Archive for the ‘Futebol’ Category

A demissão de Muricy (ou A vitória dos corneteiros)

Friday, June 19th, 2009

O São Paulo é uma espécie de time-modelo do futebol brasileiro. Bem-estruturado, atletas do exterior vê fazer tratamento médico no Reffis - núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica -; salários não atrasam e os centros de treinamento são de dar inveja a qualquer time.

Outro belo exemplo que o SPFC tem dado nos últimos tempos é a manutenção dos técnicos, independente de uma má sequência de jogos. Demissões só em casos extremos, pelo que me lembro. Telê Santana comandou o time por uma porção de anos, e Muricy Ramalho, seu pupilo, estava no cargo desde 2006. No site oficial do São Paulo, os números:

“Desde 2006 são 252 jogos seguidos comandando o Tricolor, com 139 vitórias, 67 empates e 46 derrotas: um aproveitamento de 64% dos pontos disputados.”

Eu quero saber qual técnico de time brasileiro tem, neste momento, uma estatística tão favorável quanto essa.

Mas nada disso segurou Muricy Ramalho no comando do São Paulo. Ele foi demitido na noite de hoje. Ou seja: a diretoria são-paulina não aguentou - ou não quis aguentar - a pressão dos corneteiros.

Completa burrice. Muricy vem sendo, desde 2005, ganhando o prêmio de melhor treinador do Campeonato Brasileiro. São quatro anos seguidos sendo eleito o melhor da sua categoria. Isso não é pra qualquer um.

Além disso, ele AMA o São Paulo. Muricy Ramalho tem uma ligação com o clube que nenhum outro treinador tem ou terá. O São Paulo é quase a vida do Muricy. Ou seja: ele certamente estava dando tudo de si, e com certeza iria tentar tirar mais forçar ainda sabe-se lá de onde para reerguer o time. Uma pena a diretoria parecer ignorar isso.

Em vez de mais uma vez reforçar sua imagem de time-modelo/exemplo, o São Paulo seguiu o mal exemplo de outros dirigentes. Demitir Muricy Ramalho é uma burrice tremenda porque simplesmente ele é o melhor treinador do país. Ou seja: nenhum outro que assuma a equipe agora poderá fazer algo semelhante ao que ele fez. Aliás, só dois técnicos podem substituir Muricy à altura: Cuca e Paulo Autuori.

Adoraria vê-lo assumir outro time e ser campeão este ano. Porque o São Paulo já era.

Contra os corneteiros de plantão

Friday, June 19th, 2009

O São Paulo acabou de ser eliminado da Libertadores pelo Cruzeiro. Mas, antes mesmo de terminar o jogo, uma porção de gente no Orkut já pedia a cabeça do Muricy. Além disso, no estádio, parte da torcida gritava “vergonha, time sem vergonha”, xingava Hernanes (craque do Brasileiro de 2008) e, paradoxalmente, outra parte da torcida gritava “é, Muricy”, apoiando o técnico.

O SPFC certamente não é um time sem vergonha. Infelizmente, passa por uma má fase. Vários jogadores que nos anos anteriores estavam voando, hoje estão jogando apenas de maneira mediana. É o caso de Hernandes, Richarlyson e Jorge Wagner, por exemplo. Além disso, outros atletas, contratados para esta temporada, não conseguiram ainda realizar o futebol que motivou suas contratações, caso de Arouca e Wagner Diniz.

A culpa da eliminação, portanto, não é do técnico. É de uma junção de fatores que boa parte dos torcedores faz questão de esquecer. Um deles é a má fase de alguns jogadores, outro é a forma como o São Paulo se classificou para as quartas de final da competição: sem jogar as oitavas, que seria contra um time mexicano, o Chivas. Por conta da Gripe A, a Comenbol determinou que seria realizado apenas um jogo nas oitavas, em São Paulo (o mesmo ficou valendo para o confronto entre San Luis - outro time do México - e o Nacional - do Uruguai). A Federação Mexicana de Futebol não concordou com a decisão da Comenbol e retirou da competição tanto o Chivas quanto o San Luis. São Paulo e Nacional passaram para as quartas de final “vencendo” seus jogos por uma espécie de W.O.

Certo, o Nacional passou para as semifinais. Mas apenas empatando dois jogos com o Palmeiras. Ou seja: sem vencer nenhuma das partidas.

Escrevo este post porque acho uma bobagem pedir a cabeça do Muricy agora. Ele levou o São Paulo a três conquistas seguidas do campeonato brasileiro, sendo a do ano passado uma das mais emocionantes dos últimos tempos. O Muricy tem o time na mão e sabe o que está fazendo. Mas ele não é mágico e não tem como fazer seus jogadores voltarem a jogar bem da noite para o dia.

Sem contar o problema grave que o São Paulo tem no meio de campo. Desde a saída de Danilo, já nem lembro em que ano, a diretoria vem improvisando jogadores no setor. Foram colocados na fogueira Souza (que era lateral/ala direito; hoje meia no Grêmio), depois Leandro (que é na verdade atacante) e, agora, Hernanes, eleito craque do Brasileiro de 2008 jogando como volante.

Ah, e não podemos esquecer que os adversários têm méritos. Em 2006 o São Paulo foi derrotado pelo Internacional na final; em 2007 pelo Grêmio, nas oitavas; e em 2008 pelo Fluminense, nas quartas. É frustrante, é, mas perdemos para um campeão e dois vices. Então, não chega a ser nenhuma catástrofe. Sem contar que, depois dessas eliminações, vieram os três títulos do Brasileiro.

Ou seja: pedir a cabeça do Muricy é coisa de corneteiro que não tem sensibilidade nenhuma e não entende nada de futebol. Coisa de gente que não acompanha a equipe pela qual torce e só quer saber de listar os títulos do time. A eles, digo: futebol é muito mais que títulos. E não se pode ser campeão todo ano.

***

Update: acabei de ler que tentaram pichar o CT Barra Funda. Esse é o problema. Essa meia dúzia de idiotas, mentecaptos, descerebrados e acéfalos que acham que sabem o que é torcer, que acham que “amam” o time. É o mesmo tipo de corja que causou tumulto no treino do Fluminense há alguns dias. Um bando de imbecis.

O espírito é esse

Thursday, June 11th, 2009

Deu gosto de ver o Brasil jogando contra o Paraguai. E daria, independente do resultado. Mesmo que a partida tivesse terminado em empate, ou em vitória dos paraguaios, o Brasil seria o mesmo, acredito eu: raçudo, com garra, disputando todas as bolas, correndo com vontade etc.

O time estava mesmo com o coração na ponta da chuteira. No gol do Nilmar, me parece que ele chorou, ou quase isso. O Felipe Melo, que não é um jogador que me agrada, demonstrou bastante empenho. O Kaká estava louco de vontade de fazer um gol, pra dedicar ao filhinho que aniversariou ontem. Daniel Alves jogou uma partidaça. Sobre o Juan, sem comentários: zagueirão. E o Lúcio? Capitão do time, faz as vezes de atacante de vez em quando, meteu uma bola no meio das canetas de um paraguaio que vou te contar…

Enfim, jogaço! Se a seleção brasileira continuar com esse espírito, a Copa das Confederações é nossa. Isto é: se o Dunga tirar da cabeça a única bobagem que ele tem feito ultimamente, que é escalar o Elano e o Gilberto Silva, quando nenhum dos dois está em boa fase.

Ridículo demais

Tuesday, May 26th, 2009

Ê, laiá… Tem gente que não tem mais o que fazer, ein?

Uns torcedores doentes mentais do Fluminense foram encher o saco dos jogadores, da comissão técnica e da diretoria durante um treino. Xingaram diversos atletas, agrediram um deles e fizeram cobranças como se fossem eles, torcedores, os donos do time.

Um absurdo. Uma idiotice sem tamanho. Protestar, tudo bem, mas ir pro treino ficar xingando a galera? E ainda partir para a violência?

Isso é coisa de vagabundo.

Agora, uma coisa: errado também o Fluminense, que, mesmo sabendo, via internet, que haveria esse protesto, permitiu a entrada dos torcedores. O negócio é barrar. Não tem que deixar delinquente entrar. Pô, fala sério! Esse negócio de dirigente ficar de conversinha com liderzinho de torcida é absurdo, não tem lógica! O Flamengo também faz isso, se não me engano. Tem que colocar o torcedor no lugar dele, que é na arquibancada, em dia de jogo. E sem essa babaquice de se achar o dono do time. Pombas!

Retroceder nunca, render-se jamais

Sunday, April 19th, 2009

O título do post é o mesmo de um filme que assisti há muitos e muitos anos, já nem lembro direito dele, mas seu nome ficou em minha mente porque trata-se de uma espécie de mantra que uso.

A não ser que não haja mesmo outra saída, sou terminantemente contra desistir de algo ou de alguém. Isso pode ser aplicado a diversos fatores de nossas vidas. Se me permitem um exemplo, minha ida à Flip em 2007 pode ilustrar isso. Na época eu estava trabalhando no shopping aqui da cidade e já havia deixado de ir à edição de 2005 por um pouco de medo. Em 2005 seria uma viagem apressada, de última hora, ia dormir de favor etc., então não seria legal. Já em 2007 a coisa foi um pouco diferente. Eu poderia alugar um quarto e, além da Flip, a viagem tinha outras motivações, como conhecer pessoalmente o pessoal do Digestivo, por exemplo. Mas havia um problema: o emprego no shopping.

A Flip acontece em julho, e eu não teria completado nem mesmo 7 meses de empresa. Ou seja: para ir à Parati, eu teria de largar o emprego. E eu precisava do emprego. A única saída seria conseguir um adiantamento de férias. Conseguir um atestado médico, sugestão que um colega me deu, era fora de cogitação, jamais faria isso. Caso não conseguisse 10 dias de férias adiantados, eu teria de sair da empresa e depois pensar no que fazer da vida. Decidido a não perder aquela Flip, conversei com meu supervisor sobre a situação e ele me disse ser muito difícil conseguir um adiantamento, visto que eu tinha pouco mais de 4 meses de empresa quando conversamos. Mas, mesmo assim, ele tentou. E, incrivelmente, conseguiu. As vantagens de ser um bom funcionário e uma boa pessoa…

Mas a questão é que, conseguisse ou não aquele adiantamento, eu não iria voltar atrás. Quando conversei com ele, já tinha o quarto reservado e já estava mais que decidido a ir à Flip. Não haveria volta, eu não iria retroceder.

Hoje, assistindo ao jogo entre São Paulo e Corinthians, lembrei do filme. Porque o São Paulo, meu time do coração, precisava vencer o jogo para chegar à final do campeonato paulista. A partida era no estádio do Morumbi, casa do tricolor, e estava quase lotado de são paulinos. O time tem qualidade e poderia, sim, vencer o Corinthians. O primeiro tempo acabou empatado em zero a zero e esperava-se que o São Paulo voltasse para o segundo tempo decidido a vencer o jogo. Não obstante uma bola na trave aos 40 segundos do segundo tempo, o que se viu na metade final do jogo foi um time apático e entregue à eliminação. Um time displiscente - alguns erros individuais foram grotestos, e de grupo também: chegou ao ponto de ninguém gritar “ladrão” quando um jogador adversário chegava para roubar a bola dos pés de um são paulino. Se não me engano, aos vinte minutos o Corinthians já havia feito 2 gols e aí o São Paulo só fez mesmo evitar tomar um terceiro para não sair de campo goleado.

O problema é que havia muito tempo e grandes possibilidades de o time virar o jogo. Ou ao menos lutar para não sair de campo derrotado. Bastava mais raça, ser mais aguerrido. Lembro de um jogo entre Grêmio e Fluminense em 2006 que mostra bem isso.

Aos 23 minutos do segundo tempo o placar era de 2 a 0 para o tricolor gaúcho. Poucos minutos depois, com 1 jogador a menos, o Grêmio cedia o empate ao tricolor carioca. Mais alguns instantes e o Fluminense virava o jogo para 4 a 2. E também perdia um jogador por expulsão. O jogo agora era 10 contra 10.

Uma parte da torcida gaúcha já deixava o estádio, a outra que ficava vaiava o então técnico Mano Menezes. Faltando 2 minutos para acabar o jogo, que ia até os 49, o Grêmio faz dois gols e fecha a conta em 4 a 4.

Ou seja: o Grêmio não se entregou em minuto nenhum. Conseguiu, se não virar o jogo, ao menos ter uma das maiores reações que já vi no futebol.

A lição que se tira disso tudo é que não se pode entrar num jogo se não for para ganhar. Além de, claro, lutar até o último minuto. E isso deve ser aplicado no nosso dia a dia, na nossa vida. Se você vai fazer alguma coisa, que faça bem feito. Se tentou fazer algo e não conseguiu, tente de novo. Se é algo que você quer muito, de coração - e se é algo bom, claro - tente e tente e tente. Tente até morrer. Morra tentando, mas não desista. Afinal, se você crê em Deus, Ele te deu uma vida, e não é de bom tom desperdiçá-la. Caso não creia, bom, você tem uma vida, e não é de bom tom desperdiçá-la.

Lembrete para 14 de abril

Saturday, April 11th, 2009

15 pras quatro tem jogo da Champions League.

Hexa único! (e tri também!)

Monday, December 8th, 2008

Sou são-paulino desde início da década de noventa. A lembrança mais antiga e clara que tenho do time são alguns lances da final do Mundial Interclubes de 1993, contra o Milan, que assisti apreensivo, aqui em casa. Lembro que assisti ao jogo contra o Barcelona, em 1992, também pelo Mundial Interclubes, mas dessa partida eu lembro somente alguns flashes.

De nome, lembro mais de Telê, Muller, Raí, Juninho, Cafu. Mais não lembro porque eu era garotinho ainda.

Sempre fui um torcedor morno. Sem grandes arroubos, a não ser quando o time estava na Libertadores. Aí o torcedor desligado se transformava e passava a acompanhar todos os jogos, coisa que se intensificou nos últimos anos, principalmente com a volta de Muricy Ramalho ao time. Muricy jogou no São Paulo, foi assistente de Telê Santana, treinou diversos clubes e, desde 2006 é técnico do tricolor paulista.

Foto de Gaspar Nóbrega

De lá pra cá foi muita luta, muito sofrimento, muito suor. E, agora, Muricy é coroado com a conquista de três Campeonatos Brasileiros seguidos, sendo o segundo treinador brasileiro a realizar tal façanha (o primeiro foi Rubens Minelli, de quem já foi “comandado” no próprio São Paulo; a diferença é que Muricy é o primeiro a conseguir tal feito no mesmo time).

Junto com Muricy, o tricolor paulista conquista seus recordes: além de ser o único clube a conquistar o Campeonato Brasileiro três vezes seguidas, é o único time a deter seis títulos de campeão brasileiro.

Dane-se o fato de o gol do título ter sido feito por um jogador impedido (o Borges). Na pior das hipóteses, a partida acabaria empatada, o que daria o campeonato para o São Paulo de qualquer jeito.

Parabéns, tricolor! Parabéns, Muricy! Parabéns ao meu conterrâneo Jorge Wagner! Parabéns, Rogério!, o melhor goleiro do mundo! Parabéns, Borges, pelo gol!

***

Como nem tudo são flores, fiquei triste com dois acontecidos no dia do Hexa. Primeiro, a queda do Vasco. Não que os outros times que foram para a segunda divisão merecessem, longe disso. Mas é que eu, no Rio, torço para o Vasco. Uma pena o time chegar a essa situação, mas há aí o exemplo do Corinthians, que foi à Série B e já está voltando para a Série A, aparentemente melhor estruturado.

Mas o fato mais triste da rodada foi saber que um torcedor são-paulino foi baleado em Brasília. Houve um confronto entre as torcidas e o rapaz levou a pior. Está em estado grave, correndo risco de morte. Além dele, uma menina também foi baleada. A coitada estava indo para o shopping que fica em frente ao estádio. Absurdo, absurdo, absurdo.

Quando é que esses idiotas que se dizem torcedores vão entender que esses confrontos são a maior besteira que existe no mundo do futebol? Quando é que a CBF vai propôr medidas enérgicas para evitar esse tipo de coisa? Vale sempre lembrar o exemplo dos ingleses, quando dos hooligans: os times eram punidos severamente, ficando 1 ou mais anos, não lembro ao certo, sem disputar o campeonato inglês.

Se isso fosse aplicado aqui, talvez o São Paulo amanhecesse hoje como pentacampeão, numa possível punição em que fosse retirado o título conquistado ontem.

Sou são-paulino de coração, mas antes de tudo sou um ser humano pacifista. Uma vida está em jogo, uma pessoa pode morrer. E por quê? Por causa de imbecis que brigam por causa de seus times. Se o rapaz estava envolvido no confronto, pior ainda, porque a culpa pelo seu estado atual, de certa forma, é dele mesmo.

Mas enfim. Torçamos para a recuperação dele.

Yes, we can! (Yes, we win!)

Monday, December 8th, 2008

Desculpa aí, gauchada. Em 2011 a gente dá uma chance pra vocês. 2009 é o ano do tetra. E em 2010 é o penta (tanto libertadores quanto mundial).  Em 2011 cês ganham alguma coisa, bele?