fabiana e Romulo, mas não comprei porque iríamos passar na Cultura e imaginei que fosse encontrar o disco lá. Vacilo enorme, até porque o preço da Nobel estava bem em conta. Mas tudo bem, aguento mais algum tempo sem o cd original. Como nossa partida seria no dia seguinte, queria comprar algo bem legal na Cultura, antes de irmos embora. Acabei comprando a revista Serrote nº 1 e “O imitador de vozes“, de Thomas Bernhard, porque o Julio fala tão bem do autor que eu fiquei curioso em lê-lo.

Sobre a caixa, que estava um pouco pesada (acho que tinham uns 13 livros dentro dela, ou mais, e alguns volumosos), a solução encontrada foi: colocar metade dos livros na mala e, no lugar deles, algumas roupas. Dessa forma a caixa ficaria mais leve e eu poderia levá-la como bagagem de mão.

Além do cd do Them Crooked Vultures, ficou pendente meu Moleskine de jornalista, que quero comprar para carregar quando sair - o tradicional, em formato de caderno normal, quero deixar pra escrever em casa - e o disco de uma garota que descobrimos no táxi que pegamos do aeroporto de Congonhas para a pousada: Anna Luisa. Ouvimos, no caminho, sua interpretação de “Cachaça mecânica”, música composta pelo tremendão Erasmo Carlos - engraçado: a autobiografia dele foi um dos livros que o Julio colocou na caixa. Adoramos a música e procuramos o disco dela na Cultura e na Nobel, mas não encontramos. Cassia também não conseguiu encontrar a agenda que queria, mas acabou encontrando aqui na cidade.

E agora acho que foi.

Detalhes da viagem

Wednesday, December 30th, 2009

Este post é só mesmo para complementar a coluna do Digestivo. Porque algumas coisas são pessoais demais para serem ditas na coluna, e talvez não fariam sentido para os leitores do site.

Sobre o metrô, por exemplo. Cassia e eu ficamos boquiabertos ao ver como o metrô é importante para a cidade, e também muito simples de se andar. Não pegamos ele e horário de pico, então não chegamos a passar aperto lá, mas a impressão que tivemos dele é que, se você tiver atenção e não der muito vacilo, é supertranquilo andar de metrô. Ainda mais porque Cassia fez todos os nossos roteiros através do Google Maps - dica do Barbão, que também nos deu vários macetes do metrô.

Desta vez a viagem foi mais tranquila no aspecto “trabalho virtual”, digamos assim. Quando fomos à Paraíba, ano passado, por mais que eu tivesse deixado boa parte do trabalho do Digestivo adiantado, sempre precisava consultar emails ou verificar alguma coisa do site. Desta vez, levei meu netbook, que havia comprado justamente no dia anterior ao nosso embarque. Uma dívida que não poderia ser feita, mas as circunstâncias a fizeram necessária. Para acessar a internet eu dependia do wi-fi de onde estivesse, porque não tenho ainda cacife para bancar uma conexão 3G. Nos aeroportos de Salvador e São Paulo não há wi-fi gratuito, você precisa ou comprar um cartão de acesso com determinado tempo de conexão - que, em Guarulhos, custa os olhos da cara, 1 hora é 18 reais, se não me engano -, ou consumir algo em algum local que tenha conexão wi-fi disponível para clientes. Em Salvador tomamos um café num lugar que não lembro o nome e usamos a conexão deles. Em Sampa não foi necessário, mas descobrimos que o McDonald’s tem esse “brinde” para quem come lá.

Mas não foi uma viagem tranquila no que diz respeito a tempo. Tínhamos apenas 4 dias para aproveitar uma cidade que é impossível de ser aproveitada mesmo que você passe toda a sua vida morando nela. Claro que sabíamos que não haveria como fazer muita coisa, e por isso selecionamos bem o que iriamos fazer. Mas ainda assim algumas coisas ficaram para uma próxima visita, como ir ao MASP ou à Casa das Rosas, por exemplo.

Uma das coisas que fizemos em Sampa foi ir à redação da revista Brasileiros. A relação que tenho com o pessoal da revista, contato que começou este ano, é tão boa que eu fiquei maravilhado. Queria muito ir lá, agradecer pessoalmente pelas oportunidades e tal. E foi o que fizemos.

Conhecemos, também, uma agente literária, a Marisa Moura, da Página da Cultura, a quem conheci totalmente por acaso, na internet. Conversamos sobre mercado editorial, novos autores, sobre as agências literárias, sobre Twitter, enfim, uma porção de coisas. Daqui pra 2011 convenço ela a ser minha agente.

Passamos uma tarde quase inteira com o Humberto Werneck, que fez as vezes de guia turístico por um bom pedaço da avenida Paulista. Conversamos um bocado, rimos bastante. O Humberto é uma figuraça.

Fomos várias vezes à Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Se ela já era enorme, quando fui lá em 2007, agora é maior ainda, por conta das lojas exclusivas que foram abertas depois, do Instituto Moreira Salles, da Companhia das Letras e da Record. Não sei se terei a oportunidade, mas adoraria trabalhar um bom par de anos lá.

No nosso penúltimo dia em Sampa - ou último, já que o dia seguinte serviu apenas para voltarmos -, fomos conhecer uma amiga de Cassia, a Fabiana, até então uma amizade virtual. Almoçamos na casa dela e depois fomos a um shopping, com ela e o namorado, o Romulo, que é uma figuraça. É uma pena não morarmos na mesma cidade, porque, se morássemos, seriam companhia sempre bem-vinda.

E acho que é só. Se eu não postar nada amanhã, Feliz Ano Novo pra vocês!

***

P.S.: Ficamos hospedados na Pousada Valparaíso, que faço questão de citar, lincar e recomendar. Já fiz isso na coluna, mas repito a menção aqui no blog.

Quatro dias em São Paulo

Tuesday, December 29th, 2009

É o título de minha coluna de hoje, no Digestivo. Como diz o título, é sobre a viagem que recentemente fizemos. Entre hoje e amanhã escrevo aqui no blog mais algumas coisas sobre ela. Enquanto isso, confiram a coluna!