Archive for the ‘Filmes’ Category

Eu te amo, cara

Tuesday, February 16th, 2010

Gosto de comédias românticas. Na verdade, gosto de comédias de um modo geral. Algumas românticas são bem bobinhas, mas outras são realmente muito boas. “Um lugar chamado Notting Hill”, por exemplo. É um filmaço. Ou “Os queridinhos da América”, que é bem legal. Deixe-me ver outro… Bom, de cabeça agora não lembro, mas tem mais.

Nos últimos tempos não tenho visto mais filmes desse gênero porque as últimas que vi por aí não me atraíram. “A proposta”, com Sandra Bullock, por exemplo, que fez o maior sucesso, não criei coragem ainda para ver. Até porque o par dela no filme, Ryan Reynolds, é quem vai dar vida ao Lanterna Verde no cinema. Aí fico receoso de ir ver o Lanterna e ficar lembrando dele com a Bullock em alguma cena engraçada. Isso me faria rir no meio do filme do grande Lanterna Verde, o maior de todos os super-heróis, e isso não seria nada legal.

Enfim. Semanas atrás vi o trailer de “Eu te amo, cara”, acho que no DVD de “G.I. Joe”, e fiquei interessado em ver o filme. Que chegou na locadora daqui de perto semana retrasada. Com esses dias de carnaval, acabei alugando o filme para assistir, o que aconteceu ontem.

O legal de “Eu te amo, cara” é que é um filme voltado mais para o público masculino. A história é a seguinte: logo no início do filme, Peter Klaven, interpretado por Paul Rudd, pede sua namorada, Zooey (Rashida Jones), em casamento. Em seguida ela liga para suas amigas, para contar a boa notícia - inclusive causando um certo desconforto a Peter: elas não sabem que Zooey está falando do viva-voz, com o noivo ao lado, e começam a falar sobre a primeira vez dos dois e outros detalhes mais íntimos. Mas ele acaba não comentando nada e leva numa boa. Ao chegarem em casa, ela pergunta se ele não vai ligar para nenhum amigo, para contar a notícia. Ele desconversa e diz que pode ligar para seus “amigos” depois. Mas a verdade é que Peter não tem amigos.

As amizades que ele possui são de mulheres. E aí começa um problema: Peter precisará de um amigo para ser seu padrinho de casamento. Ou seja: ele vai ter que fazer amigos, e aí está a graça do filme.

Seu irmão, que é gay, e sua mãe, começam a lhe ajudar, dando dicas de como fazer amizades e arrumando “encontros masculinos” para Peter. O problema é que esses caras não fazem o tipo de Peter: um é um torcedor fanático de futebol, o outro é… gay!, e acaba beijando Peter no fim de um “encontro”. Ele tenta também, sem sucesso, se aproximar do marido de uma das amigas de Zooey - mas acaba vomitando na cara dele.

E então, de forma totalmente espontânea e casual, Peter conhece Sydney (Jason Segel), com quem começa uma boa amizade. Tão boa que, em certo ponto, vai começar a atrapalhar seu relacionamento com Zooey.

Como estamos falando de uma comédia romântica, o final é feliz. Não sem antes Peter e Sydney também “entrarem em crise”. É uma pena não poder comentar com maiores detalhes uma situação do filme, quando Sydney pede uma boa grana emprestada a Peter. Ele empresta o dinheiro, confiando que o amigo devolverá a quantia, mas não comenta com Zooey - além do fato de o empréstimo ocorrer às vésperas do casamento, num momento em que eles precisam, e muito, de dinheiro.

E também não sem antes abordar outros temas caros a todos nós, como a questão da autoconfiança - um problema que Peter tem -, das convenções sociais e das conversas entre mulheres, que, segundo o filme, contam TUDO umas para as outras. Não que isso incomode aos homens, mas… será que contar TUDO, até mesmo as maiores intimidades - vejam, estou falando, mesmo, das MAIORES INTIMIDADES de um casal -, é mesmo necessário?

O resultado é um filme engraçado, divertido, mas também um tanto sério, porque nos faz pensar em nossas vidas, e em nossos amigos. Afinal, todo mundo deve ter um amigo como Sydney, o solteirão boa vida que vê todos os seus antigos “brothers” crescerem, casarem, terem filhos, enquanto ele continua meio que “parado no tempo”, sempre “curtindo a vida adoidado”. Algum dia ele precisará entender que é preciso também seguir em frente, “passar de fase”, digamos assim. Ou não?

À procura da felicidade

Saturday, December 26th, 2009

Quando o filme “À procura da felicidade” foi lançado nos cinemas, até fiquei com vontade de assistir. Porque Will Smith é o ator principal e eu gosto muito dele - desde sua interpretação perfeita em “Ali“. Mas aí o cartaz de divulgação e o fato de a produção ser baseada num livro - na verdade, e isso eu vim saber agora, a ideia do filme veio antes da publicação da obra - me fizeram deixar a vontade para depois.

O tempo foi passando, passando, e na última segunda-feira o filme passou na Globo. Vi algumas partes e fiquei fascinado pela história. Resolvi, então, finalmente alugar o DVD para assistir com minha bem-amada.

Basicamente, é a história de um homem que arriscou sua vida - e a de seu filho - por causa de um sonho. No caso do personagem - que é real -, Chris Gardner, seu sonho era ter uma vida boa, confortável. Não estamos falando aqui de muito dinheiro, de fazer fortuna. Falamos de um bom emprego, uma boa renda, que proporcionasse uma vida não apenas razoável, mas também não necessariamente recheada de luxos.

E ele viu essa oportunidade na Bolsa de Valores. Descobriu que, se fosse um corretor da Bolsa, teria a vida que gostaria de ter. E, por causa dessa vontade de ser corretor, ele passou pelos mais diversos tipos de dificuldades. Perdeu o carro, foi despejado da casa onde morava, dormiu com o filho no metrô e no banheiro do metrô, dormiu e comeu em abrigos, enfim, o cara comeu o pão que o - vocês sabem quem - amassou.

Felizmente, não sofri tanto nessa vida - acho até que, graças a Deus, sofri pouco, e espero que continue assim. Mas me vi um pouco no personagem. Porque estou, há anos, perseguindo um sonho - na verdade, um objetivo, prefiro chamar meus sonhos de objetivos. E, assim como Chris Gardner, tenho passado pelas mais variadas situações e perrengues nesses anos todos - guardando, é claro, as devidas proporções.

Sendo que uma dessas dificuldades me chamou mais a atenção: para ser contratado como corretor de uma determinada empresa, Chris precisaria passar por um estágio de 6 meses, sem ganhar absolutamente nada. Não apenas ele: de tempos em tempos havia uma seleção para corretor; quando Chris participou, havia mais 19 concorrentes em busca da mesma vaga. Apenas 1 seria selecionado.

E por que esse detalhe me deixou mais instigado? Respondo: quando comecei a escrever na rede, foi em um blog pessoal. Depois, comecei a colaborar com blogs coletivos, sites de cultura etc. (mais informações no link Sobre o autor, no menu ao lado), e, acho que vocês sabem, não se recebe por esse tipo de colaboração.

Às vezes nem mesmo jornais e revistas pagam por textos publicados. Escrever, meus amigos, não é nada rentável para iniciantes. Nem mesmo para muitos dos que já têm vários anos de estrada. Mas, ainda assim, há muita gente que escreve e não desiste de procurar um lugar ao sol. Alguns porque buscam o status de “escritor” - francamente, não sei de onde tiraram essa ideia de que ser escritor é “status”. Outros porque querem ser. E outros porque estão destinados a ser.

Chris Gardner é um predestinado. É incrível, quase inacreditável, ele não ter desistido do estágio. Assim como ele, há várias pessoas que decidem seguir um determinado caminho e, por estar escrito - mesmo que em linhas tortas… -, acabam fazendo justamente a escolha a que estavam destinadas. Faz tempo que tomei uma decisão, e espero ser uma dessas pessoas que fazem a escolha certa. Por mais trabalho que me dê e por mais dificuldades que apareçam, vou continuar o meu caminho. Só espero ter pegado a estrada correta.

Sociedade dos Poetas Mortos, a coluna

Monday, November 9th, 2009

Tá lá, no Digestivo!

Sociedade dos Poetas Mortos

Sunday, November 8th, 2009

Ontem Cássia e eu assistimos a “Sociedade dos Poetas Mortos”, um filme que assisti várias vezes quando estava no ginásio e que fazia tempo queria ver de novo.

Estava aqui escrevendo um post sobre ele mas o texto ficou bem maior do que eu pensei que ele fosse ficar. Por conta disso, vou deixá-lo descansar um pouco e pensar se posto aqui ou se deixo para publicá-lo no Digestivo.

Para quem não conhece o filme, fica aí embaixo o trailer. Comprei o DVD por 12,99 numa loja física da Americanas. Fica aqui a dica.

Benjamin Button ou Edward Bloom?

Friday, February 13th, 2009

Entre “O curioso caso de Benjamin Button” e “Peixe Grande e suas histórias maravilhosas“, com qual você fica? (Supondo que você tenha assistido ambos, claro.)

Ambos são inspirados em obras literárias (o primeiro em um conto do bom e velho Fitz; o segundo em um romance de um autor “novo”, Daniel Wallace), ambos se aproximam das - se é que não são - fábulas e ambos foram dirigidos por diretores que têm uma legião de fãs fiéis. Mas enquanto “Peixe Grande” é um filme maravilhoso, “Benjamin Button” é somente legal.

Não entendo a grande quantidade de indicações ao Oscar recebidas por “Benjamin Button”. Este não é um filme “oscarizável”. Nada dele salta aos olhos. Só a fotografia, aliás. Me parece que o sucesso e o boca a boca do filme se devem aos protagonistas: um galã se esforçando para provar que é um bom ator (Brad Pitt) e uma atriz quase acima de qualquer suspeita (Cate Blanchet).

Mas Pitt não precisa fazer tais esforços, visto que sem dúvida alguma é um grande ator, e Blanchet não pode ser julgada: sua beleza ofusca suas atuações. Ok, ela é uma boa atriz. Mas talvez seja superestimada. Bom, se o sucesso não for devido aos protagonistas, qual a explicação, então? Não sei… Talvez os espectadores e críticos tenham medo do fantasma do Fitz (gente, ele não vai assombrar ninguém…), ou da sombra do cultuado David Fincher, diretor do filme, e de seus fãs ortodoxos.

Penso que, se Tim Burton tivesse dirigido “B. Button”, aí, sim, seria um grandessíssimo filme (nada contra Fincher, que dirigiu o perturbador “Clube da luta”; só estou levantando uma hipótese). Porque Burton leva as fábulas a sério, as trata como elas devem ser tratadas: como fábulas. Fincher tentou aproximar o seu filme da vida real, como se a história - de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo ao passar dos anos - pudesse acontecer ou tivesse acontecido realmente. Eis aí, talvez, o defeito do filme: é real demais. Em “Peixe Grande”, tudo é fantasioso demais, mas justamente porque a obra de Wallace assim é. Se “O curioso caso de Benjamin Button” fosse mais fantasioso, creio que seria melhor. Relendo o trecho vejo que pareço estar fazendo uma reflexão sem sentido, mas, vejam: bastava mais alguns exagerozinhos, umas coisinhas de nada - mais uns três relógios que andam para trás, como o que aparece no início de filme - e ele seria bem melhor.

Entendam: eu gostei de “B. Button”. Só não achei sensacional, nem consegui entender por que fizeram tanto carnaval às custas dele. Cássia gostou bastante, só achou que poderia ser um pouco mais curto (concordo com ela). Mas, enfim, minha opinião não importa, a não ser para mim. Quem quiser assistir, assista. Não estará jogando dinheiro fora. Mas entre alugar “Peixe Grande” e sair de casa para ver “B. Button”, fico com locadora.

Meus melhores filmes de 2008

Tuesday, December 30th, 2008

É o título da minha coluna nova no Digestivo. Vejam lá!

Ensaio sobre a cegueira

Thursday, November 20th, 2008

Faz tempo que li “Ensaio sobre a cegueira“. Creio que foi em 2003 - eu tinha 19 ou 20 anos. A memória e a idade não me permitem lembrar detalhes do livro (foi por isso que comprei-ô-ô recentemente, pois quero reler), mas recordo que fiquei realmente estupefato com o que li. Daí o interesse pela sua adaptação cinematográfica, que só estreou aqui na cidade sexta-feira passada.

Ontem, fomos assistir ao filme. Minha expectativa era enorme, por causa do livro (arrisco dizer que já é um clássico da literatura de todos os tempos; e, se não é ainda, vai ser; aliás, se não era ainda, agora é, eu proclamo isto aqui). Talvez isso tenha feito com que eu saísse do cinema um pouco decepcionado com a adaptação. Aliás, a palavra correta não é decepcionado. Não sei que palavra utilizar. A questão é que eu esperava um filme tão impactante quanto o livro. Nessa minha expectativa excessiva, fiquei frustrado por minha própria culpa.

A adaptação é fiel ao livro - até onde me recordo dele - e Fernando Meirelles conseguiu fazer coisas impressionantes, como deixar Julianne Moore quase feia. Quase. As cenas de abandono da cidade são belíssimas - por mais paradoxal que esta frase possa ser. A narrativa em off foi pouco utilizada, na minha opinião. Na verdade, Meirelles eliminou boa parte da narração, depois da exibição do filme no Festival de Cannes, por conta dela ter desagradado uma porção de críticos idiotas.

Mas enfim. Como dizem, as melhores obras de arte são aquelas que nos fazem refletir, e “Ensaio sobre a cegueira” me deixou com uma pulga atrás da orelha.

Voltando pra casa, comentei com Cássia que o pior de tudo é que, se realmente passássemos pela situação descrita no filme, agiríamos da maneira que foi mostrada na tela - se querem saber como, vão assistir ao “Ensaio…”.

Mais incômoda que essa constatação - porque, afinal, todo mundo sabe que boa parte da humanidade é idiota, mesquinha, ignorante, burra, intolerante etc. - é a dúvida que não me deixa em paz desde ontem: quando li o livro percebi isso? No caso, percebi que tudo ali descrito se tornaria realidade caso todos nós ficássemos, de repente, cegos? Antes que algum politicamente-correto-chato-de-galocha fale algo, aviso: estou me referindo à cegueira do filme, e não à cegueira que conhecemos, a deficiência visual como a conhecemos.

E por que a dúvida incomoda tanto? Porque se não levei a sério o que li, se não consegui entender que o livro descreve as pessoas como elas realmente são - vide adjetivos acima -, deixei de entender muita coisa que li/assisti na época. Será que eu era tão ingênuo (ou “cego”)?

Pra vocês isso não é nada. Até porque a coisa não é com vocês. Mas, para mim, isso significa muito: vou ter que reler uma porrada de livros e assistir novamente a uma cacetada de filmes. Nada que eu não faça com muito prazer, é claro.

Well, let’s see

Tuesday, November 4th, 2008

Bom, vamos lá. Você nasceu no final da década de 70, seus pais lhe criaram, você teve lá seus tios, avós, primos chatos, teve um caso com um primo etc. Sua vida não foi lá uma maravilha, é claro. Mas você não nasceu sem um dos braços nem perdeu algum dos membros ao longo dela. Você enxerga bem, ouve bem, cheira bem - em ambos bons sentidos -, poderiamos até dizer que você é uma pessoa legal.

É verdade que sua família passou por uns apertos e tal, mas nunca faltou comida na sua casa - mais que isso, nunca faltou uma casa -, seu tio não matou seu pai, sua mãe não era uma bêbada esquizofrênica nem seu avô foi amigo do Hitler. Se formos comparar com a vida de centenas de milhares de pessoas - ou, sei lá, com a vida de toda a população do Quênia ou com 50% da população da África do Sul -, sua vida foi/é maravilhosa.

Mas havia um problema. Você não se parecia nem com seu pai, nem com sua mãe. Nem com um tio ou uma tia. Nem com seus avós você se parecia! Você tem os traços de uma bisavó que ninguém vivo chegou a conhecer, alguém chegou a essa conclusão vendo uma foto quase totalmente apagada, para desfazer aquele silêncio provocado pela irmã da esposa de um tio seu, que disse que seus traços são “originais”.

Daí, encucada com isso, você inventa de fazer um exame de DNA, pra saber se é mesmo filha biológica de seus pais. O teste, é claro, diz que você NÃO é filha biológica das pessoas que lhe criaram. Óbvio, cabeça de vento você pra correr atrás disso. Burra, mil vezes burra. Pra quê isso? Encontrar sua identidade? Ora, quem é você? A reencarnação de Freud?

Enfim. Investigando um pouco mais, você descobre que foi trocada na maternidade. Com um pouco mais de esforço, você descobre quem nasceu no mesmo dia e com que bebê você poderia ter sido trocada. Calma, falta pouco. Você vai atrás da pessoa, faz um teste de DNA com os pais dela e, voilá!, você é filha biológica do casal que criou a outra menina.

Certo, Sherlock, você venceu. Mas ainda não acabamos. Só pra recapitular: você não foi molestada pelo seu pai, sua mãe não quebrou nenhum cabo de vassoura na sua cabeça nem lhe deixou presa amordaçada ao pé de uma mesa. Muito pelo contrário. Eles te criaram, te educaram, amaram você como se ama um filho. MAS É ÓBVIO! Você É filha deles. Bom, vamos adiante.

Todo mundo se reúne: você, a menina, seus pais, os pais dela, enfim, essa bagunça que você provocou e agora chama de família. E eis que, depois de passar dias e dias conversando, imbuídos de um extremo bom senso, vocês resolvem processar a maternidade onde ocorreram os partos, por causa do “sofrimento” que vocês todos passaram.

Ah, tá.

***

Deu pra ver que estou inspirado? Alguém quer entrar no ringue?

“Os infiltrados” só se salva por causa de Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Martin Sheen e, claro, Martin Scorsese.

O roteiro é uma droga. Me digam sinceramente: o que seria do filme sem as interpretações super-ultra-boas dos atores citados e a maneira que Scorsese escolheu pra filmar a bagaça? Seria tipo um “Loucademia de Polícia 27″, com um pouco de drama.

Ah, menção honrosa para a loira lá, que não sei o nome, não procurei, mas me pareceu ser uma atriz competente. Além de muito bonita, sim?

O filme não tem um impacto que tem, vamos ver…, “Sangue Negro”. Ou, ã… “Onde os fracos não têm vez”. Sim, cito-os novamente, porque são super-ultra-bons e já falei deles aqui.

Scorsese deve ter ganhado o Oscar pelo milagre que fez com o roteiro meio maluco de um cara aí que não sei o nome.

***

Rá! Este post é uma piada? É tudo verdade? Vamos abrir as portas da esperançaaaaaaaaaaaa!

Cegos protestam contra Ensaio sobre a cegueira

Thursday, October 2nd, 2008

A primeira coisa que me veio à mente quando li o título desta matéria do Estadão foi uma piada de extremo mau gosto: “ué, eles nem viram o filme, como podem protestar?”.

Claro que me auto-flagelei por causa disso. Afinal, sou cristão (atenção: sou cristão; não sou católico, evangélico, batista etc., apenas cristão, ok?), e não é de bom tom ficar fazendo piadinhas de mau gosto, mesmo que para mim mesmo.

Mas, enfim, cegos protestaram contra o filme “Ensaio sobre a cegueira”. Depois da piada, pensei assim: “ué, por que não protestaram quando o livro foi lançado?”. Mas continua sendo uma piada de mau gosto, mesmo que não proposital e muito indiretamente.

Só na terceira tentativa de entender a situação foi que pensei em algo digno de ser externado: ora, o livro - e vou aqui eximir o filme de qualquer culpa, visto que ele nada mais é que uma adaptação do romance de Saramago - trata de um outro tipo de cegueira, além da cegueira física. É a cegueira psicológica, digamos assim, que faz muita gente com olho saudável não enxergar um monte de coisa. O Lula, por exemplo: ele nunca soube de nada, nunca viu nada…

Então, não há razão para protestos. Os deficientes visuais (os cegos, enfim) que estão protestando, só vão fazer com que o filme tenha maior repercussão na mídia e atraia mais pessoas aos cinemas. Eles poderiam tentar compreender a história de uma outra maneira. E, para isso, não é necessário enxergar. Basta abrir os olhos…

Wall-E

Tuesday, July 15th, 2008


“After 700 years of doing what he was built for, he’ll discover what he meant for” (tradução-adaptação-meia-boca: “Depois de 700 anos fazendo o que foi construído para fazer, ele descobrirá por quê realmente faz”)

Uma prova de que diálogos nem sempre são necessários é o filme “Wall-E“, mais uma animação da Disney em parceria com a Pixar.Eu deveria ter marcado no relógio, mas acredito que a primeira palavra do filme foi dita bem depois dos 5 minutos de cena - ou 10 minutos, não sei. E, ainda assim, não era um diálogo, mas sim o trecho um de anúncio de propaganda, uma maneira que os roteiristas (Andrew Stanton e Pete Docter) encontraram para explicar a situação mostrada na tela.

Quem assistiu “Eu sou a Lenda” pode achar os filmes um pouco parecidos. Como no longa estrelado por Will Smith, em “Wall-E” não há mais ninguém habitando a Terra (quer dizer, em “Eu sou a Lenda” não é bem assim…), apenas um robô caminha pelas ruas de algum lugar do nosso planeta. É Wall-E, sigla de “Waste Allocation Load Lifters - Earth” (tradução, direto do Cinepop: “Levantadores de Cargas Desnecessárias da Terra”), ou seja, catador de lixo. O simpático robozinho Wall-E é um catador de lixo incansável. Todos os dias sai de sua “casa” para fazer seu trabalho e recolher objetos que acha interessantes. Ele não fala, e sua única companhia é uma baratinha, que ele quase mata umas três vezes.

(Na versão dublada, Wall-E ficou “Wally”, vou conferir isso na versão legendada, quando sair em DVD.)

Os dias de Wall-E seriam exatamente iguais se não fosse o fato de uma nave pousar em solo terráqueo e dela descer uma robozinha muito nervosinha, Eve.

Só depois vamos saber que Eve procura algum sinal de vida na Terra. Aos poucos a trama vai se explicando, e certos fatos dão a entender que houve alguma espécie de contaminação na Terra, por algum tipo de vírus ou bomba, isso não fica claro. O que se sabe é que a vida se torna impossibilitada em nosso planeta, e os humanos vão viver em uma espécie de cruzeiro espacial, uma mega-nave-espacial onde ninguém anda. Na verdade, mal e mal mexem as mãos. Todos ficam sentados em cadeiras flutuantes, diante de telas, conversando com outras pessoas por meio de video-conferência ou assistindo a programas, filmes etc. O contato físico é inexistente, e até mesmo as conversas são feitas virtualmente. Essas telas e as cadeiras flutuantes provocaram uma lavagem cerebral nos humanos, que já sequer lembram da Terra. Quer dizer, não podem lembrar, pois faz séculos que os humanos estão no espaço. Essa geração, de fato, não conhece a Terra.

Mas em determinado ponto do filme Eve encontra uma planta, encontrada na verdade por Wall-E, e é quando realmente a ação começa.

“Wall-E” é uma animação, o que faz muitos pais levarem seus filhos para o assistirem, mas, na minha opinião, é um filme para todas as idades. Muito mais para adultos, aliás. É engraçado, emocionante, romântico e “eletrizante”, digamos assim. Gostamos muito (Cássia e eu), pois, pois.

Se puderem, assistam. Garanto que vão adorar.