Archive for the ‘Política’ Category

Vergonha no Ceará

Tuesday, December 8th, 2009

* Recebi por email e reproduzo. Não sei quem é o autor.

Você, leitor, tem preço ou dignidade? Uma Constituição Federal, com fundamento no Princípio da Dignidade, entre outros, está ultrapassada?

É caro leitor, é triste, mas na sociedade em que vivemos é notável a escassez de pessoas com dignidade.

Um massacre a dignidade, ao respeito, ao direito de trabalhar está acontecendo no Ceará “Terra de Luz” nosso Ilustríssimo Sr. Governador, após conseguir Hilux e fardamento feito por estilistas para o Ronda do quarteirão, comprar “motinhas” com um preço exorbitante para os policiais da “Beira-mar, o digníssimo governador resolveu fazer uma licitação para as empresas de ônibus intermunicipais.

Nada contra as licitações, afinal elas são feitas para que o Governo consiga atender a população de forma adequada e menos onerosa, mas tudo contra as licitações encomendadas onde há um extermínio de todas as ditas concorrentes, havendo um vencedor pré-estabelecido.

Querido leitor, talvez você não saiba, pois os veículos de informação foram “convencidos” a não publicar nada, mas a licitação feita fecha 28 empresas de ônibus, ficando funcionando apenas 4, a licitação foi feita na base de fraudes, com notas fiscais frias, a licitação foi feita passando como um rolo compressor por cima de direitos, a licitação foi feita contra a Carta Magna Brasileira, a licitação foi feita ignorando liminar de suspensão dada pelo juiz da 2a. vara de Fazenda Pública, a licitação foi feita sem qualquer indenização às empresas que terão seus funcionários demitidos e suas portas fechadas, e quando o Governador foi questionado sobre tais questões, a resposta foi que procurássemos a Justiça. Qual justiça será essa na qual ele se referiu? Será ilustrada pela Constituição? Ou será a de Deus?

Acredito ser a mesma justiça na qual ele passou por cima, a mesma justiça na qual a licitação foi feita, ou seja, onde pessoas sem o “conhecimento” necessário não tem acesso, onde se o Ministro do STF não for seu pai, irmão, cunhado, genro você não tem chance.

Enfim, quem um dia se apaixonou pelo Curso de Direito é colocado cara a cara com uma realidade bastante diferente das teorias ensinadas nas salas das faculdades, se depara questionando, onde será que eles estavam nas aulas de ética, de Direito Constitucional, Administrativo…

Desabafo de uma estudante de Direito.

Fortaleza-CE, 18/11/2009.

Bala achada

Monday, October 19th, 2009

Ontem, domingo, meus pais foram à missa, como quase todo domingo vão. Na volta, por volta de 20:30, deixaram o carro do lado de fora, em frente à nossa casa, porque, teoricamente, em pouco tempo eu sairia com ele para levar minha bem-amada em casa.

Enquanto meus velhos tomavam café, Cássia e eu estávamos assistindo “O guia do mochileiro das galáxias”. Iríamos sair quando o filme terminasse, entre 21:30 e 22:00. Isto se, por voltar das 20:45, 21:00, não acontecesse o que aconteceu.

Quando ouvimos o primeiro estouro, achamos que fosse fogos de artifício. Logo em seguida veio o segundo estouro e imediatamente baixei o volume da TV. Foi quando ouvimos um “Vou te matar, seu safado!”, seguido de mais dois estouros. Que eram, claro, tiros.

Tínhamos levantado pra olhar da janela - estávamos no primeiro andar - e quando ouvimos a citada frase mandei Cássia se abaixar e fiquei em pé - essas coisas que fazemos sem pensar, eu deveria ter me abaixado também. Mas a verdade é que comecei a pensar um monte de besteiras, sendo uma delas que minha cachorra, que estava na garagem, poderia ter sido atingida por uma bala perdida. Antes de pensar nela, pensei nos meus pais, óbvio, e mais em meu pai, que tem o costume de fumar na garagem.

Felizmente, como disse no segundo parágrafo, eles estavam tomando café.

Depois de passar pela cozinha, fui à garagem, e minha cachorrinha estava lá, quietinha e ficou muito afoita quando me viu. Ela se assustou com o barulho, acredito eu. Depois, como já havia passado a confusão, fomos lá fora. Não vimos nada, as pessoas estavam dentro de casa, ninguém se atrevia a dar as caras ainda - nem nós, claro, não passamos do portão. Mas, depois de alguns minutos, todo mundo foi criando alguma coragem e, também, precisávamos saber o que tinha mesmo acontecido, ou tentar entender. E foi aí que ficamos sabendo que:

- Algumas casas adiante, vizinhos nossos de décadas estavam ainda na porta de casa, conversando. Sendo que um amigo da família estava dentro do carro e precisou fugir desesperado, com medo de que sobrasse tiro pra ele.

- Na casa quase em frente à minha, o pessoal, também vizinhos há décadas, estava colocando o carro pra dentro justo na hora em que aconteceram os tiros.

Daí o assombro que tomou conta em especial essas duas famílias: eles estavam do lado de fora enquanto tudo acontecia. Algo de muito ruim poderia ter acontecido com eles - felizmente, graças a Deus, não aconteceu.

Ficamos conversando por um bom tempo, cada um contando o que tinha vistou ou ouvido, e só depois foi que meu pai teve a curiosidade de dar uma olhada no carro. Uma bala varou o parabrisa e o vidro traseiro. Outra pegou de raspão na parte da frente do carro. A que atingiu os vidros atravessou o lado do carona. Geralmente quem fica no banco do carona é minha mãe ou eu. Quando o velho está dirigindo. Quando eu estou, quem fica é Cássia. (Analisando melhor a coisa toda, entendemos que um dos alvos do indivíduo armado se escondeu atrás do carro de meu pai - no desespero, ainda largou as sandálias em nosso passeio, imagino que para correr melhor.)

E foi então que pensei no que poderia ter acontecido. Porque é inevitável pensar nisso. E se meus pais chegam um pouco mais tarde? E se Cássia e eu quiséssemos sair um pouco mais cedo? Sabe lá Deus o que poderia acontecer… Claro que, justamente graças a Ele, nada aconteceu. Mas…

Enfim. Ligamos para a polícia, para fazer uma ocorrência ou qualquer coisa que o valha. Afinal, o vidro dianteiro estava com um buraco de bala e o traseiro estava estilhaçado, faltando pouco para não desabar. Esperamos, esperamos… E até agora esperamos. A polícia simplesmente não veio.

Meu pai foi até o complexo policial tentar resolver isso. Antes, ligou pra lá, perguntou se poderia fazer a ocorrência, disseram que sim. Quando chegou lá, disseram que não, queriam de ir a uma tal segunda delegacia, já que se tratava de uma tentativa de homicídio. Meu pai, óbvio, desistiu de ir, porque ele não é nenhum vagabundo pra ficar rodando de um lado pra outro da cidade atrás de uma polícia que não serve pra porra nenhuma.

Hoje meu pai foi ajeitar os vidros. O seguro vai pagar 1 e meio. Mas, se algo de muito ruim acontece - e não digo conosco, mas com qualquer pessoa aqui da rua -, quem ia pagar? Não há seguros para vidas. Há seguros de vida. Mas, para vidas, não.

Já falei aqui sobre a insegurança pública, já falei aqui que nosso bairro era mais tranquilo mas que nos últimos tempos sempre ouvimos tiros por perto, e agora eis que temos um imbecil dando tiros em frente à nossa casa. Enquanto isso, o governador da Bahia, Jaques Wagner (ele é do PT, só pra constar), está mais preocupado em garantir uma aposentadoria vitalícia para ele, para quando acabar o mandato.

Semanas atrás, bandidos barbarizaram Salvador, queimaram não sei quantos ônibus, implantaram toque de recolher e o escambau. E que faz o governador, em vez de aumentar o número de policiais e melhorar as condições de trabalho deles?

Vocês sabem a resposta. Mas direi mesmo assim: o governador não faz NADA. E nós, cidadãos de paz que só queremos um pouco de tranquilidade para enfrentar os problemas do dia a dia, ainda temos de nos virar sozinhos, torcendo para que um tiroteio não aconteça na frente de nossa casa e que, se acontecer, ao menos que uma bala de revólver não encontre algum ente querido.

Rio 2016

Saturday, October 3rd, 2009

Acho muito bonito toda essa onda patriótica correndo o Brasil por conta de o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas de 2016 - hoje mesmo, no Jornal Hoje, vi uma dúzia - não mais que isso - de integrantes do Olodum, lá no Pelourinho, fazendo festa pros cariocas. Imaginem como não deve ter sido animada a coisa lá no Amapá ou no Acre.

De verdade. Quase choro. Fiquei com um nó na garganta. Só não chorei porque estava almoçando, no restaurante ao lado do trabalho.

Mesmo tendo, horas antes, ouvido de um colega que Barcelona até hoje paga a conta das Olimpíadas que sediou em 1992. Se é verdade ou não, não sei. Mas ele falou uma coisa interessante, e que não deixa de ser verdade: a cidade do Rio de Janeiro será, agora, a menina dos olhos do governo federal. Deste e dos próximos. O que vai ter de investimento lá não vai ser brincadeira. Mas, vejam: somente o Rio de Janeiro. Nenhum outro estado será beneficiado. Talvez cidades vizinhas do Rio, e só. Li que outras capitais receberão partidas de futebol, mas, se isso for verdade, não é grande coisa: afinal, a Copa do Mundo de 2014 será aqui, toda a estrutura já estará montada.

Ou seja: vai ser bom pro Rio. Para o resto do Brasil, não. Porque certamente verbas federais que poderiam ir para outros destinos, cairão no Rio.

Não que eu seja contra qualquer coisa. A questão não é essa. Só penso o seguinte: nosso país tem problemas enormes e urgentes para serem sanados. Por que, em vez de trabalhar para isso, ficamos correndo atrás de sediar Copa e Olimpíada? Não dá para entender.

O Lula tem feito um bom governo? Depende do que você chama de bom governo. Para mim, a administração dele é razoável, porque comparo com o que ele poderia fazer. E ele poderia fazer muito mais. Não ele, Lula, mas seu governo, seu partido.

Fez muito, é verdade. Não se pode negar. Mas e o que poderia ser feito? Temos que analisar friamente a coisa. Se ele tirou X milhões de brasileiros da linha da pobreza, o fato é que poderia ter tirado o dobro. Se poderia ter levantado sei lá quantas casas, poderia ter levantado o dobro. E por aí vai. Não é porque um governo faz sua obrigação que devemos elogiá-lo e fechar os olhos para o que ele poderia fazer de melhor e não fez.

Se colocarmos na balança, o governo Lula foi mais decepção que surpresa. Basta citar o mensalão. E, agora, as alianças com Sarney e Collor - o vale-tudo pela governabilidade.

Isso é mesmo necessário? Justo ele, o presidente que bate recordes de popularidade?

Há algumas semanas, no trabalho, entrei de gaiato na conversa de alguns colegas. Eles, funcionários de um órgão federal, falavam que o PT precisa continuar no governo, para que tudo continue como está - ou seja, o emprego deles, o salário deles, o plano de carreira deles. Certo, tudo bem, entendo que temos de defender o nosso. Mas uma das minhas colegas chegou a dizer, sobre mensalão e conchavos com El Bigodudo e El Hombre del Saco Lilás, que tem de ser assim mesmo, que corrupção tem em todo o lugar e que tem de ser fechar os olhos para certas coisas, ou então não se governa.

Quer dizer: você vai deixar de ser um cidadão crítico porque sua situação se tornou mais confortável por causa de um governo corrupto, é isso?

E ela ganha um salário polpudo, poderia se dar o luxo de criticar. Eu, que ganho uma merreca e sou funcionário do município, jamais vou deixar de criticar o prefeito da minha cidade - seja lá quem ele for - só porque sou “funcionário dele”. (Felizmente, o atual prefeito vem fazendo um bom trabalho, ao que me consta.)

Voltando ao Rio. Não lembro se já disse aqui no blog - e estou com preguiça de procurar -, mas o que acontece no Rio de Janeiro é uma guerra civil. Em São Paulo também. Salvador recentemente teve dias de completa desordem, com bandidos queimando não sei quantos ônibus e barbarizando geral. E em várias outras cidades do Brasil.

Por que, em vez de gastar sei lá quantos bilhões com Olimpíadas, não tentamos resolver esse problema, por exemplo? E o da educação. E o da saúde. E o da moradia.

Sem contar que certamente uma parte considerável desses bilhões vai ser desviada para o bolso de muita gente graúda.

Mas, enfim, comemorem. Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Espero que ninguém por aí leve uma bala perdida na testa e perca essa festa.

Do anonimato (ou Sobre a ANABA)

Saturday, September 19th, 2009

Denúncias anônimas, que muitas vezes ajudam a solucionar crimes ou encontrar criminosos, são, ora, anônimas. Fontes de jornal, que fazem denúncias graves contra políticos ou empresas, inclusive conseguindo e cedendo, A JORNALISTAS, são, também, anônimas.

Qual o problema, então, do anonimato na internet?

Os trolls. Se você não sabe o que é um troll, é só clicar aqui e aqui, são dois textos publicados no Digestivo sobre o assunto. Além disso, pode ver também o significado de troll na Wikipédia.

Eles, os trolls, são, claro, o problema. Mas, num caso como o que eu propus mês passado, neste post, não vejo nada de mais. Nem nos casos apresentados no primeiro parágrafo deste post. Aliás, quem aí nunca pensou em ligar para a polícia, sem se identificar, para reclamar do vizinho batendo na esposa? Ou do idiota que está com o som ligado na maior altura às 11:30 da noite?

Sem o anonimato, George Orwell não teria escrito “Na pior em Paris e em Londres”, no qual relata sua experiência - meio que obrigada pelas circunstâncias, vá lá -  entre mendigos naquelas duas cidades. Sem o anonimato, algumas experiências acadêmicas jamais poderiam ser realizadas, como a do professor que se disfarçou de gari para provar que nós - eu, você, nossos pais, amigos e irmãos - não olhamos para os garis, não os encaramos, não conhecemos seus rostos. Enquanto que, certamente, identificamos aquele gerente de banco ou aquela supervisora de megastore sem pestanejar.

Agora, com o surgimento da ANABA - Associação Nacional dos Blogueiros Anônimos -, começam a surgir por aí posts recriminando a iniciativa etc. e tal. Paciência. Nem Cristo teve unanimidade. Nem tem, até hoje. Eu, particularmente, se a ANABA não descambar para a esculhambação, dou o maior apoio. Inclusive, se eu achar que posso, colaborando - mas me identificando. Ou não, vai saber. Vai que eu descubro alguma tramóia das grandes? Não vou colocar o meu na reta, lógico. Afinal, não tenho nenhuma grande empresa de comunicação para me proteger.

Alguém me explica, por favor?

Wednesday, August 26th, 2009

Esse negócio de não sei quantos bilhões de brasileiros terem deixado de ser pobres para entrarem na classe média aconteceu porque eles passaram a ganhar mais, mesmo, ou porque a classe média tá ganhando bem menos?

Ao que me consta, a classe média é que está se ferrando mais ainda.

Se eu fosse jornalista político

Wednesday, August 19th, 2009

Vou lhes dizer o que eu faria se fosse um jornalista político decente, mas medroso.

Procuraria amigos jornalistas que estivessem revoltados com todo esse mar de lama que existe na política. Esses amigos certamente não seriam apenas de minha cidade, mas de várias outras. Precisariam ser pessoas de extrema confiança, porque todos estariam envolvidos num projeto diferenciado e arriscado.

Com eles, levantaria as mais diversas e sigilosas informações. Fatos, apenas fatos. Acontecimentos que podem ser provados e que merecem ser investigados. Sobre quem? Políticos, claro.

Abriríamos um blog. Sob um único pseudônimo, postariamos todas as sujeiras que nossos empregadores não permitem que sejam publicadas nos jornais, revistas ou mostradas na televisão. Além disso, enviaríamos as denúncias com as provas - cópias de documentos, fotos, gravações etc. - para a Polícia Federal. E colocaríamos no blog que teríamos enviado.

Os posts seriam feitos de lan-houses dos mais vários locais do Brasil, para não haver chance de sermos descobertos.

Se tudo desse certo, políticos de todo o Brasil seriam presos. Não muitos, é verdade, porque não teríamos provas suficientes para incriminar todos. Mas já seria alguma coisa.

Mas, claro, isso jamais vai acontecer. Afinal, mesmo com tudo o que foi dito e publicado nos últimos tempos, nos mais diversos jornais e revistas, José Sarney não foi investigado, o que um blog anônimo poderia fazer de diferente?

Resposta do Senador Arthur Virgílio

Monday, August 17th, 2009

Semanas atrás, quando daquela ridícula sessão do Senado em que Renan Calheiros quebrou o decoro parlamentar e xingou o senador Tasso Jereissati de “cangaceiro de merda”, e acusaram o senador Arthur Virgílio de uma série de coisas, enviei um email a estes dois últimos, demonstrando indignação em relação à atitude de moleque de Calheiros, ao xingar Jereissati fora do microfone, e enviando palavras de apoio ao senador Virgílio, para que ele possa provar o que deve e se redimir dos erros que eventualmente tenha cometido. Assim como eu, várias pessoas enviaram mensagens ao senador. Ele - ou sua assessoria -, por sua vez, escreveu um comunicado e enviou a todos os que lhe enviaram e-mails. Por de certa forma admirar o senador Virgílio - apesar de já ter discordado dele várias vezes -, reproduzo aqui no blog a resposta, para que qualquer interessado possa ler.

As acusações que caem sobre Virgílio são, claro, para tirar um pouco o foco do festival de roubalheira e tráfico de influência promovidos por Sarney. É óbvio que o senador Arthur Virgílio não é nenhum santo e errou. Essas falhas dele, inclusive, não devem ser as únicas, e não devemos fechar os olhos para elas. Mas o fato é que o golpe desferido contra ele foi meramente por conta da situação ridícula e constrangedora em que se encontra o talvez maior pilantra brasileiro vivo, José Sarney.

Enquanto gasta-se tempo apurando e noticiando falhas isoladas de Virgílio, perde-se um pouco da atenção que deveria estar totalmente voltada para Sarney e seus capangas - uma força-tarefa foi organizada para defendê-lo e apoiá-lo, tendo inclusive a participação de ilustres “bastiões da honestidade e da ética”, como a senadora Ideli Salvatti e o senador Delcídio Amaral, cachorrinhos obedientes do barbudo mais picareta da nossa história recente, o Lula.

Então, meus caros, fiquem ligados. Na próxima eleição, não votem em quem está apoiando Sarney. Nós podemos, pelas urnas, expulsá-lo da vida política. E o mesmo devemos fazer com todos os que o estão apoiando neste momento, tentando esconder toda a sujeira que ele tenta varrer para debaixo do bigode. Não votem no PT nas próximas eleições. Não permitam que Calheiros, Salvattis e cia possam continuar protegendo seres abomináveis como Sarney.

Enfim. Fiquem agora com o senador Arthur Virgílio.

P.S.: Quase esqueço de lembrar: Arthur Virgílio é um dos raros senadores que não utilizaram a verba indenizatória ainda este ano. Já Delcídio Amaral vem usando até o talo…

Caros Internautas,

Emociono-me e sinto-me confortado ao ler a pilha de milhares de e-mails que chegam ao meu Gabinete todos os dias, a maioria esmagadora compreendendo minha conduta e condenando, com muita força, muita indignação, a retaliação de que fui alvo por ter, desde o início – e até como voz quase isolada – exigido a apuração de irregularidades e ilegalidades ocorridas no Senado e a punição dos culpados.

Quem acompanha minha atuação sabe que fui o primeiro, quando da eleição da Mesa da Casa, no início de fevereiro, a pedir a demissão do então diretor-geral, Sr. Agaciel Maia. Apoiamos, nós do PSDB, a candidatura do digno petista Senador Tião Viana porque ele firmou compromisso com a bancada tucana de fazer a necessária reforma administrativa no Senado, e porque sabíamos – disse isso em plenário – que o Senador José Sarney não mexeria na Diretoria-Geral. Só afastou o Sr. Agaciel depois das graves denúncias trazidas pela imprensa e das cobranças que fiz.

Passei a reclamar não somente seu afastamento do cargo, mas sua demissão a bem do serviço público, assim como a do outro ex-diretor (Recursos Humanos), Sr. João Carlos Zoghbi, o que montou empresas de fachada para intermediar empréstimos consignados na Casa.

Depois, quando começaram a surgir denúncias envolvendo o próprio presidente da Casa, Senador José Sarney, pedi, primeiro, que ele se afastasse temporariamente do cargo para permitir isenção nas apurações, e, depois, o denunciei ao Conselho de Ética, para que fossem tomadas as devidas providências.

Não me moveu nenhum motivo pessoal, mas simplesmente a necessidade de resguardar uma instituição tão importante para a Democracia quanto o Senado.

Com isso, despertei a ira de toda essa gente, dessa verdadeira máfia. Passei a ser alvo de tentativas de chantagem e de ameaças, que foram se corporificando na divulgação de erros e equívocos em que também incorri – porque fazia parte de uma não mais admissível “cultura” da Casa – e terminaram pela vingança de representarem contra mim no Conselho de Ética.

Muitos, sob o temor da chantagem e das ameaças, silenciaram. Eu não! Assumi a responsabilidade por ter autorizado um funcionário do meu Gabinete a fazer curso no exterior e, mesmo sem ser cobrado, estou, por ditame de consciência, ressarcindo o Senado dos valores a ele pagos. Disseram que, por ter admitido o erro, tornei-me réu confesso. Se é assim, sou réu confesso mesmo. Não faço parte do clube da mentira, não alego que não sabia nem passo a terceiros responsabilidade que é minha. Não roubei, não desviei recursos da Casa, não passei para o bolso nenhum centavo público. Por isso, não me calo sob essa ou outras ameaças. Continuo exigindo a punição de quem cometeu gravíssimas irregularidades, a reforma na administração e nos costumes do Senado, enfim, limpeza geral na Casa, custe o que custar, doa a quem doer. Estou ao lado da imensa maioria dos brasileiros que não aceita mais uma instituição parlamentar presa ao passado, a antigas oligarquias.

Li emocionado mesmo, como disse, as mensagens de apoio e incentivo que recebi. Vi que homens e mulheres de todo o Brasil compreenderam que, apesar de haver incorrido também numa prática não mais cabível no Senado de hoje, tive a hombridade de por ela me penitenciar e não me deixar abater pelas ameaças e vendetas de quem está do outro lado. A Nação sabe bem quem está de um lado e de outro.

Aos que me escrevem com críticas, as acato democraticamente e aos que me enviaram sugestões, agradeço e parabenizo a intenção cívica de colaborar com um Senado melhor, mais transparente movido pelo mais autêntico espírito público.

Gostaria de responder às mensagens, uma a uma, mas isso não é possível. Por isso, a todos o meu MUITO OBRIGADO!

Continuarei na luta!

Cordialmente,
Senador Arthur Virgílio

Será que vão censurar os blogs?

Friday, July 31st, 2009

Os Sarney conseguiram dar um cala-boca temporário no Estadão. Digo temporário porque a decisão insana de um juiz que muito provavelmente tem o rabo preso não deve durar muito. Acredito que o Estadão consiga se livrar desse obstáculo e continuar publicando tudo o que bem entender sobre os Sarney.

José Sarney já deu um cala-boca em um blog também - ou vários, não lembro; quem tiver um link com alguma matéria sobre o assunto, por favor, me informe, para eu colocar aqui no post (agradeço publicamente ao Dudu Tomaselli, que me enviou o link através de um comentário).

Queria saber até onde vai o poder desse homem. Queria ver se todos os blogs mais acessados do Brasil começassem a xingá-lo, fazer denúncias etc. Será que ele daria um jeito de tirar todos os blogs do ar?

Não sei se vocês sabem, mas José Sarney apoiou a ditadura e depois foi apoiado pelos militares que antes compunham a ditadura. José Sarney é mais podre que fruta esquecida na feirinha. E um grandessíssimo safado.

(In)Segurança pública

Monday, May 25th, 2009

Ontem, domingo, por volta das 20:20, saímos, Cássia e eu, para ver se alguma das padarias aqui por perto estava aberta. Não é lá uma boa hora, mas também não estava tarde. Fomos andando tranquilos, vimos que estava fechada a padaria que poderia estar aberta e voltamos. No meio do caminho, dois malandrinhos passaram por nós, de bicicleta, deram uma “espiada básica” em nós, dobraram numa rua adiante e pararam no meio dela, como se estivessem com algum problema na bicicleta.

Na verdade, eles queriam apenas saber onde iríamos dobrar. Como seguimos reto, eles voltaram para a rua principal e começaram a nos seguir. Percebemos isso e começamos a pensar no que fazer. Apressar mais ainda o passo e ir pra casa ou dobrar na rua seguinte e entrar numa igreja que tem por aqui? O mais ridículo é que estávamos do lado direito da rua, e eles do lado esquedo. Do lado de lá, havia gente indo e vindo, mas nem isso não os intimidou.

Como o caminho para casa estava pouco movimentado e meio escuro, viramos na rua da igreja. Por sorte, os fieis estavam todos na porta, conversando etc. Tinha um pipoqueiro lá, compramos pipocas e esperamos os malandros passarem direto. Depois de alguns minutos, voltamos a seguir nosso caminho e chegamos são e salvos em casa.

O problema é que, a meu ver, não deveríamos ter corrido esse perigo. Porque foi um perigo, sim. Não dá pra engolir a história de que não tem como resolver a questão da (in)segurança pública. E aí não me interessa se a responsabilidade é do governo municipal ou estadual. O governo federal tem o dever, a obrigação de intervir e melhorar o policiamento nas cidades. Não sei como, não sou o presidente da república nem ministro de nada. Mas tenho o direito - aliás, o dever, acho - de reclamar e exigir que algo seja feito. Não é algo fácil de ser resolvido, claro. Mas existem alguma medidas que podem ser tomadas de imediato, como melhorar a iluminação das ruas e aumentar o número de policiais circulando pelos bairros, por exemplo.

Eu já falei aqui uma vez e repito: a situação só piora. Estamos - e agora me refiro a todos nós, cidadãos de bem - à mercê de bandidos, acuados em casa e paranoicos fora dela, olhando para todos os lados o tempo inteiro enquanto estamos andando por aí, temendo ser assaltados a qualquer momento. As coisas não deveriam ser assim. Não faz muito tempo, passamos por perigo semelhante, num domingo à tarde. Num domingo à tarde, repito, em plena avenida. Pessoas têm sido assaltadas pela manhã. Cássia mesmo já foi assaltada num bairro vizinho à faculdade, em plena luz do dia. Pior, há alguns metros apenas de um batalhão da polícia militar. Enfim, um absurdo.

E os bandidos agora já não “apenas” roubam. Eles agridem física e verbalmente, e muitas vezes matam sem motivo algum, mesmo quando a vítima não esboça reação alguma. De certa forma, vivemos numa espécie de prisão domiciliar. Não ficarei chocado se daqui a algum tempo começar a ouvir um toque de recolher. Parece que isso faz parte da “evolução” das coisas.

Nossa realidade é outra

Thursday, May 21st, 2009

Fui dar uma olhada no site do Senado Federal e acabei achando um link para verificar o uso da verba indenizatória por cada senador.

Essa verba é uma espécie de reembolso para atividades - relativas ao mandato - desempenhadas pelos senadores. Abastecimento de carro, por exemplo. Material de escritório, essas coisas. São 15 mil reais por mês. Deputados também têm direito a esse dinheiro. Foi com ele, aliás, que, muito provavelmente, o Edmar Moreira construiu seu castelo.

Neste link (é um PDF) vocês podem ver como os senadores utilizaram esse dinheiro durante os meses de janeiro, fevereiro e março deste ano. É curioso ver que o senador Delcídio Amaral, um dos paladinos da ética na época do mensalão, usou tudo o que tinha direito. Mais curioso ainda é ver que o senador Arthur Virgílio, o pitbull do PSDB, não utilizou 1 real sequer.

É óbvio que, se é um direito do político, ele pode usar até o talo. A questão é: esse dinheiro foi gasto de maneira correta e honesta? Mais: foi mesmo necessário gastá-lo? Mais ainda: essa verba é realmente indispensável? Por que não eliminá-la, uma vez que já há tantos benefícios extras para políticos?

Cheguei até as verbas indenizatórias porque estava procurando saber qual o salário atual dos senadores. E é incrível como é difícil encontrar essa informação no site oficial do senado - ou mesmo no site oficial da república. Na verdade, não foi lá que encontrei o valor, mas sim neste link, que reproduz uma matéria da Folha de São Paulo.

Fui atrás, também, do valor que os senadores norte-americanos recebem. Acreditem ou não, fiquei sabendo disso em menos de 5 minutos, através do site oficial do senado deles.

O valor: 174 mil dólares anuais, que dá 14.500 dólares por mês. O senador brasileiro ganha 16.500 reais por mês. Ou seja: 198.000 por ano. Isso multiplicando por 12, mas, se não me engano, o certo seria multiplicar por 15. Hum, e sem falar nas convocações extraordinárias, pelas quais os políticos recebem mais de 25 mil reais - por convocação. (Aliás, se alguém souber que isso deixou de existir, favor avisar.)

Aos “do contra” de plantão, nem adianta dizer que, se for pra comparar, é necessário “dolarizar” o salário do senador brasileiro ou “realizar” o salário dos senadores norte-americanos. A comparação aqui deve ser feita sem nenhuma adaptação. Até porque, no fim das contas, os gastos serão praticamente os mesmos - exceto se formos falar em carros (eu adoraria morar lá, só pra poder comprar um PT Chrysler por menos de 20 mil doletas), produtos eletrônicos e outros objetos específicos. Mas um quilo de arroz, por exemplo. Lá custa U$ 1,50. Aqui, no Brasil, dá pra encontrar um quilo de arroz por R$ 1,50 ou alguns centavos a mais. Quem tiver interesse, neste link dá pra ter uma noção do custo de vida em Nova York (tendo como base valores do ano de 2007).

Estou dizendo tudo isso porque assisti, através do site de Luis Carlos Azenha - onde, aliás, caí totalmente por acaso, através do blog de Rodrigo Vianna -, este vídeo no qual Ciro Gomes afirma que os políticos americanos - e dinamarques, e suecos, e… - têm direito a passagens de avião sem limites para uso.

E então pensei: o fato de existir determinados privilégios em determinados países não implica na implantação ou manutenção de tais benesses aqui, no Brasil. Nossa realidade é outra.

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A revista piauí deste mês traz uma ótima matéria assinada por Dorrit Hazarim, que acompanhou um deputado federal “novato”. Além de a trajetória do cara ser bem legal - ele é de família humilde, lá do Piauí, começou a ganhar dinheiro lavando carros quando guri -, há na matéria o valor do salário de um deputado federal e todos os “auxílios” a que eles têm direito. Além disso, o deputado revela certos acontecimentos de bastidores que conhecemos de cor, mas é sempre bom ler sobre. Até pra não acabar esquecendo.

Vejo agora que a reportagem está disponível no site da piauí apenas para assinantes. Como sou a favor da sobrevivência das revistas, não vou acessar o conteúdo e republicar aqui. Além de isso ser - é sério - ilegal, é uma matéria relativamente grande (quatro páginas; ou frente e verso de duas folhas, fica a critério do leitor), melhor ler na revista impressa mesmo. R$ 9,50 só, na banca mais perto de você.

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Pesquisando sobre as tais convocações extraordinárias, encontrei um link sobre o mesmo assunto deste post, publicada em 2006. Sou um humilde blogueiro, este post é apenas uma introdução tosca sobre esse assunto desagradável - mas necessário - que é a política e os salários dos políticos. Então, para mais e maiores detalhes, cliquem aqui e confiram a tal matéria (reprodução de conteúdo do JB).

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Atualização (12:31, 21/05/2009): Acabo de ver que Paulo Maluf não utiliza a verba indenizatória há meses. Não sei se isso é bom ou ruim. Porque, sei lá, vai que ele está desviando dinheiro de outro lugar? Com o Maluf todo cuidado é pouco. (Mas vai que ele está se redimindo? Se sim, parabéns pra ele.) Quem quiser verificar o uso da VI pelos deputados, basta clicar aqui. Inclusive dá pra ver como Sérgio Moraes gasta tanto. E a Luciana Genro também. E outros tantos.