Archive for the ‘Poemas’ Category

O romance interminável

Thursday, November 13th, 2008

Nunca mais um versinho, ela disse.
Mas amor, é que não sou poeta.
Se algum dia fui, foi apenas para conquistar amores.

O problema é que,
depois de conquistado,
o amor não se faz com versos.
E então inventei de ser contista.

Mas percebi que o amor não cabe em contos.

Que tal ser romancista?, pensei.
E então todos os dias escrever
um novo capítulo
do romance interminável
entre eu e você.

Melhor assim, não?

Um post vazio

Saturday, June 30th, 2007

Há um post no meio do caminho
No meio do caminho há um post
vazio.

Há um post vazio no meio do caminho.

Preenchê-lo com o quê, afinal?

Piadinhas? Trocadilhos infames? Um desabafo indignado com a situação caótica do nosso país? Falar de um livro recém-lançado? Contar a todos meus conflitos existenciais?

Pelo visto, há muito mais coisas no meio do caminho do que um post vazio.

* Publicado originalmente no blog do Digestivo Cultural

Outro poeminha?

Friday, May 11th, 2007

Dá pena de ver o livro dele na livraria daqui.
Sempre no mesmo lugar,
A mesma quantidade,
Ninguém pegando pra folhear…
Ahhh, que pena que dá!

Versinhos (???) bobos, mas cheios de verdade. E pode ser aplicado a livros de qualquer autor que admiro.

perambulagens

Tuesday, March 27th, 2007

a Diego Barreto Ivo (ou “o poeta”)

tenho sono
mas não posso dormir
pois tenho fome.

tenho fome
mas não posso comer
pois não há o que comer.

e então sigo perambulando
por essas ruas de um lugar qualquer
até o dia em que meu corpo desabar.

e nunca mais sentir nem fome nem sono
nem nada.

Eu te vejo

Friday, March 16th, 2007

Eu te vejo quando bem quero.
Nos olhos de toda mulher que passa
                                       [por mim.
Basta ela ter qualquer coisa tua.

Pode ser a pele branca.
Ou o cabelo - negro, para mim -
castanho escuro, para ti.

Mas às vezes nem nada.

Basta que eu olhe pra qualquer lugar.
Qualquer lugar.

E então
te vejo.

Soneto (errado) de infidelidade

Tuesday, February 27th, 2007

* Poema bobo que fiz séculos atrás, em um ato de irreverência - também bobo -, inspirado no grande Vinicius, claro

Das duas sei a cor.
Sei do gosto, do sabor.
Das duas eu provei.
E das duas eu gostei.

Uma é linda,
A outra, mais que bela!
Mato e morro pela segunda.
Morro e mato pela primeira. 

Agora eu vejo estrelas
E penso na linda.
Agora, vejo na lua, a bela.

Não posso ter as duas,
E então escolho a linda.
(E então escolho a bela).