Archive for the ‘Histórias de livraria’ Category

De novo, cara? (ou O idiota ataca na farmácia)

Saturday, August 1st, 2009

De maio a setembro do ano passado trabalhei na livraria que fica no shopping aqui da cidade. Logo nos primeiros meses, apareceu um senhor mal-educado soltando os cachorros em cima de mim e de um outro funcionário, apenas porque, quando ele perguntou se poderíamos abrir um livro, que estava lacrado, para ele, dissemos que geralmente não podemos abrir, mas “iríamos ver”.

Era um dos exemplares da coletânea do Pasquim. Mantínhamos lacrado - e até hoje o pessoal mantém - por duas razões: uma é que o povo daqui é meio grosso mesmo; ignorantes etc., e não sabe nem folhear um livro direito. Como esses livros do Pasquim são caros, é bom preservá-los, porque pra um indivíduo danificar ou sujar o livro com os dedos melados de gordura é daqui prali. Além do mais, pra que folhear um livro desses? Se o cara conhece o Pasquim, compra logo, sem folhear. Se não conhece, bom, paciência, vai procurar tua turma… A outra razão é que, geralmente, quem pede pra abrir os livros não os compra. E aí o trabalho de abrir e depois de lacrar de novo é em vão.

Bom, voltei dizendo que não podia abrir o livro e o cara chiou, reclamou, enfim, fez um carnaval. Como não sou de dar corta a imbecil, abri o livro e deixei com o idiota. Ele viu lá umas páginas e depois abandonou o exemplar na mesa do café. Tremenda falta de educação.

Saí da livraria em setembro e voltei a trabalhar lá, temporariamente, em meados de dezembro, e fiquei por lá até meados de janeiro. Só para dar uma força no natal e cobrir parte das férias de uma pessoa. Quando, no meu último dia por lá, pensava que iria passar ileso desta vez, sem confusões ou estresses com clientes, eis que chega o idiota para me torrar a paciência.

Eu estava atendendo um casal que queria comprar o livro “A pedra do reino”, de Ariano Suassuna, que deu origem à série da Globo e tal. Tive que subir umas duas ou três vezes para atender o casal, porque não estávamos nos entendendo direito. Eles queriam um livro e eu pensava que estavam querendo outro - além do livro com a obra de Suassuna, há mais 1 ou dois títulos ligados a ela, mas também à série. Na segunda ou terceira vez que subi para atender o casal, o idiota estava lá, na prateleira de Cinema, que fica exatamente ao lado da de Teatro, que era onde estavamos o casal e eu.

O idiota estava olhando uns livros e eu já pensava no que poderia acontecer. Eu tinha certeza de que, dentre todos os títulos da seção (ok, não são muitos, mas não são poucos), ele escolheria um que estava lacrado para folhear. Dito e certo. Ele pegou o livro e perguntou por que uma livraria mantinha seus livros lacrados, que aquilo era uma burrice etc. Respondi, calmamente, porque aquele era meu último dia na livraria e nada nem ninguém me tiraria do sério - ou pelo menos eu não demonstraria isso -, que alguns livros já vinham lacrados das editoras e por uma questão de comodidade nossa e segurança do livro, assim os mantínhamos. Além disso, alguns exemplares tinham espécies de encartes que não poderiam ficar soltos etc. Depois de explicar isso, ele aumentou o tom da voz e começou a dar um piti que não entendi muito bem, dizendo que em Salvador não é assim, que aquela deveria ser a única livraria a manter livros lacrados, porque livraria é lugar de folhear livro etc. Confesso a vocês que estava pedindo para ele dizer isso, que “livraria é lugar de folhear livro”.

Porque da outra vez ele disse o mesmo e eu só fui pensar numa boa resposta minutos depois. Desta vez eu não perderia a deixa, que estava em minha mente há meses. Mui tranquilamente eu disse: “olha, lugar de folhear livro é na biblioteca, livraria é lugar de comprar livro”. Entendam: eu folheio livros em livrarias, adoro fazer isso - às vezes, é a única coisa que posso fazer, porque no mais das vezes estou lido e não posso comprar. Mas eu realmente não poderia perder a chance de dizer isso na cara do imbecil.

A cara dele, aliás, ficou vermelha de uma hora pra outra e cheguei a ficar com um pouco de medo. Ele começou a me encher de desaforos, os quais não lembro bem agora, mas acho que iam pela linha do “é por isso que não venho aqui, você está sendo muito mal-educado, me atenda direito” etc. E eu, que estava demorando um pouco para abrir o livro, porque ele parecia ser um tanto frágil, apenas disse: “senhor, aqui está o livro, aberto”. Ele gritava ainda mais, já chamando a atenção de quem estava no térreo. E eu dizia, mais uma vez: “senhor, aqui está o livro, aberto”.

Neste momento, o casal que eu estava atendendo subiu de novo - em algum momento desta odisseia eles desceram para fazer alguma coisa -, e me salvou de levar um tapaço do idiota. Quando desci as escadas, acompanhado do casal, ouvi uma pancada na prateleira - acho que foi o idiota dando nela o soco que não pôde me dar.

Lembrei de tudo isso e resolvi postar aqui porque, hoje pela manhã, fui a uma farmácia aqui perto e, ao entrar, vi o imbecil no caixa. Enquanto eu procurava o corredor de vitamina C, o cara continuava lá. Quando fui me aproximando do caixa (duas moças atendiam, cada uma em uma máquina, uma de costas para a outra), percebi que o idiota discutia com um delas. Eu, claro, fui em direção da outra, que estava sem cliente. O idiota, além de ofender a mulher (ia escrever “garota”, mas ela deve ter seus 30 e poucos anos), ofendeu o rapaz que o atendeu no balcão de medicamentos - vocês conhecem uma farmácia, certo? ou eu preciso desenhar aqui :P

Daí, quando o idiota saiu, esbravejando contra sabe-se lá o quê, comentei com a moça que me atendia que esse mesmo cara discutiu comigo duas vezes, e que ele deve ser maluco mesmo. Até para tranquilizar a outra moça, porque às vezes, nós, funcionários, quando um cliente começa a falar grosso conosco, podemos pensar que o problema está em nós ou na falha de algum colega nosso. Mas, no caso desse lunático, não. O problema está nele mesmo, em algum lugar muito sujo e distorcido da mente dele.

Sobre ele, tenho curiosidade de saber duas coisas, apenas: o que ele faz (onde trabalha) e por que raios ele é desse jeito. Espero nunca descobrir.

Um dia quase perdido

Saturday, July 26th, 2008

Eram quase oito horas da noite de uma sexta-feira e estava o vendedor de livros estava um tanto cabisbaixo. Além de ter vendido pouquíssimo naquele dia, não havia acontecido nada de inusitado durante o dia de trabalho. Sem comissão e sem história para contar. Um péssimo dia. Mal sabia ele que em poucos minutos adentraria a loja um garoto de mais ou menos 14 anos, e entre eles desenvolveria-se o seguinte diálogo:

- Você tem tarô aí?
- Tem sim, é logo ali.

O vendedor acompanha o garoto até a seção e volta a seus afazeres. Naquela momento, na verdade, à falta deles. Pouco depois, o garoto faz nova pergunta ao vendedor:

- Vocês vendem cartas de Magic?
- Sim, sim.
- Posso ver?
- Ah, claro, é logo ali.

Vão vendedor e garoto até as cartas de Magic. No estoque, apenas dois decks.

- Só tem esses?
- É.
- Quando deve chegar mais?
- Olha, semana que vem deve chegar mais.

O garoto devolve os decks ao vendedor e pergunta:

- Vocês vendem punhal?
- Punhal, que você diz, é punhal?

(Ao falar pela segunda vez a palavra “punhal” o vendedor faz gestos de espadachim.)

- Sim, punhal.
- Não, não vendemos.

O garoto agradece e vai embora. O vendedor fica sem entender o que teria a ver tarô, Magic e punhal. Em vez de tentar fazer alguma relação entre as três coisas, resolve procurar livros para arrumar. É melhor.

Devagar as coisas andam (e os livros são vendidos)

Friday, June 20th, 2008

O Campeonato Brasileiro de Futebol começou dia 10 de maio. Eu comecei a trabalhar na livraria alguns dias antes, dia 02. Quando o campeonato começou, uma daquelas lâmpadinhas se acendeu em cima de minha cabeça. Estavam lá alguns livros (a maioria daquela coleção da Ediouro) sobre alguns times, e estava lá a vitrine precisando de uma revigorada. Por que não colocá-los lá?

Como era/sou novato, não posso ir fazendo o que me der na telha. Mesmo sendo uma boa idéia. Esperei um pouco, pra ver se os livros não seriam vendidos sem precisar colocá-los na vitrine. Como isso não acontecia, comecei a perguntar às minhas colegas se ninguém comprava aqueles livros. Uma disse que não, outra disse que raramente. Depois disso perguntei a meu chefe se ele permitia que eu colocasse alguns livros na vitrine. Ele disse que tudo bem, era uma boa idéia.

Não são muitos, os livros que temos em estoque, infelizmente. Num dia que o movimento estava fraquíssimo, aproveitei pra fazer o que queria, e coloquei 7 livros em exposição: dois do Corinthians (de autores/editoras diferentes), dois do Botafogo (de autores/editoras diferentes), um do Palmeiras, um do Santos e um do São Paulo. Logo nesse dia, dois clientes entraram perguntando pelos livros da vitrine. Nenhum deles comprou, verdade seja dita, mas perguntaram.

No dia seguinte, mais dois cliente entraram e perguntaram. Mais um dia se passou e um cliente levou um do Botafogo. Depois, paulatinamente, saiu mais outro do Fogão, um do Corinthians, um do meu tricolor do coração e mais recentemente o do Palmeiras, filho único, inclusive.

Quero continuar fazendo vitrines temáticas. A próxima, se tudo der certo, vai ser com livros de Clarice Lispector. Depois, biografias. Depois, infanto-juvenis. Depois, uma seleção refinada de literatura brasileira e, em seguida, de literatura estrangeira. E assim por diante.

***

Dá gosto ver o cliente comprar o livro que você indicou. Hoje uma cliente foi comprar um livro para o sobrinho de 10 anos. Vocês podem não acreditar, mas minutos antes eu estava com “Você é um homem mau, Sr. Gum” em mãos, lendo, pois o movimento está ultra-fraco esses dias. É sempre bom ter uma noção de qualidade e temas de pelo menos alguns livros da seção infanto-juvenil (ficar só indicando Luis Fernando Verissimo e suas “Comédias para ler na escola” não dá, tem que ter repertório, por menor que ele seja). Então, como eu dizia, estava lendo “Você é um homem mau, Sr. Gum”, e estava gostando. Quando ela falou a idade do guri, não pestanejei: taquei o livro na mão dela, que deu uma folheada, leu um pouco e levou.

Legal, não?

Livraria não é biblioteca (nem parque de diversões)

Tuesday, June 17th, 2008

Um dia desses me perguntaram se a livraria empresta livros. Como se estivesse respondendo a uma pergunta normal, em vez de uma pergunta estapafúrdia, respondi que não e tal, mas depois que o cara virou as costas, perguntei aos céus o que ele estava pensando da vida.

Tem gente que acha que livraria é biblioteca. Entra, pega um livro, senta numa mesinha, começa a ler e vai embora. Seria normal, se alguns não fizessem isso todos os dias e marcassem onde pararam de ler, para retomar a leitura no dia seguinte. Recentemente um senhor terminou de ler um assim, e já emendou outra leitura. É impressionante. Tem que ter muita paciência e força de vontade.

Livraria também não é parque de diversões. Quase todos os dias pais e mães soltam seus filhos lá. E salve-se quem puder. A pirralhada corre, pula, deita no meio da loja, senta na escada, sai tirando tudo quanto é livro do lugar e colocando só Deus sabe onde. É uma algazarra sem tamanho. Os pais fazem de conta que não enxergam, que está tudo bem, que é muito bonitinho-guti-guti os filhinhos deles bagunçarem toda a loja.

No calor da situação, dá vontade de dar uns cascudos na gurizada. Mas o certo mesmo seria dar umas palmadas nos pais, que não ensinam aos filhos aquela coisa arcaica que alguns conhecem como “bons modos”.

Trocando os Laços

Monday, June 9th, 2008

Sábado uma garota perguntou se tínhamos “Laços de família” na livraria. De imediato lembrei da novela de mesmo nome, de Manuel Carlos, que há alguns anos ocupou o horário nobre da tevê Globo. Sem pestanejar, com aquele ar de quem tudo sabe, fuzilei: “de Manoel Carlos?”.

Talvez para não ser indelicada comigo, ela respondeu que não lembrava o nome do autor. A caminho do computador para consultar se havia o livro no estoque, fui me sentindo mais idiota a cada passo que dava. Quando digitei o título e vi o nome de Clarice Lispector depois de apertar “enter”, reconheci minha clamorosa falha: “nossa, é da Clarice, como é que fui esquecer?” A garota, talvez para ser mais uma vez gentil, disse a mesma coisa.

Não comentei mais aqui, mas até que estamos vendendo um pouquinho mais de literatura, ultimamente. Também no sábado, uma outra garota entrou querendo comprar algum livro de Mario Quintana, mas que fosse de poesias. Como eu já tinha folheado “Da preguiça como método de trabalho“, sugeri-ô-ô, frisando que era prosa. Ela deu uma olhadinha e acabou levando.

Outros livros que foram vendidos recentemente - ambos sem a interferência de nenhum vendedor, infelizmente - foram “Moby Dick” (edição nova da Cosac) e “Divina Comédia” (a caixa da Editora 34).

Há um exemplar de “O som e a fúria” dando sopa por lá, espero que saia logo. Chegaram uns livros do Bioy Casares, espero que alguma boa alma os compre. Coisa fina, de primeira, mas não são pro meu bico - ainda. A literatura argentina, na minha opinião, é como um sanguessuga, se você não tomar cuidado. Você, no caso, leitor que deseja se tornar escritor. A tentação de imitar os argentinos é enorme. Então, ao menos antes de você decidir que caminho ficcional trilhar, é bom evitar os hermanos. Ler um ou outro, de vez em quando, é bom. Mas ler vários, em curtos espaços de tempo, não aconselho.

Mas quem sou eu pra aconselhar, ein? Troquei Lispector por Carlos…

Da ignorância e dos pseudo-leitores

Wednesday, June 4th, 2008

Quando uma pessoa que não teve acesso ao conhecimento, ao estudo, é um pouco rude com você, dá pra entender, compreender. Isso quando acontece, claro. Porque, geralmente, justamente essas pessoas que menos estudo tiveram são as mais gentis e educadas.

Mas quando uma pessoa que teve acesso ao conhecimento, ao estudo, é rude e grossa com você, dá vontade de mandá-la para lugares não muito agradáveis. E tem gente que faz questão de ser desagradável. Eu simplesmente não consigo entender o motivo de algumas pessoas agirem assim. É de uma ignorância que não tem tamanho.

Penso seriamente em ganhar algum dinheiro com isso. Prestar consultoria a pessoas ignorantes e mal-educadas, pra ver se elas melhoram um pouco, sei lá.

***

Volta e meia aparecem na livraria alguns pseudo-leitores ou pseudo-intelectuais, como queiram. Eles param no meio da loja para comparar traduções de Dostoievski, encomendam livros de Camus sem quê nem pra quê, falam alto que riram lendo om “Os miseráveis”, essas coisas. Mas, na verdade, são pessoas vazias, com coisa alguma na cabeça, desagradáveis, ignorantes e mal-educadas. Não conseguem entender Dostoievski, não conseguem se emocionar com Camus e tampouco dão a “Os miseráveis” o peso que ele realmente tem.

Sei que há muitas coisas mais para nos tirar o sono e para lamentar, mas isso é muito triste.

Coisas de livraria

Tuesday, June 3rd, 2008

Um dia desses ligaram pra livraria, eu atendi, e perguntaram assim: “vocês vendem livros?”. Prendi o riso, respondi bem rápido: “sim, pode falar” e tapei o fone com a mão, pra poder rir, enquanto o sujeito falava. Rapaz, que coisa.

É comum também perguntarem “você já leu esse?”. Ou então que a gente indique um livro bom da área de psicopatologia, sei lá.

Tem ainda aquele que fala assim: “rapaz, estou procurando um livro, mas não sei o título nem o autor; mas lembro que a capa dele é vermelha”. Fácil, não?

Isso quando não perguntam pelo “lançamento recente” ou “lançamento novo” de algum autor.

Falando nisso, um dos donos contou o caso de um senhor que chegou procurando um lançamento de Euclides da Cunha…

E um outro caso de um livro esotérico: certa vez, um rapaz procurou o livro, e ele estava na estante A. Ele ficou de comprar depois e, quando foi novamente na livrairia, o tal livro estava numa estante B. Mas não foi desse vez que levou, ainda. Na terceira e derradeira vez, não conseguiu encontrar o título. Perguntou pelo livro, e o encontraram numa estante C. E então comentou: “todo dia esse livro está num lugar diferente, por que?” Ao que um dos donos respondeu: “rapaz, esse livro é poderoso demais; às vezes a gente coloca ele lá em cima, quando vai ver, ele está lá embaixo; as meninas têm até medo.” O cara levou o livro na hora.

É o terror!

Friday, May 23rd, 2008

Uma das coisas mais curiosas de se trabalhar em uma livraria, no meu caso, é o fato de lidar todos os dias com livros de pessoas com as quais já tive um bom contato e/ou continuo tendo.

De vez em quando preciso arrumar o balcão menos visitado da loja: o de literatura brasileira. E lá estão livros de Ronaldo Correia de Brito, Sérgio Augusto, Flávio Moreira da Costa e Paulo Polzonoff, por exemplo. Na estante de idiomas, que visito com uma frequência um pouco maior, está um livro do Sérgio Rodrigues. Num dos balcões de lançamentos, está o mais recente livro de Ruy Espinheira Filho. Até algum tempo atrás tinha um exemplar de um livro do Mayrant, mas alguém comprou.

E isso é até legal, divertido, porque acabo me lembrando deles e de conversas passadas.

Mas, por outro lado, não tem livros do Menalton Braff, não tem o livro do Jaime Prado Gouvêa, nem do José Castello, nem do Diter Stein, nem do Jerônimo Teixeira… O que me deixa um tanto triste, ressabiado. Afinal, mesmo que tivesse livros deles lá, ninguém ia comprar.

É o terror, meus amigos, é o terror.

Concreto armado: eu te amo

Sunday, May 18th, 2008

O título deste post é o título de um livro da área de engenharia civil. Confesso que, quando o vi lá na livraria, achei um pouco apelativo. Mas depois, pensando melhor, quem o escreveu deve ser um apaixonado pela sua área de atuação. E por ser uma área de exatas, uma área na qual predomina a razão, um livro com esse título dá um pouco de romantismo à engenharia civil. O mundo precisa de mais romantismo, de mais românticos.

***

Comprei “Kafka à beira-mar“. Ele já estava me incomodando. Hoje fui dar um jeito na vitrine e precisei tirá-lo de exposição. Teria que conseguir um lugar para colocá-lo, coisa difícil de encontrar por esses dias, tamanha a quantidade de livros que está chegando. Comprei-o-o, e só compro alguma coisa coisa em junho, se Deus quiser e eu me segurar.

O Imaginário versus o Real

Saturday, May 17th, 2008

I

“- Boa noite. Você tem algum livro sobre o poder da mente?
 - Sim, temos aquele ‘O segredo’, que fala sobre como você pode mentalizar positivamente um objetivo e alcançá-lo.
 - Cadê ele?
 - Mas o senhor quer mesmo um livro nessa área? Por que não leva um livro de crônicas bem-humoradas?
 - Como assim?
 - Olha, sinceramente, eu até acredito nsse negócio de poder da mente. Mas gastar 39,90, que é o preço desse livro, só pra ‘aprender a pensar positivamente’ é um pouco demais. Tenho aqui um livro bem melhor, mais otimista e bem engraçado.
 - Hum, qual é?
 …
 - ‘A volta por cima’, Fernando Sabino. Quem é esse cara?
 - É um autor mineiro. Um dos maiores escritores do nosso tempo.
 - Tudo bem, vou confiar na sua indicação, vou levar.”

(E assim todos foram felizes para sempre…)

II

“- Boa noite. Você tem algum livro sobre o poder da mente?
 - Sim, temos aquele ‘O segredo’, que fala sobre como você pode mentalizar positivamente um objetivo e alcançá-lo.
 - Cadê ele?
 - Vou pegar para o senhor.
 …
 - Aqui.
 - Quanto custa?
 - 39,90.
 - Vou levar.”

(E assim o mercado se sustenta, e eu aumento minhas vendas…)