Archive for the ‘Imprensa’ Category

Eu não sou jornalista!

Thursday, June 18th, 2009

Comecei a escrever um post sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, mas o texto ficou tão grande (mais de 10 mil caracteres!) que salvei no Word pra reler depois e ver se vale a pena publicar como coluna no Digestivo.

Como eu realmente queria postar algo sobre o assunto no blog, deixo um trecho do texto. E depois venho aqui dizer se vou publicá-lo no Digestivo ou não.

Primeiro, foi um amigo. Agora há pouco, minha irmã. Ambos disseram que, com o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, eu sou jornalista. Dei a mesma resposta aos dois: não, eu não sou jornalista.

(…)

Vejo muita gente reclamando no Twitter e nos blogs afora. Mas é curioso como algumas das pessoas que reclamam são as mesmas que, não muito tempo atrás, me desestimulavam quando eu comentava que queria fazer jornalismo. Diziam que o curso é uma droga, que não serve pra nada, que eu estava melhor fazendo Letras porque eu poderia atuar em mais áreas etc. Eu achava engraçado, pensava que a pessoa estava passando por uma daquelas crises que todos nós passamos e seguia com minha ideia de, no mínimo, fazer uma especialização na área.

Hoje, essa vontade está mudando um pouco, e estou começando a gostar da ideia de fazer uma nova graduação. Dura mais tempo que uma especialização, mas acredito que eu sairia no lucro. Às vezes parece que tento desparafusar uma cadeira com uma faca, em vez de usar uma chave de fenda apropriada. Ou seja: às vezes sinto que não tenho a ferramenta correta para fazer minhas atividades, ou, pior, não a conheço. Se alguns (jornalistas!) dizem que o diploma de jornalismo não serve para nada, minha formação em Letras - que está custando a sair, mas sai - também não me servirá pra nada. Mas tanto eles quanto eu estamos mentindo. É óbvio que ambos diplomas servem e servirão. Tudo na vida serve para alguma coisa. Vejam, por exemplo, o bem que faz o esterco.

O que você faria?

Thursday, May 28th, 2009

Veja a pergunta que Ricardo Kotscho fez a Caio Túlio Costa, em entrevista publicada no Último Segundo.

Vou contar um caso concreto que aconteceu comigo lá na “Folha”. Um professor de escola pública no Embu telefonou, dizendo que os alunos estavam dormindo na sala de aula. Ele estranhou aquilo e descobriu que as crianças trabalhavam numa olaria de madrugada, um trabalho insalubre. Eu fui lá, chequei e realmente tudo era verdade. Fui falar com o dono da olaria. Ninguém tinha registro, as famílias ganhavam por produção. Por isso, os pais botavam as crianças para trabalhar, e moravam de graça. O dono da olaria disse: “Eu sei que está errado, não tem registro em carteira, as crianças trabalham, não sou eu que mando, são os pais… Se o senhor publicar essa reportagem vai acontecer o seguinte: vai vir aqui a Delegacia do Trabalho, vai multar a minha olaria, e vou ter que fechar. E vou ter que botar essas pessoas todas na rua”. Eram 10 famílias. Aí eu fiquei com esse negócio na cabeça, e pensei: vou denunciar um negócio desse para defender as crianças e vou ferrar a família inteira. Contei essa história para o meu editor. Eu nunca vou esquecer a resposta dele: “Para com essa frescura! É verdade tudo isso que você me contou? Então senta aí e escreve!”. Eu acabei escrevendo e me arrependo até hoje. O que você faria?

Imagine-se no lugar de Kotscho. O que você faria?

A primeira coisa que me veio à mente foi mandar o editor tomar naquele lugar e pedir demissão. Mas depois li a resposta de Caio Túlio:

Há uma questão moral aí: nós, jornalistas, não somos justiceiros. Acho que muitas vezes a gente se sente como tal. Então o ímpeto do senso comum é dizer: “Olha, eu não vou atrapalhar a vida dessas 10 famílias”. Mas, do ponto de vista do problema moral, o teu dever, Kotscho, era publicar a reportagem. O teu dever enquanto jornalista, porque você viu uma situação de abuso do trabalho infantil, viu uma situação de miséria, de transgressão das leis da cidade, que reflete um problema social, um problema muito maior do que aquele.

Ele tem razão. Mas a vontade de mandar o editor tomar naquele lugar permanece. Conclusão: espero não ter que passar por uma situação dessas.

Nossa realidade é outra

Thursday, May 21st, 2009

Fui dar uma olhada no site do Senado Federal e acabei achando um link para verificar o uso da verba indenizatória por cada senador.

Essa verba é uma espécie de reembolso para atividades - relativas ao mandato - desempenhadas pelos senadores. Abastecimento de carro, por exemplo. Material de escritório, essas coisas. São 15 mil reais por mês. Deputados também têm direito a esse dinheiro. Foi com ele, aliás, que, muito provavelmente, o Edmar Moreira construiu seu castelo.

Neste link (é um PDF) vocês podem ver como os senadores utilizaram esse dinheiro durante os meses de janeiro, fevereiro e março deste ano. É curioso ver que o senador Delcídio Amaral, um dos paladinos da ética na época do mensalão, usou tudo o que tinha direito. Mais curioso ainda é ver que o senador Arthur Virgílio, o pitbull do PSDB, não utilizou 1 real sequer.

É óbvio que, se é um direito do político, ele pode usar até o talo. A questão é: esse dinheiro foi gasto de maneira correta e honesta? Mais: foi mesmo necessário gastá-lo? Mais ainda: essa verba é realmente indispensável? Por que não eliminá-la, uma vez que já há tantos benefícios extras para políticos?

Cheguei até as verbas indenizatórias porque estava procurando saber qual o salário atual dos senadores. E é incrível como é difícil encontrar essa informação no site oficial do senado - ou mesmo no site oficial da república. Na verdade, não foi lá que encontrei o valor, mas sim neste link, que reproduz uma matéria da Folha de São Paulo.

Fui atrás, também, do valor que os senadores norte-americanos recebem. Acreditem ou não, fiquei sabendo disso em menos de 5 minutos, através do site oficial do senado deles.

O valor: 174 mil dólares anuais, que dá 14.500 dólares por mês. O senador brasileiro ganha 16.500 reais por mês. Ou seja: 198.000 por ano. Isso multiplicando por 12, mas, se não me engano, o certo seria multiplicar por 15. Hum, e sem falar nas convocações extraordinárias, pelas quais os políticos recebem mais de 25 mil reais - por convocação. (Aliás, se alguém souber que isso deixou de existir, favor avisar.)

Aos “do contra” de plantão, nem adianta dizer que, se for pra comparar, é necessário “dolarizar” o salário do senador brasileiro ou “realizar” o salário dos senadores norte-americanos. A comparação aqui deve ser feita sem nenhuma adaptação. Até porque, no fim das contas, os gastos serão praticamente os mesmos - exceto se formos falar em carros (eu adoraria morar lá, só pra poder comprar um PT Chrysler por menos de 20 mil doletas), produtos eletrônicos e outros objetos específicos. Mas um quilo de arroz, por exemplo. Lá custa U$ 1,50. Aqui, no Brasil, dá pra encontrar um quilo de arroz por R$ 1,50 ou alguns centavos a mais. Quem tiver interesse, neste link dá pra ter uma noção do custo de vida em Nova York (tendo como base valores do ano de 2007).

Estou dizendo tudo isso porque assisti, através do site de Luis Carlos Azenha - onde, aliás, caí totalmente por acaso, através do blog de Rodrigo Vianna -, este vídeo no qual Ciro Gomes afirma que os políticos americanos - e dinamarques, e suecos, e… - têm direito a passagens de avião sem limites para uso.

E então pensei: o fato de existir determinados privilégios em determinados países não implica na implantação ou manutenção de tais benesses aqui, no Brasil. Nossa realidade é outra.

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A revista piauí deste mês traz uma ótima matéria assinada por Dorrit Hazarim, que acompanhou um deputado federal “novato”. Além de a trajetória do cara ser bem legal - ele é de família humilde, lá do Piauí, começou a ganhar dinheiro lavando carros quando guri -, há na matéria o valor do salário de um deputado federal e todos os “auxílios” a que eles têm direito. Além disso, o deputado revela certos acontecimentos de bastidores que conhecemos de cor, mas é sempre bom ler sobre. Até pra não acabar esquecendo.

Vejo agora que a reportagem está disponível no site da piauí apenas para assinantes. Como sou a favor da sobrevivência das revistas, não vou acessar o conteúdo e republicar aqui. Além de isso ser - é sério - ilegal, é uma matéria relativamente grande (quatro páginas; ou frente e verso de duas folhas, fica a critério do leitor), melhor ler na revista impressa mesmo. R$ 9,50 só, na banca mais perto de você.

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Pesquisando sobre as tais convocações extraordinárias, encontrei um link sobre o mesmo assunto deste post, publicada em 2006. Sou um humilde blogueiro, este post é apenas uma introdução tosca sobre esse assunto desagradável - mas necessário - que é a política e os salários dos políticos. Então, para mais e maiores detalhes, cliquem aqui e confiram a tal matéria (reprodução de conteúdo do JB).

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Atualização (12:31, 21/05/2009): Acabo de ver que Paulo Maluf não utiliza a verba indenizatória há meses. Não sei se isso é bom ou ruim. Porque, sei lá, vai que ele está desviando dinheiro de outro lugar? Com o Maluf todo cuidado é pouco. (Mas vai que ele está se redimindo? Se sim, parabéns pra ele.) Quem quiser verificar o uso da VI pelos deputados, basta clicar aqui. Inclusive dá pra ver como Sérgio Moraes gasta tanto. E a Luciana Genro também. E outros tantos.

Tempo de letras e Eu na Brasileiros de maio

Thursday, May 14th, 2009

Puxa, que legal. Um boletim na CBN chamado Tempo de Letras, com dicas literárias e notícias do meio. Fiquei sabendo porque o Barbão foi entrevistado recentemente lá. Muito legal. Tomara que passe de boletim para, sei lá, um mini-programa de debates ou entrevistas. Seria show de bola, não? Ah, tem o blog Tempo de Letras, também no site da CBN.

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Quem quiser assistir a entrevistas com escritores, clica aqui. É a página de vídeos da Globo.com que abriga algumas entrevistas muito legais. Sérgio Rodrigues, Carlos Heitor Cony, Jerônimo Teixeira, Bernardo Carvalho… e por aí vai. Muito legais mesmo, principalmente a do Sérgio.

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Lygia Fagundes Telles é capa da revista Brasileiros deste mês. Coincidência danada, porque ontem Cássia comprou os três livros dela que saíram agora pela Companhia das Letras. Nesta edição eu resenho “Leite derramado”, do Chico Buarque. O texto vocês podem ler no site, mas comprem a revista, vale a pena. Também por mim, claro, mas mais pela LFT e pelas outras reportagens. (Nota: são 02:26 e até o momento a resenha está com dois pequenos “erros”: um de HTML e outro de texto, no primeiro parágrafo, mas que devem ser corrigidos ainda no dia de hoje.)

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Às vezes o que não foi planejado é que dá certo. Isso me faz lembrar do Francis Ford Coppola, que disse uma vez mais ou menos o seguinte: se ele não tivesse casado e pouco depois a esposa tivesse engravidado, ele certamente não seria quem é. Porque tanto o casamento quanto o filho o fizeram mudar radicalmente de atitude e levar a vida mais a sério. Não caso por agora nem muito menos serei pai tão cedo, mas espero que as coisas não planejadas me levem a lugares que eu não imaginava chegar. É que o planejado às vezes não dá certo.

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Falamos muito sobre “sonhar acordado”. Mas e os pesadelos que temos enquanto acordados? Talvez por serem negativos não falemos tanto. Neste momento estou sem saber o que é pior: enfrentá-los conscientemente e de olhos abertos ou me aventurar a encará-los de olhos fechados.

Sobre essa coisa do fim dos jornais

Sunday, May 10th, 2009

Escrevi um texto sobre o assunto que já pode ser lido neste link. Mas em 2007 escrevi um outro que, relendo agora, tapa os buracos desse novo. Aí vão dois trechos que julgo serem importantes:

“Na internet, o ensaio de um jornalista como o americano Gay Talese não teria a mesma repercussão que teria se fosse publicado num jornal impresso. Na rede, o texto se perderia, e sofreria com os leitores-pula-pula, que com certeza não leriam a reportagem inteira. Não há espaço na internet para gente do quilate de Gay Talese ou David Remnick, por exemplo. Diversos jornalistas e colunistas que fizeram carreira em veículos impressos têm blogs e colunas em diversos sites. Mas aí é que está: se eles vieram da mídia impressa, por que ela deveria acabar, se é ela que tem financiado, digamos assim, o melhor conteúdo dos sites e blogs?”

“Como leitor, não tenho interesse em ler matérias ou posts nos quais o sujeito fez uma pesquisinha no Google, deu uma olhadinha na Wikipedia e publicou seu texto baseado nas informações adquiridas em sua ‘pesquisa’. Como leitor, me interessa o jornalista que levanta a bunda da cadeira para ver o fato como ele é. Me interessa o jornalista ou articulista que leu não só uma ou duas notícias relacionadas ao fato sobre o qual ele vai escrever, mas sim uma série de textos sobre o assunto. Me interessa o jornalista que luta até o fim para descobrir a veracidade de uma informação ou para consegui-la. Existe algum blogueiro que faça isso? Existe. Mas quantos são?”

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Ainda sobre esse assunto, não deixem de ver esta entrevista que Lúcia Guimarães fez recentemente com Gay Talese.

Conversas entre âncoras

Wednesday, May 6th, 2009

Notei essa estranha tendência primeiro no Jornal Hoje, apresentado por Evaristo Costa e Sandra Annenberg, mas é possível que ela tenha iniciado em algum outro telejornal brasileiro ou mesmo norte-americano, já que por aqui é comum imitar as “novidades” de lá.

Do Jornal Hoje a coisa foi se espalhando e, pasmem!, chegou até o Jornal Nacional e contaminou o casal de âncoras mais sóbrio do país. Hoje descobri, não sem um grande sentimento de decepção, que essa praga da conversa entre âncoras chegou também ao Bom Dia Brasil, que tem como âncora-mor o respeitadíssimo lorde Renato Machado.

Sejam sinceros e me digam: de que adianta essa conversinha paralela? Ao assistir um jornal, queremos saber das notícias, certo? Não sei vocês, mas eu não tenho o menor interesse em ver dois colegas conversando durante o trabalho. Se querem opinar, que façam como sempre fez o Bóris Casoy, que ontem chamou um bando de gente de idiotas em rede nacional, no Jornal da Noite, da Band. O Bóris tem os momentos de expressar a opinião dele, dar bananas e dizer que as coisas são uma vergonha.

Agora, ficar de conversinha fiada no meio da apresentação do jornal? Façam-me o favor…

O Blog da Feira está de volta!

Thursday, April 16th, 2009

Depois de um período de hibernação, o Blog da Feira está de volta. Novo layout, novo formato, mesmo endereço: http://www.blogdafeira.com.br/

Em vez de uma cobertura tradicional, Jânio Rego decidiu “tomar” o blog para si, e fazer do BF seu blog pessoal. (Se o Jânio me ler por aqui, acho que a decisão foi acertada.)

É verdade que não concordo com algumas opiniões dele, da mesma forma que ele também não concorda muito com as minhas, mas é sempre bom ler outros pontos de vista. E o do Jânio é um dos que vale a pena ler.

Longa vida ao “novo” Blog da Feira!

Gay Talese na FLIP

Thursday, April 2nd, 2009

A notícia mais importante da semana: Gay Talese vem à FLIP.

Na Brasileiros de julho de 2007, a número 1, há uma reportagem bem legal sobre Talese, feita pelo jornalista Jorge Pontual, aquele mesmo, da Globo.

- Você tem uma grande história. A sua história. Quem está interessado em Gay Talese? Conte como você tentou me entrevistar e acabou me contando os seus segredos. Faça isso. Não vou mais falar com você. Afinal, o Sinatra nunca falou comigo, e a reportagem acabou sendo sobre mim mesmo, sobre como eu via o Sinatra. Não me ligue mais. Tudo que você quer saber sobre Gay está nos meus livros. Estou indo viajar para o casamento da minha filha na Inglaterra e não vamos mais nos ver. Boa sorte. (recado de Gay Talese para Jorge Pontual)

Campanha da Brasileiros

Tuesday, March 24th, 2009

A agência DM9DDB é responsável pela campanha publicitária da revista Brasileiros. Mais detalhes aqui.

O vídeo ficou excelente.

Eu na Revista Brasileiros

Wednesday, March 18th, 2009

Deixei pra avisar aqui no blog só quando a revista me chegasse às mãos ou quando o texto saísse no site, porque sou supersticioso e tenho trauma de publicação frustrada. Vale até contar essa historinha pra vocês, me lembrem. Talvez seja por causa desse trauma que eu tenha tanta vontade de publicar um livro, vai saber.

Mas enfim. A questão é que está nas bancas - e também na internet - a Revista Brasileiros deste mês, que traz uma entrevista que fiz com o escritor Alberto Mussa, sobre quem comentei aqui algumas vezes este ano. Dá pra ler a entrevista na internet, mas comprem a revista, ora bolas. Até porque é uma revista muitíssimo boa, garanto a vocês. Ainda não decidi o que fazer com as sobras da matéria, mas devo publicar aqui, depois.

E se alguém avistar um OVNI hoje à noite, pode ficar tranquilo, é só meu ego.