Archive for the ‘TV’ Category

Humberto Werneck no Programa do Jô

Thursday, November 19th, 2009

Ontem o jornalista e escritor Humberto Werneck - com quem tive a honra de tomar dois cafés da manhã recentemente, em Ouro Preto - foi um dos entrevistados do Programa do Jô. Autor de “O santo sujo - A vida de Jayme Ovalle“, “O desatino da rapaziada”, entre outros, Humberto foi divulgar sua obra mais recente, “O Pai dos burros - Dicionário de lugares-comuns e frases feitas“. Quem não viu a conversa, que foi muito divertida, pode ver abaixo.

***

Mais: Prefácio de “O Pai dos burros”.

***

E está nas bancas a revista Conhecimento Prático Literatura nº 26, que vem com uma matéria minha sobre o livro “Olho por olho“, de Lucas Figueiredo, uma das obras mais importantes publicadas este ano, sem dúvida alguma. Nela, um pouco sobre o livro e uma entrevista com o autor. Corram para a banca!

Por que crer em Deus

Friday, May 22nd, 2009

Um dos convidados de ontem do Programa do Jô foi o jornalista Marcos Losekann, que é também escritor e estava lá para divulgar seus livros, além de contar algumas histórias de sua carreira e tal.

Ele tem três romances, que formam uma trilogia chamada “Entrevista com Deus”. O protagonista dos romances é um jornalista que, de ateu convicto, termina acreditando em Deus. Quando estava falando sobre essa questão de crer ou não em Deus, Losekann, que é cristão, disse o seguinte:

“Eu tenho uma explicação simples pra comprovar a existência de Deus. Eu tenho. Veja você: a gente acredita em tudo que é possível, e em tudo que é impossível. A gente acredita em universo, que continua se expandindo; a gente acredita em galáxias que não se sabe onde começam, onde terminam; a gente acredita em via-láctea; a gente acredita em coisas inimagináveis, só em Deus a gente prefere não acreditar. Só Deus não existe. Só o maestro pra reger tudo isso não existe. O resto todo existe. Então acho tão simples acreditar em Deus… É tão natural que exista alguma coisa que controle isso tudo. (…) As pessoas acham démodé acreditar. Há um patrulhamento ideológico em acreditar. Jornalistas, via de regra, não podem acreditar. Por que não? Eu acredito. E eu tenho o telefone Dele, falo com Ele direto, tranquilo.”

E ele tem razão. Para algumas pessoas é um tanto constrangedor acreditar em Deus. Principalmente no meio intelectual. Tem gente que acredita mas fica com vergonha de assumir ou simplesmente de usar expressões comuns aos cristãos como “com fé em Deus” ou “graças a Deus”.

Acho que em tempos assim, em que as demonstrações de fé e sentimento estão cada vez mais em baixa, depoimentos como esse de Marcos Losekann são importantíssimos e merecem ser destacados. Eu já admirava o cara, porque ele tem o emprego dos meus sonhos: jornalista de guerra. E agora admiro ainda mais.

Infelizmente a Globo não colocou o vídeo inteiro da entrevista. Dividiram em dois: um de 10 minutos e outro de quase 4 que chega perto do final, mas cortaram uma besteirinha. Não obstante, vale a pena assistir.

Mainardi sobre Capitu

Monday, December 15th, 2008

A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: “Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem”. Luiz Fernando Carvalho usa uma linguagem grotesca, afetada, espalhafatosa, cheia de contorcionismos e de malabarismos. Machado de Assis é o oposto. No livro Dom Casmurro, o relato de Bentinho é espantosamente seco e desencantado. Ele narra sua história apenas para combater o tédio: sem drama, sem sentimentalismo, sem teatralidade. Quando Bentinho descobre que o filho bastardo de Capitu com Escobar morreu de febre tifóide, ele comenta simplesmente: “Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro”.

Diogo Mainardi, falando o que eu queria dizer sobre Capitu, mas não tive calma nem criatividade nem conhecimento suficiente para tanto.

Pauta do dia: Capitu

Tuesday, December 9th, 2008

Ok, agora vão chover posts por aí falando de “Capitu”, minissérie da Globo baseada em “Dom Casmurro”, de vocês sabem quem.

Muito provável que a maioria dos opinantes considere a adaptação moderna, inovadora e que ela rejuvenesce a obra centenária etc. Mas, sem mais delongas, não gostei do que vi.

Tirando uma ou outra cena, um ou outro diálogo, achei tudo moderno demais, inovador demais, rejuvenescedor demais para “Dom Casmurro”. Os efeitos utilizados cairiam bem em um filme hollywoodiano, mas, na minha opinião, não caíram bem na minissérie.

Colocar rock na trilha sonora é legal, mas não combina com a história (aliás, não tem nada a ver, por mais moderno e jovem que se queira parecer). A tensão que as cenas parecem querer provocar me deixaram mais que tenso, me deixaram nervoso. Por que não desliguei, então? Porque queria ao menos dizer que assisti a todo o primeiro capítulo, em vez de “vi um pedaço e não gostei”.

O romance não é assustador. Esse primeiro capítulo da missérie foi. Dom Casmurro, o personagem, não é tão sombrio como o apresentaram na telinha (se é que por acaso ele chega a ser algo perto de “sombrio”, no livro; não afirmo categoricamente porque que faz tempo que o li; mas Machado por Machado, acho que posso dizer que realmente ele não é sequer sombriozinhozinho).

Mas enfim. Vai ver eu sou conservador mesmo. A verdade é que estou doido pra reler “Dom Casmurro” já faz um bom tempo. Acho que começo na próxima semana.

A turma do Didi

Monday, November 3rd, 2008

Quem aí curte “A turma do Didi”? Se eu não fosse tão dorminhoco, assistia todo domingo. Rio às pampas com o Renato Aragão.

O programa é feito com base no humor inocente, com uma ou outra piada que só adultos entendem e que as crianças nem percebem a malícia. Bem mais divertido e engraçado que Zorra Total. Aliás, o ZT não tem graça quase nenhuma.

Karma

Wednesday, September 5th, 2007

You do good things and good things happen to you. You do bad things and it’ll come back to haunt you. It’s karma.

O mantra de Earl, da série “My name is Earl“. Começamos a assistir a primeira temporada, mas ainda não terminamos. Aquela coisa de se prolongar o prazer, evitando que ele termine rápido. Vamos assistindo aos pouquinhos, a série é boa demais.

Ninguém sente muito*

Thursday, February 22nd, 2007

No fim da noite passada, assistindo por acaso o Jornal da Globo, soube que um policial matou, por engano (pausa).

No fim da noite passada, assistindo por acaso o Jornal da Globo, soube que um policial matou, por engano, uma mulher inocente (nova pausa).

No fim da noite passada, assistindo por acaso o Jornal da Globo, soube que UM POLICIAL MATOU, POR ENGANO, UMA MULHER INOCENTE.

Vocês devem ter visto. Isso foi no Rio de Janeiro, se não me engano. Ela estava na sacada de sua “casa” - porque, a rigor, não é uma casa; quem mora na favela não chama o lar de “casa”, chama de “barraco” ou coisa semelhante - quando o indivíduo deu um tiro para o alto; tiro esse que não tinha razão nenhuma de ser. Garotos brincavam, e os policiais acharam que estava acontendo um arrastão. Por isso a intervenção policial, por isso o tiro, para acabar com a bagunça.

O caso é que esse tipo de coisa não surpreende mais a ninguém. Como a morte do menino João, que morreu depois de ser arrastado por 7 kilômetros, preso que estava a um carro roubado por jovens garotos de 16 anos - foi isso, certo? Se não foi, alguém me corrija.

Se bem que não importa a idade dos garotos que arrastaram João. Ou se foi apenas um garoto. O que importa é a idade de João, 6 anos de idade. E morreu assim, de graça. Vítima da crueldade de uns outros guris.

O que importa é a idade da mulher morta por engano, que tinha 24 anos e toda uma vida pela frente, assim como o menino João.

E o que fode tudo, mesmo, é que estamos nos acostumando a esse tipo de coisa. Até a nossa indignação, em outros tempos sincera, verdadeira e cheia de sentimento, hoje soa artificial, de tão banal que se tornou ficar indignado.

Ficar indignado? Pra quê? Adianta?

A gente quase não sente. Ninguém mais sente.

Só as famílias dos mortos. Estes sim, sentem. E muito.

Eu sinto apenas que o policial, mesmo tendo sido preso, tenha saído da prisão depois de pagar fiança. Sinto apenas que os guris que mataram João não sejam presos por toda a vida, pois são menores de idade. E sinto o fato de a hipocrisia de muita gente impedir que seja feita uma verdadeira e dura reforma nas leis que regem esse nosso país de m…

* “Ninguém sente muito”, epígrafe do livro “O homem que não gostava de beijos”, de Edward Pimenta. A frase é atribuída a Jary Mércio.

Já ficou chato…

Sunday, January 14th, 2007

Não vou dizer que não assisto o Big Brother. Mas dessa nova edição, ainda não vi 1 só “capítulo” inteiro. Vi só um trechinho de uma festa idiota que aconteceu em uma madrugada dessas. Eles cantavam e dançavam músicas do Mamonas Assassinas.

Fui pegar um café agora há pouco e passei na frente da tv, que quase sempre fica ligada a madrugada inteira, não me perguntem por que. Aí vi uma garota em cima de um rapaz, dizendo que o beijou porque se sentiu envolvida por ele. Não acompanhei a cena inteira porque meu café é mais importante que isso. Mas já identifiquei o tipo: é a bebum da vez. Teve uma no BBB passado, não lembro quem foi.

Depois vi dois caras conversando meio escondido. Ou é tramóia ou mais um vai sair do armário, tal qual Jean Willys, num outro BBB.

Em seguida vi o que deve ser o Don Juan do BBB, por ele não estar no meio do agito noturno, e sim deitado na cama, conversando com uma das garotas da casa. Ele disse o seguinte: “O que eu quero é me divertir e mostrar quem eu sou“. E depois disse o seguinte: “Quem vai ganhar é quem o Brasil escolher“. Esse indivíduo segue o script que acha que vai conquistar os telespectadores e lhe dar o prêmio maior do programa.

Isso tudo me fez ter uma idéia, que poderia servir a algum desocupado ou estudioso do programa - que acaba dando no mesmo que desocupado: selecionar as frases mais ditas durante o programa e identificar os perfis escolhidos (?) pela produção do programa para participar do reality show. Alguns eu já identifiquei acima: a bebum (talvez seja chamada de “a vagaba”, em breve), o boiola e o “mocinho”.

Não tenho nada contra o programa. Até assisti as primeiras edições. E até hoje lembro do BamBam com aquela boneca que esqueci o nome. Poxa, acho até que chorei no dia que ele ganhou. Ele ganhou uma das edições, certo?

Mas deveriam colocar pessoas mais interessantes no BBB. Sei lá… Pessoas que fizessem trabalhos de voluntariado em suas cidades, pessoas que chefiam grandes empresas, pessoas humildes e esforçadas, professores, enfim, pessoas que pudessem realmente passar algo de bom para que estiver assistindo ao programa. Isso não tornaria o programa chato. Essas pessoas seriam pessoas jovens e bonitas, também. A diferença é que elas teriam algo na cabeça, e não apenas vento.